Caros irmãos, a celebração do Tríduo Pascal nos conduz, nesta noite santa, à Vigília Pascal, composta de quatro momentos de grandíssima riqueza: a Luz, a Palavra, o Batismo e a Eucaristia. Quando formos à igreja, não tenhamos pressa e deixemos que o Senhor nos fale ao coração. Nesta breve reflexão, porém, concentremo-nos sobre a segunda leitura (cf. Gn 22,1-18) e a leitura do Novo Testamento (cf. Rm 6,3-11). Peçamos 453ao Redentor que faça renascer em nós a luz da fé.

É verdade: hoje não canta dignamente o aleluia quem ontem não chorou o sacrifício. Porém, não se trata de ir às lágrimas como quem assiste um filme, ou seja, como quem está fora dos acontecimentos, um expectador qualquer. Mas de reconhecer que estamos realmente comprometidos na passagem da vida nova que começa com o fim da velha vida. Ou seja, para nós a morte se torna concreta quando, por amor, entregamos na fé o que o Senhor nos pede – mesmo que isso cause a dor. E crendo na promessa, esperamos nele certos de que não desempara quem a Ele se confia. É o que nos ensina Abraão que oferecendo em sacrifício o que tinha de mais precioso, recebeu de Deus a bênção para todas as gerações (cf. Gn 22,1-18).

Ora, em nossa peregrinação neste mundo, para ressuscitarmos com Cristo será necessário perder, abrir mão de alguma coisa que o Senhor nos pede, mesmo que para o nosso egoísmo isso seja um sacrifício muito grande. Em outras palavras, sem assumirmos voluntariamente perder o que é velho, não chegaremos a provar o frescor da novidade que vem do Senhor. Assim, para chegar à Vida é preciso morrer, como diz o Apóstolo: “Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.” (Rm 6,8). Sejamos generosos com o Senhor, mesmo que isso custe, pois Ele não se deixa vencer em generosidade.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, nossa Mãe e modelo de vida oferecida a Jesus, interceda sempre por nós. Rainha do Céu, alegrai-Vos, Aleluia, porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio, Aleluia, ressuscitou como disse. Aleluia. Rogai por nós a Deus. Aleluia.