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VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

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Caros irmãos, celebramos o vigésimo segundo domingo do Tempo Comum e recebemos do Senhor Jesus preciosos ensinamentos sobre a humildade e a caridade (cf. Lc 14,1.7-14). Peçamos o Seu Espírito para que, a Seu exemplo e por Sua Graça, nos tornemos humildes e caridosos.

Na conclusão do ensinamento do Senhor sobre a humildade, lemos: “quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado” (Lc 14,11). São palavras desconcertantes. Então, será mesmo necessário nos humilharmos? Não seria este um caminho de autodestruição?

Mas Santa Teresa de Jesus nos ensina que “humildade é andar na verdade diante da Faceprópria Verdade”. Então, precisamos, em primeiro lugar, para entendermos o que o Senhor nos quer dizer, nos colocar com fé na Sua presença e reconhecer aquilo que realmente somos: miseráveis criaturas que, em tudo, dependem do Pai. Ao mesmo tempo, este movimento nos revela como é sublime a humildade daquele que desceu dos céus para nos salvar. Como poderíamos tê-lo como Mestre e Senhor e rejeitarmos o seu caminho? Em seguida, devemos prestar mais atenção nos santos. Talvez nos achamos bons demais por não nos termos comparado ainda com aqueles que souberam realmente corresponder o Amor de Deus…

Assim, percebemos que a humildade é a base da vida em Cristo da qual Ele nos lança para a caridade. Em outras palavras, nosso Senhor nos quer elevar aos altos cumes da caridade, mas fará isso quando nosso coração estiver livre à Sua ação – o último entrave a ser removido é nosso cego orgulho.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, grande modelo de fé, esperança e caridade, interceda por nós a fim de que, como bons filhos, sejamos, também nós, humildes para que Deus realize grandes coisas. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

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SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, neste domingo celebramos a Solenidade da Assunção da Virgem Maria, transferida da última quinta-feira e a liturgia nos apresenta o evangelho da visita de Nossa Senhora a Isabel (cf. Lc 1,39-56). Peçamos ao Senhor que tenhamos olhos para ver seus sinais e esperança para progredir em seu caminho.

A primeira leitura nos apresenta dois sinais: o primeiro – um grande sinal – é uma mulher vestida de sol, coroada com estrelas tendo a lua debaixo dos pés (cf. Ap 12,1). Vemos nela a bem-aventurada Virgem Maria que, nas palavras do Papa Pio XII, “terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” [1]. Ela é sinal da infinita misericórdia de Deus que, por desígnio livre de Sua vontade, a preservou Imaculada e a uniu à Ressurreição de Seu Filho de modo singular. Ela é também sinal do absoluto poder divino, capaz de realizar em seu ser prodígios tão extraordinários. Ela é ainda sinal da fidelidade do Senhor que continua a olhar a pequenez humana convidando-a para a vida bem-aventurada no céu – essa é a nossa vocação – e sustentando-a com seus dons.

O segundo sinal é um dragão (cf. Ap 12,3). Ele representa o mal. Porque apesar de termos uma altíssima vocação, ainda não a vivemos plenamente. Ou seja, o mal e a imperfeição marcam a realidade deste mundo. E é justamente por isso que precisamos combater sem desanimar, mesmo quando formos derrotados, com os olhos fixos naquele que “viu a pequenez de sua serva” (Lc 1,48) porque Ele quer fazer, também em nós, grandes coisas. Assim, permaneceremos sempre firmes na esperança de que o Senhor derrotará o mal e isso sucederá em nosso próprio coração.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha dos Anjos, interceda sempre por nós.

Ave, Rainha do céu;

ave, dos anjos Senhora;

ave, raiz, ave, porta;

da luz do mundo és aurora.

Exulta, ó Virgem tão bela,

as outras seguem-te após;

nós te saudamos: adeus!

E pede a Cristo por nós!

Virgem Mãe, ó Maria!

 

 

[1] Pio XII, Munificentissimus Deus, 44. Disponível em: <http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus.html>.

DÉCIMO NONO DOMINGO DO TEMPO COMUM (Pe. Lucas, scj)

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Jesus ensinando

Caros irmãos, na celebração do décimo nono domingo do Tempo Comum, o Senhor nos chama à vigilância (cf. Lc 12,32-48). Peçamos que sua Graça nos desperte e nos sustente no caminho.

Precisamos, antes do mais, descobrir se estamos acordados. E Jesus nos dá um critério: o tesouro do nosso coração. Se pararmos um pouco e nos perguntarmos o que está no centro da nossa preocupação, descobriremos qual é nosso tesouro… “Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, diz o Senhor (Lc 12,34). Em outras palavras, todos temos alguma coisa muito valiosa pela qual estamos vivendo, mesmo que não nos demos conta disso. Então, perguntemo-nos: que motivação tenho eu nas atividades cotidianas? Por que tenho feito o que tenho feito? E respondendo com sinceridade poderemos perceber se o centro de nossas atenções está nas coisas da terra ou nas coisas do céu.

Ora, se nossa vida está voltada para a terra, ou seja, para as coisas do Senhor, estamos como que dormindo, iludidos pelas promessas daquilo que é passageiro. Mas, “Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar” (Lc 12,37)! Se nosso coração está voltado para o Senhor de todas as coisas, então, temos já dentro de nós a fonte que jorra para a vida eterna. E é lá (somente lá) que nosso coração pode repousar em perene paz. Coloquemos nosso coração em Deus e estaremos sempre acordados – vigilantes!

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, interceda por nós a fim de que tenhamos os olhos fixos na nossa meta, Seu Filho, nosso Senhor, por quem recebemos a promessa de que o Pai nos quer dar o Reino (cf. Lc 12,32). À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

SERVIU O SAGRADO SANGUE DE CRISTO

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Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo.

A Igreja Romana apresenta-nos hoje o dia glorioso de São Lourenço quando ele calcou o furor do mundo, desprezou sua sedução e num e noutro modo venceu o diabo perseguidor. Nesta mesma Igreja – ouvistes muitas vezes – Lourenço exercia o ministério de diácono. Aí servia o sagrado sangue de Cristo; aí, pelo nome de Cristo, derramou seu sangue. O santo apóstolo João expôs claramente o mistério da ceia ao dizer: Como Cristo entregou sua vida por nós, também nós devemos entregar as nossas pelos irmãos (1Jo 3,16). São Lourenço, irmãos, entendeu isto; entendeu e fez; e da mesmíssima forma como recebeu daquela mesa, assim a preparou. Amou a Cristo em sua vida, imitou-o em sua morte.

Também nós, irmãos, se de verdade amamos, imitemos. Não poderíamos produzir melhor fruto de amor do que o exemplo da imitação; Cristo sofreu por nós, deixando-nos o exemplo para seguirmos suas pegadas (1Pd 2,21). Nesta frase, parece que o apóstolo Pedro quer dizer que Cristo sofreu apenas por aqueles que seguem suas pegadas e que a morte de Cristo não aproveita senão àqueles que caminham em seu seguimento. Seguiram-no os santos mártires até à efusão do sangue, até à semelhança da paixão; seguiram-no os mártires, porém não só eles. Depois que estes passaram, a ponte não foi cortada; ou depois que beberam, a fonte não secou.

Tem, irmãos, tem o jardim do Senhor não apenas rosas dos mártires; tem também lírios das virgens, heras dos casados, violetas das viúvas. Absolutamente ninguém, irmãos, seja quem for, desespere de sua vocação; por todos morreu Cristo. Com toda a verdade, dele se escreveu: Que quer salvos todos os homens, e que cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4).

Compreendamos, portanto, como pode o cristão seguir Cristo além do derramamento de sangue, além do perigo de morte. O Apóstolo diz, referindo-se ao Cristo Senhor: Tendo a condição divina, não julgou rapina ser igual a Deus. Que majestade! Mas aniquilou-se, tomando a condição de escravo, feito semelhante aos homens e reconhecido como homem (Fl 2,7-8). Que humildade!

Cristo humilhou-se: aí tens, cristão, a que te apegar. Cristo se humilhou: por que te enches de orgulho? Em seguida, terminada a carreira desta humilhação, lançada por terra a morte, Cristo subiu ao céu; sigamo-lo. Ouçamos o Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, descobri o sabor das realidades do alto, onde Cristo está assentado à destra de Deus (Cl 3,1).

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DESPOSAR-TE-EI PARA SEMPRE

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Do Cântico espiritual, de São João da Cruz, sacerdote.

A alma, unida e transformada em Deus, respira em Deus para Deus, com profundíssima aspiração semelhante à divina que Deus, nela presente, respira em si mesmo; é este seu modelo. Tanto quanto entendo, foi isto que São Paulo quis dizer com estas palavras: Porque sois filhos, enviou Deus a vossos corações o Espírito de seu Filho que clama: Abá, Pai! (Gl 4,6). É o que se dá com os perfeitos.

Não é de admirar que a alma possa realizar coisa tão sublime. Se Deus lhe concedeu o favor da união deiforme na Santíssima Trindade, por que, pergunto, será incrível que ela possa realizar sua vida de inteligência, conhecimento e amor na Trindade, unida à própria Trindade, assemelhando-se ao máximo a ela e tendo a viver nela o próprio Deus?

Nenhuma capacidade ou sabedoria poderá expressar melhor como isto se faz do que as palavras do Filho de Deus pedindo para nós este sublime estado e lugar e prometendo que seríamos filhos de Deus. Assim rogou ao Pai: Pai, aqueles que me deste quero que onde eu estou, estejam eles comigo (Jo 17,24), realizando por participação aquilo mesmo que faço. Disse mais: Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que crerão em mim, através de suas palavras; para que todos sejam um como tu, Pai, em mim e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um assim como nós somos um. Eu neles e tu em João da Cruzmim, a fim de que sejam consumados na unidade; e o mundo conheça que me enviaste e os amaste como também me amaste a mim (Jo 17,20-23).

O Pai põe em comum com eles o mesmo amor que comunica ao Filho: não no entanto, por natureza, como ao Filho, mas pela unidade e transformação operadas pelo amor. Também não se deve entender que o Filho peça ao Pai que os santos sejam um por essência, como são um o Pai e o Filho na unidade do amor. Os santos possuem assim, por participação, os mesmos bens que eles possuem por natureza. Por isso são verdadeiramente deuses por participação, feitos à semelhança e consortes do próprio Deus.

Daí dizer Pedro: Graça e paz a vós em abundância no conhecimento de Deus e do Cristo Jesus, nosso Senhor. O poder divino nos concedeu tudo quanto se relaciona à vida e à piedade. Pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude, por quem cumpriu para nós as maiores e mais preciosas promessas, para que por elas nos tornemos consortes da natureza divina (2Pd 1,2-4). Nesta união a alma é, pois, feita em seu agir participante da Trindade. Isto só se dará perfeitamente na vida futura; contudo já nesta vida se alcança não pequena parcela e antegozo.

Ó almas, criadas para o gozo de tão indizíveis dons, que fazeis? Para onde se voltam vossos esforços? Ó deplorável cegueira dos filhos de Adão, fecham-se os olhos à imensa luz envolvente e se tornam surdos a tão potentes palavras!

DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, na liturgia do décimo oitavo domingo do Tempo Comum, Jesus nos ensina que a vida humana não consiste na abundância de bens (cf. Lc 12,13-21). Em que consiste, então? Peçamos ao Senhor que nos ensine a buscar sempre o Seu Reino em primeiro lugar!

Que a ganância é uma espécie de idolatria, o Apóstolo nos diz na segunda leitura com clareza meridiana (cf. Cl 3,1-5.9-11). Mas não basta apenas que alguém nos diga isso: é preciso meditar essa verdade e reconhecê-la dentro de nós. De fato, em nosso coração Spas_vsederzhitel_sinayexiste a tendência desordenada de buscar segurança e paz nos bens materiais. Problema: a felicidade não se encontra na posse de muitas coisas. Afinal, ouvimos há duas semanas: “uma só coisa é necessária” (Lc 10,42). Note-se, porém que, em si, os bens materiais são bons (como o próprio nome diz); contudo não enxergar a sua limitação e atribuir-lhes um valor superior àquele que eles realmente têm é um problema sério. Todos precisamos humildemente meditar sobre isso.

E como escapar dessa armadilha? Nosso Senhor, através de uma parábola (cf. Lc 12,16b-21), nos indica o caminho seguro da meditação sobre a morte – não só a morte em si, mas a nossa própria morte. Cotidianamente, nós que rezamos a Liturgia das Horas temos essa grata oportunidade nas Completas. Porém todo cristão deveria se dedicar a este pensamento ao menos uma vez por dia: se morresse hoje, que seria de mim? Se soubesse que hoje é meu último dia, teria investido meu tempo e minhas capacidades nas mesmas coisas? E, mais: quem garante que a irmã morte não nos visitará hoje?

Peçamos, assim, que a Bem-aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora da Boa Morte, nos ensine a viver bem, na presença de Seu Filho, buscando a verdadeira felicidade dos céus. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

 

 

 

Sugestão de trilha sonora para a meditação:

Requiem Mass in D Minor (K 626), de Wolfgang Amadeus Mozart. Brilhantemente executada pela Orchestre national de France com regência de James Gaffigan: <https://www.youtube.com/watch?v=Dp2SJN4UiE4>.