Caros irmãos, no último domingo do Tempo Comum, a liturgia nos dá a oportunidade de celebrarmos a solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, na qual o evangelho nos traz uma das cenas da crucifixão do Senhor segundo Lucas (cf. Lc 23,35-43). Peçamos o auxílio da divina graça para que permaneçamos sempre como súditos de Jesus.

Para além das discussões sobre o que representa hoje a figura de um rei e do paradoxo do Rei que governa tendo a Cruz como Seu trono, podemos, no texto evangélico, encontrar uma pista para descobrirmos quem reina sobre nós. Pois bem, no texto evangélico, enquanto Jesus é escarnecido pelos chefes, um dos condenados o desafia a Cristo com coroa de espinhosdescer da cruz. Mas a resposta, chave para nossa reflexão, vem do outro condenado: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação?” (Lc 23,40).

“A quem temo?” é a pergunta que podemos nos fazer para descobrir quais valores estão orientando nossa vida e, portanto, quem está nos governando. As possibilidades são muitas, mas, se meditarmos com sinceridade, aos poucos tomaremos consciência e teremos clareza sobre quem está no comando. E, então, pode ser que a pergunta daquele condenado faça mais sentido: nem sequer temes a Deus?

“Temer a Deus é o princípio do saber, e é sábio todo aquele que o pratica”, diz a tradução litúrgica do Salmo 110(111). Apesar do temor de Deus ser uma virtude que está fora de moda, nem por isso deixou de fazer sentido. Muito pelo contrário. Saber que não somos eternos e onipotentes e que, no fim da vida, nas palavras de São João da Cruz, seremos julgados pelo Amor, é o princípio de uma vida autenticamente cristã porque nos oferece um critério claro e objetivo para nossas escolhas e nossas ações. Nossa vida deve ser uma resposta amorosa Àquele que tanto nos ama. E é próprio do amor não querer ofender a pessoa amada.

Que a Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, Rainha dos Céus, interceda sempre por nós. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!