Caros irmãos, durante a oitava de Natal, no domingo, celebramos a festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. E a liturgia, neste ano A, nos propõe a narrativa da fuga para o Egito (cf. Mt 2,13-15.19-23). Deixemo-nos iluminar pela luz divina que resplandece em tal mistério.

É sempre (e cada vez mais) oportuno celebrarmos a Sagrada Família de Nazaré porque, contemplando-a, somos colocados diante da vocação de cada família. Ou seja, em Jesus, Maria e José vemos a vontade de Deus em relação a essa comunidade fundamental seja para cada ser humano, seja para a inteira sociedade. E, falando em um chamado divino, fica claro, desde o início, que a família é um valor espiritual que vai muito além de um simples agregado social.

Fundada por um pacto de amor indissolúvel entre um homem e uma mulher, a família está ordenada para o bem – a perfeição, a santidade – do casal e a geração e educação SFamiliados filhos [1]. Assim sendo, ela é o ambiente propício para o desenvolvimento de virtudes que não só sepultam o egoísmo, mas também abrem o coração humano para ação do Espírito Santo. Em particular, no evangelho de hoje, podemos contemplar como se dá o exercício saudável da autoridade paterna no ambiente doméstico.

De fato, não obstante fosse o menor de seus membros, São José é o condutor da Sagrada Família. E ele exerce a sua autoridade não porque fosse um tirano, um egoísta mais preocupado consigo do que com sua esposa santíssima e o Divino Menino, mas porque era obediente a Deus. Foi no temor do Senhor que ele levou sua família para o Egito a fim de protegê-la. Foi na obediência à palavra divina que, voltando para a Terra de Israel, foi morar em Nazaré da Galileia, onde viveu na simplicidade até o fim de seus dias. E é justamente assim, no temor e obediência de Deus, com a autoridade de quem dá a vida para que seus filhos cheguem à felicidade plena nos céus, que os pais são chamados a viver a sua vocação.

Que a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e de São José, seu castíssimo esposo, ajudem as nossas famílias, em particular os pais cristãos, a permanecer e crescer cada vez mais na vontade de Deus, nosso Pai.

Sub tuum præsidium confugimus.

sancta Dei Genitrix:

nostras deprecationes

ne despicias in necessitatibus:

sed a periculis cunctis libera nos semper,

Virgo gloriosa et benedicta.

 

[1] Cf. Catecismo da Igreja Católica, n.2201.