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“INDEFECTIVELMENTE SANTA” (CEC, n. 823) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos. Sejam mais uma vez bem vindos a este espaço de divulgação da nossa fé.

As ruas do país estão agitadas. Com os olhos atentos aos noticiários assistimos ao compreensível e justo sentimento de indignação da população brasileira. E embora o despertar da população esteja sendo esperado há muito tempo, precisamos ficar atentos ao perigo deste momento: o de que esse movimento social venha a servir de combustível para ideais revolucionários, tão contrários à nossa fé como o próprio demônio.

Em muitos lugares os gritos de guerra, cartazes e reivindicações deixam entrever o vazio moral em que se encontra o nosso país: uma multidão é capaz de se lançar em marcha por 20 centavos e outros interesses materiais (muitos deles justos, é verdade), mas não se sensibiliza com as milhares de crianças abortadas (assassinadas), com o ataque do governo aos valores cristãos e à família ou ao cerceamento do nosso direito de educar nossos filhos segundo nossas próprias concepções de mundo.

Muitas pessoas, certamente a maior parte delas boas e bem intencionadas, não percebem, mas seus gritos por justiça podem muito bem servir para justificar um aumento de poder por parte do Estado. Esperamos em Deus que esse movimento contrário a algo que não sabemos bem o que, não acabe dando mais força ao Estado e comprometendo ainda mais a nossa liberdade [1].

Aqui no CommunioSCJ, entretanto, não há simpatia por revoluções, não importa de que tipo sejam. Assim, seguimos como planejado a nossa programação de estudos do Catecismo para esse Ano da Fé, proclamado pelo Papa Emérito Bento XVI. Estamos refletindo sobre as chamadas notas da Igreja, isto é, as qualidades que permitem reconhecer a Igreja de Cristo. Depois de refletirmos como a Igreja á Una, Ícone de Nossa Senhorachegamos ao momento de entender porque podemos dizer que “A Igreja… é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa” [2].

Certamente, para muitas pessoas, inclusive católicas, acreditar ainda hoje na santidade da Igreja parece uma insensatez. Basta citar essa característica básica da Igreja de Cristo para que muito comecem a vomitar pecados e erros do passado. Deixando de lado a discussão acerca da validade de algumas das informações tão amplamente difundidas, pode-se afirmar que as pessoas que se agitam e enfurecem frente à menção dessa característica da Igreja provavelmente não entendem o que ela quer dizer.

Quando se afirma que a Igreja é santa, não se pretende de modo algum sustentar que os membros da Igreja não pequem. É simplesmente óbvio e notório que tanto os leigos quanto o clero (esses mais do que gostaríamos) pecam. Entretanto, é preciso ter clareza que os pecados cometidos não pertencem à Igreja, mas sim aos seus membros. Como já discutimos, a Igreja é muito maior que os seus membros visíveis, ela é “maior que qualquer coisa no mundo; […] é realmente maior que o mundo” [3]. Critica a santidade da Igreja quem tão uma visão limitada da Igreja, isto é, quem não entende que ela é o Corpo Místico de Jesus e que, “unida a Cristo, é santificada por Ele” [4]. Também são santos a Virgem Maria, as almas dos Céus e todos os anjos. E eles também são Igreja.

Quanto aos membros da Igreja nessa terra, podemos dizer que eles são Igreja à medida que se livram do pecado, pois cada ato pecaminoso é um passo para fora da Igreja. Não é exagero dizer que um cristão só é plenamente Igreja no Céu. Aqui nesse mundo, sua vida é uma luta para alcançar essa união perfeita com Cristo, à qual chamamos santidade. Por isso a Igreja, embora seja santa, é nesta terra um lugar de acolhida dos pecadores: “É nela que adquirimos a santidade pela graça de Deus” [5].

Se a Igreja é santa, devemos nós também buscar a santidade. Foi o que Jesus pediu: “Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Mais recentemente, foi também o pedido do Papa Emérito Bento XVI à juventude: “Queridos jovens, Jesus vos chama a ser santos”. Somos pecadores, mas não podemos conviver pacificamente com essa realidade. Como membros da Igreja santa de Cristo, somos impelidos a buscar a perfeição que advém pela Graça de Deus, perfeição que se manifesta, sobretudo na virtude da Caridade, isto é, do amor.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós e pelo nosso país. Que possam acontecer as mudanças necessárias em nossas almas e na política nacional. Mas que sejam as mudanças desejadas por Deus, que conduzam a uma maior liberdade e a uma sociedade que ame mais.

Deus abençoe a todos. Deus abençoe o Brasil!

 

 

[1] Para uma visão católica sobre as manifestações, recomendamos o vídeo do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/as-manifestacoes-no-brasil>.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 823.

[3] p. 71 do Todos os caminhos levam à roma

[4] CEC, n. 824.

[5] Ibidem.

“NÃO ABANDONO A CRUZ, SIGO DE UMA NOVA MANEIRA O CRUCIFICADO” (Bento XVI, Papa emérito) – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Nesta semana, demos uma pausa na reflexão sobre o Catecismo para nos despedirmos com muito carinho de nosso amado Papa.

Bento XVI, agora papa emérito, deixa o pontificado por forças além de sua vontade, já não encontra forças para seguir conduzindo a Igreja em tempos tão difíceis.

Esse gesto de renúncia deixou o mundo boquiaberto, já que o atual sistema Bento XVI termina seu pontificado_02mundial preza tanto o apego a cargos, títulos e bens materiais e não está acostumado a abrir mão de nada. A mídia faz ainda várias especulações sobre problemas dentro da Igreja e creio que realmente existam. Em que família não há problemas? Deixamos de amá-la por causa disso? A Igreja é muito maior que tudo isso, pois ela é o corpo de Cristo.

A decisão de Bento XVI não desestabilizou a fé dos católicos como a mídia tem tentado nos fazer acreditar, pelo contrário, nesse tempo em que vivemos a Quaresma, nos faz refletir sobre o que é realmente essencial na vida de todos nós e nos faz pensar se temos renunciado aquilo que desagrada o coração de Deus. O essencial para Bento XVI é a Igreja e quando viu que não tinha mais forças para conduzi-la com o punho forte que ela precisa, através de muita oração, pois não decidiu sozinho, ele preferiu entregar essa missão a alguém mais capacitado. Quão digno e corajoso foi esse ato! Uma verdadeira lição para cada um de nós.

Ele não precisava renunciar. Ninguém o condenaria caso ele escolhesse, mesmo Bento XVI termina seu pontificado_03fraco, continuar sendo Papa. Poderia não viajar mais em razão da saúde frágil, se envolver menos em assuntos difíceis, se poupar mais e no momento de sua morte receberia todas as honras da mesma forma. Mas não, por amor, ele abriu mão de todas as honras, preferiu terminar sua vida de maneira simples e humilde porque ama a Igreja e sabe que para Jesus não dá para ser mais ou menos. Dispensou todas as honras, a exemplo de Jesus, que ocupou o último lugar no mundo, a cruz, e é essa humildade radical que desconsertou o mundo nas últimas semanas, pois todos querem uma explicação pelo seu ato, que não foi nada mais do que despojar-se de tudo por amor, como aprendeu com o Mestre Jesus [1].

Paulo disse em suas cartas que quando somos fracos é que somos fortes, pois é aí que a força do nosso poderoso Deus pode tomar conta de nós [2]. É nesse momento que Deus nos carrega nos braços, quando não nos resta mais nada, nos entregamos inteiramente a Ele.

Bento XVI escreveu livros belíssimos que falam com muito amor sobre Jesus e para muitos, como eu, foram essenciais para o amadurecimento da fé. Os livros Jesus de Nazaré foram muito importantes na minha caminhada. Após muitas opiniões e discussões sobre quem é realmente o Jesus histórico, ler os ensinamentos dele, Bento XVI termina seu pontificado_01me ajudou a compreender melhor a essência da mensagem de Cristo e apesar de tantas contrariedades no seu pontificado, ele sempre fez a vontade do nosso Mestre. Lutou com muita coragem a favor da Igreja, defendeu a vida, a família e a paz o quanto pôde. Agora, nada mais justo que, quando não mais lhe resta forças, deixá-lo estar mais próximo de Jesus em oração; e oração por todos nós.

A Igreja jamais vai esquecê-lo e no mesmo momento que derrama lágrimas por sua ausência, é extremamente grata por mais uma vez ser surpreendida por um ato tão generoso como esse de colocar em primeiro lugar o destino de toda a Igreja acima de si mesmo. Não importa o que o mundo diga sobre o nosso querido amigo estar abandonando a Igreja, isso não é verdade. Ele a ama e a Igreja o ama muito e vai amá-lo e lembrar dele como grande exemplo de fé dos últimos anos.

Obrigada por tudo, Papa Bento XVI, nós te amamos muito e como o senhor, nós também rezaremos pelo novo Pontífice, o amaremos e obedeceremos.

Abraço a todos!

 

 

[1] BENTO XVI, Jesus de Nazaré da Entrada em Jerusalém à Ressurreição.

[2] 2Cor 13.

OBRIGADO, BENTO XVI! – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, sejam, como sempre, muito bem vindos! Vivemos o Ano da Fé e, acolhendo a proposta do Santo Padre Bento XVI, estamos estudando o Catecismo da Igreja Católica. Mas, nesta semana, interrompemos um pouco este caminho para, ainda no espírito do Ano da Fé, deixarmo-nos levar pelo movimento quase incontrolável que toma conta da atmosfera por esses dias: refiro-me a deixar que nosso pensamento e coração, nossa súplica e nossa ação de graça corram a Roma e para o mesmo Bento XVI, que termina hoje seu ministério na Cátedra de S. Pedro.

Ainda me lembro, como se fosse ontem, da alegria que me invadiu quando ele Bento XVI (em 2005)surgiu na sacada em S. Pedro, de branco e vermelho, para dirigir a palavra e abençoar a Igreja do mundo inteiro. Sim, naquele dia eu já admirava o brilhante Joseph Ratzinger. Contra todo mau agouro que a classe falante lhe impunha, contra a severa imagem que lhe fora pintada aqui no Brasil, eu já lhe era profundamente agradecido: “este homem defende o que tenho de mais valioso, a fé católica”. A alegria por vê-lo Papa era por saber que o ministério petrino estava em boas mãos.

A esta primeira alegria, sucedeu uma segunda: desde então, seria difícil escondê-lo. Principalmente depois de sua visita ao nosso país, em 2007: era muito difícil continuar sustentando as calúnias. Porque não há um abismo entre Joseph Ratzinger e Bento XVI. Mas há um abismo entre o que se dizia dele e o que ele é realmente.

Num movimento progressivo, suas publicações ficaram menos escondidas desde Bento XVI, o teólogoentão. Há pouco em português, ainda. Mas ler o que Ratzinger escrevia já não era sinal de intolerância. E ler o que Bento XVI passou a escrever passou a ser quase uma obrigação. Uma leve obrigação, é verdade. Pois como não sentir alegria e gratidão ao ler O Sal da Terra; a Introdução ao Cristianismo; Dogma e anúncio; Fé, Verdade e Tolerância ou Deus existe? Como não admirar suas encíclicas e exortações apostólicas, seus discursos, suas catequeses? Como não se render à sua extrema lucidez refletida nas suas respostas em Luz do Mundo? Como não sentir o coração arder a cada página dos três volumes de Jesus de Nazaré?

Por outro lado, talvez a palavra que defina melhor meus sentimentos em relação ao Santo Padre Bento XVI é gratidão. Gratidão por sua energia no combate ao mal, escandaloso ou não. Gratidão por sua coragem em não se dobrar às pressões (para mim inimagináveis) que sofreu para apostatar o Evangelho. Também porque nunca se defendeu, mas apontou sempre a Verdade. Gratidão porque mesmo no Bento XVI, última audiência públicameio do Vatileaks, não havia em quê acusá-lo.

Por isso, este meu texto tem a intenção de expressar esta gratidão. Ainda com o coração apertado e um pouco assustado – confesso. Mas, imensamente grato. Grato por ver que Bento XVI não é só um brilhante teólogo e escritor, mas possui virtudes tão nobres e grandes que trazem o perfume de Jesus Cristo. Grato porque Joseph Ratzinger não é um homem de palavras, mas uma testemunha. Grato por saber que, quando for muito difícil amar a Deus e Sua Santa Igreja, tenho para quem olhar. Porque no rosto cansado deste grande pontífice, agora emérito, resplandece a luz da verdade de que “amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre diante dos olhos o bem da Igreja e não a nós mesmos” [1].

A Sé de Pedro está vacante. Rezemos a nosso Senhor que suscite à Igreja o Pontífice de que necessitamos. Confiemos n’Ele, que prometeu nunca nos abandonar. E observemos bem: a Igreja está viva. Que a Santíssima Virgem Maria continue iluminando seu caminho, Bento. Continuaremos unidos junto ao altar de nosso Senhor. E, mais uma vez, muito obrigado!

 

 

[1] Bento XVI. Audiência geral de 27 de fevereiro de 2013, última de seu pontificado. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2013/documents/hf_ben-xvi_aud_20130227_po.html>.

ESTAR SOB O SENHORIO DE JESUS CRISTO, VERDADEIRA RENOVAÇÃO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, como sempre, sejam muito bem vindos. Continuamos nosso caminho neste Ano da Fé avançando na leitura do Catecismo da Igreja Católica. Nesta semana, nos deteremos um pouco mais demoradamente em Jesus Cristo como nosso Senhor.

O texto do Catecismo nos ensina (nn. 446-451) que o título de “Senhor” foi atribuído a Jesus de Nazaré desde os primórdios da Igreja com toda a força de sentido com que era empregado pelos judeus, ou seja, era “o nome mais habitual para designar a divindade do Deus de Israel” [1]. Esta atribuição, porém, não se Jesus Cristo - Kyriosdeu gratuitamente como uma espécie de psicose coletiva dos discípulos, mas a partir das palavras de Jesus e dos seus atos de domínio sobre a realidade criada [2]. Por isso, sob o auxílio do Espírito Santo, dizer que Jesus é o Senhor significa, desde as comunidades primitivas, reconhecer o mistério da divindade de Jesus [3].

Assim, “desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor». «A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre»” [4].

Meus irmãos e irmãs, isto é muito sério… Porque reconhecer o senhorio de Cristo sobre toda história humana nos obriga, em primeiro lugar, à humildade. Se Jesus Cristo é o Senhor – e Ele é – não há lugar para um “eu também”. Se Ele é o Senhor, significa que não há outro. E, portanto, somos servos. Seus servos. Então, devemos obedecê-lo.

E aqui, irmãos, encontramos uma liberdade que não se explica, mas se experimenta. Escolher Cristo é um ato livre que produz liberdade. Como dizia Tertuliano, a “vida cristã é como uma lâmpada que ilumina o ambiente, quem olha de fora só vê o fogo, mas lá dentro está o óleo da unção”, porque o jugo deste Senhor é suave e seu peso é leve [5], pois quem tem o Deus verdadeiro como Senhor não é escravo de nenhum ídolo.

E é justamente a isto que o Santo Padre Bento XVI nos está chamando no final de seu ministério petrino: “a Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros Bento XVI (17.02.2013)a renovar-se no espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor. Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo propício para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do caminho de Deus” [6].

O Papa nos está chamando, caros irmãos e irmãs, neste grave tempo em que vivemos, à renovação da Igreja. Não como gostariam os césares de nosso tempo ou a classe falante deste Brasil guaranil (ou ignorante, ou mal intencionada; em todos os casos, louca). O Papa nos chama à renovação, mas não à traição do Evangelho submetendo-nos à ditadura do relativismo. Não. Esta renovação à qual, repito, somos chamados, é a reorientação firmemente decidida de nosso ser a Deus. Ou seja, nossa tarefa é fazer da fé em Deus o critério básico de nossas escolhas cotidianas assumindo, para tanto, o combate espiritual que nos é proposto.

O Santo Padre Bento XVI sempre nos chamou e nos orientou no caminho do bem e da verdade contra a ditadura do relativismo. Não seria agora que ele capitularia no combate. Ele continua firme no caminho de Cristo, que é o caminho da vitória. E nós, de que lado estamos?

Que a Santíssima Virgem Maria nos acompanhe com sua materna intercessão, a fim de não esmorecermos.

Um fraterno abraço a todos. Até breve.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 446.

[2] Cf. idem, n. 447.

[3] Cf. idem, n. 448.

[4] Idem, n. 450.

[5] Cf. Mt 11,30.

[6] BENTO XVI. Nas tentações o que está em jogo é a fé, porque está em jogo Deus. Disponível em: <http://www.zenit.org/pt/articles/nas-tentacoes-o-que-esta-em-jogo-e-a-fe-porque-esta-em-jogo-deus>.

O FILHO, SINAL DO AMOR DE DEUS – Por Fr. Lucas, scj.

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Caros amigos do CommunioSCJ, mais uma vez, sejam bem vindos. Sem dúvida, o assunto mais comentado no momento é a renúncia do Santo Padre Bento XVI, apresentada aos cardeais em consistório no último dia 10. Já tive ocasião de lhes dirigir algumas palavras a este respeito quando publiquei o texto integral do anúncio [1]. Por isso, foco, neste texto, a fonte de nossa esperança, que nos ampara e ilumina, retomada hoje pelo mesmo Bento XVI no início de sua catequese: a Igreja é de Cristo [2].

E, no nosso estudo do Catecismo, estamos justamente nos perguntando quem é este Jesus Cristo. A resposta começa em olharmos os títulos que foram dados a Ele já nos Ícone - Ressurreiçãotempos apostólicos. Neste texto, em particular, nossa atenção se concentra sobre uma verdade fundamental: Jesus Cristo é o Filho de Deus.

O convívio com Jesus de Nazaré, o testemunho de suas palavras e atos, suscitaram nos apóstolos, sobretudo após a Ressurreição, a certeza de fé que n’Ele havia algo mais que um simples humano. Como o texto do Youcat nos lembra: “em toda humanidade, apenas Jesus é mais que um ser humano” [3]: Jesus é o próprio Deus. Ele mesmo o disse! (cf. Lc 22,70) Mas é interessante notar que nas ações que os apóstolos presenciaram, Jesus se revelara o Filho de Deus: “nos grandes momentos sentiam-se os discípulos abalados: isto é Deus mesmo” [4].

Isso fica evidente na oração de Jesus. Nela, Ele dirige-se ao Pai com uma intimidade que era impossível para sua época. De tal forma que “a oração de Jesus é a verdadeira origem desta expressão ‘o Filho’” [5]. E, assim, se manifesta a originalidade desta relação íntima que Jesus vive com o Pai: manifesta-se o mistério do diálogo de amor que é a Trindade.

Ora, se é assim, Deus está conosco em Jesus Cristo. O Deus imenso, vivo e Bento XVI - Missa de cinzas (2013)verdadeiro, preocupa-se conosco a ponto de vir ao nosso encontro em Jesus de Nazaré. Está claro que Deus é Amor que nos ama primeiro (cf. 1Jo 4,8.10). Por isso, “toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus” [6]. De forma que a Quaresma surge como tempo de renovação de nossa vida cristã, sempre experimentada como uma luta sob o grave risco da tibieza.

Portanto, concretamente, somos convocados pelo Santo Padre Bento XVI a redescobrir o entrelaçamento da fé e da caridade [7] a fim de que não nos contentemos com aquilo que o Espírito já produziu em nós. É este testemunho que, no meu ponto de vista, precisamos dar aos nossos contemporâneos. Assim, teremos a oportunidade de seguir o conselho de Paul Claudel: “Fala de Cristo apenas quando te perguntarem! Mas vive de tal forma que te perguntem por Cristo!” [8].

Que a Santíssima Virgem Maria nos ajude com sua materna intercessão a não esmorecermos diante das vicissitudes de nossa vida.

Um fraterno abraço a todos! Até a próxima semana.

 

 

[1] Bento XVI anuncia renúncia. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/02/11/bento-xvi-anuncia-demissao/>.

[2] BENTO XVI. Audiência: “Agradeço a todos pelo amor e pela oração”. Disponível em: <http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=664503>.

[3] Youcat, p. 53.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 260.

[5] Idem, p. 291.

[6] BENTO XVI. Mensagem para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[7] Recomendo vivamente a leitura da Mensagem de sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[8] Youcat, p. 53.

 

Artigo recomendado:

“A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular” – Por Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/blog/a-renuncia-do-papa-e-os-oportunistas-da-imprensa-secular>.

“NA VERDADE, ESTE HOMEM ERA FILHO DE DEUS” (Mc 15,39) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos do CommunioSCJ.

Nesta semana, em que fomos pegos de surpresa pelo pedido de demissão de nosso amado Papa Bento XVI, é provável que muitos de nós estejamos ainda um pouco entristecidos. Creio que isso seja natural. Manifesta o amor que temos por este homem de Deus que tanto bem fez pela Igreja de Cristo. Mas que esse momento de incerteza não tire nossa paz e esperança. Como católicos, continuemos a confiar nas palavras Jesus sobre sua Igreja: “as forças da morte não poderão vencê-la” (Mt 16,18). Confiemos porque essas palavras não são de um homem qualquer, mas do Filho de Deus, título que meditamos nesta semana, seguindo as páginas do Catecismo da Igreja Católica.

No Antigo Testamento, a expressão Filho de Deus surge para mostrar “uma filiação Ícone - JCadotiva que estabelece entre Deus e sua criatura relações de uma intimidade especial” [1]. Já no Novo Testamento, essas palavras encontram novo significado na Pessoa de Jesus Cristo. É o que nos explica o Papa Bento XVI em livro Jesus de Nazaré:

“Se as testemunhas de Jesus nos anunciaram que Jesus é o ‘Filho’, então isto não é entendido em sentido mitológico nem em sentido político, as duas interpretações que se ofereciam a partir do contexto do tempo. Ele deve ser entendido de um modo totalmente literal” [2].

Segundo a fé que recebemos da Igreja Católica, Jesus é Filho de uma forma diferente e mais profunda. É isso que o evangelista São Lucas nos mostra na narração da perda do menino Jesus, então com doze anos. Conta-nos que depois de três dias procurando por Jesus, ao encontrá-lo no Templo, Maria lhe diz: “Filho, porque agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos angustiados, à tua procura” (Lc 2,48). E a resposta de Jesus é surpreendente: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar naquilo que é do meu pai?” (Lc 2,49). Mais uma vez é o Papa Bento XVI quem Bento XVI (13.02.2013)nos explica: “Jesus corrige-a: Eu sou com o Pai. O meu pai não é José, mas um Outro: o próprio Deus. A Ele pertenço, com Ele estou” [3].

Jesus não é filho como nós somos. O ser Filho de Jesus significa “uma perfeita comunhão de conhecimento, que é ao mesmo tempo uma comunhão de ser” [4]. Jesus é Deus. É Deus com o Pai e o Espírito Santo.

É precisamente por se colocar como Filho de Deus nesse sentido totalmente novo e profundo que Jesus foi condenado pelo Sinédrio. Embora alguns teólogos liberais façam contorcionismos lógicos para mostrar que Jesus foi morto por motivos políticos, uma leitura atenta do Evangelho nos mostra que sua condenação se deu por motivo religioso:

“O sumo sacerdote perguntou de novo: ‘És tu o Cristo, o Filho de Deus Bendito?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou.’ […] O sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: ‘Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?’ Então, todos o sentenciaram réu de morte.” (Mc 14,61-64). A condenação “política” diante Pilatos é apenas uma farsa, um teatro.

Se os ensinamentos e milagres de Jesus não convenceram os homens de seu tempo de que Ele possui a filiação divina, o mistério de sua Páscoa pode. “É depois de sua Ressureição que a filiação divina de Jesus aparece no poder de sua humanidade glorificada” [5]. Diante destes mistérios, reconhecemos e proclamamos, como o centurião diante de Jesus morto na cruz, que “Na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15, 39).

Que a Santíssima Virgem Maria, que gerou o Filho de Deus em seu ventre imaculado, interceda por nós, para que nos tornemos também filhos do Pai, por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Um ótimo início de Quaresma.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 441.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 272.

[3] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 103-104.

[4] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 288.

[5] CEC, n. 445.

JESUS NÃO VEIO PARA SER SERVIDO E SIM PARA SERVIR, EIS O EXEMPLO DEIXADO PELO MESTRE – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Continuando o tema da semana passada, que eram os vários títulos conferidos a Jesus, falaremos de mais um deles, que nos ajudará a entender um pouco mais a natureza Dele e de sua missão: Filho único de Deus.

Filho de Deus, no Antigo Testamento é um título dado aos anjos, ao povo eleito, aos filhos de Israel e a seus reis, ou seja, ao chamarem Jesus assim, ainda não reconheciam nele uma realidade transcendental, além do humano, somente era, na concepção deles, um novo rei [1].

Devemos considerar que o Messias esperado pelos judeus deveria ser um grande guerreiro capaz de formar e liderar um exército contra Roma, libertar o povo da sua opressão e retomar o trono de Israel.

Quando Jesus surgiu pregando sobre a justiça, o povo sabia que era Ele o Messias, mas não entenderam o verdadeiro teor das suas palavras, acreditavam estar próximos de um novo rei revolucionário, capaz de mobilizar multidões, que iria prepará-los para lutar pela liberdade de seu povo. Mas esse não era Jesus. Jesus era o Messias que veio servir e não ser servido.

Somente Pedro o reconheceu verdadeiramente em sua Profissão de Fé, quando Jesus Aquele que tudo regeperguntou aos discípulos, quem o povo dizia ser Ele: “Tu és o Filho do Deus vivo,” disse Pedro, mas ainda não compreendia exatamente o sentido dessas palavras, o que podemos notar, quando Jesus diz a Pedro que ele só poderia ter percebido isso porque Deus assim o revelou, pois na sua limitação humana, não conseguiria [2]. Além destas primeiras palavras, o próprio Deus o havia revelado em mais duas ocasiões solenes da vida de Jesus, no Batismo e na Transfiguração: “Eis o meu filho bem-amado”.

Jesus é o único Filho de Deus, já estava ao lado do Pai antes de toda a Criação. O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e através dele e por Ele, nós também nos tornamos filhos adotivos de Deus [3]. Não nascemos filhos de Deus, mas através do Batismo, somos vocacionados a ser. Pelo sangue de Jesus que nos reconcilia com Deus, somos convidados a uma vida nova, longe da desobediência de Adão.

A filiação divina de Jesus se concretiza no momento máximo de sua humanidade, na Bento XVI_06sua morte, onde pôde experimentar até o fim nossas misérias. Após se libertar da matéria pôde se revelar aos discípulos na sua verdadeira natureza. Eis a razão da nossa fé cujo Deus amou tanto o mundo que enviou seu único Filho, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna [4]. Quando partiu, Jesus ergueu-nos acima de nós mesmos e abriu o mundo a Deus. Por isso os discípulos puderam transbordar de alegria quando voltaram de Betânia para casa [5]. Deus não se revelou aos homens por outro meio que não fosse Jesus Cristo. É pelo rosto do Filho que podemos conhecer o Pai.

O testemunho dos apóstolos, a quem Jesus confiou a sua Igreja chegou até nós conforme o desejo de Deus. Desde então, após Pedro, muitos conduziram a história da Igreja até hoje, chegando ao Papa Bento XVI, que nesta semana, em onze de fevereiro apresentou sua renúncia ao Pontificado. A Igreja orgulha-se de tê-lo como pastor nestes últimos anos e orgulha-se pela grande lição de humildade que calou o mundo. Muitos especulam sobre os motivos que o levaram à renúncia e muita bobagem ainda ouviremos da mídia, porém uma coisa é certa e indiscutível: a decisão que ele tomou foi fruto de muitas orações. Ele sabe que Deus tem algo maior que suas forças para a Igreja e submeteu-se à sua vontade demonstrando grande desapego.

Tenho certeza absoluta que Deus já sabe quem será o novo Papa e que este será fonte de muitas bênçãos para sua amada Igreja, assim como o foi Bento XVI que contará sempre com nosso respeito pela sua humildade, com nosso amor pela forma como conduziu-nos até agora e com nossas orações para que continue contribuindo com a nossa Igreja pelo seu exemplo e suas excelentes obras teológicas.

“Na fé, sabemos que Jesus, abençoando, tem as suas mãos estendidas sobre nós. Tal é a razão permanente da alegria cristã” (Bento XVI).

Boa semana a todos.

 

 

CIC 441-445

[1] 441

[2] M 8, 27-35

[3] Jo 1,1

[4] Jo 3, 16

[5] BENTO XVI. Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição, pg. 236.

“DEUS VIU TUDO QUANTO HAVIA FEITO E ACHOU QUE ERA MUITO BOM” (Gn 1, 31) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Um feliz Natal do Senhor a todos vocês, amigos do CommunioSCJ.

Esse tempo do Natal é muito propício para refletirmos a criação do “céu e da terra”, isto é, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Pois como nos diz o Catecismo: “A primeira criação encontra seu sentido e seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira” [1]. Por mais que isso seja escandaloso para os que não creem, unidos à nossa fé proclamamos que aquele Menino, nascido em Belém há cerca de dois mil anos, é o motivo da existência de todo o universo.

Certamente, não é possível discutir todos os pormenores da criação de Deus. Mas amparados pela Sagrada Escritura, juntamente com a Tradição e o Magistério, criacao-de-adaopodemos descobrir alguns pontos essenciais da Revelação de Deus acerca da criação. E talvez, o mais importante deles seja aquele que o autor sagrado expressa ao dizer que “Deus viu tudo quanto havia criado e achou que era muito bom” (Gn 1, 31). Ou seja, Deus criou um mundo bom. Ambas as dimensões, espiritual e material, são boas e orientam o homem ao encontro com o Criador.

O mundo espiritual (o céu) é habitado pelos anjos que ficam ao redor de Deus. “Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais” [2]. E aqueles que aceitaram a salvação que veio de Deus, na Pessoa de Jesus Cristo (pois os anjos também precisavam ser salvos), O servem e adoram. Esses são nossos amigos, pois por amor a Deus participam da história salvação como muitas vezes é atestado na Sagrada Escritura [3]. E participam também da nossa salvação pessoal, pois como disse São Basílio, “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” [4].

O triste é perceber quanto os anjos da guarda costumam ser menosprezados. Estão constantemente ao nosso lado, mas não podem nos ajudar devido à nossa dureza de coração. Pois não nos abrimos à sua ação. Não pedimos sua ajuda. E um anjo da guarda, servo de Deus, respeita a nossa liberdade: corre ao nosso auxílio à medida que permitimos. Para o nosso bem espiritual, somos convidados a acolhermos o conselho que São Padre Pio de Pietrelcina dirigia a uma filha espiritual:

“Não devemos nos esquecer desse companheiro invisível, sempre presente, sempre pronto a nos ouvir, e mais pronto ainda a nos consolar. […] Nunca diga que estás sozinho na luta contra nossos inimigos” [5].

Já o mundo material (a terra) é o lugar onde se encontra o ser humano e todas as Icone-Anjocriaturas visíveis. E todas elas, tendo sido queridas e criadas por Deus são também boas. Precisamos tomar cuidado com as influências de certos esquemas filosóficos e religiões antigas que costumam colocar o mundo material como mal, em oposição ao mundo espiritual, que seria bom. Pelo contrário, olhando para a festa do Natal, onde Deus se faz homem, percebemos que “ser cristão significa um homem que acredita que a divindade ou a santidade se ligou à matéria ou adentrou o mundo dos sentidos” [6]. Se Deus se encarnou, a carne, a matéria, não pode ser ruim.

E aqui é preciso ressaltar outra triste realidade dos tempos atuais: a ideia de que o homem é mal. Pois em um mundo onde muitos já não acreditam na realidade espiritual, a visão não cristã de que o mundo físico é mal evoluiu. E nessa nova visão, também não cristã, o culpado pelo mal seria o próprio homem. Percebemos isso claramente nesse novo ecologismo, que exalta o ambiente, mas coloca o homem como um intruso. Enquanto católicos, precisamos ficar atentos para não nos deixarmos contaminar por tal pensamento. O intruso é o pecado, e não o ser humano. O “homem é a obra-prima da obra da criação” [7] e vale “mais do que muitos pardais” (Lc 12, 7). É preciso perceber o grande cinismo dos ecologistas que gritam contra a destruição de ovos de tartaruga, mas apoiam o genocídio humano na liberação do aborto ou da eutanásia. Como afirmou o Papa Bento XVI às vésperas do Natal de 2008:

“Os bosques tropicais merecem, certamente, nossa proteção, mas não menos a merece o homem como criatura, na qual está inscrita uma mensagem que não contradiz a nossa liberdade, mas é sua condição” [8].

Que pela intercessão da Santíssima Virgem Maria e dos nossos Santos Anjos da Guarda, o Senhor nos auxilie a valorizar a cada dia mais a sua criação, de modo especial o ser humano.

Que 2013 seja um ano muito abençoado para todos nós!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 349.

[2] CEC, n. 330.

[3] CEC, n. 332-333.

[4] CEC, n. 336.

[5] LEITE, L. C. Padre Pio, crucificado por amor. São Paulo: Edições Loyola, 2001, 3ª edição, p. 56 e 57.

[6] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 28.

[7] CEC, n. 343.

[8] Retirado do discurso do Papa Bento XVI à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2008, disponível em: <www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2008/december/documents/hf_ben-xvi_spe_20081222_curia-romana_po.html>.

“SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS” (Hb 11, 6) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

1 Comentário

Bem vindos novamente, amigos do CommunioSCJ!

Depois de discutirmos muitos dos aspectos relativos à Revelação de Deus, é chegada a hora de falarmos sobre a “resposta do homem a Deus” [1]. Com esta expressão, o Catecismo nos convida a tomar consciência de que precisamos deixar nossa passividade para darmos uma resposta concreta ao Senhor, que nos convida à comunhão com Ele. “A resposta adequada a este convite é a fé” [2].

Entretanto, é fácil perceber que o homem, e aqui estamos todos incluídos, constantemente deixa Deus esperando. São Cláudio de la Colombière definia o Sagrado Coração de Cristo como um “Coração que ama e não é amado”. Se o homem, que ama de maneira limitada, já se entristece quando é ignorado, imaginemos quão grande não deve ser a dor deste Coração, que ama infinitamente, quando recebe apenas nossa indiferença! Para oferecer a Deus que nos busca a “resposta adequada”, não existe outro caminho: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus […]” (Hb 11, 6).

Mas no que consiste nossa fé? Qual é a sua substância? Mais do que um conjunto de regras e ideias, a fé cristã se constitui de um acontecimento que se realiza de maneira plena na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma explicação melhor pode ser conseguida através do Papa Bento XVI que, enquanto ainda era cardeal, explicou que a nossa fé:

“Consiste em considerarmos Cristo como Filho vivo de Deus, que se fez carne, que se fez Homem; que a partir dele acreditamos em Deus, no Deus trino, Criador do céu e da terra; que acreditemos que esse Deus se debruça, por assim dizer, de tal forma, que pode fazer-se tão pequeno, que se preocupa com o Homem e fez História com o Homem, e que o receptáculo dessa História, o lugar de expressão privilegiado, é a Igreja” [3].

Essa fé, para ser vivida integralmente, pressupõe um contato com Deus que fundamente nossa vida espiritual. Não basta falar de Cristo. É preciso tomar contato com Deus que entra na história do mundo e na história pessoal de cada um. É preciso se ligar existencialmente a Ele na pessoa de Cristo. E isto “requer, por parte do homem, uma decisão de escolha consciente e a orientação da sua vontade para Cristo, como fim último e valor supremo” [4]. A fé é plena quando o homem submete toda a sua inteligência e sua vontade a Deus [5].

Na atualidade, a submissão total a Deus soa não apenas como algo difícil, mas até mesmo escandaloso. Com a modernidade vimos crescer a ideia de que o progresso mental está “relacionado ao rompimento de laços, à abolição de fronteiras, à rejeição de dogmas” [6]. Esse movimento não conseguiu destruir a fé, que está gravada no mais profundo do coração do homem, mas acabou por diminuir sua importância. A ideia de que a fé, a crença, os dogmas, impedem o progresso mental não é verdadeira. Conforme expressou o grande filósofo G. K. Chesterton:

“Ao abandonar doutrina após doutrina, num refinado ceticismo, ao recusar a filiar-se a um sistema, ao dizer que superou definições, ao dizer que duvida da finalidade, quando na própria imaginação, senta-se como Deus, não professando nenhum credo, mas contemplando todos, então está, por intermédio do mesmo processo, imergindo lentamente na indistinção dos animais errantes e da inconsciência da grama. Árvores não têm dogmas. Nabos são particularmente tolerantes” [7].

O que Chesterton previa no início do século XX, é facilmente constatável no presente. A rejeição da fé, e também dos valores, tem levado os homens a se parecer cada vez menos com homens. O mundo está cada vez mais desumano. E as promessas de progresso e felicidade deram lugar à intensificação dos problemas sociais e ao crescimento da tristeza.

Se não queremos tomar lugar nessa viagem rumo à desumanização e à tristeza, precisamos deixar crescer em nós a fé, que se dá na submissão à vontade de Deus. É fato que, devido ao nosso pecado, isso deve acontecer em meio ao sofrimento. Entretanto, se tivermos coragem de lutar poderemos perceber que “a fé dá alegria” [8]. Não essa alegria falsa e passageira que o homem moderno busca como um cão busca as migalhas que caem da mesa. Mas a alegria verdadeira e plena que brota do Coração de amoroso de Deus.

Que a exemplo da Santíssima Virgem Maria, saibamos dizer sim a Deus na certeza de que Ele nos cumulará de graças. “[…] pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram” (Hb 11, 6).

 

 

[1] Título do capítulo III da primeira seção do Catecismo.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 142.

[3] RATZINGER, J. O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio. Um diálogo com Peter Seewald. Rio de janeiro: Imago, 2005, p.17.

[4] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 41.

[5] CEC, n. 143.

[6] CHESTERTON, G. K. Hereges. São Paulo: Ecclesiae, 2011, p. 257.

[7] Idem, p. 258.

[8] RATZINGER, J. O Sal da terra, p. 23.

É NA FRAQUEZA QUE SOMOS FORTES [1] – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos,

Temos refletido até agora sobre como Deus se inclina para o homem e como, por amor, se revela, dando ao homem todo conhecimento necessário para sua salvação através de seu filho Jesus.

Hoje falaremos sobre a resposta do homem a Deus, que recebendo o seu convite, percebe a mão divina em sua direção e a agarra.

Esta resposta humana ao desejo divino de comunhão, esse amor correspondido do homem a Deus chamamos fé.

Para crermos, não são necessárias provas materiais, e se existissem, não se precisaria da fé. Deus é infinitamente maior do que tudo o que é palpável e maior do que a compreensão humana que só vai até onde permite o Espírito Santo.

Apesar de ser um dom recebido de Deus, a fé é essencialmente humana e Ele não obriga ninguém a crer, não nos priva de nossa liberdade de escolha, vontade ou de pensamento, embora, em sua infinita misericórdia, o Senhor conhecendo seus filhos como conhece, saiba muito bem como atraí-los.

Deus permite o sofrimento humano para lembrá-los de sua fraqueza e impotência e de que somente encontra-se a paz abandonando-se em suas mãos.

Os que se sentem fortes e autossuficientes, criam uma fortaleza ao seu redor e não deixam a graça divina entrar, pois pensam que tudo depende deles e não se confiam nas mãos de Deus. Este sentimento evidencia uma grande falta de humildade, acarretando uma sobrecarga emocional quando realmente percebe o tamanho do peso carregado nos ombros que podia ser muito mais leve, se dividido com o Senhor.

Quando o ser humano encontra em seu caminho uma grande dor, abre os olhos e percebe que não está só e que Ele está sempre disposto a recebê-lo de volta, esta é a fenda na “fortaleza” que Deus espera para penetrar novamente na alma e resgatar seus amados.

A Virgem Maria é o maior exemplo de fé do Novo Testamento, disse sim a Deus sem saber o que aconteceria em seu futuro, apenas confiou e obedeceu. E diante da morte do filho, com o coração dilacerado por tamanha dor, jamais duvidou dos desígnios de Deus. Quando não tinha mais nada a fazer, abandonou-se, como eram unânimes em dizer os grandes santos.

Embora muitos digam que a Fé contradiz a Ciência, não é verdade. As primeiras universidades do mundo eram católicas. A Igreja sempre se preocupou em formar pessoas que pudessem estudar e trazer respostas à humanidade. A Fé e a Razão são duas asas que nos conduzem à Verdade [2], por isso todos devem ficar atentos a todas as descobertas e estudos à cerca da Doutrina que professam, sem descuidar também do que acontece na sociedade. É através da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja que podemos fincar raízes numa fé sólida, que não se deixa abater por nenhuma tempestade (e veja que são muitas).

É preciso aproximar-se de Deus, ter um relacionamento profundo com Ele. Mas para isso, não se pode esperar sentir sempre a euforia da primeira experiência de conversão, porque isso passa. Nem sempre o coração vai arder ou a emoção vai tomar conta. Relacionamento profundo é buscá-lo mesmo quando não se consegue ouvi-lo ou não se tem vontade de procurá-lo. É como o namoro, começa pela paixão e depois de um tempo amadurece e transforma-se em amor, em compromisso sério.

Virgem Mãe, que o amor derramado por Deus em nossas vidas jamais fique sem nossa resposta, mesmo sabendo que somos finitos em nossa capacidade de amar, fazei com que consigamos nos abandonar sem medo nas mãos de Deus que jamais nos deixa só, Amém.

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007.

CEC, n. 142-165 (A resposta do homem a Deus).

[1] 2Cor 12

[2] Cf. JOÃO PAULO II, Fides et Ratio, n. 1.

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