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“DEUS VIU TUDO QUANTO HAVIA FEITO E ACHOU QUE ERA MUITO BOM” (Gn 1, 31) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Um feliz Natal do Senhor a todos vocês, amigos do CommunioSCJ.

Esse tempo do Natal é muito propício para refletirmos a criação do “céu e da terra”, isto é, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Pois como nos diz o Catecismo: “A primeira criação encontra seu sentido e seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira” [1]. Por mais que isso seja escandaloso para os que não creem, unidos à nossa fé proclamamos que aquele Menino, nascido em Belém há cerca de dois mil anos, é o motivo da existência de todo o universo.

Certamente, não é possível discutir todos os pormenores da criação de Deus. Mas amparados pela Sagrada Escritura, juntamente com a Tradição e o Magistério, criacao-de-adaopodemos descobrir alguns pontos essenciais da Revelação de Deus acerca da criação. E talvez, o mais importante deles seja aquele que o autor sagrado expressa ao dizer que “Deus viu tudo quanto havia criado e achou que era muito bom” (Gn 1, 31). Ou seja, Deus criou um mundo bom. Ambas as dimensões, espiritual e material, são boas e orientam o homem ao encontro com o Criador.

O mundo espiritual (o céu) é habitado pelos anjos que ficam ao redor de Deus. “Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais” [2]. E aqueles que aceitaram a salvação que veio de Deus, na Pessoa de Jesus Cristo (pois os anjos também precisavam ser salvos), O servem e adoram. Esses são nossos amigos, pois por amor a Deus participam da história salvação como muitas vezes é atestado na Sagrada Escritura [3]. E participam também da nossa salvação pessoal, pois como disse São Basílio, “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” [4].

O triste é perceber quanto os anjos da guarda costumam ser menosprezados. Estão constantemente ao nosso lado, mas não podem nos ajudar devido à nossa dureza de coração. Pois não nos abrimos à sua ação. Não pedimos sua ajuda. E um anjo da guarda, servo de Deus, respeita a nossa liberdade: corre ao nosso auxílio à medida que permitimos. Para o nosso bem espiritual, somos convidados a acolhermos o conselho que São Padre Pio de Pietrelcina dirigia a uma filha espiritual:

“Não devemos nos esquecer desse companheiro invisível, sempre presente, sempre pronto a nos ouvir, e mais pronto ainda a nos consolar. […] Nunca diga que estás sozinho na luta contra nossos inimigos” [5].

Já o mundo material (a terra) é o lugar onde se encontra o ser humano e todas as Icone-Anjocriaturas visíveis. E todas elas, tendo sido queridas e criadas por Deus são também boas. Precisamos tomar cuidado com as influências de certos esquemas filosóficos e religiões antigas que costumam colocar o mundo material como mal, em oposição ao mundo espiritual, que seria bom. Pelo contrário, olhando para a festa do Natal, onde Deus se faz homem, percebemos que “ser cristão significa um homem que acredita que a divindade ou a santidade se ligou à matéria ou adentrou o mundo dos sentidos” [6]. Se Deus se encarnou, a carne, a matéria, não pode ser ruim.

E aqui é preciso ressaltar outra triste realidade dos tempos atuais: a ideia de que o homem é mal. Pois em um mundo onde muitos já não acreditam na realidade espiritual, a visão não cristã de que o mundo físico é mal evoluiu. E nessa nova visão, também não cristã, o culpado pelo mal seria o próprio homem. Percebemos isso claramente nesse novo ecologismo, que exalta o ambiente, mas coloca o homem como um intruso. Enquanto católicos, precisamos ficar atentos para não nos deixarmos contaminar por tal pensamento. O intruso é o pecado, e não o ser humano. O “homem é a obra-prima da obra da criação” [7] e vale “mais do que muitos pardais” (Lc 12, 7). É preciso perceber o grande cinismo dos ecologistas que gritam contra a destruição de ovos de tartaruga, mas apoiam o genocídio humano na liberação do aborto ou da eutanásia. Como afirmou o Papa Bento XVI às vésperas do Natal de 2008:

“Os bosques tropicais merecem, certamente, nossa proteção, mas não menos a merece o homem como criatura, na qual está inscrita uma mensagem que não contradiz a nossa liberdade, mas é sua condição” [8].

Que pela intercessão da Santíssima Virgem Maria e dos nossos Santos Anjos da Guarda, o Senhor nos auxilie a valorizar a cada dia mais a sua criação, de modo especial o ser humano.

Que 2013 seja um ano muito abençoado para todos nós!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 349.

[2] CEC, n. 330.

[3] CEC, n. 332-333.

[4] CEC, n. 336.

[5] LEITE, L. C. Padre Pio, crucificado por amor. São Paulo: Edições Loyola, 2001, 3ª edição, p. 56 e 57.

[6] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 28.

[7] CEC, n. 343.

[8] Retirado do discurso do Papa Bento XVI à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2008, disponível em: <www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2008/december/documents/hf_ben-xvi_spe_20081222_curia-romana_po.html>.

“SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS” (Hb 11, 6) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

1 Comentário

Bem vindos novamente, amigos do CommunioSCJ!

Depois de discutirmos muitos dos aspectos relativos à Revelação de Deus, é chegada a hora de falarmos sobre a “resposta do homem a Deus” [1]. Com esta expressão, o Catecismo nos convida a tomar consciência de que precisamos deixar nossa passividade para darmos uma resposta concreta ao Senhor, que nos convida à comunhão com Ele. “A resposta adequada a este convite é a fé” [2].

Entretanto, é fácil perceber que o homem, e aqui estamos todos incluídos, constantemente deixa Deus esperando. São Cláudio de la Colombière definia o Sagrado Coração de Cristo como um “Coração que ama e não é amado”. Se o homem, que ama de maneira limitada, já se entristece quando é ignorado, imaginemos quão grande não deve ser a dor deste Coração, que ama infinitamente, quando recebe apenas nossa indiferença! Para oferecer a Deus que nos busca a “resposta adequada”, não existe outro caminho: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus […]” (Hb 11, 6).

Mas no que consiste nossa fé? Qual é a sua substância? Mais do que um conjunto de regras e ideias, a fé cristã se constitui de um acontecimento que se realiza de maneira plena na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma explicação melhor pode ser conseguida através do Papa Bento XVI que, enquanto ainda era cardeal, explicou que a nossa fé:

“Consiste em considerarmos Cristo como Filho vivo de Deus, que se fez carne, que se fez Homem; que a partir dele acreditamos em Deus, no Deus trino, Criador do céu e da terra; que acreditemos que esse Deus se debruça, por assim dizer, de tal forma, que pode fazer-se tão pequeno, que se preocupa com o Homem e fez História com o Homem, e que o receptáculo dessa História, o lugar de expressão privilegiado, é a Igreja” [3].

Essa fé, para ser vivida integralmente, pressupõe um contato com Deus que fundamente nossa vida espiritual. Não basta falar de Cristo. É preciso tomar contato com Deus que entra na história do mundo e na história pessoal de cada um. É preciso se ligar existencialmente a Ele na pessoa de Cristo. E isto “requer, por parte do homem, uma decisão de escolha consciente e a orientação da sua vontade para Cristo, como fim último e valor supremo” [4]. A fé é plena quando o homem submete toda a sua inteligência e sua vontade a Deus [5].

Na atualidade, a submissão total a Deus soa não apenas como algo difícil, mas até mesmo escandaloso. Com a modernidade vimos crescer a ideia de que o progresso mental está “relacionado ao rompimento de laços, à abolição de fronteiras, à rejeição de dogmas” [6]. Esse movimento não conseguiu destruir a fé, que está gravada no mais profundo do coração do homem, mas acabou por diminuir sua importância. A ideia de que a fé, a crença, os dogmas, impedem o progresso mental não é verdadeira. Conforme expressou o grande filósofo G. K. Chesterton:

“Ao abandonar doutrina após doutrina, num refinado ceticismo, ao recusar a filiar-se a um sistema, ao dizer que superou definições, ao dizer que duvida da finalidade, quando na própria imaginação, senta-se como Deus, não professando nenhum credo, mas contemplando todos, então está, por intermédio do mesmo processo, imergindo lentamente na indistinção dos animais errantes e da inconsciência da grama. Árvores não têm dogmas. Nabos são particularmente tolerantes” [7].

O que Chesterton previa no início do século XX, é facilmente constatável no presente. A rejeição da fé, e também dos valores, tem levado os homens a se parecer cada vez menos com homens. O mundo está cada vez mais desumano. E as promessas de progresso e felicidade deram lugar à intensificação dos problemas sociais e ao crescimento da tristeza.

Se não queremos tomar lugar nessa viagem rumo à desumanização e à tristeza, precisamos deixar crescer em nós a fé, que se dá na submissão à vontade de Deus. É fato que, devido ao nosso pecado, isso deve acontecer em meio ao sofrimento. Entretanto, se tivermos coragem de lutar poderemos perceber que “a fé dá alegria” [8]. Não essa alegria falsa e passageira que o homem moderno busca como um cão busca as migalhas que caem da mesa. Mas a alegria verdadeira e plena que brota do Coração de amoroso de Deus.

Que a exemplo da Santíssima Virgem Maria, saibamos dizer sim a Deus na certeza de que Ele nos cumulará de graças. “[…] pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram” (Hb 11, 6).

 

 

[1] Título do capítulo III da primeira seção do Catecismo.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 142.

[3] RATZINGER, J. O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio. Um diálogo com Peter Seewald. Rio de janeiro: Imago, 2005, p.17.

[4] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 41.

[5] CEC, n. 143.

[6] CHESTERTON, G. K. Hereges. São Paulo: Ecclesiae, 2011, p. 257.

[7] Idem, p. 258.

[8] RATZINGER, J. O Sal da terra, p. 23.

É NA FRAQUEZA QUE SOMOS FORTES [1] – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos,

Temos refletido até agora sobre como Deus se inclina para o homem e como, por amor, se revela, dando ao homem todo conhecimento necessário para sua salvação através de seu filho Jesus.

Hoje falaremos sobre a resposta do homem a Deus, que recebendo o seu convite, percebe a mão divina em sua direção e a agarra.

Esta resposta humana ao desejo divino de comunhão, esse amor correspondido do homem a Deus chamamos fé.

Para crermos, não são necessárias provas materiais, e se existissem, não se precisaria da fé. Deus é infinitamente maior do que tudo o que é palpável e maior do que a compreensão humana que só vai até onde permite o Espírito Santo.

Apesar de ser um dom recebido de Deus, a fé é essencialmente humana e Ele não obriga ninguém a crer, não nos priva de nossa liberdade de escolha, vontade ou de pensamento, embora, em sua infinita misericórdia, o Senhor conhecendo seus filhos como conhece, saiba muito bem como atraí-los.

Deus permite o sofrimento humano para lembrá-los de sua fraqueza e impotência e de que somente encontra-se a paz abandonando-se em suas mãos.

Os que se sentem fortes e autossuficientes, criam uma fortaleza ao seu redor e não deixam a graça divina entrar, pois pensam que tudo depende deles e não se confiam nas mãos de Deus. Este sentimento evidencia uma grande falta de humildade, acarretando uma sobrecarga emocional quando realmente percebe o tamanho do peso carregado nos ombros que podia ser muito mais leve, se dividido com o Senhor.

Quando o ser humano encontra em seu caminho uma grande dor, abre os olhos e percebe que não está só e que Ele está sempre disposto a recebê-lo de volta, esta é a fenda na “fortaleza” que Deus espera para penetrar novamente na alma e resgatar seus amados.

A Virgem Maria é o maior exemplo de fé do Novo Testamento, disse sim a Deus sem saber o que aconteceria em seu futuro, apenas confiou e obedeceu. E diante da morte do filho, com o coração dilacerado por tamanha dor, jamais duvidou dos desígnios de Deus. Quando não tinha mais nada a fazer, abandonou-se, como eram unânimes em dizer os grandes santos.

Embora muitos digam que a Fé contradiz a Ciência, não é verdade. As primeiras universidades do mundo eram católicas. A Igreja sempre se preocupou em formar pessoas que pudessem estudar e trazer respostas à humanidade. A Fé e a Razão são duas asas que nos conduzem à Verdade [2], por isso todos devem ficar atentos a todas as descobertas e estudos à cerca da Doutrina que professam, sem descuidar também do que acontece na sociedade. É através da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja que podemos fincar raízes numa fé sólida, que não se deixa abater por nenhuma tempestade (e veja que são muitas).

É preciso aproximar-se de Deus, ter um relacionamento profundo com Ele. Mas para isso, não se pode esperar sentir sempre a euforia da primeira experiência de conversão, porque isso passa. Nem sempre o coração vai arder ou a emoção vai tomar conta. Relacionamento profundo é buscá-lo mesmo quando não se consegue ouvi-lo ou não se tem vontade de procurá-lo. É como o namoro, começa pela paixão e depois de um tempo amadurece e transforma-se em amor, em compromisso sério.

Virgem Mãe, que o amor derramado por Deus em nossas vidas jamais fique sem nossa resposta, mesmo sabendo que somos finitos em nossa capacidade de amar, fazei com que consigamos nos abandonar sem medo nas mãos de Deus que jamais nos deixa só, Amém.

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007.

CEC, n. 142-165 (A resposta do homem a Deus).

[1] 2Cor 12

[2] Cf. JOÃO PAULO II, Fides et Ratio, n. 1.

A OBEDIÊNCIA COMO CAMINHO PARA A FÉ – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam bem vindos! Nesta semana, seguindo nosso projeto de estudo do Catecismo, chegamos ao tema da transmissão da Revelação divina [1]. Por isso, antes de propor o tema para nossa reflexão, chamo a atenção para íntima relação entre a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, as duas formas da transmissão do Depositum Fidei confiado à Igreja.

Foi à Igreja que Cristo confiou a tarefa de difundir e defender a fé. Como isso acontece através da Escritura e da Tradição, “ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência” como nos lembra o Concílio Vaticano II [2]. É para que a Igreja cumpra esta tarefa que a interpretação autêntica deste Depósito é tarefa do Magistério. Assim, se quisermos interpretar as Escrituras no Espírito em que foram escritas, devemos interpretá-las na comunhão eclesial, como já escrevi noutra oportunidade [3].

 

Neste texto, porém, quero tratar de um tema espinhoso que o Catecismo apresenta no n. 89. Ali, lemos: “Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for reta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé (Cf. Jo 8,31-32)”.

Se, por um lado, temos o benefício dos dogmas à nossa vida espiritual, ou seja, a luz que os dogmas trazem à nossa vida espiritual; temos, por outro lado, a disposição que nos é necessária para acolhê-los: retidão de vida e de inteligência, além da abertura do coração.

Digo que o tema é espinhoso porque, muitas vezes, o que encontramos (tanto dentro de nós mesmos, como pelo contato com outras pessoas) é a dificuldade de crer em alguma coisa por não conseguir corresponder àquilo. É mais ou menos como um adolescente que não quer mais crer porque a fé porá freios àquilo que, justamente, ele não quer frear. Isso é notório em muitos de nossos jovens que deixam a Igreja: o problema não é fé, é moral – como a fé faz exigências de conversão, o melhor é não crer. Em outras palavras, será preciso amar mais a Verdade e o Bem do que a si mesmo.

E, convenhamos, é bem mais cômodo capitular a verdade para obter um alívio da consciência – mesmo que irreal e efêmero – do que combater dia a dia o mal que há dentro de nós para que Jesus Cristo seja, de fato, nosso Senhor. Mas nós sabemos que é “Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, [quem] revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime” [4]. Assim, nossa vida deve, cada dia, com o imprescindível auxílio do Espírito Santo, ficar mais próxima daquilo que Jesus foi.

Por isso, com o Santo Padre Bento XVI, professamos que o caminho de renovação da Igreja não é o da desobediência, mas o caminho de Jesus Cristo – o Filho de Deus que se fez obediente até a morte, e morte de cruz (cf. Fl 2,8) [5]. Sem dúvida, trata-se de um grande desafio. Pode ser que isso signifique justamente a renúncia de nós mesmos que o Senhor nos pede para segui-lo (cf. Mt 16,24)…

Que Maria santíssima, a humilde e fiel serva do Senhor (cf. Lc 1,38) nos ajude neste caminho com sua materna intercessão.

Grande abraço! Até a próxima!

 

 

[1] CEC 74-100.

[2] DV 9.

[3] Ler as Sagradas Escrituras com o mesmo espírito com que foi escrita – Por Fr. Lucas, scj. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2011/10/08/ler-as-sagradas-escrituras-com-o-mesmo-espirito-com-que-foi-escrita-%E2%80%93-por-fr-lucas-scj/>.

[4] GS 22.

[5] Sobre este assunto, vale muito a pena ler a homilia que o Santo Padre pronunciou na Missa crismal deste ano, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2012/documents/hf_ben-xvi_hom_20120405_messa-crismale_po.html>.

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA [1] – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

 

No último domingo, vinte e oito de outubro, terminou o Sínodo dos Bispos que, desde o início do Ano da Fé, discutia a “Nova evangelização para transmissão da fé cristã”. Nada mais oportuno do que refletirmos à luz desse tema, as formas de transmissão da fé ao longo dos séculos, segundo o Catecismo.

A fé cristã foi transmitida pelos apóstolos de duas formas: a oral (Tradição) e a escrita (Sagrada Escritura).

As pessoas próximas de Jesus que ouviam seus ensinamentos eram simples, pobres, excluídas e o que aprendiam com o Mestre, transmitiam uns aos outros oralmente. A mensagem era tão grandiosa e vivificadora que não tinham como guardar para si, por isso a Palavra se difundiu tão rapidamente.

A escrita era para poucos, por isso quando começaram a registrar a vida de Jesus, cerca de vinte, trinta anos após sua morte, tudo o que tinham, era o testemunho das pessoas que o tinham conhecido.

A forma oral e a escrita se complementam, não se consegue compreender a Sagrada Escritura sem a Tradição e vice-versa, pois a primeira não é um livro de História, mas sim, uma experiência de Deus descrita por vários e diferentes povos. Consiste num grande erro ler a Bíblia de maneira fundamentalista, ou seja, ao “pé da letra”, pois eles precisam ser contextualizados de acordo com a comunidade onde foram escritos, as dificuldades que atravessavam e a época. João disse a respeito de Jesus: “Ele fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveria escrever” (Jo 21,25).

A Tradição apostólica é essencial para a compreensão da Bíblia e, descartá-la, como algumas denominações fazem, é um grande desrespeito àqueles que morreram para que a fé chegasse integralmente até nós. Quão absurdo é não render aos santos e mártires a veneração que merecem. Tiago, Pedro, Paulo e tantos outros santos e santas morreram para que pudéssemos conhecer Cristo e jamais seria possível se não fosse ele mesmo caminhando junto à sua Igreja.

O mundo precisa, sem dúvidas, de mais exemplos de fé e eles ainda existem com certeza, mas não viram notícia. Afinal, o que dá ibope são as ruins.

Neste ano, por exemplo, o Vaticano recomeça, após cinco anos de estagnação, as negociações com o governo chinês que não reconhece a Igreja Católica Romana em seu país, obrigando os fieis católicos, obedientes às recomendações do Papa, a celebrarem escondido, e se forem pegos, podem ser presos. São pessoas valentes que sabem do risco que correm, mas optam por enfrentar em silêncio o sistema de repressão, relembrando os antigos cristãos que reconheciam em Jesus um valor maior que a própria vida.

O martírio moderno dos cristãos na maioria dos países, não é mais o de sangue, mas a ridicularização e mesmo assim, são poucas as pessoas dispostas a enfrentá-lo.

Testemunhemos uma autêntica vida cristã, assumindo com coragem a missão de fazer a diferença no mundo, ser discípulo e missionário, representar o amor e a justiça que Jesus veio mostrar, não apenas com palavras, mas principalmente com atitudes.

Coragem, irmãos! Jesus nos aguarda no céu de braços abertos.

Abraço a todos, boa semana!

 

 

[1] CEC 74-100.

DEUS SE REVELOU: SOMOS CHAMADOS À COMUNHÃO COM ELE – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

Caros irmãos e irmãs em Cristo, bem vindos ao CommunioSCJ!

Antes de tudo, quero dar as boas vindas ao Luiz Guilherme que já contribuiu com nosso blog na semana passada e certamente será uma valiosa ajuda neste ministério virtual. Fico feliz em tê-lo aqui conosco! Deus seja louvado!

Neste Ano da Fé estamos estudando o Catecismo da Igreja Católica (CEC). Por isso, dando um passo adiante no caminho que iniciamos na semana passada, nos deparamos com Deus: Ele não é distante, mas vem a nós – Ele se revela.

Retomando a Constituição Dogmática Dei Verbum (DV) do Concílio Vaticano II, o CEC (n. 142) nos diz que “pela sua revelação, ‘Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele’ (DV 2)”. Aqui temos, creio, uma verdade fundamental que não podemos perder de vista se quisermos realizar aquilo que nos é proposto pelo Santo Padre neste Ano da Fé: Deus se revela porque nos quer consigo – Deus vem ao nosso encontro porque nos quer em comunhão consigo.

Desde os primeiros atos de seu pontificado, o Santo Padre Bento XVI nos tem chamado nossa atenção para o fato de que “no início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, assim, o rumo decisivo” [1]. É imprescindível notarmos que não somos uma religião de livros: somos a religião do relacionamento pessoal com o próprio Deus que se fez homem para nos alcançar, para nos ter consigo.

Neste relacionamento, a resposta adequada do ser humano é a fé, pela qual “o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador” [2]. Note bem: pela fé, o homem submete a inteligência e a vontade a Deus. Não só a inteligência, pois a fé não é uma gnose. Nem só a vontade, porque não somos voluntaristas. Mas, de fato, professar a fé significa iluminar nossa vida e guiá-la a partir do relacionamento com Deus por Jesus Cristo no Espírito Santo.

Isso só é possível porque Deus se revelou. “É justo e bom confiar totalmente em Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso ter semelhante fé numa criatura” [3]. Ou seja, “Podemos crer em Jesus Cristo, porque Ele próprio é Deus, o Verbo feito carne” [4]. Podemos crer em Deus porque nos foi dada a força do Espírito Santo “que revela aos homens quem é Jesus” [5].

Irmãos e irmãs, trata-se de uma relação com o Deus verdadeiro que é Amor. O simples estudo do Catecismo não é suficiente, se não assumimos a fé da Igreja ali expressa como dom do Pai para nós por Jesus Cristo no Espírito Santo e, assim, não embarcamos nesta maravilhosa aventura de crer, de vivermos iluminados pela fé.

Que Maria Santíssima, aquela que realizou a obediência da fé com perfeição [6], nos acompanhe neste Caminho.

Grande abraço a todos! Até a próxima.

 

 

[1] BENTO XVI. Deus Caritas est, n.1.

[2] CEC 143.

[3] Idem, 150.

[4] Idem, 151.

[5] Idem, 152.

[6] Idem, 148.

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