Inicial

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO (Pe. Lucas, scj)

Deixe um comentário

Caros irmãos, neste domingo celebramos, no Brasil, a solenidade de São Pedro e São Paulo e, mais uma vez, a liturgia nos põe diante da confissão de fé do Príncipe dos Apóstolos e das promessas de Cristo à Sua Igreja (cf. Mt 16,13-19). Que o Senhor nos una cada vez mais firmemente ao Seu Corpo Místico.

“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16), respondeu São Pedro a Jesus. Depois disso, o Senhor lhe fez sinal visível da unidade eclesial (cf. Mt 16,18-19). Por isso, neste São Pedro e São Paulo Apóstolosdia, rezamos pelo Santo Padre, o Papa Francisco, pedindo ao Senhor que o sustente e fortaleça na verdadeira fé no combate cotidiano de conservá-la e anunciá-la.

O texto evangélico desta liturgia traz, porém, uma promessa que, infelizmente, muitas vezes passa despercebida: “o poder do inferno nunca poderá vencê-la” (Mt 16,18c). Que o inferno tente destruir a fé e a Igreja que a guarda desde seu início é algo que vemos ao longo de seus dois mil anos de história. De dentro e de fora sempre sugiram (surgem e surgirão) conflitos que a ameaçam e que parecem que a vão destruir. Quantas vezes não pareceu que a Barca de Pedro não suportaria a tempestade? Quantos são aqueles que hoje não veem mais saída e, por isso, perdem a esperança? Mas, lembremo-nos: o poder do inferno nunca prevalecerá.

Sempre e sempre a Igreja foi restaurada e reerguida pelos seus santos. Uma multidão de homens e mulheres que se deixaram amar tão profundamente pelo Pai dos Céus que se transformaram em luzeiros no meio das trevas deste mundo. E é esta a nossa vocação, não importa qual o nosso estado de vida: a santidade. Por isso, mais do que esperar que alguém faça alguma coisa pela Igreja, abra o seu coração e se deixe transformar por Deus combatendo o bom combate da fé e anunciando Jesus Cristo, Senhor e Salvador sempre e em todo lugar, como fez São Paulo (cf. 2Tm 4,6-8.17-18 – segunda leitura).

Que a intercessão da santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja, esteja sempre conosco na vivência da nossa vocação. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

Anúncios

EM VÓS ESTÁ A FONTE DA VIDA

Deixe um comentário

Das Obras de São Boaventura, bispo.

Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que, do lado de Cristo morto na cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que transpassaram (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram sangue e água. Este é o preço da nossa salvação. Saído daquela fonte divina, isto é, no íntimo do seu Coração, iria dar aos sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça, tornando-se para os que já Sagrado Coração de Jesus - íconevivem em Cristo bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).

Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4), não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3). Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn 2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira.

Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração: “Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da vossa divindade.

Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial daquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha!”

De ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao vosso nome, sabendo por experiência que em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz (Sl 35,10).

VOZ DO QUE CLAMA NO DESERTO

Deixe um comentário

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo.

A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem.

O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé. Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor. Nele pensais com amor filial,a ele recebestes no coração, dele vos tornastes templos.

João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A lei e os profetas até João Batista (Lc 16,16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado profeta ainda estando nas entranhas da mãe. Na verdade, antes mesmo de Isabel Zacarias Batistanascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. Tudo isto são coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e solta-se a língua do pai. Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes fatos.

Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se claro. O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: Quem és tu? (Jo 1,19). E ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto (Jo 1,23). João é a voz; o Senhor, porém,no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.

XII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C (Pe. Lucas, scj)

Deixe um comentário

Caros irmãos, a liturgia do décimo segundo Domingo do Tempo Comum nos leva a contemplar, num diálogo de Jesus com os seus discípulos, aspectos fundamentais de nossa vida enquanto cristãos (cf. Lc 9,18-24). Abramos nosso coração e deixemos que o Senhor nos fale.

“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Lc 9,20a). Com essa pergunta, Jesus traz à luz a pregac3a7c3a3o_caminho_para_a_cruz_sermc3a3o_semana_santa_estudo_bc3adblico_c3baltimos_dias_de_jesus.jpgimportância da autêntica fé para além das múltiplas opiniões daqueles que não creem, ainda que estas sejam, em algum modo, positivas. A resposta é dada por São Pedro: “O Cristo de Deus” (Lc 9,20b). E, nesta resposta, temos, em síntese, a fé dos cristãos: Jesus é o enviado de Deus, o Filho, Deus verdadeiro que, por amor, se fez homem.

Ora, é justamente esta convicção de ser amados de tal modo que o próprio Deus veio habitar entre nós que nos leva ao seguimento. Ou seja, sustentados pela graça desde o primeiro instante, somos impulsionados pelo mesmo Espírito a seguir Jesus Cristo no caminho da cruz que leva para a vida eterna. E saber que seu caminho contém a cruz é importante para que não nos iludamos e pensemos que Ele veio dar-nos facilidades nesta vida: somos servos de um Senhor crucificado e é na cruz de cada dia que nos unimos a Ele.

Que a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos sustente em nossa luta cotidiana. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

CANTAREI ETERNAMENTE AS MISERICÓRDIAS DO SENHOR

Deixe um comentário

Da Carta escrita por São Luís Gonzaga à sua mãe.

Ilustríssima senhora, peço que recebas a graça do Espírito Santo e a sua perpétua consolação. Quando recebi tua carta, ainda me encontrava nesta região dos mortos. Mas agora, espero ir em breve louvar a Deus para sempre na terra dos vivos. Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo. Se é caridade, como diz São Paulo, chorar com os imagesque choram e alegrar-se com os que se alegram (cf. Rm 12,15), é preciso, mãe ilustríssima, que te alegres profundamente porque, por teus méritos, Deus me chama à verdadeira felicidade e me dá a certeza de jamais me afastar do seu temor.

Na verdade, ilustríssima senhora, confesso-te que me perco e arrebato quando considero, na sua profundeza, a bondade divina. Ela é semelhante a um mar sem fundo nem limites, que me chama ao descanso eterno por um tão breve e pequeno trabalho; que me convida e chama ao céu para aí me dar àquele bem supremo que tão negligentemente procurei, e me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei.

Por conseguinte, ilustríssima senhora, considera bem e toma cuidado em não ofender a infinita bondade de Deus. Isto aconteceria se chorasses como morto aquele que vai viver perante a face de Deus e que, com sua intercessão, poderá auxiliar-te incomparavelmente mais do que nesta vida. Esta separação não será longa; no céu nos tornaremos a ver. Lá, unidos ao autor da nossa salvação, seremos repletos das alegrias imortais, louvando-o com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as suas misericórdias. Se Deus toma de nós aquilo que havia emprestado, assim procede com a única intenção de colocá-lo em lugar mais seguro e fora de perigo, e nos dar aqueles bens que desejamos dele receber.

Disse tudo isto, ilustríssima senhora, para ceder ao desejo que tenho de que tu e toda a minha família considereis minha partida como um feliz benefício. Que a tua bênção materna me acompanhe na travessia deste mar, até alcançar a margem onde estão todas as minhas esperanças. Escrevo isto com alegria para dar-te a conhecer que nada me é bastante para manifestar com mais evidência o amor e a reverência que te devo, como um filho à sua mãe.

Ó PRECIOSO E ADMIRÁVEL BANQUETE!

Deixe um comentário

Das Obras de Santo Tomás de Aquino, presbítero.

O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses.

Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço christ-the-high-priest-icon-902.jpgdo nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.

Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida. Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento?

De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.

É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos.

Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão.

Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai. A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (Pe. Lucas, scj)

Deixe um comentário

Caros irmãos, neste primeiro domingo depois de Pentecostes, celebramos a solenidade da Santíssima Trindade. Nela, a Liturgia nos apresenta um pequeno trecho do Evangelho de São João no qual a íntima unidade que existe entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo é ressaltada (cf. Jo 16,12-15). A partir deste texto, aproximemo-nos de tal imenso e profundo mistério para entrarmos em comunhão com ele.

Sendo a Trindade a tão íntima e profunda comunhão de amor, a primeira coisa que Ícone moderno da Santíssima Trindadenotamos é que, de fato, nossa existência não é necessária: Deus continuaria a ser tal e qual, sem ser diminuído em nada se não nos tivesse criado. Pois na Revelação da Trindade contemplamos uma realidade perfeitíssima: o Pai ama o Filho e este, eternamente gerado, ama o Pai num tão perfeito amor que é ele próprio uma pessoa divina, o Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho. Não há necessidade de que outra coisa exista. Mas, mesmo assim, estamos aqui. E este é o primeiro (grande) sinal da gratuidade de Sua misericórdia: nós fomos criados por amor, gratuitamente.

Mas, não para por aí. Afastando-nos de Deus com nosso pecado, Ele mesmo nos oferece o Filho, Jesus Cristo, como Redentor. E ainda mais, com o Espírito que nos é dado, conforme celebramos na Liturgia do domingo passado, temos a esperança de chegar, por Cristo, com Cristo e em Cristo, àquela comunhão trinitária perfeita e participar de sua Vida infinitamente feliz. Como não ficarmos boquiabertos com tamanho amor dirigido à nossa extrema pobreza?

Assim sendo, respondamos, também nós, com amor, abrindo nosso coração e nos deixando transformar completamente a fim de que nossa vida renovada seja sinal da presença e da potência do Amor de Deus para todos os que vivem uma vida sem sentido.

Que a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos acompanhe hoje e sempre. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

Older Entries