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CREIO NA COMUNHÃO DOS SANTOS – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Irmãos e irmãs em Cristo, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Em filial atenção ao desejo do Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, continuamos nosso caminho através de nossa Profissão de Fé no Catecismo da Igreja Católica. E, depois de vermos cada um dos diferentes modos do seguimento de Cristo, nosso Senhor, na Igreja, passamos à fé na “comunhão dos santos”.

O artigo sobre a comunhão dos santos, como o próprio catecismo nos diz, é a explicitação do ser da Igreja, explorado no Credo pelo artigo anterior, pois “a comunhão dos santos é precisamente a Igreja” [1].

Não é tão difícil de entender, mas ignorar esta categoria, a comunhão dos santos, Ícone - Comunhão dos Santosé justamente um entrave que impede alguns de nossos irmãos de compreender, por exemplo, a intercessão dos santos e, em particular, da bem-aventurada Virgem Maria. Por isso, recomendo vivamente a leitura deste artigo de nossa Profissão de Fé diretamente no Catecismo [2], visto que este espaço não é suficiente para nos determos longamente neste assunto.

O Youcat traz uma definição precisa a este respeito: “pertencem à ‘comunhão dos santos’ todas as pessoas que colocaram a sua esperança em Cristo e lhe pertencem pelo Batismo, tenham elas já morrido ou vivam ainda. Porque somos um ‘corpo’ em Cristo, vivemos uma comunhão que abraça o céu e a terra” [3].

Ou seja, como diz Santo Tomás de Aquino: “uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros” [4]. Em outras palavras, podemos afirmar que, como a Igreja é o Corpo de Cristo (cf. Cl 1,18), todos os que fazemos parte deste corpo pelo Batismo estamos, ipso facto, em relação uns com os outros e podemos comunicar bens espirituais uns aos outros.

Vemos, assim, que a Igreja não é uma simples instituição que se abre num cartório. Não. A Igreja é o Corpo de Cristo e é justamente esta relação com Cristo que a caracteriza e a constrói. “Assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja. Mas o membro mais importante é Cristo, por ser a Cabeça… Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz por Ícone - Comunhão dos Santos_02meio dos sacramentos da Igreja” [5].

Ora, esta comunhão toca todos aqueles que estão em Cristo, mesmo aqueles que já morreram [6]. O Concílio Vaticano II afirma: “a união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê-se fortalecida pela comunicação dos bens espirituais” [7].

Assim, a Igreja se reconhece em três estados [8]: o militante (aqueles discípulos de Cristo que peregrinam sobre a terra); o padecente (aqueles que, terminada esta vida, estão em Cristo e passam por uma purificação ou purgatório) e a triunfante (aqueles que contemplam a Deus face-a-face). Todos, porém, ligados a Cristo pelo mesmo Espírito.

Neste grande relacionamento com Cristo, as pessoas relacionam-se entre si de modo que podem partilhar seus bens espirituais. Tais bens são: a fé (recebida dos Apóstolos), os sacramentos (e seus frutos), os carismas (recebidos para a utilidade de todos) [9], a caridade e, enfim, o que possuem também materialmente.

Por fim, é preciso dizer, embora o texto já esteja bastante extenso, que esta grande comunhão em Cristo pelo Espírito caracteriza a Igreja não só como o Corpo de Cristo, mas também como uma grande e única família de Deus. E é justamente esta comunhão que possibilita a mútua intercessão (rezarmos uns pelos outros), a intercessão dos santos (que, unidos mais perfeitamente a Cristo nos céus, nos socorrem com solicitude fraterna [10]) e a comunhão com os mesmos santos (aos quais amamos como companheiros exemplares no seguimento de Cristo [11]) e outros falecidos (por quem rezamos a fim de que sejam perdoados de seus pecados [12]).

Que a santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude a crescer sempre mais no fortalecimento dos vínculos que nos unem como Igreja.

Um fraterno abraço a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica) 946.

[2] Cf. CEC 946-962. Também é possível encontrar uma explicação a este respeito no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, questões 194-195; e no Youcat, questão 146.

[3] Youcat, questão 146.

[4] Texto citado no CEC 947.

[5] Idem, ibidem.

[6] Sobre a questão do juízo particular, do juízo final e dos novíssimos, o Catecismo tratará mais adiante. Chegaremos a estudar essas questões, com a graça de Deus, em setembro.

[7] LG 49.

[8] Cf. CEC 954.

[9] Cf. 1Cor 12,7.

[10] Cf. CEC 956.

[11] Cf. CEC 957.

[12] Cf. CEC 958. Aqui, de modo algum, se trata da invocação dos mortos, mas da conservação do vínculo de amor que nos une para além da morte, sabendo que, também eles continuam nos amando em Deus.

“TODOS VÓS SOIS UM SÓ, EM CRISTO JESUS” (Gl 3,28) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações a todos vocês, queridos amigos. Com muita alegria continuamos nosso caminho de aprofundamento da nossa fé.

Na semana anterior começamos a refletir sobre a Igreja deixada por Cristo. Pela nossa fé, cremos que é através dela que se realiza o plano de amor de Deus para cada um de nós: unir-nos a Ele. Inseridos na Igreja começamos a caminhar aqui na terra para a plena comunhão com o Senhor, nos Céus. Entretanto, como o Deus com o qual nos unimos não é impessoal, mas é comunhão de três Pessoas Divinas, podemos afirmar que a Igreja é simultaneamente comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Para expressar essa realidade, o Catecismo nos apresenta três grandes figuras da Igreja, cada uma salientando a relação com uma Pessoa da Trindade: ela é Povo de Deus (em relação ao Pai), é Corpo de Cristo (em relação ao Filho) e é Templo (em relação ao Espírito Santo).

A Igreja como Povo de Deus é prefigurada desde o Antigo Testamento. É um povo formado por homens e mulheres de várias épocas, culturas e etnias, mas que se diferencia de qualquer outro grupo na história. Esse povo é “gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa” (1Pd 2,9). É um povo que não tem sua identidade embasada em sua língua, cultura ou história, mas no fato de terem sido batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e crerem na salvação alcançada por Jesus Cristo.

Fazendo parte desse mesmo povo, todos nós, batizados, possuímos o mesmo Senhor que nos compromete com sua missão. A exemplo de Jesus Cristo, somos chamados a sermos uma nação de sacerdotes, profetas e reis. Sacerdotes, para Ícone da Trindadeoferecermos nossos sofrimentos e méritos ao Pai, como fez aquele que é o verdadeiro Filho. Profetas, para comunicarmos uma Verdade que não vem de nós mesmos, mas do Pai. Reis, para lutarmos contra o mal que reina na terra e para fazermos prevalecer o bem, com a ajuda do Espírito Santo.

A Igreja também é Corpo de Cristo porque é através de sua Pessoa que somos inseridos na Santíssima Trindade. Por ter encarnado no seio da Virgem, Jesus possui um Corpo no qual a humanidade pode encontrar a divindade. De fato, Ele “anuncia uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio corpo e o nosso: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele’ (Jo 6,56)” [1]. Na Eucaristia, como nenhum outro lugar na terra, somos verdadeiramente inseridos no Corpo de Cristo. Como escreveu Santo Agostinho: “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornados não somente cristãos, mas o próprio Cristo” [2].

E neste Corpo que é a Igreja nos unimos não somente a Cristo, mas a todos os seus, estejam eles na Terra, no Purgatório ou nos Céus. A ligação de cada batizado com Deus não se dá de maneira isolada: “todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28). E é o próprio Cristo, “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), que faz os membros de seu Corpo místico crescerem rumo a uma comunhão perfeita, unindo-os à sua Páscoa. Uma comunhão salvadora justamente porque nos insere em Deus sem eliminar nossa existência. Pois que salvação haveria se nos dissolvêssemos em Deus, perdendo nossa identidade? A unidade entre Cristo e sua Igreja “implica também a distinção dos dois em uma relação pessoal” [3], fato salientado quando dizemos que a Igreja é Esposa de Cristo: “os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e a Igreja” (Ef 5,31-32). Unimo-nos a Cristo da mesma forma que homem e mulher no Matrimônio. Formamos assim uma unidade de amor, resultante da comunhão de pessoas.

Finalmente, a Igreja também é Templo do Espírito Santo, já que foi quando a Terceira Pessoa da Trindade foi comunicada por Jesus que Ele “fez de seus irmãos, chamados de todos os povos, misticamente os componentes de seu próprio Corpo” [4]. Se podemos formar um só Povo e um só Corpo, é somente porque o Espírito Santo faz dos membros da Igreja “o templo do Deus vivo” (2Cor 6,16). É Ele quem nos une como Igreja, animando-nos e concedendo-nos toda sorte de carismas “em vista do bem de todos” (1Cor 12,7).

Que a reflexão dessas realidades faça aumentar o nosso amor e gratidão pela Igreja. Ajudados pela Santíssima Virgem Maria, possamos ser cada vez mais fiéis a ela.

Uma ótima semana a todos.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 787.

[2] CEC, n. 795.

[3] CEC, n. 796.

[4] CEC, n. 788.