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Caros irmãos, a celebração do Tríduo Pascal continua com a Liturgia da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os anos, rezamos com os mesmos textos que são extremamente ricos e significativos. Para nossa reflexão, proponho que nos fixemos sobre a primeira leitura (cf. Is 52,13 – 53,12). Peçamos ao Salvador a graça de que não fiquemos indiferentes à Sua Cruz.

No quarto canto do servo do Senhor apresentado por Isaías, lemos: “Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano” (Is 52,14). De fato, é bastante comum que, na contemplação do sofrimento de Jesus, fiquemos assombrados. Diante de tantas e descabidas torturas e humilhações, visto que Ele é o Inocente, algo grita dentro de nós. Não podemos ficar indiferentes, porque desta sensação pode brotar a noção de quão horrível é o nosso pecado e, ao mesmo tempo, como é forte o Amor de Deus por nós.

Em outras palavras, se, por um lado, é certo que o pecado corrói nosso coração a ponto de nos desumanizar, e, mais ainda, somos incapazes de vencê-lo por nós mesmos, por outro lado, é este Servo quem nos justificou. Pois, “a verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; (…) foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura” (cf. Is 53,4-5).

Portanto, para não ficarmos indiferentes à Cruz de Cristo precisamos parar de tratar nossos pecados como meras trivialidades. Um remédio duro assim não é razoavelmente aplicado a uma enfermidade banal. Se nosso pecado levou o Senhor à Paixão, não pode ser considerado com leviandade. Mas não só, tendo recebido o dom de tão grande Redentor, como não querer, por gratidão, amá-lo de volta? Nada que o Senhor nos peça é um sacrifício grande demais, diante daquele que Ele já cumpriu por nós.

Que a Senhora das Dores, interceda por nós, a fim de que, como resposta de amor, permaneçamos sempre na vontade do Senhor. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!