Caros irmãos, em nosso caminho quaresmal já rezamos, nos últimos dois domingos, com os símbolos batismais da água e da luz. Neste quinto domingo, então, nosso itinerário se completa com Jesus que se nos apresenta como ressurreição e vida (cf. Jo 11,1-45). Peçamos ao Senhor a graça de ressuscitarmos nele para uma vida nova!

Jesus Cristo cumpre a profecia de Ezequiel (cf. Ez 37,12-14, primeira leitura) porque, como disse a Marta, Ele é a ressurreição e a vida. E acrescentou: “Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11,25-26). Dessa forma, no último sinal apresentado pelo evangelista João antes da sua Lazaro1hora, nosso Senhor dá a conhecer completamente a sua missão: Ele veio trazer a Vida.

Porém, dois mil anos depois, estamos aqui provando, mais uma vez, o poder da morte. E muita gente finalmente se deu conta que é mortal, que “a figura deste mundo passa” (1Cor 7,31). Mais ainda: muitas pessoas descobriram que não têm um porquê – ou melhor, por quem – arriscar a própria vida. A terrível politização das questões de saúde através de argumentos maquiavélicos, histéricos ou demagógicos está escancarando o materialismo e o individualismo com os quais estamos naufragando enquanto sociedade e, assim, devemos nos perguntar: é esta a vida que o Senhor quer para nós? Ou melhor: qual vida Jesus nos trouxe?

Penso que encontramos a resposta na segunda leitura: Cristo nos deu o Seu Espírito e, n’Ele, a Vida nova, a vida em Deus (cf. Rm 8,8-11). Não se trata de uma utopia, pois ela está realmente presente e resplandece nos santos. Também não se trata de um privilégio, porque está disponível a todos: somos chamados a vivê-la na esperança que se tornam operativas na caridade. Para tanto, precisaremos suportar as angústias da morte do homem velho a fim que o medo de arriscar e perder não feche nosso coração à graça da fé. É crendo no Amor por nós crucificado que Deus encontra espaço para agir em nós e transformar a nossa vida.

Irmãos, por fim, recordemos aquela imagem tremenda da última sexta-feira. Nela, vimos o doce Cristo na Terra cumprindo a sua missão e nos trazendo aquilo que precisamos desesperadamente e mais do que nunca – ele nos trouxe Deus (o Deus vivo e verdadeiro) e, assim, nos deu esperança. “Crês isto?” (Jo 11,26). “Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” (Mc 4,40).

Que a Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe, e São José, nosso protetor, intercedam por nós e nos impulsionem no nosso caminho de conversão.

Sub tuum præsidium confugimus.
sancta Dei Genitrix:
nostras deprecationes
ne despicias in necessitatibus:
sed a periculis cunctis libera nos semper,
Virgo gloriosa et benedicta.