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A ALEGRIA DO CRISTÃO É SABER QUE JESUS PERMANECE ENTRE NÓS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Nesta semana, refletiremos juntos sobre o Artigo Seis da nossa Profissão de Fé: “Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai”.

Antes de sua ascensão, Jesus passou quarenta dias com os apóstolos, comendo com eles, ensinando-lhes sobre o Reino dos Céus, fortalecendo lhes na fé para que, depois de sua partida, pudessem testemunhar fielmente os acontecimentos da vida, morte e ressurreição de Cristo.

É impressionante como Deus envolve o homem no seu processo de Salvação. Jesus Ícone - Ascensão (Pskov Pechery)podia ter escapado da cruz, ido Ele mesmo até os confins da terra e evangelizado ou ter assumido o reino de Israel, como era a esperança dos judeus, mas não, Ele não fez nada disso, preferiu ensinar aos mais simples, para que eles, mesmo na sua limitação humana, transmitissem a fé recebida do Mestre.

Quando Jesus senta-se à direita do Pai, inaugura o Reino do Messias, recebe toda honra e toda glória devida ao Filho de Deus, e por consequência, torna os apóstolos testemunhas do Reino que não terá fim, confirmando a visão do profeta Daniel (Dn 7,14) ao referir-se ao Filho do Homem: “a Ele foram outorgados o império, a honra, e o reino e todos os povos, nações e línguas o servirão” [1].

Jesus ascende aos céus e ocupa o lugar que sempre foi seu, e leva consigo todos os que acreditam, se arrependem e se convertem a Deus. Ele é a cabeça da Igreja e congrega em Si mesmo o seu corpo, que somos nós, [2] para assim podermos ter a esperança de também, um dia, alcançá-lo. A sua obediência abriu para nós as portas que Adão, por sua desobediência havia fechado e se nos embrenharmos na essência da nossa existência cristã, podemos tocar o Ressuscitado [3], que não está em outra parte do universo, mas sim muito próximo de nós, por isso, os apóstolos ao vê-lo partir, não foram tomados pela tristeza, mas sim, por grande alegria pelo cumprimento da promessa de caminhar com eles até o fim, assunto do qual nos fala a respeito, Santo Agostinho:

“Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com Ele nosso coração. Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Ponde vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra. Pois, do mesmo modo que ele sofreu sem por isso Ícone - Ascensãoafastar-se de nós, assim também nós estamos já com ele, embora ainda não se tenha realizado em nosso corpo o que nos foi prometido.

Ele foi elevado ao mais alto dos céus; entretanto, continua sofrendo na terra através das fadigas que experimentam seus membros. Assim o testificou com aquela voz vinda do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues? E também: Tive fome e me destes de comer. Por que não trabalhamos nós também aqui na terra, de maneira que, pela fé, a esperança e a caridade que nos unem a Ele, descansemos já com Ele nos céus? Ele está ali, mas continua estando conosco; nós, estando aqui, estamos também com ele. Ele está conosco por sua divindade, por seu poder, por seu amor; nós, embora não possamos realizar isto como Ele pela divindade, podemos pelo amor a Ele” [4].

A promessa do Senhor está cumprida. Ele está junto de nós haja o que houver e jamais nos deixará, quer nos receber em seus braços para a vida plena em Deus, onde não haverá mais lágrimas, sofrimentos ou dor. Mas enquanto não é chegada a hora, busquemos ser fiéis aos seus ensinamentos, amemos uns aos outros e cultivemos nossa intimidade com o Senhor através da oração, para que possamos compartilhar da alegria de saber que Jesus está no meio de nós.

Boa semana a todos!

 

 

Catecismo da Igreja Católica (CEC), n. 659-667 (Credo, 2ª Parte, Artigo 6).

[1] CEC 664

[2] CEC 660 e 661

[3] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 23.

[4] Dos Sermões de Santo Agostinho, (Sermão Mai 98, Sobr la Ascensão ol Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495), disponível em: <http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/ascensao/02.htm>.

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“QUANDO EU FOR ELEVADO DA TERRA, ATRAIREI TODOS A MIM” (Jo 12, 31) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Sejam novamente bem vindos, amigos do CommunioSCJ. Com a Graça de Deus, continuamos a aprofundar o nosso conhecimento acerca de nossa fé.

No momento em que já vivemos metade do Ano da Fé promulgado pelo Papa Emérito Bento XVI, chegamos também à metade do nosso Credo. Guiados, como sempre, pelo Catecismo da Igreja Católica, procuremos entender melhor o significado das palavras “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”.

Como sabemos, depois de aparecer aos seus discípulos, Jesus Ressuscitado Ícone - Ascensão de Jesus“elevou-se a vista deles, e uma nuvem o retirou a seus olhos” (At 1,9). Mas qual é o verdadeiro significado da Ascenção de Cristo? Um olhar para a postura dos apóstolos frente a este Mistério pode nos ajudar a responder esse questionamento. O Evangelho de São Lucas nos diz que após a Ascenção, eles “voltaram para Jerusalém, com grande alegria, e estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus” (Lc 24,52-53). Ora, ao nos despedirmos de uma pessoa amada, é natural que experimentemos a tristeza. Os apóstolos, por sua vez, encontravam-se alegres. Esta constatação mostra claramente que a subida de Jesus aos Céus não consistiu em um mero afastamento, mas em uma importante ação de sua obra de Redenção.

De fato, ao voltar aos Céus, Cristo abriu uma porta que antes se encontrava fechada ao gênero humano. Após sua Ascenção podemos ter “a esperança de encontra-lo lá onde Ele, nossa cabeça e nosso princípio, nos precedeu” [1]. Mas o que seria da humanidade se Jesus, após abrir a porta dos Céus, tivesse-a abandonado à própria sorte? Embora esteja aberta, ela é uma “porta estreita” (Mt 7,13). Como atravessá-la sem o auxílio de nosso Salvador?

A alegria dos apóstolos testemunha a realidade de que Cristo, na verdade, “não Ícone - Trindade‘partiu’, mas, em virtude do próprio poder de Deus, está agora presente junto de nós e para nós” [2]. Diante da aparente separação, tanto na cruz, quanto na ascensão, ecoam as palavras de Jesus: “quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,31). Pois após ser elevado, Jesus “sentou-se à direita de Deus” (Mc 16,19). E isso não significa que Ele tenha se dirigido para um lugar. Estar “à direita do Pai” é um dado teológico e não geográfico: mostra sua “entrada no mistério de Deus” [3]. “Agora, já não se encontra em um lugar concreto do mundo, como antes da ascensão; no seu poder, que supera todo e qualquer espaço, está presente junto de todos, podendo ser invocado por todos, através da história inteira, e em todos os lugares” [4].

Assim, a alegria dos apóstolos acaba por se transformar na nossa alegria. Pois ao rezarmos este trecho de nosso Credo, saímos do passado e nos deparamos com o presente: Jesus Cristo está ao nosso lado! Embora esperemos sua vinda futura para “julgar os vivos e os mortos”, Ele vem a cada momento e nos atrai, transforma e redime no tempo presente. É a tríplice vinda do Senhor, à qual alude São Bernardo de Claraval:

“Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última, há uma vinda intermediária (…). Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça; na última virá com todo o esplendor de sua glória” [5].

Quanto a nós, enquanto aguardamos a vinda definitiva, onde Cristo voltará em sua glória para instaurar o seu reino de justiça e paz de uma vez por todas, podemos nos consolar com sua vinda intermediária que se dá na oração e nos sacramentos. Cientes de que seguindo o Jesus, devemos passar por muitas provações, nos resta confiarmo-nos a este Senhor que permanece ao nosso lado. Cheios de fé e esperança, em meio a esse turbilhão de provações e consolações, podemos e devemos bradar com voz forte: “Vem, Senhor!” (Ap 22,20).

Um grande abraço a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 661.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 253.

[3] Ibidem.

[4] Ibidem, p. 254.

[5] Ibidem, p. 259.