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“ESTAREMOS PARA SEMPRE COM O SENHOR” (1Ts 4,17) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi

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Olá, amigos do CommunioSCJ. Que alegria reencontrá-los para estudarmos a nossa fé.

“O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu” (1Cor 2,9). Partindo deste versículo, misto de mistério e esperança, nos voltamos para o Céu, o Paraíso, sonho de Deus para cada um de seus filhos.

Conforme vimos anteriormente, o Céu é um dos caminhos que a alma humana pode tomar após esta vida. Mais do que um caminho, ele é o caminho desejado e querido por Deus para cada homem e mulher. O Céu é o fim daqueles que, livres, decidem-se pelo Senhor; dos que escolhem a “melhor parte” (cf. Lc 10,42) e permanecerão com Deus por toda a Eternidade. Como nos ensina o Catecismo, “os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo” [1].

O Céu, todavia, representa uma nova forma de viver com o Senhor. Se neste mundo nós só enxergamos a Deus pelo reflexo da sua Graça no mundo, nos irmãos ou na Igreja, no Céu nós O “veremos face a face” (1Cor 13,12). Se neste mundo começamos a nos unir a Cristo em seu Corpo Místico, é no Céu que estaremos plenamente incorporados a Ele.

A alma que alcança o Paraíso se une a Cristo sem perder sua identidade. Vive uma unidade profunda que não está baseada na solidão, mas na comunhão. E como Cristo é comunhão com o Pai e o Espírito Santo, o Céu é também comunhão perfeita com a Santíssima Trindade. E sendo a Santíssima Trindade perfeita e gloriosa, a alma que se encontra ligada a Ela não pode mais conhecer o pecado, a tristeza, a falta de amor, a solidão e tantas outras misérias a que foi submetida após o pecado original. E essa alma pura, unida ao Único Deus como todas as outras, experimenta também um comunhão perfeita com a Santíssima Virgem, com all saints icontodos os anjos e santos, com todos os parentes e amigos.

Essa comunhão perfeita é o enorme dom que Deus tem a oferecer a cada filho. Ela é o convite mais profundo que Deus faz a cada ser humano. Convite que o homem, livre, pode recusar, mas que está inserido no mais profundo de sua alma. Trata-se daquela sede, daquele desejo que muitas vezes não se sabe de quê, mas que existe em cada homem e mulher. E se algo é desejado, é porque existe. Como no caso dos animais, que encontram na natureza as respostas para todos os seus desejos, a resposta para o anseio mais profundo do ser humano também existe: “O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado felicidade suprema e definitiva” [2].

Assim, a existência do Céu é uma verdade de fé que a Igreja não cansa de anunciar. Pois são muitos os homens que, sem ajuda, procuram a felicidade definitiva nos prazeres deste mundo sem perceber que anseiam algo que transcende esta realidade visível. Chesterton dizia que em cada homem que bate na porta de um prostíbulo existe um coração à procura de Deus. Isso é verdade para todo pecado: buscando a felicidade, erra-se o alvo, cai-se no vazio existencial.

Sem uma direção, o homem definha, fica imoral, pequeno. Tentando salvar-se cai no desespero. Foi o que percebeu o psicólogo Viktor Frankl durante sua estadia nos campos de concentração do nazismo: somente os homens que vislumbravam um sentido para sua vida, mantinham sua dignidade em meio àquele horror. “O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido”, dizia Frankl. Para nós que somos cristãos, esse sentido é a união com Cristo no Céu. Só a contemplação constante desta realidade pode nos fazer suportar as dificuldades e nos dar força para caminhar ruma a felicidade plena. Que as seguintes palavras de São João Bosco nos ajudem alcançar nossa Meta:

“Coragem, pois, meu filho; neste mundo você terá que sofrer, mas não importa: o prêmio que receberá na Eternidade compensará infinitamente todos os sofrimentos. Que consolação não será a sua, quando se encontrar no Céu na companhia dos parentes, dos amigos, dos Santos, dos bem aventurados e exclamar ‘Estaremos para sempre com o Senhor’ (1Ts 4,17). Então será a hora que abençoará o momento em que abandonou o pecado, que fez aquela boa Confissão e sempre buscou os Sacramentos; lembrará do dia em que deixou os maus companheiros e se entregou a uma vida virtuosa. E cheio de gratidão volverá para Deus e cantará seus louvores e sua glória por todos os séculos. Assim seja” [3].

Uma ótima semana.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 1023.

[2] CEC, n. 1024.

[3] São João Bosco, O Cristão Bem Formado. Campinas (SP): Ecclesiae, 2010, p. 63.

A VIDA NA TERRA PRÉ-ANUNCIA A VIDA QUE TEREMOS NA ETERNIDADE – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom contarmos novamente com sua visita!

Hoje continuamos as reflexões sobre o Catecismo da Igreja, cujo tema é a vida eterna. Como professa o nosso Credo, a vida eterna é a realidade além da vida física, onde cumprimos nossa vocação primeira, a de filhos amados de Deus que são chamados a se unirem novamente a Ele. Nós viemos de Deus e para Ele devemos retornar.

A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo. O Novo Testamento fala do juízo, principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro e Pobre Lázaro e o rico (parábola)a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão, assim como outros textos do Novo Testamento, falam do destino final da alma, o qual pode ser diferente para uma e para outra [1].

O modo como vivemos aqui na terra já é um pré-anuncio do que viveremos na eternidade, determinando o nosso destino após a morte. Cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre [2].

A vida que vivemos não é eterna. Precisamos nos lembrar de onde viemos: somos cidadãos do céu e é para lá que queremos voltar um dia. Porém, quando se deixa ser levado pela vida que o mundo prega, fazendo tudo o que se tem vontade sem medir as consequências, sem levar em consideração a vontade de Deus, esquecendo-se Dele, deve-se tomar muito cuidado, pois talvez não haja tempo para arrependimentos depois.

A vida é muito breve, não se sabe a hora que Deus tomará de volta a vida que nos foi emprestada, nós só temos o hoje para nos arrepender e retomar o caminho certo, amanhã pode ser muito tarde.

O Céu é o lugar de encontro definitivo da alma com os anjos, os santos, os bem-aventurados, a Virgem Maria. É o lugar de comunhão eterna com a Santíssima Trindade, a volta definitiva para casa dos que passaram pela morte santamente ou foram purificados dos seus pecados no purgatório.

Cada qual receberá de Deus a eternidade que já começou a construir aqui na terra. Para os justos, a eternidade será contemplar Deus face a face, unindo-se aos santos na intercessão pelos que ainda caminham na terra.

Que o Senhor olhe para o grande desejo de nosso coração de poder encontrá-lo em sua santa glória, e que por sua imensa bondade, tenha misericórdia de nós, completando o que nos falta em merecimento com a sua graça, amém.

 

 

[1] CEC 1021.

[2] CEC 1022.

“QUEM NÃO ESTÁ PRONTO PARA BEM MORRER, CORRE GRANDE PERIGO DE MORRER MAL” (São João Bosco) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos. Sejam novamente bem vindos ao CommunioSCJ.

Adentrando no último artigo do Símbolo dos Apóstolos é chegada a hora de meditarmos sobre a Vida Eterna. Essa é nossa , mas é também nossa Esperança. Esperança de que saindo dessa vida passageira, cheia de altos e baixos, possamos mergulhar na Vida em plenitude. Mas como alcançá-la? A resposta é óbvia, mas nem por isso fácil. Nas palavras de São Francisco: “é morrendo que se vive para a Vida Eterna”.

Na morte corporal há uma separação: corpo e alma tomam destinos diferentes. O corpo encontra seu fim, a corrupção. Já a alma, imortal, se encontra com o Justo Juiz. A esse encontro entre a alma e Deus, que acontece tão logo um homem morre, chamamos Juízo Particular. Conforme ensina a Igreja, é nesse momento que “cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna” [1]. É o que atesta São Paulo, quando diz que os homens morrem uma única vez e “depois vem o julgamento” (Hb 9,27). É o que atesta o próprio Jesus, quando diante da súplica do bom ladrão lhe responde “hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

Céu, inferno ou purgatório são os caminhos que a alma de cada ser humano pode tomar depois desse julgamento. Melhor do que caminhos a tomar, na verdade, seria mais correto dizer que são os caminhos a continuar, pois o Juízo Particular é Ressurreição de Lázarosempre um reflexo da vida que se levou na terra. Deus respeita nossa liberdade! Se morremos caminhando para Deus, para Ele iremos. Se morremos fugindo de Deus, para longe dele iremos. E esse não é um mero detalhe. Mudar o caminho na última hora, com a morte batendo à porta, não é tarefa simples. O Catecismo sabiamente nos recorda que “a morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo” [2].

Os materialistas podem fingir que a morte não virá ou que ela é algo natural, facilmente aceitável. Mas nós cristãos sabemos que ela virá, que é salário do pecado (cf. Rm 6,23) e que é o momento decisivo das nossas vidas. A maneira com a qual nos encontramos com Deus no Juízo define como passaremos a Eternidade. Por isso os Santos Padres ensinavam a pensar diariamente na morte: para nos prepararmos.

Viver como se a morte não fosse chegar é uma grande insensatez. Dizia São João Bosco aos jovens: “Embora seja incerto o lugar e a hora de sua morte, porém é muito certo que ela virá” [3]. Por isso o grande santo da juventude exortava os jovens a se prepararem para esse momento. Ensinava que a ideia de “deixar para se converter depois”, nada mais é do que artimanha do Diabo para perder as almas. Chamando seus filhos espirituais à realidade de que a morte pode vir a qualquer momento, escreveu:

“Diga-me, filho, se tivesse que morrer neste instante, que seria da sua alma? Ai de você, se não se mantém sempre preparado! Quem não está pronto para bem morrer, corre grande perigo de morrer mal” [4].

São sábias palavras que somos também convidados a meditar. Será que temos nos preparado adequadamente para esse momento decisivo? Será que temos caminhado em direção a Deus? São perguntas que só podem encontrar a reposta no profundo de nosso coração. Perguntas que dizem respeito ao nosso interior, que ultrapassam a exterioridade dos atos e chegam à interioridade das intenções. É para respondê-las que a Igreja nos ensina a fazermos diariamente um exame de consciência. Para reconhecermos como todos os dias com nossos “pensamentos e palavras, atos e omissões”, damos passos para longe do Senhor. E para que à luz dessa descoberta mudemos de vida!

Que a nossa morte seja uma importante baliza para nossa vida. Ouçamos mais um conselho do grande São João Bosco: “Teme grandemente pela sua alma e pense que do viver bem depende uma boa morte e uma eternidade de glória” [5].

Que pela intercessão da Santíssima Virgem o Senhor nos ajude a viver bem, caminhando em sua direção. Que Ele nos livre de uma morte repentina e nos dê a graça de nos prepararmos adequadamente para o nosso Juízo.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 1022.

[2] CEC, n. 1021.

[3] São João Bosco, O Cristão Bem Formado. Campinas (SP): Ecclesiae, 2010, p. 47.

[4] Idem.

[5] Ibidem, p. 49.

CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, a paz de Jesus!

Mais uma vez retornamos a este espaço para refletir sobre a fé que os Apóstolos nos transmitiram através dos séculos, apresentada pelo nosso Catecismo, principal fonte de aprofundamento para nós católicos.

A nossa fé tem base na Ressurreição de Cristo, e como São Paulo diz: “vã é a nossa fé se não crermos que Jesus ressuscitou” [1].

Deus nos criou para a vida plena, não para a morte. Como podemos ver nas Ícone - RessureiçãoSagradas Escrituras, a morte é consequência do Pecado, do homem querendo igualar-se a Deus. Mesmo assim, Ele não desistiu do homem, por isso mandou seu Filho para reconciliar a humanidade consigo. Jesus desceu à Mansão dos Mortos e resgatou os justos que aguardavam a sua vinda, venceu para sempre a morte, a qual não mais se precisará temer, ressuscitou e deixou a todos os discípulos a esperança de ressuscitar com Ele pelo Espírito Santo que caminha conosco até o fim dos dias.

Quando uma pessoa morre, ocorre o que chamamos “Juízo Particular”, ou seja, cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição, seja através de uma purificação (purgatório), seja para entrar de imediato na eterna felicidade do céu (paraíso), ou para condenar-se para sempre.

No final dos tempos vai haver o Juízo Final. Como vai ser, somente o Deus sabe. Sabemos apenas que Deus vai ressuscitar o nosso corpo, para sermos julgados todos juntos. A ressurreição dos mortos foi revelada de modo progressivo por Deus a seu povo. Jesus a ensina com firmeza, [2] e por isso, nós podemos crer na eternidade junto de Deus, onde voltaremos a ser corpo e alma, não da mesma Ícone - Juízo Finalforma que somos aqui, mas com um corpo glorificado pela graça do Senhor. Maria já está lá. Por sua obediência, fé e fidelidade ela nos precede no Reino dos Céus, basta segui-la e ela nos levará diretamente para seu Filho.

Os santos reconhecem na morte, o prêmio de todo cristão, afinal, é a hora de receber a coroa da vitória, como Paulo dizia quando sentiu que seu combate estava chegando ao fim [3]. Santa Teresinha sabia que para chegar a Deus era necessário morrer [4].

A fé na vida eterna é para nós motivo de força e consolo nos momentos em que é necessário deixar que alguém que amamos, parta em paz, pois a nossa meta é caminhar até chegar em Deus. Lágrimas são derramadas, permanece a saudade, mas fica também a certeza de que há mais alguém no céu intercedendo por nós. Assim como, um dia, nós também chegaremos lá, com a graça de Deus. Por isso, busquemos levar uma vida correta, caminhando para a santidade, procurando a Confissão sempre, pois não sabemos quando seremos chamados por Deus.

Que o Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna, Amém! [5]

 

 

CEC 988-1019

[1] 1 Cor 15,2.

[2] A ressurreição da carne e a vida eterna, disponível em: <http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv03/23.htm>.

[3] 2Tm 4,7.

[4] CEC 1011.

[5] Liturgia das Horas.

“PARA MIM O VIVER É CRISTO E O MORRER, LUCRO” (Fl 1,21) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Sejam mais uma vez bem vindos, amigos do CommunioSCJ.

Estamos chegando ao fim do itinerário de aprofundamento sobre o Credo cristão. Depois desse longo caminho é chegada a hora de meditarmos o que significa dizer que cremos na ressureição da carne.

De uma maneira direta, o Catecismo nos ensina que “da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia” [1]. Esta crença fundamentada em diversas passagens bíblicas (Cf. Rm 8,11; 1Cor 15,20) e intimamente ligada com a fé na Ícone-Ressurreição.jpgressureição de Jesus Cristo é essencial para a fé cristã. Como disse Tertuliano: “A confiança dos cristãos é a ressureição dos mortos; crendo nela, somos cristãos” [2].

Para entendermos melhor esse ponto crucial de nossa fé, comecemos por olhar para a palavra carne. Carne, ao contrário do que comumente se imagina, não está, na linguagem teológica, associada à palavra corpo. Se crêssemos na ressureição do corpo, teríamos uma má notícia. Pois de que nos serviria ganhar de volta esse corpo corrompido pelo pecado? Seria mais um instante dessa vida limitada que sempre é vencida pela morte. Pelo contrário, carne está associada a nossa “condição de fraqueza e mortalidade” [3]. Aí temos uma ótima notícia de salvação. Pois entendemos que a ressureição não é um mero voltar à vida, mas é o adentrar numa vida nova. Uma vida que pressupõe um homem novo em sua totalidade, com um corpo e uma alma livres da marca do pecado.

Ressuscitar é, dessa forma, ganhar uma vida incorruptível onde o corpo será novamente unido à alma imortal. Como será esse corpo incorruptível permanece um mistério, mas fato é que ele nos será concedido no “último dia” (Jo 6,40), na volta gloriosa de Jesus, tanto para os que se salvarem como para os que se perderem. Os que se salvarem, entretanto, terão seus corpos transfigurados pela glória de Deus, ao qual estarão unidos, e uma alma redimida, livre de toda mancha do pecado. Não terão a mesma vida, mas a Vida.

A ressureição para a Vida, não é alcançada pelas próprias forças ou méritos, mas pela nossa união a Jesus Cristo, no Espírito Santo. Nesse processo, podemos contar com os sacramentos, especialmente o Batismo e a Eucaristia. O próprio Jesus chama nossa atenção para esse caminho de união: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35) e “Quem consome este pão viverá para sempre” (Jo 6,58). Através dos Ícone - Ressuscitadosacramentos, nossa existência se encontra com a de Cristo, começamos a ressuscitar “como Ele, com Ele, por Ele” [4]. Isso porque “na ressureição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem” [5]. “Foi inaugurada uma dimensão que nos interessa a todos, e que criou para todos nós um novo âmbito da vida, o estar com Deus” [6].

Esta perspectiva de ressureição nos anima mesmo diante da realidade trágica da morte, terrível consequência do pecado. Nós a experimentaremos como Cristo experimentou, mas a venceremos como Ele também venceu. Sendo um dramático, mas único caminho para a Vida em Deus, “a morte cristã tem um sentido positivo” [7], pois “para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo” [8]. Consciente disso, São Paulo afirma: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro” (Fl 1,21).

Concordar com São Paulo é impossível para o que não crê. Mas não para aquele ou aquela que tem fé verdadeira. Muitos são os que auxiliados pelo Espírito Santo, compreenderam esta realidade ao longo destes dois milênios da Igreja. Muitíssimos mártires aos quais caberiam as palavras de Santo Inácio de Antioquia: “É bom para mim morrer em Cristo Jesus, melhor do que reinar até as extremidades da terra”. Muitíssimos místicos que poderiam se expressar como Santa Teresa de Jesus: “Quero ver a Deus, e para vê-lo é preciso morrer”.

Que a Santíssima Virgem Maria, interceda a Deus para que nossa fé na ressureição da carne seja renovada e tenhamos a graça de uma morte santa, que nos faça ressuscitar com Cristo.

“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amem!”

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 989.

[2] CEC, n. 991.

[3] CEC, n. 990.

[4] CEC, n. 995.

[5] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 219.

[6] Idem, p. 245.

[7] CEC, n. 1010.

[8] CEC, n. 1005.

“A QUEM PERDOARDES OS PECADOS, SERÃO PERDOADOS” (Jo 20,23) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos! Sejam novamente bem vindos a este espaço de reflexão acerca da fé da Igreja.

Depois de um longo caminho de estudo, chegamos ao décimo dos doze artigos de fé do Símbolo dos Apóstolos. Com a Igreja, aprendemos que o católico crê na remissão dos pecados. E por que isso é tão importante? G. K. Chesterton, pensando sobre as razões que levam um homem (inclusive ele) a se tornar católico, escreveu:

“Quanto às razões fundamentais para um homem fazê-lo, há apenas duas que são realmente fundamentais. Uma é que ele acredite que a Igreja seja a verdade sólida e irremovível – que é verdade, quer ele queira, quer ele não queria; a outra, que ele busque o perdão de seus pecados” [1].

Perdão dos pecados e a busca pela verdade: razões que nos levam a Deus. E se em nosso país a busca pela verdade não figura entre os maiores interesses (vide a reeleição do partido que encabeçou o maior esquema de corrupção já descoberto para dirigir o país), o perdão dos pecados é objetivo de todo coração sincero. Não há como não enxergarmos o mal que existe em nossos corações. “Meu pecado está sempre diante de mim” (Sl 51(50),5), diz o salmista.

Para entendermos bem o real teor dessa verdade de fé, o perdão dos pecados, precisamos primeiramente entender que perdão não é desculpa. Desculpar é, como a própria palavra dá a entender, um retirar a culpa, um inocentar. É o reconhecimento de que uma pessoa não teve a intenção de cometer o mal. Perdão, pelo contrário, é atestar a culpa, e mesmo assim dar uma nova chance. Desculpa é justiça para com o outro. Perdão é superar a justiça no amor.

Pecamos! Ponto. Sejamos honestos e veremos que o mal não está em um jesus-e-a-mulher-adc3baltera“sistema”, mas em nossos corações. Somos culpados. E para os culpados resta a pena.

Diante desta perspectiva entendemos verdadeiramente o que é o perdão. Mesmo culpados de um crime terrível, fomos redimidos por Deus. E isso não significa que nossa pena tenha sido retirada, pois redimir é “comprar de volta”. O que ocorreu é que por amor, Deus pagou a nossa pena. E a pagou com a sua morte na Cruz! Crer no perdão é crer que o Senhor pagou o preço que deveríamos pagar. O que nos cabe é aceitar essa oferta generosa de Deus. Entrar pela porta do seu perdão e permanecer junto Dele por toda a eternidade.

Para descobrirmos a porta do perdão que vem de Deus, basta seguirmos a pista deixada por Chesterton: a porta do perdão está na Igreja. Mais especificamente, o perdão de Deus se realiza através dos sacramentos da Igreja. E isso não porque ela tenha se outorgado esse direito. Foi o próprio Cristo que legou essa missão à Igreja quando se dirigiu aos Apóstolos, dizendo: “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficaram retidos” (Jo 20,23).

O perdão de Deus sobressai, sobretudo, nos sacramentos do Batismo e da Penitência (Confissão). Bento XVI chama a atenção para a relação entre o perdão e esses dois sacramentos quando analisa o lava-pés, relatado no Evangelho de São João. Diante das palavras de São Pedro, de que queria Jesus encontra sua Mãeser lavado por inteiro, diz Jesus: “Quem já tomou banho não precisa lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo” (Jo 13,10). Segundo o Papa Emérito o banho se refere ao Batismo e o lavar os pés à Confissão [2].

O Batismo é o principal sacramento do perdão dos pecados porque “pelo Batismo fomos sepultados com ele [Jesus Cristo] em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). No Batismo, unidos a Cristo, ocorre a nossa morte para o pecado. E “esta é uma morte autêntica porque é a destruição, no homem, daquilo que é mal, para lhe permitir renascer como Filho de Deus, tornando-se assim uma nova criatura – participante da natureza divina e chamado à santidade” [3].

Já a Confissão, existe porque “a graça do Batismo não livra ninguém de todas as fraquezas da natureza” [4]. Mesmo tendo adentrado pela porta do perdão, nossa concupiscência continua a nos atrair para fora. Mesmo batizados, continuamos a pecar, a ferir Jesus Crucificado. Deus, que não nos abandona, oferece o sacramento da Penitência para podermos nos reconciliar com Ele. Dizia São João Maria Vianney: “Crucificaste, Cristo, mas quando vos ide confessar, ide libertá-lo da cruz”.

Creiamos firmemente no Amor e na Misericórdia de Deus. “Cristo, que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” [5]. Arrependamo-nos e lutemos para recuar do pecado, pois esta é condição para experimentarmos o perdão de Deus.

Uma boa semana a todos!

 

 

[1] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 17.

[2] Cf. RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 74 -77.

[3]DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 161.

[4] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 978.

[5] CEC, n. 983.

CREIO NO PERDÃO DOS PECADOS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

É bom revê-lo para mais uma reflexão, lembrando o quanto é preciosa a Doutrina Católica transmitida a nós desde os Apóstolos.

Nós recebemos, no momento do Batismo, o Espírito Santo, que não só nos insere na vida cristã, como também é o meio mais eficaz de perdão dos pecados. No Batismo, somos lavados do Pecado Original dos nossos primeiros pais, e assim, mergulhamos na vida nova que Cristo nos conseguiu por seu sacrifício na cruz.

Mesmo sendo purificado no momento do Batismo, o homem, ao longo da vida, volta a pecar, pois, a vida nova recebida não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos batizados, a fim de que prestem as suas provas filhoprodigono combate da vida cristã, ajudados pela graça de Cristo. Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna, a que o Senhor não se cansa de nos chamar [1].

Jesus deu a Pedro a “chave” do céu, o poder de perdoar pecados, de reconciliar o homem com Deus. Deu a ele o poder de tudo o que ligar na terra, ser ligado no céu, e tudo o que desligar na terra, ser desligado no céu [2]. Jesus dá à Igreja e aos sucessores dos apóstolos, os bispos, como sacerdotes, o poder de trazer de volta os pecadores para Si.

Deus não se afasta de nós quando pecamos, pelo contrário, nós nos afastamos de Deus para pecar e, muitas vezes, temos vergonha de voltar. Não nos lembramos da misericórdia Dele, que sabe muito bem de que “pó” nós somos feitos.

Nossa humanidade não é capaz de compreender, mas Ele sempre nos recebe de braços abertos, como na parábola do Filho Pródigo [3]. E assim, como Ele é misericordioso, também devemos ser, tanto conosco, quanto com os outros. O inimigo de Deus investe muito tempo querendo nos fazer acreditar que não somos dignos de perdão, e muitas vezes, não o somos mesmo. Porém, o que nos falta de merecimento, Deus completa com a Sua graça.

Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero”. Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado [4]. Então, sejamos humildes para buscar na Confissão o abraço generoso de Nosso Senhor que tanto anseia pela nossa volta, seja qual tenha sido a nossa falta, pois Ele nos conhece bem, sabe das nossas fraquezas e da nossa vontade de lutar contra elas. Busquemos sempre a força que nos falta em Cristo, nosso Redentor.

Deus nos abençoe,

Boa semana a todos!

 

 

CEC 976-987

[1] CEC 1446.

[2] Mt 16,19.

[3] Lc 15,11-32.

[4] CEC 982, Parágrafos relacionados 1463,605).

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