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OBRIGADO, BENTO XVI! – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, sejam, como sempre, muito bem vindos! Vivemos o Ano da Fé e, acolhendo a proposta do Santo Padre Bento XVI, estamos estudando o Catecismo da Igreja Católica. Mas, nesta semana, interrompemos um pouco este caminho para, ainda no espírito do Ano da Fé, deixarmo-nos levar pelo movimento quase incontrolável que toma conta da atmosfera por esses dias: refiro-me a deixar que nosso pensamento e coração, nossa súplica e nossa ação de graça corram a Roma e para o mesmo Bento XVI, que termina hoje seu ministério na Cátedra de S. Pedro.

Ainda me lembro, como se fosse ontem, da alegria que me invadiu quando ele Bento XVI (em 2005)surgiu na sacada em S. Pedro, de branco e vermelho, para dirigir a palavra e abençoar a Igreja do mundo inteiro. Sim, naquele dia eu já admirava o brilhante Joseph Ratzinger. Contra todo mau agouro que a classe falante lhe impunha, contra a severa imagem que lhe fora pintada aqui no Brasil, eu já lhe era profundamente agradecido: “este homem defende o que tenho de mais valioso, a fé católica”. A alegria por vê-lo Papa era por saber que o ministério petrino estava em boas mãos.

A esta primeira alegria, sucedeu uma segunda: desde então, seria difícil escondê-lo. Principalmente depois de sua visita ao nosso país, em 2007: era muito difícil continuar sustentando as calúnias. Porque não há um abismo entre Joseph Ratzinger e Bento XVI. Mas há um abismo entre o que se dizia dele e o que ele é realmente.

Num movimento progressivo, suas publicações ficaram menos escondidas desde Bento XVI, o teólogoentão. Há pouco em português, ainda. Mas ler o que Ratzinger escrevia já não era sinal de intolerância. E ler o que Bento XVI passou a escrever passou a ser quase uma obrigação. Uma leve obrigação, é verdade. Pois como não sentir alegria e gratidão ao ler O Sal da Terra; a Introdução ao Cristianismo; Dogma e anúncio; Fé, Verdade e Tolerância ou Deus existe? Como não admirar suas encíclicas e exortações apostólicas, seus discursos, suas catequeses? Como não se render à sua extrema lucidez refletida nas suas respostas em Luz do Mundo? Como não sentir o coração arder a cada página dos três volumes de Jesus de Nazaré?

Por outro lado, talvez a palavra que defina melhor meus sentimentos em relação ao Santo Padre Bento XVI é gratidão. Gratidão por sua energia no combate ao mal, escandaloso ou não. Gratidão por sua coragem em não se dobrar às pressões (para mim inimagináveis) que sofreu para apostatar o Evangelho. Também porque nunca se defendeu, mas apontou sempre a Verdade. Gratidão porque mesmo no Bento XVI, última audiência públicameio do Vatileaks, não havia em quê acusá-lo.

Por isso, este meu texto tem a intenção de expressar esta gratidão. Ainda com o coração apertado e um pouco assustado – confesso. Mas, imensamente grato. Grato por ver que Bento XVI não é só um brilhante teólogo e escritor, mas possui virtudes tão nobres e grandes que trazem o perfume de Jesus Cristo. Grato porque Joseph Ratzinger não é um homem de palavras, mas uma testemunha. Grato por saber que, quando for muito difícil amar a Deus e Sua Santa Igreja, tenho para quem olhar. Porque no rosto cansado deste grande pontífice, agora emérito, resplandece a luz da verdade de que “amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre diante dos olhos o bem da Igreja e não a nós mesmos” [1].

A Sé de Pedro está vacante. Rezemos a nosso Senhor que suscite à Igreja o Pontífice de que necessitamos. Confiemos n’Ele, que prometeu nunca nos abandonar. E observemos bem: a Igreja está viva. Que a Santíssima Virgem Maria continue iluminando seu caminho, Bento. Continuaremos unidos junto ao altar de nosso Senhor. E, mais uma vez, muito obrigado!

 

 

[1] Bento XVI. Audiência geral de 27 de fevereiro de 2013, última de seu pontificado. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2013/documents/hf_ben-xvi_aud_20130227_po.html>.

BENTO XVI ANUNCIA RENÚNCIA

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Cidade do Vaticano (RV) – Bento XVI anunciou esta segunda-feira que se demitirá no dia 28 de fevereiro. Eis o texto integral do anúncio:

 

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à Bento XVI batizandocerteza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

 

 

Fonte:

http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=663813

 

 

Este ato merece nossa reflexão. É normal que um pouco de tristeza soba a nossos corações depois do natural espanto ao saber desta grave decisão do Santo Padre Bento XVI. Mas precisamos, em primeiro lugar, continuar confiando nele: até agora confiamos, que direito temos de duvidar agora? Ele nunca faria isso para se defender, para poupar a si mesmo. Se ele crê que a renúncia é o melhor a ser feito pelo bem da Igreja, então, isso é, de fato, o melhor.

Em seguida, devemos meditar na grandeza deste ato. Num mundo onde todos escondem suas fraquezas, se agarram a títulos e procuram preservar sua boa imagem a qualquer custo, este ato nos ensina que o melhor é escolher o bem, ainda que custe muito. Bento XVI merece, ainda mais, nossa reverência e admiração. Ele não só é um teólogo brilhante, é um santo diante de nossos olhos.

Ainda teremos tempo de meditar sobre a tristeza que se abateu sobretudo sobre os jovens. De fato, contra tudo e contra todos, os jovens amam o Papa Ratzinger. Por hora, procuremos, também nós, aprendermos com mais este exemplo de grande coragem e heroica humildade que este homem de Deus nos dá. É tempo de crescermos na confiança: Bento não nos deixa desamparados, já que nos foi prometida a vitória sobre as portas do inferno (cf. Mt 16,18). Lembremo-nos: é o Espírito Santo quem conduz a bom termo esta jornada da Igreja pelos mares tempestuosos da história. Deus governa a história. Nunca nos abandonou; não nos abandonará agora.

Roguemos à Santíssima Virgem Maria continue abençoando o Santo Padre. Peçamos ao Espírito que suscite um sucessor digno à cátedra de Pedro. E manifestemos, a Jesus Cristo, nosso Senhor e Pastor supremo da Igreja, nossa profunda gratidão pela vida e vocação do grande Papa Bento XVI.

Abraço e prece,

Fr. Lucas, scj.

PAPA BENTO XVI, SERVO DO SENHOR, FELIZ ANIVERSÁRIO! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos, como é bom estarmos juntos mais uma vez e para celebrarmos a semana do 85º aniversário de Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI.

No momento em que sucedeu o Papa João Paulo II, muitos católicos ficaram apreensivos, não sabiam o que esperar. A mídia mostrou Ratzinger como um homem rígido, antipático, fechado ao diálogo. Mostrou-o como indigno de substituir João Paulo II. E isso é verdade, são pessoas diferentes e não é justo compará-los. Mas Papa Bento tem se mostrado um grande líder, firme, fiel, caridoso e apaixonado pela juventude. Quem julga mal nosso Papa é porque não o conhece.

No seu primeiro pronunciamento como Papa, colocou-se como “servo na vinha do Senhor”, da qual cuida fielmente.

No início de seu pontificado escreveu a primeira encíclica, Deus Caritas Est (Deus é Amor), onde descreve as várias formas do amor, inclusive a mais pura, a mais completa, o amor de Deus: o amor ágape, o amor-oblação. “Essa encíclica foi todo um hino ao Amor que é Deus, aquele amor que deve animar cada Pastor, chamado a fazer entrar no mundo a luz de Deus e de tal forma também o calor do seu amor, disse o cardeal Angelo Sodano” [1].

Sem dúvida, o amor de Deus sempre se fez presente na vida de Joseph Ratzinger que, quando jovem, viveu os terrores da 2ª Guerra Mundial, sofreu a perseguição contra a Igreja Católica, viu seu pároco ser açoitado antes de celebrar a Santa Missa, mas foi o testemunho de sua família sempre bondosa, fiel e caridosa que jamais o deixou perder as esperanças e a confiança em Deus [2]. Tudo isso despertou nele a vocação de doar-se às pessoas como sacerdote, de ser um “homem para os outros”, como dizia seu antecessor, Papa João Paulo.

Ele diz em sua primeira encíclica que “a união com Cristo é, ao mesmo tempo, união com todos os outros aos quais Ele Se entrega. Eu não posso ter Cristo só para mim; posso pertencer-Lhe somente unido a todos aqueles que se tornaram ou se tornarão Seus” [3]. Ele evidencia a doação da própria vida para salvar também a dos outros e que de nada adianta salvar somente a si mesmo.

Quanto à esperança, em sua outra encíclica, Spe Salvi (Salvos na Esperança), ele fala da razão de se continuar firme no caminho, por mais difícil que possa parecer: “O presente ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” [4].

Essa meta é, sem dúvida alguma, o amor de Deus, a certeza de que Ele o espera de braços abertos após o cumprimento da dura missão. Esse amor que se revela na responsabilidade pelo outro.

O Papa, em sua homilia no dia 16 de abril, data do seu aniversário, disse já se sentir no último percurso de sua caminhada, mas que a Luz do Ressuscitado é mais forte que toda escuridão e que o ajuda a proceder com segurança, apesar de não saber o que o espera pela frente.

Podemos prever um pouco dos desafios que aguardam nosso Papa daqui para frente. Somente aqui no Brasil, em menos de um ano, já houve a aprovação da lei que permite “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e o aborto de bebês anencefálicos. A Igreja está, cada vez mais, sendo pressionada a abandonar seus valores, suportando até pressões internas, de seus próprios membros, mas, apesar dos desafios, o sucessor de Pedro, Bento XVI tem se mantido firme na defesa do Magistério da Igreja, não se deixando intimidar por “manifestos de desobediência” de padres contra a Igreja, nem pela mídia maldosa que distorce, de acordo com seus próprios interesses, as palavras do Papa, tentando de forma covarde abalar os pilares da Igreja.

Mas, por mais desafios que Ratzinger venha a enfrentar, ele sabe, desde muito jovem, em quem depositar sua confiança, Naquele que jamais o deixará só, afinal, é promessa de Jesus estar conosco até o fim [5].

Rezemos todos pelo nosso amado Papa, que o Senhor o abençoe, prolongue muito a sua vida e lhe dê muita força e sabedoria para manter-se fiel até o fim.

Referências:

[1] http://www.zenit.org/index.php?l=portuguese.

[2] Biografia de sua Santidade Bento XVI, http://www.vatican.va/…/hf_ben-xvi_bio_20050419_short-biography.

[3] Bento XVI, Deus Caritas Est.

[4] Spe Salvi, n.1.

[5] Mt 28,20.

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