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A CORAGEM DE ARRISCAR PELA PROMESSA DE DEUS (Papa Francisco)

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Íntegra da Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações -12 de maio de 2019 – IV Domingo da Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs!

Depois da experiência vivaz e fecunda, em outubro passado, do Sínodo dedicado aos jovens, celebramos recentemente no Panamá a XXXIV Jornada Mundial da Juventude. Dois grandes eventos que permitiram à Igreja prestar ouvidos à voz do Espírito e também à vida dos jovens, aos seus interrogativos, às canseiras que os sobrecarregam e às esperanças que neles vivem.

Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, retomando precisamente aquilo que pude partilhar com os jovens no Panamá, desejo refletir sobre a chamada do Senhor enquanto nos torna portadores duma promessa e, ao mesmo tempo, nos pede a coragem de arriscar com Ele e por Ele. Quero deter-me brevemente sobre estes dois aspetos – a promessa e o risco –, contemplando juntamente convosco a cena evangélica da vocação dos primeiros discípulos junto do lago da Galileia (cf. Mc 1, 16-20).

Dois pares de irmãos – Simão e André, juntamente com Tiago e João – estão ocupados na sua faina diária de pescadores. Nesta cansativa profissão, aprenderam as leis da natureza, desafiando-as quando os ventos eram contrários e as ondas agitavam os Espírito Santo - Vaticanobarcos. Em certos dias, a pesca abundante recompensava da árdua fadiga, mas, outras vezes, o trabalho duma noite inteira não bastava para encher as redes e voltava-se para a margem cansados e desiludidos.

Estas são as situações comuns da vida, onde cada um de nós se confronta com os desejos que traz no coração, se empenha em atividades que – espera – possam ser frutuosas, se adentra num «mar» de possibilidades sem conta à procura da rota certa capaz de satisfazer a sua sede de felicidade. Às vezes goza-se duma pesca boa, enquanto noutras é preciso armar-se de coragem para governar um barco sacudido pelas ondas, ou lidar com a frustração de estar com as redes vazias.

Como na história de cada vocação, também neste caso acontece um encontro. Jesus vai pelo caminho, vê aqueles pescadores e aproxima-Se… Sucedeu assim com a pessoa que escolhemos para compartilhar a vida no matrimônio, ou quando sentimos o fascínio da vida consagrada: vivemos a surpresa dum encontro e, naquele momento, vislumbramos a promessa duma alegria capaz de saciar a nossa vida. De igual modo naquele dia, junto do lago da Galileia, Jesus foi ao encontro daqueles pescadores, quebrando a «paralisia da normalidade» (Homilia no XXII Dia Mundial da Vida Consagrada, 2/II/2018). E não tardou a fazer-lhes uma promessa: «Farei de vós pescadores de homens» (Mc 1, 17).

Sendo assim, a chamada do Senhor não é uma ingerência de Deus na nossa liberdade; não é uma «jaula» ou um peso que nos é colocado às costas. Pelo contrário, é a iniciativa amorosa com que Deus vem ao nosso encontro e nos convida a entrar num grande projeto, do qual nos quer tornar participantes, apresentando-nos o horizonte dum mar mais amplo e duma pesca superabundante.

Com efeito, o desejo de Deus é que a nossa vida não se torne prisioneira do banal, não se deixe arrastar por inércia nos hábitos de todos os dias, nem permaneça inerte perante aquelas opções que lhe poderiam dar significado. O Senhor não quer que nos resignemos a viver o dia a dia, pensando que afinal de contas não há nada por que valha a pena comprometer-se apaixonadamente e apagando a inquietação interior de procurar novas rotas para a nossa navegação. Se às vezes nos faz experimentar uma «pesca miraculosa», é porque nos quer fazer descobrir que cada um de nós é chamado – de diferentes modos – para algo de grande, e que a vida não deve ficar presa nas redes do sem-sentido e daquilo que anestesia o coração. Em suma, a vocação é um convite a não ficar parado na praia com as redes na mão, mas seguir Jesus pelo caminho que Ele pensou para nós, para a nossa felicidade e para o bem daqueles que nos rodeiam.

Naturalmente, abraçar esta promessa requer a coragem de arriscar uma escolha. Sentindo-se chamados por Ele a tomar parte num sonho maior, os primeiros discípulos, «deixando logo as redes, seguiram-No» (Mc 1, 18). Isto significa que, para aceitar a chamada do Senhor, é preciso deixar-se envolver totalmente e correr o risco de enfrentar um desafio inédito; é preciso deixar tudo o que nos poderia manter amarrados ao nosso pequeno barco, impedindo-nos de fazer uma escolha definitiva; é-nos pedida a audácia que nos impele com força a descobrir o projeto que Deus tem para a nossa vida. Substancialmente, quando estamos colocados perante o vasto mar da vocação, não podemos ficar a reparar as nossas redes no barco que nos dá segurança, mas devemos fiar-nos da promessa do Senhor.

Penso, antes de mais nada, na chamada à vida cristã, que todos recebemos com o Batismo e que nos lembra como a nossa vida não é fruto do acaso, mas uma dádiva a filhos amados pelo Senhor, reunidos na grande família da Igreja. É precisamente na comunidade eclesial que nasce e se desenvolve a existência cristã, sobretudo por meio da Liturgia que nos introduz na escuta da Palavra de Deus e na graça dos Sacramentos; é nela que somos, desde tenra idade, iniciados na arte da oração e na partilha fraterna. Precisamente porque nos gera para a vida nova e nos leva a Cristo, a Igreja é nossa mãe; por isso devemos amá-la, mesmo quando vislumbramos no seu rosto as rugas da fragilidade e do pecado, e devemos contribuir para a tornar cada vez mais bela e luminosa, para que possa ser um testemunho do amor de Deus no mundo.

Depois, a vida cristã encontra a sua expressão naquelas opções que, enquanto conferem uma direção concreta à nossa navegação, contribuem também para o crescimento do Reino de Deus na sociedade. Penso na opção de se casar em Cristo e formar uma família, bem como nas outras vocações ligadas ao mundo do trabalho e das profissões, no compromisso no campo da caridade e da solidariedade, nas responsabilidades sociais e políticas, etc. Trata-se de vocações que nos tornam portadores duma promessa de bem, amor e justiça, não só para nós mesmos, mas também para os contextos sociais e culturais onde vivemos, que precisam de cristãos corajosos e testemunhas autênticas do Reino de Deus.

No encontro com o Senhor, alguém pode sentir o fascínio duma chamada à vida consagrada ou ao sacerdócio ordenado. Trata-se duma descoberta que entusiasma e, ao mesmo tempo, assusta, sentindo-se chamado a tornar-se «pescador de homens» no barco da Igreja através duma oferta total de si mesmo e do compromisso dum serviço fiel ao Evangelho e aos irmãos. Esta escolha inclui o risco de deixar tudo para seguir o Senhor e de consagrar-se completamente a Ele para colaborar na sua obra. Muitas resistências interiores podem obstaculizar uma tal decisão, mas também, em certos contextos muito secularizados onde parece não haver lugar para Deus e o Evangelho, pode-se desanimar e cair no «cansaço da esperança» (Homilia na Missa com sacerdotes, pessoas consagradas e movimentos laicais, Panamá, 26/I/2019).

E, todavia, não há alegria maior do que arriscar a vida pelo Senhor! Particularmente a vós, jovens, gostaria de dizer: não sejais surdos à chamada do Senhor! Se Ele vos chamar por esta estrada, não vos oponhais e confiai n’Ele. Não vos deixeis contagiar pelo medo, que nos paralisa à vista dos altos cumes que o Senhor nos propõe. Lembrai-vos sempre que o Senhor, àqueles que deixam as redes e o barco para O seguir, promete a alegria duma vida nova, que enche o coração e anima o caminho.

Queridos amigos, nem sempre é fácil discernir a própria vocação e orientar justamente a vida. Por isso, há necessidade dum renovado esforço por parte de toda a Igreja – sacerdotes, religiosos, animadores pastorais, educadores – para que se proporcionem, sobretudo aos jovens, ocasiões de escuta e discernimento. Há necessidade duma pastoral juvenil e vocacional que ajude a descobrir o projeto de Deus, especialmente através da oração, meditação da Palavra de Deus, adoração eucarística e direção espiritual.

Como várias vezes se assinalou durante a Jornada Mundial da Juventude do Panamá, precisamos de olhar para Maria. Na história daquela jovem, a vocação também foi uma promessa e, simultaneamente, um risco. A sua missão não foi fácil, mas Ela não permitiu que o medo A vencesse. O d’Ela «foi o “sim” de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer “não”. Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a covardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido» (Vigília com os jovens, Panamá, 26/I/2019).

Neste Dia, unimo-nos em oração pedindo ao Senhor que nos faça descobrir o seu projeto de amor para a nossa vida, e que nos dê a coragem de arriscar no caminho que Ele, desde sempre, pensou para nós.

Vaticano, Memória de São João Bosco, 31 de janeiro de 2019.

Franciscus

 

Texto disponível em: <<https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-03/mensagem-papa-para-56-dia-mundial-oracao-vocacoes.html>>.

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VIGÍLIA PASCAL – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, a celebração do Tríduo Pascal nos conduz, nesta noite santa, à Vigília Pascal, composta de quatro momentos de grandíssima riqueza: a Luz, a Palavra, o Batismo e a Eucaristia. Quando formos à igreja, não tenhamos pressa e deixemos que o Senhor nos fale ao coração. Nesta breve reflexão, porém, concentremo-nos sobre a segunda leitura (cf. Gn 22,1-18) e a leitura do Novo Testamento (cf. Rm 6,3-11). Peçamos 453ao Redentor que faça renascer em nós a luz da fé.

É verdade: hoje não canta dignamente o aleluia quem ontem não chorou o sacrifício. Porém, não se trata de ir às lágrimas como quem assiste um filme, ou seja, como quem está fora dos acontecimentos, um expectador qualquer. Mas de reconhecer que estamos realmente comprometidos na passagem da vida nova que começa com o fim da velha vida. Ou seja, para nós a morte se torna concreta quando, por amor, entregamos na fé o que o Senhor nos pede – mesmo que isso cause a dor. E crendo na promessa, esperamos nele certos de que não desempara quem a Ele se confia. É o que nos ensina Abraão que oferecendo em sacrifício o que tinha de mais precioso, recebeu de Deus a bênção para todas as gerações (cf. Gn 22,1-18).

Ora, em nossa peregrinação neste mundo, para ressuscitarmos com Cristo será necessário perder, abrir mão de alguma coisa que o Senhor nos pede, mesmo que para o nosso egoísmo isso seja um sacrifício muito grande. Em outras palavras, sem assumirmos voluntariamente perder o que é velho, não chegaremos a provar o frescor da novidade que vem do Senhor. Assim, para chegar à Vida é preciso morrer, como diz o Apóstolo: “Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.” (Rm 6,8). Sejamos generosos com o Senhor, mesmo que isso custe, pois Ele não se deixa vencer em generosidade.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, nossa Mãe e modelo de vida oferecida a Jesus, interceda sempre por nós. Rainha do Céu, alegrai-Vos, Aleluia, porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio, Aleluia, ressuscitou como disse. Aleluia. Rogai por nós a Deus. Aleluia.

A DESCIDA DO SENHOR À MANSÃO DOS MORTOS

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De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo.

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Sabado_santoFilho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, a celebração do Tríduo Pascal continua com a Liturgia da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os anos, rezamos com os mesmos textos que são extremamente ricos e significativos. Para nossa reflexão, proponho que nos fixemos sobre a primeira leitura (cf. Is 52,13 – 53,12). Peçamos ao Salvador a graça de que não fiquemos indiferentes à Sua Cruz.

No quarto canto do servo do Senhor apresentado por Isaías, lemos: “Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano” (Is 52,14). De fato, é bastante comum que, na contemplação do sofrimento de Jesus, fiquemos assombrados. Diante de tantas e descabidas torturas e humilhações, visto que Ele é o Inocente, algo grita dentro de nós. Não podemos ficar indiferentes, porque desta sensação pode brotar a noção de quão horrível é o nosso pecado e, ao mesmo tempo, como é forte o Amor de Deus por nós.

Em outras palavras, se, por um lado, é certo que o pecado corrói nosso coração a ponto de nos desumanizar, e, mais ainda, somos incapazes de vencê-lo por nós mesmos, por outro lado, é este Servo quem nos justificou. Pois, “a verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; (…) foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura” (cf. Is 53,4-5).

Portanto, para não ficarmos indiferentes à Cruz de Cristo precisamos parar de tratar nossos pecados como meras trivialidades. Um remédio duro assim não é razoavelmente aplicado a uma enfermidade banal. Se nosso pecado levou o Senhor à Paixão, não pode ser considerado com leviandade. Mas não só, tendo recebido o dom de tão grande Redentor, como não querer, por gratidão, amá-lo de volta? Nada que o Senhor nos peça é um sacrifício grande demais, diante daquele que Ele já cumpriu por nós.

Que a Senhora das Dores, interceda por nós, a fim de que, como resposta de amor, permaneçamos sempre na vontade do Senhor. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

MISSA IN COENA DOMINI – ANO C (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, iniciamos a celebração do Tríduo Pascal com a Missa in Coena Domini. Nesta liturgia, fazemos memória da instituição da Santíssima Eucaristia, do ministério ordenado e do novo mandamento do amor. Como evangelho, temos a última ceia do Senhor com seus discípulos narrado por São João (cf. Jo 13,1-13). Que a graça de Cristo nos una profundamente ao Seu Divino Coração.

“Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,13). É assim que termina o trecho evangélico desta Santa Missa. Lavar os pés dos discípulos é um sinal que se liga imediatamente ao sacrifício de Cristo na Cruz. Além disso, porém, existe uma dimensão ligada à vida precedente de Jesus que revela o Amor extremado do Pai. Pois, TOPSHOT-FRANCE-FIRE-NOTRE DAME“desde os paninhos de sua natividade até o vinagre de sua Paixão e o sudário de sua Ressurreição, tudo na vida de Jesus é sinal de seu Mistério” (CEC 515).

Nesta perspectiva, toda a vida de nosso Senhor e, em particular, a sua atividade junto aos apóstolos e às multidões tem algo importante a nos dizer: ensinar a verdade é um ato de amor. Ou seja, visto que os mistérios da vida pública de Jesus gravitam em torno do anúncio do Reino de Deus – e o consequente convite à conversão – que é confirmado por inúmeros sinais, é mister que o anúncio e o testemunho da Verdade do evangelho não saiam jamais de nosso horizonte.

É tarefa nossa, hoje, conservar e transmitir o Evangelho em sua integralidade. Não percamos isso de vista! Sobretudo em tempos como os nossos, nos quais dizer que a verdade existe e pode ser conhecida está fora de moda, grande é o risco de nos deixarmos levar pelas ondas do relativismo e da tirania do “politicamente correto”.

Assim, ouvindo a ordem dada pelo Mestre, “façais a mesma coisa que eu fiz”, precisamos estar dispostos a, conhecendo as razões de nossa esperança, estar disponíveis a expô-las a quem nos pede (cf. 1Pd 3,15). Mais ainda, quem exerce função de governo na vida da Igreja, por quem rezamos insistentemente e mais fervorosamente ainda nesta noite da instituição do Sacramento da Ordem, tem a missão de anunciar a Verdade do Evangelho da salvação sempre e em todo lugar, com paciência, oportuna e inoportunamente (2Tm 4,2).

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós, de maneira particular pelos ministros ordenados, e nos ajude a ser anunciadores e testemunhas da Verdade que liberta. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

 

 

 

CEC: Catecismo da Igreja Católica.

AS INTERROGAÇÕES MAIS PROFUNDAS DO GÊNERO HUMANO

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Da Constituição pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II.

O mundo moderno apresenta-se simultaneamente poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior; abre-se diante dele o caminho da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade e do ódio. Por outro lado, o homem toma consciência de que depende dele a boa orientação das forças por ele despertadas e que podem oprimi-lo ou servi-lo. Eis por que se interroga a si mesmo.

Na verdade, os desequilíbrios que atormentam o mundo moderno estão ligados a um Vaticano II - Procissãodesequilíbrio mais profundo, que se enraíza no coração do homem.

No íntimo do próprio homem, muitos elementos lutam entre si. De um lado, ele experimenta, como criatura, suas múltiplas limitações; por outro, sente-se ilimitado em seus desejos e chamado a uma vida superior.

Atraído por muitas solicitações, é continuamente obrigado a escolher e a renunciar. Mais ainda: fraco e pecador, faz muitas vezes o que não quer e não faz o que desejaria. Em suma, é em si mesmo que o homem sofre a divisão que dá origem a tantas e tão grandes discórdias na sociedade.

Muitos, sem dúvida, que levam uma vida impregnada de materialismo prático, não podem ter uma clara percepção desta situação dramática; ou, oprimidos pela miséria, sentem-se incapazes de prestar-lhe atenção. Outros, em grande número, julgam encontrar satisfação nas diversas interpretações da realidade que lhes são propostas.

Alguns, porém, esperam unicamente do esforço humano a verdadeira e plena libertação da humanidade, e estão persuadidos de que o futuro domínio do homem sobre a terra dará satisfação a todos os desejos de seu coração.

Não faltam também os que, desesperando de encontrar o sentido da vida, louvam a audácia daqueles que, julgando a existência humana vazia de qualquer significado próprio, se esforçam por encontrar todo o seu valor apoiando-se apenas no próprio esforço.

Contudo, diante da atual evolução do mundo, cresce o número daqueles que formulam as questões mais fundamentais ou as percebem com nova acuidade. Que é o homem? Qual é o sentido do sofrimento, do mal e da morte que, apesar de tão grandes progressos, continuam a existir? Para que servem semelhantes vitórias, conseguidas a tanto custo? Que pode o homem dar à sociedade e dela esperar? Que haverá depois desta vida terrestre?

A Igreja, porém, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todo o gênero humano, oferece ao homem, pelo Espírito Santo, luz e forças que lhe permitirão corresponder à sua vocação suprema; ela crê que não há debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possam ser salvos.

Crê igualmente que a chave, o centro e o fim de toda a história humana encontra-se em seu Senhor e Mestre.

A Igreja afirma, além disso, que, subjacente a todas as transformações, permanecem imutáveis muitas coisas que têm seu fundamento último em Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre.

SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS (Pe. Lucas, scj)

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Caros irmãos, abrimos o ano civil com a celebração da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (Lc 2,16-21). E, se nos perguntarmos o que esta escolha da Liturgia significa, teremos elementos suficientes para avaliar o ano que passou e, ainda, começar bem nosso 2019, na presença de nosso Senhor. Abramos o nosso coração e deixemos que ela nos leve até Jesus.

Contemplar Nossa Senhora é entrar em contato com aquela que soube responder Theotokosintegral e positivamente ao projeto de Deus em sua vida. Por isso, é oportuno encerrar um ano e começar outro rezando com a Mãe de Deus: ela nos ajuda a avaliarmos o ciclo que se encerra fazendo um bom exame de consciência e a abrir o coração para aquilo que o Senhor quer fazer em nós no tempo novo que começa.

Tal exame de consciência acontece se, diante do exemplo daquela que soube corresponder ao Amor de Deus, conseguirmos olhar para trás e nos dar conta de que a presença do Senhor derramou tantas graças em nossas vidas nos dando muitas oportunidades de nos desenvolver como cristãos: basta pensarmos no próprio tempo ou nas oportunidades que tivemos de celebrar os Sacramentos… Mas, infelizmente, muitas vezes, que esses dons escapassem de nossas mãos sem produzir frutos porque nosso egoísmo nos cegou.

Ao mesmo tempo, a sua abertura de coração nos ajuda a projetar o ano que começa no mesmo espírito: é preciso dizer sim a Deus. Não podemos ficar indiferentes Àquele que se dá inteiramente por amor a nós, para nos fazer o bem. Então, seguindo o exemplo de nossa Mãe celestial, guardemos no coração e meditemos as maravilhas (cf. Lc 2,19) que o Senhor fez concretamente em nossas vidas para que Ele nos encontre sempre atentos à sua vontade.

Enfim, pedindo a intercessão de Maria santíssima, abramo-nos, sem medo, para receber as bênçãos do céu. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém!

Excelente 2019 a todos!

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