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CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, a paz de Jesus!

Mais uma vez retornamos a este espaço para refletir sobre a fé que os Apóstolos nos transmitiram através dos séculos, apresentada pelo nosso Catecismo, principal fonte de aprofundamento para nós católicos.

A nossa fé tem base na Ressurreição de Cristo, e como São Paulo diz: “vã é a nossa fé se não crermos que Jesus ressuscitou” [1].

Deus nos criou para a vida plena, não para a morte. Como podemos ver nas Ícone - RessureiçãoSagradas Escrituras, a morte é consequência do Pecado, do homem querendo igualar-se a Deus. Mesmo assim, Ele não desistiu do homem, por isso mandou seu Filho para reconciliar a humanidade consigo. Jesus desceu à Mansão dos Mortos e resgatou os justos que aguardavam a sua vinda, venceu para sempre a morte, a qual não mais se precisará temer, ressuscitou e deixou a todos os discípulos a esperança de ressuscitar com Ele pelo Espírito Santo que caminha conosco até o fim dos dias.

Quando uma pessoa morre, ocorre o que chamamos “Juízo Particular”, ou seja, cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição, seja através de uma purificação (purgatório), seja para entrar de imediato na eterna felicidade do céu (paraíso), ou para condenar-se para sempre.

No final dos tempos vai haver o Juízo Final. Como vai ser, somente o Deus sabe. Sabemos apenas que Deus vai ressuscitar o nosso corpo, para sermos julgados todos juntos. A ressurreição dos mortos foi revelada de modo progressivo por Deus a seu povo. Jesus a ensina com firmeza, [2] e por isso, nós podemos crer na eternidade junto de Deus, onde voltaremos a ser corpo e alma, não da mesma Ícone - Juízo Finalforma que somos aqui, mas com um corpo glorificado pela graça do Senhor. Maria já está lá. Por sua obediência, fé e fidelidade ela nos precede no Reino dos Céus, basta segui-la e ela nos levará diretamente para seu Filho.

Os santos reconhecem na morte, o prêmio de todo cristão, afinal, é a hora de receber a coroa da vitória, como Paulo dizia quando sentiu que seu combate estava chegando ao fim [3]. Santa Teresinha sabia que para chegar a Deus era necessário morrer [4].

A fé na vida eterna é para nós motivo de força e consolo nos momentos em que é necessário deixar que alguém que amamos, parta em paz, pois a nossa meta é caminhar até chegar em Deus. Lágrimas são derramadas, permanece a saudade, mas fica também a certeza de que há mais alguém no céu intercedendo por nós. Assim como, um dia, nós também chegaremos lá, com a graça de Deus. Por isso, busquemos levar uma vida correta, caminhando para a santidade, procurando a Confissão sempre, pois não sabemos quando seremos chamados por Deus.

Que o Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna, Amém! [5]

 

 

CEC 988-1019

[1] 1 Cor 15,2.

[2] A ressurreição da carne e a vida eterna, disponível em: <http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv03/23.htm>.

[3] 2Tm 4,7.

[4] CEC 1011.

[5] Liturgia das Horas.

“PARA MIM O VIVER É CRISTO E O MORRER, LUCRO” (Fl 1,21) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Sejam mais uma vez bem vindos, amigos do CommunioSCJ.

Estamos chegando ao fim do itinerário de aprofundamento sobre o Credo cristão. Depois desse longo caminho é chegada a hora de meditarmos o que significa dizer que cremos na ressureição da carne.

De uma maneira direta, o Catecismo nos ensina que “da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia” [1]. Esta crença fundamentada em diversas passagens bíblicas (Cf. Rm 8,11; 1Cor 15,20) e intimamente ligada com a fé na Ícone-Ressurreição.jpgressureição de Jesus Cristo é essencial para a fé cristã. Como disse Tertuliano: “A confiança dos cristãos é a ressureição dos mortos; crendo nela, somos cristãos” [2].

Para entendermos melhor esse ponto crucial de nossa fé, comecemos por olhar para a palavra carne. Carne, ao contrário do que comumente se imagina, não está, na linguagem teológica, associada à palavra corpo. Se crêssemos na ressureição do corpo, teríamos uma má notícia. Pois de que nos serviria ganhar de volta esse corpo corrompido pelo pecado? Seria mais um instante dessa vida limitada que sempre é vencida pela morte. Pelo contrário, carne está associada a nossa “condição de fraqueza e mortalidade” [3]. Aí temos uma ótima notícia de salvação. Pois entendemos que a ressureição não é um mero voltar à vida, mas é o adentrar numa vida nova. Uma vida que pressupõe um homem novo em sua totalidade, com um corpo e uma alma livres da marca do pecado.

Ressuscitar é, dessa forma, ganhar uma vida incorruptível onde o corpo será novamente unido à alma imortal. Como será esse corpo incorruptível permanece um mistério, mas fato é que ele nos será concedido no “último dia” (Jo 6,40), na volta gloriosa de Jesus, tanto para os que se salvarem como para os que se perderem. Os que se salvarem, entretanto, terão seus corpos transfigurados pela glória de Deus, ao qual estarão unidos, e uma alma redimida, livre de toda mancha do pecado. Não terão a mesma vida, mas a Vida.

A ressureição para a Vida, não é alcançada pelas próprias forças ou méritos, mas pela nossa união a Jesus Cristo, no Espírito Santo. Nesse processo, podemos contar com os sacramentos, especialmente o Batismo e a Eucaristia. O próprio Jesus chama nossa atenção para esse caminho de união: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35) e “Quem consome este pão viverá para sempre” (Jo 6,58). Através dos Ícone - Ressuscitadosacramentos, nossa existência se encontra com a de Cristo, começamos a ressuscitar “como Ele, com Ele, por Ele” [4]. Isso porque “na ressureição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem” [5]. “Foi inaugurada uma dimensão que nos interessa a todos, e que criou para todos nós um novo âmbito da vida, o estar com Deus” [6].

Esta perspectiva de ressureição nos anima mesmo diante da realidade trágica da morte, terrível consequência do pecado. Nós a experimentaremos como Cristo experimentou, mas a venceremos como Ele também venceu. Sendo um dramático, mas único caminho para a Vida em Deus, “a morte cristã tem um sentido positivo” [7], pois “para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo” [8]. Consciente disso, São Paulo afirma: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro” (Fl 1,21).

Concordar com São Paulo é impossível para o que não crê. Mas não para aquele ou aquela que tem fé verdadeira. Muitos são os que auxiliados pelo Espírito Santo, compreenderam esta realidade ao longo destes dois milênios da Igreja. Muitíssimos mártires aos quais caberiam as palavras de Santo Inácio de Antioquia: “É bom para mim morrer em Cristo Jesus, melhor do que reinar até as extremidades da terra”. Muitíssimos místicos que poderiam se expressar como Santa Teresa de Jesus: “Quero ver a Deus, e para vê-lo é preciso morrer”.

Que a Santíssima Virgem Maria, interceda a Deus para que nossa fé na ressureição da carne seja renovada e tenhamos a graça de uma morte santa, que nos faça ressuscitar com Cristo.

“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amem!”

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 989.

[2] CEC, n. 991.

[3] CEC, n. 990.

[4] CEC, n. 995.

[5] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 219.

[6] Idem, p. 245.

[7] CEC, n. 1010.

[8] CEC, n. 1005.

“A QUEM PERDOARDES OS PECADOS, SERÃO PERDOADOS” (Jo 20,23) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos! Sejam novamente bem vindos a este espaço de reflexão acerca da fé da Igreja.

Depois de um longo caminho de estudo, chegamos ao décimo dos doze artigos de fé do Símbolo dos Apóstolos. Com a Igreja, aprendemos que o católico crê na remissão dos pecados. E por que isso é tão importante? G. K. Chesterton, pensando sobre as razões que levam um homem (inclusive ele) a se tornar católico, escreveu:

“Quanto às razões fundamentais para um homem fazê-lo, há apenas duas que são realmente fundamentais. Uma é que ele acredite que a Igreja seja a verdade sólida e irremovível – que é verdade, quer ele queira, quer ele não queria; a outra, que ele busque o perdão de seus pecados” [1].

Perdão dos pecados e a busca pela verdade: razões que nos levam a Deus. E se em nosso país a busca pela verdade não figura entre os maiores interesses (vide a reeleição do partido que encabeçou o maior esquema de corrupção já descoberto para dirigir o país), o perdão dos pecados é objetivo de todo coração sincero. Não há como não enxergarmos o mal que existe em nossos corações. “Meu pecado está sempre diante de mim” (Sl 51(50),5), diz o salmista.

Para entendermos bem o real teor dessa verdade de fé, o perdão dos pecados, precisamos primeiramente entender que perdão não é desculpa. Desculpar é, como a própria palavra dá a entender, um retirar a culpa, um inocentar. É o reconhecimento de que uma pessoa não teve a intenção de cometer o mal. Perdão, pelo contrário, é atestar a culpa, e mesmo assim dar uma nova chance. Desculpa é justiça para com o outro. Perdão é superar a justiça no amor.

Pecamos! Ponto. Sejamos honestos e veremos que o mal não está em um jesus-e-a-mulher-adc3baltera“sistema”, mas em nossos corações. Somos culpados. E para os culpados resta a pena.

Diante desta perspectiva entendemos verdadeiramente o que é o perdão. Mesmo culpados de um crime terrível, fomos redimidos por Deus. E isso não significa que nossa pena tenha sido retirada, pois redimir é “comprar de volta”. O que ocorreu é que por amor, Deus pagou a nossa pena. E a pagou com a sua morte na Cruz! Crer no perdão é crer que o Senhor pagou o preço que deveríamos pagar. O que nos cabe é aceitar essa oferta generosa de Deus. Entrar pela porta do seu perdão e permanecer junto Dele por toda a eternidade.

Para descobrirmos a porta do perdão que vem de Deus, basta seguirmos a pista deixada por Chesterton: a porta do perdão está na Igreja. Mais especificamente, o perdão de Deus se realiza através dos sacramentos da Igreja. E isso não porque ela tenha se outorgado esse direito. Foi o próprio Cristo que legou essa missão à Igreja quando se dirigiu aos Apóstolos, dizendo: “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficaram retidos” (Jo 20,23).

O perdão de Deus sobressai, sobretudo, nos sacramentos do Batismo e da Penitência (Confissão). Bento XVI chama a atenção para a relação entre o perdão e esses dois sacramentos quando analisa o lava-pés, relatado no Evangelho de São João. Diante das palavras de São Pedro, de que queria Jesus encontra sua Mãeser lavado por inteiro, diz Jesus: “Quem já tomou banho não precisa lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo” (Jo 13,10). Segundo o Papa Emérito o banho se refere ao Batismo e o lavar os pés à Confissão [2].

O Batismo é o principal sacramento do perdão dos pecados porque “pelo Batismo fomos sepultados com ele [Jesus Cristo] em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). No Batismo, unidos a Cristo, ocorre a nossa morte para o pecado. E “esta é uma morte autêntica porque é a destruição, no homem, daquilo que é mal, para lhe permitir renascer como Filho de Deus, tornando-se assim uma nova criatura – participante da natureza divina e chamado à santidade” [3].

Já a Confissão, existe porque “a graça do Batismo não livra ninguém de todas as fraquezas da natureza” [4]. Mesmo tendo adentrado pela porta do perdão, nossa concupiscência continua a nos atrair para fora. Mesmo batizados, continuamos a pecar, a ferir Jesus Crucificado. Deus, que não nos abandona, oferece o sacramento da Penitência para podermos nos reconciliar com Ele. Dizia São João Maria Vianney: “Crucificaste, Cristo, mas quando vos ide confessar, ide libertá-lo da cruz”.

Creiamos firmemente no Amor e na Misericórdia de Deus. “Cristo, que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” [5]. Arrependamo-nos e lutemos para recuar do pecado, pois esta é condição para experimentarmos o perdão de Deus.

Uma boa semana a todos!

 

 

[1] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 17.

[2] Cf. RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 74 -77.

[3]DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 161.

[4] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 978.

[5] CEC, n. 983.

CREIO NO PERDÃO DOS PECADOS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

É bom revê-lo para mais uma reflexão, lembrando o quanto é preciosa a Doutrina Católica transmitida a nós desde os Apóstolos.

Nós recebemos, no momento do Batismo, o Espírito Santo, que não só nos insere na vida cristã, como também é o meio mais eficaz de perdão dos pecados. No Batismo, somos lavados do Pecado Original dos nossos primeiros pais, e assim, mergulhamos na vida nova que Cristo nos conseguiu por seu sacrifício na cruz.

Mesmo sendo purificado no momento do Batismo, o homem, ao longo da vida, volta a pecar, pois, a vida nova recebida não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos batizados, a fim de que prestem as suas provas filhoprodigono combate da vida cristã, ajudados pela graça de Cristo. Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna, a que o Senhor não se cansa de nos chamar [1].

Jesus deu a Pedro a “chave” do céu, o poder de perdoar pecados, de reconciliar o homem com Deus. Deu a ele o poder de tudo o que ligar na terra, ser ligado no céu, e tudo o que desligar na terra, ser desligado no céu [2]. Jesus dá à Igreja e aos sucessores dos apóstolos, os bispos, como sacerdotes, o poder de trazer de volta os pecadores para Si.

Deus não se afasta de nós quando pecamos, pelo contrário, nós nos afastamos de Deus para pecar e, muitas vezes, temos vergonha de voltar. Não nos lembramos da misericórdia Dele, que sabe muito bem de que “pó” nós somos feitos.

Nossa humanidade não é capaz de compreender, mas Ele sempre nos recebe de braços abertos, como na parábola do Filho Pródigo [3]. E assim, como Ele é misericordioso, também devemos ser, tanto conosco, quanto com os outros. O inimigo de Deus investe muito tempo querendo nos fazer acreditar que não somos dignos de perdão, e muitas vezes, não o somos mesmo. Porém, o que nos falta de merecimento, Deus completa com a Sua graça.

Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero”. Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado [4]. Então, sejamos humildes para buscar na Confissão o abraço generoso de Nosso Senhor que tanto anseia pela nossa volta, seja qual tenha sido a nossa falta, pois Ele nos conhece bem, sabe das nossas fraquezas e da nossa vontade de lutar contra elas. Busquemos sempre a força que nos falta em Cristo, nosso Redentor.

Deus nos abençoe,

Boa semana a todos!

 

 

CEC 976-987

[1] CEC 1446.

[2] Mt 16,19.

[3] Lc 15,11-32.

[4] CEC 982, Parágrafos relacionados 1463,605).

“TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA” (Lc 1, 48) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos do CommunioSCJ. Sejam bem-vindos.

Seguindo as páginas do Catecismo começamos, na semana passada, a olhar com imenso carinho para a figura da Santíssima Virgem Maria. Partilho com vocês que depois de publicado o texto onde meditava sobre a maternidade dessa amada Senhora, me dei conta de como a rica Liturgia da Igreja volta regularmente nossos olhos para essa boa Advogada. Reparei que só neste mês de agosto, celebramos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no dia 15, e a memória de Nossa Senhora Rainha, no dia 22.

Paulo VI não estava de modo algum exagerando quando afirmou que “a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão” [1]. São muitas as celebrações feitas em sua memória o longo do ano. E todas elas são sinal da nossa gratidão: pelo seu precioso sim, pela sua maternidade espiritual, pela sua proteção. Elas são tempos fortes para recorrer à sua poderosa intercessão. São memórias, festas e solenidades nas quais a Igreja se atém fielmente às palavras proferidas por Maria diante de Isabel: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48).

O culto à Santíssima Virgem não é, evidentemente, da mesma natureza do que o culto que prestamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, com o Pai e o Espírito Santo. Mas para a Igreja, ficou claro desde o início que, embora Maria seja infinitamente menor que Deus, sua participação singular no mistério da salvação faz dela um grande auxílio no caminho rumo ao Salvador. Justamente por isso, “desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se abrigam em todos os seus perigos e necessidades” [2]. A Igreja sabe, há muito tempo, que o grande benefício de se confiar à Nossa Senhora é que ela nos confia ao próprio Deus.

Muitos podem insistir que é possível se unir a Deus sem intermediários. Mas como menosprezar o caminho que o próprio Deus escolheu para chegar até nós? “O Ícone - Virgem Maria_2Inacessível aproximou-se, uniu-se estreitamente e até pessoalmente à nossa humanidade por intermédio de Maria, sem nada perder de sua majestade. É também por Maria que nos devemos aproximar de Deus e unir-nos à Divina Majestade perfeita e estreitamente, sem receio de sermos repelidos” [3].

Um olhar atento para a história da Igreja mostrará que foram muitos os homens e mulheres que se tornaram melhores, que se santificaram, sob os cuidados e a proteção de nossa Mãe amada. E isso não é uma hipótese; é um fato. Se consultarmos, por exemplo, a lista de membros das Congregações Marianas, cuja fundação data de 1563, teremos prova dessa fecunda devoção. Dentre aqueles que escolheram viver o cristianismo através de uma consagração especial à Virgem Maria, se encontram muitos dos nossos santos e santas: São Francisco de Sales, São Gabriel da Virgem Dolorosa, São João Batista de la Salle, São Luís Gonzaga, Santa Madre Paulina, Beata Madre Teresa de Calcutá, Santo Antônio de Santana Galvão, Santa Bernadette Soubirous, Beato João Paulo II e muitos outros eram congregados marianos [4]. Além disso, a grande maioria dos Papas eleitos após 1563 eram também congregados marianos.

Sejamos honestos: não há como negar que aqueles que se recorrem à Santíssima Virgem renovam suas forças para viver a radicalidade do Evangelho. Ao se entregar à Nossa Senhora, aumentam as graças adquiridas pela sua poderosa intercessão. Tendo a Rainha dos Céus como modelo, logo começam a se aproximar de seu Filho. Maria é, de fato, um precioso ícone para cada um de nós: através dela podemos fazer um encontro com o Cristo!

Que a vida da Santíssima Virgem seja um exemplo para cada um de nós, seus filhos. Mas que seja também uma grande esperança. Pois depois de combater o bom combate (Cf. 2Tm 4, 7) ela foi assunta aos Céus onde está glorificada em corpo e alma. O que já é realidade na vida da Santíssima Virgem, esperamos em Deus que seja também na nossa vida futura. Nossa Senhora, rogai por nós!

Grande abraço a todos!

 

 

[1] MC (Exortação Apostólica Marialis Cultus), n. 56.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 971.

[3] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 111.

[4] Cf. VAZ, J. C. L. Santos: Vida e Fé. Petrópolis (RJ): Vozes, 2008.

O CULTO À VIRGEM MARIA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

Que bom nos encontrarmos novamente para continuar nossa reflexão sobre a Bem-aventurada, Virgem Maria.

Maria nos precede na “peregrinação da fé” [1], e é seu exemplo mais perfeito. Ela é o caminho seguro que leva ao Filho, quem a seguir não terá outro destino senão o céu já alcançado por ela, pois se cumpriu em sua vida, a benção pronunciada por Isabel: “Bendita Aquela que acreditou” [2].

De forma alguma, Maria quis equiparar-se a Jesus, muito pelo contrário, sua vida foi um grande exemplo de humildade, fé, oração e abandono à vontade de Deus, mesmo quando estava com seu coração trespassado de grande dor [3].

Maria não entendia, a princípio, os propósitos de Deus para sua vida, o Filho de Deus nascido num estábulo, ter que fugir com ele para salvá-lo da morte, mas manteve-se sempre em oração, com ela, aprendeu a silenciar e a guardar tudo em seu coração, até que fosse capaz de interpretar de modo correto os acontecimentos [4]. Nada na vida de Maria foi fácil, mas ela soube ser uma mulher de verdade, assumindo as decisões que tomara e enfrentando todos os desafios Ícone - Anunciação 02de forma serena, abandonando-se completamente nas mãos de Deus.

O “sim” mais difícil de Maria, foi aquele que ela disse aos pés da cruz. Quando uma pessoa tem uma vida espiritual avançada, declara-se pronta para se sacrificar se for preciso [5], como o fizeram muitos mártires, porém, ela aceitou também o sofrimento de seu amado filho. Foi crucificada e torturada junto Dele. Todos os pregos, que perfuraram o corpo de Jesus, perfuraram-na interiormente. Somente uma mulher de muita fé é capaz de tamanho sacrifício, tamanho abandono em Deus, ela não “arredou o pé”, permaneceu ali junto do Filho até o fim. O “fiat” (faça-se) de Maria faz dela a Mãe da Igreja, a Mãe de todos nós [6]. Quem mais seria capaz de suportar tamanha dor, o sacrifício da vida de um filho em prol de pecadores?

Sabemos que Deus escolheu Maria e a amou de uma forma muito especial, porém, exigiu dela decisões e renúncias muito difíceis, não a poupou do sofrimento, mas ela jamais deixou de crer.

Quanto mais próximo de Deus o discípulo estiver, mais Ele o exigirá; é assim que trata seus amigos, não por ser um Deus cruel, mas porque não quer um amor interesseiro, quer um amor capaz de renunciar a sua própria vontade para seguir a Dele, demonstrando sua fidelidade e amor assim como Maria fez. As renúncias libertam o coração para amar verdadeiramente. Quanto maior seu abandono, mais conseguirá ser amado por Jesus e o deixará tomar conta da sua vida.

O culto à Virgem Maria é o respeito que todo filho da Igreja Católica tem pelo sofrimento de Maria, pela sua capacidade de amar, de se doar pelos filhos até o fim. Ela caminha conosco, não está distante de nós, nos orienta no caminho da santidade e nos ensina a ser cristãos. Ela nos ensina a amar verdadeiramente, entendendo que as pessoas que amamos não nos pertencem, são de Deus e cada uma tem o seu destino junto aos irmãos em Cristo. Prepare-se, pois quanto mais se envolver nas coisas de Deus, mais Ele provará teu coração e mais te ensinará a depender somente Dele. Não desista, seja forte, como Maria foi, pois a recompensa do céu vale mais do que tudo nesta vida.

E se, por acaso achar que a dor é insuportável, conte com a intercessão de Maria. Lembre-se das Bodas de Caná [7].

Um abraço a todos, boa semana!

 

 

CEC 971-975

[1] Lumen Gentium (LG) 58.

[2] Lc 1,45.

[3] Lc 2,35.

[4] TADEU DJACZER, Meditações sobre a fé.

[5] idem.

[6] ibidem.

[7] Jo 2,1-11.

“MARIA, MÃE DE CRISTO, MÃE DA IGREJA [1]” (Papa Paulo VI) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações a todos vocês, amigos do CommunioSCJ. Com grande alegria, continuamos a aprofundar nossa fé ao longo das páginas do Catecismo da Igreja Católica.

Depois de meditarmos sobre o mistério da Igreja de Cristo, voltamos nossos olhares, nessas semanas mais recentes, para os membros desse instrumento de salvação. Vimos que existem diferentes formas de se ser um membro da Igreja; e que ao mesmo tempo todos eles estão unidos em Jesus, na Comunhão dos Santos. Todavia, dentre todos os membros que constituem o Corpo Místico de Cristo, seja na Terra, no Purgatório ou no Paraíso, existe um que ocupa um lugar de maior honra em virtude de sua pertença a Cristo, por ocasião de sua vinda (Cf. 1Cor 15,23): a Santíssima Virgem Maria!

A grandeza de Nossa Senhora reside no aparente paradoxo de sua figura. Pois embora ela possa ser contada entre os membros do Corpo de Cristo, ela é ao mesmo tempo a Mãe desse Corpo. Justamente por isso, Maria é mais do que uma intercessora ou um “modelo da fé e da caridade” [2], como são os outros santos e santas da Igreja. Ela desempenha um papel maior, uma ação real e concreta: Maria é também a nossa Mãe. E essa palavra não representa um mero título carinhoso, mas uma relação verdadeira e fecunda.

E esta constatação é não somente uma verdade de fé, como também uma dedução perfeitamente lógica diante de tudo o que temos refletido até aqui. Pois se Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é a “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), não há Ícone - Nossa Senhora_02como negar que Maria é também Mãe da Igreja. Nas belíssimas palavras de Santo Agostinho, Nossa Senhora “é verdadeiramente a Mãe dos membros (de Cristo)… porque cooperou pela caridade para quer na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça” [3]. Desta maternidade não se pode duvidar. Jesus, que é a Verdade, foi quem a instituiu. As palavras que dirigiu a São João do alto da cruz são também para toda a humanidade: “Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,27).

Assim entendemos o papel de Nossa Senhora em nossa vida espiritual. Sendo nossa Mãe, ela gera Cristo em nós. Sim, através de sua intercessão, no Espírito Santo, nos tornamos um com Cristo. Por isso podemos dizer com a Igreja que “pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas” [4]. E dizemos com a consciência de que essa ação maternal não é fruto das próprias forças de Maria, mas “flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na Sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a força” [5].

E se é difícil entendermos como Nossa Senhora coopera com a nossa salvação, podemos iluminar as nossas dúvidas com uma bela analogia apresentada de São Luís Maria Grignion de Montfort:

“Peço-te que notes o que eu disse: os santos são moldados em Maria. Há grande diferença em fazer uma figura em relevo a golpes de martelo e de cinzel, e fazer uma figura lançando-a numa fôrma. […] Santo Agostinho chama a Santíssima Virgem ‘Fôrma de Deus’, Fôrma própria para formar e moldar deuses: ‘Sois digna de ser chamada Fôrma de Deus’. Aquele que é lançado nessa Fôrma Divina depressa é formado e moldado em Jesus Cristo e Jesus Cristo nele. Facilmente e em pouco tempo será transformado em Deus, divinizado, pois é lançado no próprio molde que formou um Deus” [6].

Lembremo-nos sempre de que essa amada Mãe foi assunta aos Céus e, estando perto do Senhor, “por sua multíplice intercessão prossegue em granjear-nos os dons da salvação eterna” [7]. E peçamos: Santíssima Virgem Maria, rogai por nós!

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 963.

[2] CEC, n. 967

[3] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 53.

[4]. LG, n. 61.

[5] LG, n. 60.

[6] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 152.

[7] LG, n. 62.

MARIA, MÃE E MODELO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

3 Comentários

Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos em Cristo Jesus, sejam, como sempre, bem vindos ao CommunioSCJ. Cumprindo nosso projeto para este Ano da Fé, de acordo com o que nos pediu o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, damos mais um passo no estudo do Catecismo da Igreja Católica. E, assim, chegamos ao Parágrafo 6 da nossa Profissão de Fé que aborda o tema do lugar da Virgem Maria no mistério da Igreja [1], mais especificamente da maternidade de Maria em relação à Igreja. Providencialmente, neste final de semana, a liturgia nos chama à contemplação da Virgem assunta aos céus, o que nos ajuda não apenas a entender racionalmente este mistério, mas adentrarmos mais profundamente a ele com todo nosso coração.

O Concílio Vaticano II afirma que Maria, “de modo inteiramente singular, pela Ícone moderno_Maria-Mãe-da-Igrejaobediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça” [2]. É sua união a Deus que permite que ela seja a nossa Mãe, Mãe da Igreja. Tal cooperação, aliás, não cessou com sua assunção aos céus, pois ela está em comunhão com toda a Igreja na comunhão dos santos [3]. Assim, tal cooperação perdura pelos séculos na sua maternidade em relação a nós. Esta maternidade, podemos observá-la concretamente na sua múltipla intercessão, atestada por numerosíssimos testemunhos dos fiéis que tem recorrido a ela em toda a história da Igreja, e no modelo de vida cristã que ela constitui para cada um de nós.

Ora, compreendemos melhor a maternidade da Virgem em relação a nós quando vemos o mesmo Concílio afirmar que “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” [4]. Ou seja, a maternidade que Maria exerce em relação à Igreja não deriva de uma necessidade ontológica, Ícone - Imaculado Coração de Mariamas da imensa bondade de Deus que no-la deu na cruz de Cristo como socorro para que, no naufrágio desta existência, encontrássemos o porto seguro nele.

Noutro ponto de vista, Maria não é apenas nossa intercessora, advogada e Mãe na ordem da graça. Ela é nosso modelo. Diz-nos o Catecismo: “por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade” [5]. Fica claro, então, caros irmãos, que não devemos ter Nossa Senhora como uma espécie de banco, onde colocamos nossa confiança a fim de obtermos recursos para esta vida. Sua missão não consiste em nos fazer favores, mas em nos ligar a Jesus, seu divino Filho. Por isso, nossa relação filial com ela deve ir além de uma relação de barganha: somos chamados, pelo seu exemplo, a aderir de todo coração à vontade de Deus, a corresponder à obra de Jesus Cristo e às moções do Espírito Santo na fé e na caridade, de tal modo que a vida divina transborde em nós. Assim, não há dúvida que ao nos aproximarmos de Maria, encontramos um caminho seguro para o verdadeiro encontro com Jesus Cristo.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude, por seu exemplo e por sua intercessão, a viver cada dia mais unidos a Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 963-975.

[2] Lumen Gentium (LG) 61.

[3] Mistério que estudamos na semana passada. Cf. “Creio na Comunhão dos Santos – Por Fr. Lucas, scj”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/08/10/creio-na-comunhao-dos-santos-por-fr-lucas-scj/>.

[4] LG 60.

[5] CEC 967.

MARIA, FILHA PREDILETA DO PAI E SACRÁRIO VIVO DO ESPÍRITO SANTO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente!

Continuando as reflexões sobre nossa fé, chegamos agora ao papel da Virgem Maria na Igreja, cujo sim em gerar o Filho de Deus em seu ventre, mudou para sempre o destino da humanidade.

“A Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime e unida a ele por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com a missão sublime e a dignidade de ser a Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo” [1], veio ao mundo sem a mancha do pecado original, era pura de coração, obediente e entregue totalmente à vontade do Pai. Por sua fé, caridade e esperança, Maria é a discípula perfeita e modelo para todos nós, é a seta que nos conduz ao seu Filho. A Igreja reconhece em Maria a Ícone - Santa Maria Mãe de Deusadvogada, a auxiliadora, a medianeira e protetora, mas principalmente como a Mãe de Deus e Mãe da Igreja.

No Evangelho de João, quando Jesus diz ao discípulo, “Mulher eis aí o teu filho” [2], Ele deixa bem claro o papel de Maria junto a Igreja, entregando-a como Mãe, não só ao discípulo amado, mas a todos os discípulos.

De forma alguma ela ocupa o mesmo lugar que seu Filho, somente Jesus é Salvador e Redentor, porém, Maria cooperou na sua obra de restauração da vida sobrenatural das almas [3]. Foi assunta aos céus, mostrando-nos a antecipação da glória reservada a todo cristão que segue seu exemplo.

Maria foi um grande exemplo de mulher e mãe, suportou tanto sofrimento desde que soube de sua gravidez, o risco de ser apedrejada, caso José a acusasse de traição, suportou a desconfiança da sua própria família, teve seu filho num estábulo, teve que fugir assim que seu filho nasceu para salvá-lo da morte. Mas Deus sempre a amparou, mandou seu Anjo dizer a verdade a José para que a protegesse e que confiasse nela, Ele guardou a vida de seu Filho, o fez crescer a salvo em sabedoria e graça [4]. Recebeu muitas alegrias de seu Filho, e mesmo no momento da grande dor da Crucifixão, não a deixou só, consolou seu coração entregando-lhe todos os filhos da Igreja e assim adotando-os, os protege, intercede por eles até o fim dos tempos, é a sua advogada, pois rico em misericórdia é também o coração de Maria.

Que a nossa fé seja como a fé de Maria, que tudo ouviu e guardou em silêncio em seu coração, que jamais perdeu a fé mesmo nas piores tribulações e que, assim com ela, nós possamos ser setas que indicam o caminho para Jesus.

Uma semana abençoada a todos!

 

 

Maria, mãe de Cristo, mãe da Igreja – CEC 963-970

[1] Lumen Gentium (LG) 53.

[2] Jo 19,26.

[3] LG 61.

[4] Lc 2,52.

CREIO NA COMUNHÃO DOS SANTOS – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Irmãos e irmãs em Cristo, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Em filial atenção ao desejo do Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, continuamos nosso caminho através de nossa Profissão de Fé no Catecismo da Igreja Católica. E, depois de vermos cada um dos diferentes modos do seguimento de Cristo, nosso Senhor, na Igreja, passamos à fé na “comunhão dos santos”.

O artigo sobre a comunhão dos santos, como o próprio catecismo nos diz, é a explicitação do ser da Igreja, explorado no Credo pelo artigo anterior, pois “a comunhão dos santos é precisamente a Igreja” [1].

Não é tão difícil de entender, mas ignorar esta categoria, a comunhão dos santos, Ícone - Comunhão dos Santosé justamente um entrave que impede alguns de nossos irmãos de compreender, por exemplo, a intercessão dos santos e, em particular, da bem-aventurada Virgem Maria. Por isso, recomendo vivamente a leitura deste artigo de nossa Profissão de Fé diretamente no Catecismo [2], visto que este espaço não é suficiente para nos determos longamente neste assunto.

O Youcat traz uma definição precisa a este respeito: “pertencem à ‘comunhão dos santos’ todas as pessoas que colocaram a sua esperança em Cristo e lhe pertencem pelo Batismo, tenham elas já morrido ou vivam ainda. Porque somos um ‘corpo’ em Cristo, vivemos uma comunhão que abraça o céu e a terra” [3].

Ou seja, como diz Santo Tomás de Aquino: “uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros” [4]. Em outras palavras, podemos afirmar que, como a Igreja é o Corpo de Cristo (cf. Cl 1,18), todos os que fazemos parte deste corpo pelo Batismo estamos, ipso facto, em relação uns com os outros e podemos comunicar bens espirituais uns aos outros.

Vemos, assim, que a Igreja não é uma simples instituição que se abre num cartório. Não. A Igreja é o Corpo de Cristo e é justamente esta relação com Cristo que a caracteriza e a constrói. “Assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja. Mas o membro mais importante é Cristo, por ser a Cabeça… Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz por Ícone - Comunhão dos Santos_02meio dos sacramentos da Igreja” [5].

Ora, esta comunhão toca todos aqueles que estão em Cristo, mesmo aqueles que já morreram [6]. O Concílio Vaticano II afirma: “a união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunicação dos bens espirituais” [7].

Assim, a Igreja se reconhece em três estados [8]: o militante (aqueles discípulos de Cristo que peregrinam sobre a terra); o padecente (aqueles que, terminada esta vida, estão em Cristo e passam por uma purificação ou purgatório) e a triunfante (aqueles que contemplam a Deus face-a-face). Todos, porém, ligados a Cristo pelo mesmo Espírito.

Neste grande relacionamento com Cristo, as pessoas relacionam-se entre si de modo que podem partilhar seus bens espirituais. Tais bens são: a fé (recebida dos Apóstolos), os sacramentos (e seus frutos), os carismas (recebidos para a utilidade de todos) [9], a caridade e, enfim, o que possuem também materialmente.

Por fim, é preciso dizer, embora o texto já esteja bastante extenso, que esta grande comunhão em Cristo pelo Espírito caracteriza a Igreja não só como o Corpo de Cristo, mas também como uma grande e única família de Deus. E é justamente esta comunhão que possibilita a mútua intercessão (rezarmos uns pelos outros), a intercessão dos santos (que, unidos mais perfeitamente a Cristo nos céus, nos socorrem com solicitude fraterna [10]) e a comunhão com os mesmos santos (aos quais amamos como companheiros exemplares no seguimento de Cristo [11]) e outros falecidos (por quem rezamos a fim de que sejam perdoados de seus pecados [12]).

Que a santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude a crescer sempre mais no fortalecimento dos vínculos que nos unem como Igreja.

Um fraterno abraço a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica) 946.

[2] Cf. CEC 946-962. Também é possível encontrar uma explicação a este respeito no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, questões 194-195; e no Youcat, questão 146.

[3] Youcat, questão 146.

[4] Texto citado no CEC 947.

[5] Idem, ibidem.

[6] Sobre a questão do juízo particular, do juízo final e dos novíssimos, o Catecismo tratará mais adiante. Chegaremos a estudar essas questões, com a graça de Deus, em setembro.

[7] LG 49.

[8] Cf. CEC 954.

[9] Cf. 1Cor 12,7.

[10] Cf. CEC 956.

[11] Cf. CEC 957.

[12] Cf. CEC 958. Aqui, de modo algum, se trata da invocação dos mortos, mas da conservação do vínculo de amor que nos une para além da morte, sabendo que, também eles continuam nos amando em Deus.

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