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PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO (P. Lucas, scj)

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Caros irmãos, iniciamos, neste domingo, um novo tempo (o Advento) e, com ele, um novo ano litúrgico (Ano A, dedicado ao Evangelho de Mateus). Nesta liturgia, Jesus nos chama àquela que é a característica da vida cristã e que se vive fortemente neste período, a vigilância (cf. Mt 24,37-44). Que a sua Graça nos dê um coração aberto e atento para recebê-lo.

Na dinâmica da tríplice vinda do Senhor – a primeira, humilde, na carne para a nossa redenção; a segunda, na glória, para consumar sua obra; e a terceira, intermédia e mística, na vida da Igreja – é imprescindível a virtude da vigilância: “ficai atentos! image005Porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mt 24,42). De fato, Jesus veio, virá e vem sempre ao nosso encontro por diversos meios. A primeira pergunta é: estamos esperando a sua visita? Estamos atentos aos sinais da sua presença e da sua ação na nossa vida?

Quando, então, tomamos consciência de que devemos nos dispor para que a presença do Senhor em nossa vida não seja inócua, chegamos à segunda pergunta: o que devemos fazer para estarmos preparados? Podemos encontrar uma resposta nas palavras do Apóstolo, presentes na segunda leitura: “despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz” (Rm 13,12). Ou seja, o forte tempo do Advento também é marcado pela penitência e pela oração. Estas são, sim, características que nos acompanham em todos os momentos. Mas, é preciso exercitá-las com mais atenção para que não nos acomodemos. Proponhamo-nos, então, a intensificar essas práticas neste período para dar um novo (ou renovado) ritmo cristão à nossa vida.

Que nossa Mãe Bendita, a Santa e sempre Virgem Maria, a Senhora da Esperança, interceda por nós e nos ajude a viver bem este tempo de despertar cristão em nossa vida cotidiana. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

I Domingo do Advento: Mt 24,37-44

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Por Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

Neste tempo santo do Advento a Igreja reza: “Revestido da nossa fragilidade, Ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos” (Prefácio Advento I). Nestas palavras, encontramos a síntese completa da teologia e espiritualidade do Advento; é tempo de preparação para fazer memória da primeira vinda de Cristo (advento natalino), mas também é celebração vigilante e jubilosa que proclama a sua vinda definitiva na glória (advento escatológico). Porém, não há um hiato entre a primeira e a segunda vindas de Jesus, pois Ele não é um simples personagem da nossa lembrança, nem muito menos um ausente aguardado com ansiedade. Por isso, também rezamos: “Agora e em todos os Ícone - Juízo Finaltempos, Ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino” (Prefácio Advento I/A).

Neste I Domingo do Advento, a liturgia nos indica qual deve ser a atitude mais coerente e profícua para vivenciarmos bem este tempo de preparação: “Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. A vigilância na Sagrada Escritura é a atitude de quem está atento aos acontecimentos da vida, sabe ler neles os apelos de Deus e está em permanente estado de espera, por isso, é capaz de reconhecer que o Senhor vem constantemente, independe das diversas maneiras de Ele se fazer presente. Por conseguinte, esperar não significa acomodar-se; esperar pelo Senhor não deve ser um pretexto para cruzar os braços. Destarte, o sinal seguro de vigilância é uma atitude operante: “Dois homens estarão trabalhando no campo … Duas mulheres estarão moendo no moinho”. Contudo, não há um lugar especial e exclusivo, nem uma atividade particular e específica que garantem a autêntica vigilância ou a adequada preparação para o encontro com o Senhor. A diferença está na atitude interior de atenção que leva a discernir a sua presença.

Jesus ilustra o seu ensinamento sobre a vigilância evocando a figura de Noé, o último patriarca antes do dilúvio, símbolo do homem justo porque está atento à voz de Deus, diferente da sociedade do seu tempo desatenta, dissoluta e alienada diante de suas opções. Noé é visto também na Sagrada Escritura como instrumento de Deus para salvar a humanidade e, ao mesmo, é figura do novo começo, da criação restabelecida. O seu próprio nome (hebraico, Noah) tem conotação de descanso, consolação e salvação (de nuahnâham: Gn 5,29), por isso ele está entre os vários tipos transitórios do Antigo Testamento que anunciam o definitivo, isto é, o Messias.

Assim como Noé passou 40 dias dentro da arca a fim de que a criação fosse salva e renovada, Jesus fez o seu tempo de preparação durante os 40 dias no deserto, precedido pelo seu batismo, símbolo do novo dilúvio e realização do novo êxodo, a partir do qual Deus refaz toda a sua criação no seu Filho amado (cf. 1Pd 3,20). Assim como Noé foi chamado para estabelecer com Javé uma aliança, garantia de que Deus não destruiria mais a terra, com Jesus, Deus estabeleceu a nova e eterna aliança, através da sua cruz, constituída a nova e definitiva arca da salvação (cf. Ef 2,16).  Assim como Noé, depois da purificação da humanidade com o dilúvio, plantou a vinha a fim de alegrar, com os seus frutos, o coração humano (Gn 9,20), o novo Noé declara-se a videira verdadeira, que dá frutos não apenas para a alegria passageira do ser humano, mas dá a verdadeira vida aos que nela forem enxertados (cf. Jo 15,1s).

A cegueira do ser humano dos tempos de Noé, de Jesus e de hoje continua a mesma: enxerga muito pouco da vida, pois limita-se apenas, na maioria dos casos, ao que come ou bebe (vida puramente animal), ou mesmo aos seus projetos temporais (casar-se e dar-se em casamento). Vigiar significa reconhecer que a vida é chamada à plenitude que ultrapassa os limites da existência terrena; vigiar é reconhecer que palmilhar essa estrada rumo à plenitude é deixar-se guiar por Aquele que, sendo Deus, se fez homem e, por isso, se faz caminho seguro, pois é presença constante, é o Emanuel, o Deus conosco cuja primeira vinda celebramos com gratidão e cuja vinda definitiva aguardamos com esperança e alegria. Porém, Ele espera de nós que estejamos sempre vigilantes para o acolhermos a cada momento, em cada semelhante. Advento é tempo pedagógico para fazer esse caminho!!!

 

Publicação original: https://www.dehonianosbre.org.br/homilias/i-domingo-do-advento–mt-24-37-44

AI DA ALMA EM QUE NÃO HABITA CRISTO

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Das Homilias atribuídas a São Macário, bispo.

Deus outrora, irritado contra os judeus, entregou Jerusalém como espetáculo aos gentios; e foram dominados por aqueles que os odiavam; não havia mais festas nem oblações.De igual modo, irado contra a alma por ter transgredido o mandamento, entregou-a aos inimigos que a seduziram e a deformaram.

Se uma casa não for habitada pelo dono, ficará sepultada na escuridão, desonra, desprezo, repleta de toda espécie de imundícia. Também a alma, sem a presença de seu Deus, que nela jubilava com seus anjos, cobre-se com as trevas do pecado, de 896d0696cesentimentos vergonhosos e de completa infâmia.

Ai da estrada por onde ninguém passa nem se ouve voz de homem! Será morada de animais. Ai da alma, se nela não passeia Deus, afugentando com sua voz as feras espirituais da maldade! Ai da casa não habitada por seu dono! Ai da terra sem o lavrador que a cultiva! Ai do navio, se lhe falta o piloto; sacudido pelas ondas e tempestades do mar, soçobrará! Ai da alma que não tiver em si o verdadeiro piloto, o Cristo! porque lançada na escuridão de mar impiedoso e sacudida pelas ondas das paixões, jogada pelos maus espíritos como em tempestade de inverno, encontrará afinal a morte.

Ai da alma se lhe falta Cristo, cultivando-a com diligência, para que possa germinar os bons frutos do Espírito! Deserta, coberta de espinhos e de abrolhos, terminará por encontrar, em vez de frutos, a queimada. Ai da alma, se seu Senhor, o Cristo, nela não habitar! Abandonada, encher-se-á com o mau cheiro das paixões, virará moradia dos vícios.

O agricultor, indo lavrar a terra, deve pegar os instrumentos e vestir a roupa apropriada para o trabalho; assim também Cristo, o rei celeste e verdadeiro agricultor, ao vir à humanidade, deserta pelo vício, assumiu um corpo e carregou, como instrumento, a cruz.

Lavrou a alma desamparada, arrancou-lhe os espinhos e abrolhos dos maus espíritos, extirpou a cizânia do pecado e lançou ao fogo toda a erva de suas culpas. Tendo-a assim lavrado com o lenho da cruz, nela plantou maravilhoso jardim do Espírito, que produz toda espécie de frutos deliciosos e agradáveis a Deus, seu Senhor.

Solenidade de Cristo Rei: Lc 23,35-43 – Insultas ou defendes o teu Rei?

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Por: Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

A Solenidade de Cristo, Rei do Universo, mais do que marcar o término do Ano Litúrgico, é anúncio profético da conclusão de toda a história: Aquele que se ofereceu na cruz, vítima pura e pacífica e realizou a redenção da humanidade, entregará ao Pai um reino eterno e universal (Prefácio da Solenidade de Cristo Rei). Portanto, tudo se encaminha para o definitivo estabelecimento do Reino de Deus. A cada Eucaristia anunciamos esta verdade e renovamos o nosso compromisso de colaborar com a instauração desse Reino. O Reino de Deus não é mais uma utopia que pretende enganar a humanidade a fim de que ela não enlouqueça diante da sua impotência de fazer acontecer, no aqui e agora, as suas aspirações de justiça, paz, igualdade, etc.

O cristão autêntico não se pergunta se o Cristo vencerá ou se ainda há esperança de que Ele reine. O verdadeiro discípulo do Mestre não tem dúvida de que Ele já é vitorioso, e que o seu reinado já foi inaugurado: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Por outro lado, anunciar a vitória de Cristo Rei é optar pelo seu caminho e destino; é vencer a tentação de ficar apenas assistindo passivamente à sua luta, ou mesmo, diante do desânimo e frustrações humanas, passar para o outro lado, tornando-se um adversário dele, colaborando com o antirreino. A cruz de Jesus não é apenas instrumento de suplício, mas prova da sua fidelidade ao Pai, confundindo os seus opositores. A cruz é o trono do qual Ele exerce a sua suprema autoridade, não abdica do seu poder real, mas o manifesta sobretudo no perdão e na misericórdia para aqueles que o reconhecem, apesar de seu icone_crucificadosofrimento, como Salvador da humanidade.

Nas atitudes e reações daqueles que estavam presentes no calvário, Lucas nos apresenta, num movimento crescente, os três graus de cumplicidade na execução da morte de Jesus, ápice da rejeição à sua pessoa e ao seu projeto de vida. Parte-se da incredulidade dos chefes do povo, passando pelo escárnio dos soldados, até culminar na blasfêmia proferida por um dos malfeitores pendentes da cruz. Essas três reações, na verdade, são as últimas tentativas (tentações) de convencer Jesus de trair o projeto do Pai, negando a sua encarnação e fazendo-o romper definitivamente com a sua missão de Messias Sofredor.

No início do evangelho, Lucas finaliza a narração das tentações afirmando: “Tendo acabado toda a tentação, o diabo o deixou até o tempo oportuno” (grego: kairós, Lc 4,13). Eis, portanto, o tempo oportuno, o momento decisivo para Jesus testemunhar a sua fidelidade ao Pai e ao seu projeto de salvação.

Assim como o diabo introduzia suas propostas tentadoras com a expressão: “Se és Filho de Deus”, os chefes, os soldados e o malfeitor também fazem referência aos títulos de Jesus (Filho de Deus, Rei dos Judeus, Messias). Tanto o diabo como os outros exigem que Jesus dê provas disso. Para o diabo, a prova era usar a sua prerrogativa divina em benefício próprio, isto é, matar a própria fome; para os chefes, ser filho de Deus era salvar-se a si mesmo. Esse é o primeiro grau de cumplicidade com o projeto do diabo: exigir que o Messias não seja o servo sofredor, e por isso não acreditam que aquele crucificado, coberto de dores, fosse o Messias. Eis por que “ridicularizavam-no (grego: eksemuktérizon, contorcer o nariz, virar-se para não ver, caçoar): a outros salvou, que salve a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito”. Os primeiros que deveriam ter reconhecido Jesus como o Messias fazem dele objeto de riso (brincadeira), não veem que o crucificado é o Deus encarnado que levou a sério a sua missão, até as últimas consequências, não permitindo que as pessoas fossem tratadas com menosprezo, tornando-se, assim, o defensor dos postos à margem.

Se o diabo prometeu a Jesus dar-lhe todos os reinos da terra, os soldados insultam Jesus ironizando com o título de “Rei dos Judeus”. Esse é o segundo grau de cumplicidade com o projeto do diabo: “traziam-lhe vinagre, e diziam: Se és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo”. Àquele cuja dignidade real duvidam, oferecem a bebida dos miseráveis (vinagre: vinho podre), e assim reiteram que o crucificado não pode ser um rei, pois não tinha nem reinos nem poderes, visto que quando teve a oportunidade de recebê-los (do diabo), recusou. Na última tentação, o diabo sugere a Jesus, apoiando-se na Escritura, reivindicar toda isenção de dificuldade e problema, pois sendo um protegido de Deus, nada o poderia atingir, e caso se encontrasse em situações adversas, o Altíssimo enviaria os seus anjos para livrá-lo. Esta é a mentalidade do malfeitor, a sua blasfêmia representa o terceiro grau de cumplicidade com o projeto do diabo: “Não és tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós”. Assim como o diabo foi derrotado no início da vida pública de Jesus, tal derrota é confirmada no julgamento da cruz. Portanto, as palavras do bom ladrão representam a grande proclamação desse julgamento: “Ele não fez nenhum mal”. Pedro, no seu discurso na casa de Cornélio, dirá: “Como Deus o ungiu (Messias) com o Espírito Santo e com poder, ele que passou fazendo o bem” (At 10,38s). Eis a grande prova de que Jesus é o Messias, o Eleito de Deus. Participar do seu Reino é proclamar essa verdade e comprometer-se com ela. Enquanto todos os opositores exigiram de Jesus que abandonasse a cruz e desse provas de que era o Messias, o Filho de Deus, o bom ladrão, pregado na cruz, reconhece quem é aquele que está ao seu lado: “Jesus” e, por isso, faz-lhe um pedido para permanecer sempre do seu lado: “lembra-te de mim quando estiveres no teu reinado”.

Enquanto os adversários se dirigiam a Jesus usando ironicamente os seus títulos, o bom ladrão dirige-se a Ele, chamando-o por seu nome, isto é: “Deus salva” (Jesus), grande proclamação de fé, diante da incredulidade dos chefes, dos soldados e do malfeitor que acreditavam que Jesus só poderia salvar abandonando a cruz, fugindo da morte. Assim como o tentador, todos os adversários do Reino querem um Jesus sem cruz. A tentação de abandonar a cruz torna-se insulto e blasfêmia ao Crucificado. Distanciar-se da cruz é ser impedido de ouvir a grande verdade da sua vitória, da sua ressurreição que alimenta a nossa esperança: “Em verdade vos digo: ‘Hoje mesmo estarás comigo no paraíso’”.

 

Publicação original em: https://www.dehonianosbre.org.br/homilias/solenidade-de-cristo-rei–lc-23-35-43–insultas-ou-defendes-o-teu-rei-

 

 

SOLENIDADE DE JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO (P. Lucas, scj)

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Caros irmãos, no último domingo do Tempo Comum, a liturgia nos dá a oportunidade de celebrarmos a solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, na qual o evangelho nos traz uma das cenas da crucifixão do Senhor segundo Lucas (cf. Lc 23,35-43). Peçamos o auxílio da divina graça para que permaneçamos sempre como súditos de Jesus.

Para além das discussões sobre o que representa hoje a figura de um rei e do paradoxo do Rei que governa tendo a Cruz como Seu trono, podemos, no texto evangélico, encontrar uma pista para descobrirmos quem reina sobre nós. Pois bem, no texto evangélico, enquanto Jesus é escarnecido pelos chefes, um dos condenados o desafia a Cristo com coroa de espinhosdescer da cruz. Mas a resposta, chave para nossa reflexão, vem do outro condenado: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação?” (Lc 23,40).

“A quem temo?” é a pergunta que podemos nos fazer para descobrir quais valores estão orientando nossa vida e, portanto, quem está nos governando. As possibilidades são muitas, mas, se meditarmos com sinceridade, aos poucos tomaremos consciência e teremos clareza sobre quem está no comando. E, então, pode ser que a pergunta daquele condenado faça mais sentido: nem sequer temes a Deus?

“Temer a Deus é o princípio do saber, e é sábio todo aquele que o pratica”, diz a tradução litúrgica do Salmo 110(111). Apesar do temor de Deus ser uma virtude que está fora de moda, nem por isso deixou de fazer sentido. Muito pelo contrário. Saber que não somos eternos e onipotentes e que, no fim da vida, nas palavras de São João da Cruz, seremos julgados pelo Amor, é o princípio de uma vida autenticamente cristã porque nos oferece um critério claro e objetivo para nossas escolhas e nossas ações. Nossa vida deve ser uma resposta amorosa Àquele que tanto nos ama. E é próprio do amor não querer ofender a pessoa amada.

Que a Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, Rainha dos Céus, interceda sempre por nós. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

AQUELA QUE ACREDITOU EM VIRTUDE DA FÉ, TAMBÉM PELA FÉ CONCEBEU

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Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo.

Prestai atenção, rogo-vos, naquilo que Cristo Senhor diz, estendendo a mão para seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de meu Pai que me enviou, este é meu irmão, irmã e mãe (Mt 12,49-50). Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação e que foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Sim! Ela o fez! Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela PHOTO-2019-11-21-12-48-04ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente.

Vede se não é assim como digo. O Senhor passava acompanhado pelas turbas, fazendo milagres divinos, quando certa mulher exclamou: Bem-aventurado o seio que te trouxe. Feliz o ventre que te trouxe! (Lc 11,27) O Senhor, para que não se buscasse a felicidade na carne, que respondeu então? Muito mais felizes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam (Lc 11,28). Por conseguinte, também aqui é Maria feliz, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou. Guardou a verdade na mente mais do que a carne no seio. Verdade, Cristo; carne, Cristo; a verdade-Cristo na mente de Maria; a carne-Cristo no seio de Maria. É maior o que está na mente do que o trazido no seio.

Santa Maria, feliz Maria! Contudo, a Igreja é maior que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é porção da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas membro do corpo total. Se ela pertence ao corpo total, logo é maior o corpo que o membro. A cabeça é o Senhor; e o Cristo total, é a cabeça e o corpo. Que direi? Temos cabeça divina, temos Deus por cabeça!

Portanto, irmãos, dai atenção avós mesmos. Também vós sois membros de Cristo, também vós sois corpo de Cristo. Vede de que modo o sois. Diz: Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12,49). Como sereis mãe de Cristo? Todo aquele que ouve e faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão e irmã e mãe (cf. Mt 12,50). Pensai: entendo irmão, entendo irmã; é uma só a herança, e é essa a misericórdia de Cristo que, sendo único, não quis ficar sozinho; quis que fôssemos herdeiros do Pai, co-herdeiros seus.

O CORAÇÃO DO JUSTO EXULTARÁ NO SENHOR

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Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo.

O justo alegra-se no Senhor e nele espera; e gloriam-se todos os retos de coração (Sl 63,11). Acabamos de cantá-lo com a voz e com o coração. A consciência e a língua cristãs dizem estas palavras a Deus: Alegra-se o justo, não com o mundo, mas no Senhor. A luz nasceu para o justo, diz outro lugar, e a alegria, para os retos de coração(Sl 96,11).

Indagas donde vem a alegria. Escutas: Alegra-se o justo no Senhor, e noutro passo: Põe tuas delícias no Senhor e ele atenderá aos pedidos de teu coração (Sl 36,4).

Que nos é indicado? O que é doado, ordenado, dado? Que nos alegremos no Senhor. Quem é que se alegra com aquilo que não vê? Acaso vemos o Senhor? Já o temos em PHOTO-2018-06-08-09-39-30promessa.

Agora, porém, caminhemos pela fé; enquanto estamos no corpo, peregrinamos longe do Senhor (2Cor 5,7.6). Pela fé, não pela visão. Quando, pela visão? Quando se realizar o que diz o mesmo João: Diletíssimos, somos filhos de Deus; mas ainda não se fez visível o que seremos. Sabemos que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é (1Jo 3,2).

Neste momento, então, será a grande e perfeita alegria, o gáudio pleno, onde já não mais teremos o leite da esperança, mas a realidade nos alimentará. Contudo, desde agora, antes que nos chegue a realidade, antes que cheguemos à realidade, alegremo-nos no Senhor. Não é insignificante a alegria trazida pela esperança, já que depois será a posse.

Agora, amamos na esperança. Por isso, alegra-se o justo no Senhor e logo em seguida, e nele espera, porque ainda não vê.

Todavia, possuímos as primícias do espírito, e talvez de algo mais. Aproximamo-nos de quem amamos e, embora por uma gotinha, já provamos e saboreamos aquilo que avidamente comeremos e beberemos.

Como é que nos alegramos no Senhor, se está longe de nós? Que ele não esteja longe! A estar longe, és tu que o obrigas. Ama e aproximar-se-á; ama e habitará em ti. O Senhor está próximo, não fiques inquieto (Fl 4,5-6). Queres ver como, se amares, estará contigo? Deus é caridade (1Jo 4,8).

Dir-me-ás: “Em teu parecer, que é caridade?” A caridade é a virtude pela qual amamos. O que amamos? O bem salutar, o bem inefável, o bem de todos os bens, o Criador. Que te deleite aquele de quem tens tudo o que te deleita. Não digo o pecado, pois só o pecado não recebes dele. Dele é que terás tudo.

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