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“E VIU DEUS TUDO O QUE TINHA FEITO, E EIS QUE ERA MUITO BOM” (Gn 1,31) – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Confesso a vocês que refletir sobre os textos do Beato Papa João Paulo II têm sido um prazer e tanto. Ele era um grande filósofo personalista e a inspiração divina está, sem dúvida alguma, presente na Teologia do Corpo proposta por ele. Ajuda-nos a entender o ser humano a partir do amor de Deus, a olhar para nós mesmos como Ele nos olha. Sem dúvida, nosso amado Papa nos deixou um grande tesouro.

O Beato Papa João Paulo fala deste assunto em cento e vinte e nove catequeses; foram quase cinco anos de estudos e reflexões, e mesmo depois de quase trinta anos, a Teologia do Corpo, apesar de pouco conhecida, é um tema super atual, nos ajuda a entender a verdadeira razão pela qual fomos criados e o valor de cada um como ser humano.

Após a revolução sexual dos anos sessenta, muitos jovens, perseguindo uma falsa ideia de liberdade, começaram a combater as tradições taxando-as como “antiquadas” e a tratar o sexo como uma busca incansável de prazer e só. O principal problema dessa nova forma de pensar é a desvalorização da pessoa, que trata a si e ao outro como objetos. Como ser feliz assim?

Essa falsa liberdade não faz ninguém feliz, pode trazer uma alegria momentânea, mas não a felicidade plena que só a comunhão com Deus pode dar. Toda luz que Deus colocou na pessoa se vai, o olhar se volta para baixo, fixa-se no chão para colher migalhas de atenção e de carinho, deixando de olhar para o céu e buscar o essencial, o verdadeiro amor e a verdadeira felicidade que só o nosso Criador pode nos dar.

Voltando ao princípio de tudo, à Criação do mundo, no momento em que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança [1]. Precisamos nos ater aos detalhes desta afirmação: “criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança”. Deus não criou apenas o homem ou apenas a mulher semelhantes a Si, mas os dois para a perfeita unidade, criados um para o outro, criados pelo Amor e para o amor.

A Teologia do Corpo está inscrita no próprio corpo humano, feito homem e feito mulher, cada um com sua particularidade buscando a outra parte que se encaixa tanto física quanto espiritualmente, e quando se unem, unem-se também ao seu Criador, vivendo finalmente a verdadeira paz, o verdadeiro amor.

A relação homem e mulher é um ato sagrado onde Deus se faz presente, não pode ser banalizada: nós somos o dom de Deus, não objetos descartáveis. Muitos pensadores antigos, como Aristóteles, Platão, Plotino julgavam o corpo como algo ruim, como “prisão da alma”, o que contraria a visão cristã, pois o próprio Deus se fez carne como nós [2]. Poderia Ele ter se manifestado de muitas formas, mas escolheu ser “carne” como nós.

Nas próximas semanas nos aprofundaremos mais, fique conosco. Boa semana, Deus os abençoe!

 

 

[1] Gn 1,27-28.

[2] Jo 1,14.

 

REFERÊNCIAS:

JOÃO PAULO II. Audiência geral, quarta-feira, 12 de setembro de 1979, “Na primeira narrativa da criação encontra-se a definição objetiva do homem”. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790912_po.html>.

Pe. PAULO RICARDO. Teologia do Corpo. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ujs9UCVapsQ>.

FELIPE AQUINO. Teologia do Corpo – Parte I. Disponível em: <http://cleofas.com.br/serie-teologia-do-corpo-parte-1/>.

O HOMEM, NO PRINCÍPIO – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, como sempre, sejam bem vindos ao nosso blog! É motivo de grande alegria, retomarmos nossas atividades neste novo ano: esperamos contribuir para a divulgação de nossa fé. E esta retomada parte justamente do ponto onde paramos em 2013: a segunda catequese sobre o amor humano (ou teologia do corpo) do Beato João Paulo II.

Na sua segunda catequese sobre o tema, o Papa bem-aventurado quer aproximar-se do “princípio” evocado por nosso Senhor na polêmica com os fariseus a respeito do matrimônio (cf. Mc 10 e Mt 19): trata-se da primeira narrativa da criação, apresentada pelo Gênesis. Ou seja, como o beato chama a nossa atenção, só podemos compreender profundamente o significado e o sentido da unidade e da indissolubilidade do matrimônio se nos empenharmos em conhecer a natureza humana tal qual concebida e criada por Deus.

Isso é muito importante para nós que vivemos numa sociedade sob a ditadura do relativismo. Porque só na falta de uma intenção criadora e de uma ordem realmente estabelecida é possível sustentar este relativismo. Ou seja, caso Deus não exista; ou, pior, caso Ele não tenha intenção nenhuma conosco neste mundo, então, podemos nos determinar a nosso bel prazer.

Pois, de outro modo, se Ele existe e é nosso criador, então, não somos nós quem nos determinamos qual é a realidade do nosso ser, mas temos de nos submeter à Ícone - Criação de Adãoordem que Ele estabeleceu para nos realizarmos. Ora, é isso justamente que perdemos de vista com o pecado: Deus, nosso criador, é Amor; é o sumo bem, a suma bondade. Ele não é nosso adversário. Pelo contrário: Ele só quer o nosso bem, a nossa realização e, portanto, nossa felicidade. Desse modo, se quisermos ser, de fato, felizes, outro meio não há: temos de nos submeter ao Seu projeto. E, para tanto, é necessário ter fé.

Então, como cristãos, é importante que nos aproximemos dos relatos da criação em busca daquilo que o autor sagrado apresenta como verdade sobre nosso ser. E, no primeiro relato da criação (cf. Gn 1,1-2,4a), em seu caráter teológico, está claro que o homem se define “na sua relação com Deus («à imagem de Deus o criou»), o que encerra ao mesmo tempo a afirmação da impossibilidade absoluta de reduzir o homem ao «mundo»”.

Em outras palavras, segue o Beato: o homem “não pode o homem ser compreendido, nem explicado até ao fundo, com as categorias deduzidas do «mundo», isto é, do conjunto visível dos corpos”. Desse modo, se quisermos entender o verdadeiro sentido de nosso ser, inclusive de nossa sexualidade, não podemos nos deter na mera materialidade: temos de nos compreender como um todo de acordo com o projeto do Criador.

Em palavras pobres, isso significa que, considerando nossa sexualidade, não podemos olhá-la e estudá-la como olhamos e estudamos qualquer outro mamífero no exercício de sua procriação. Nós não somos bichos. Somos imagem e semelhança de nosso Criador. De forma que não encontramos nossa realização vivendo de maneira animalesca, mas integrando todo nosso ser no profundo sentido que Deus nos deu quando nos fez.

Assim, vemos claramente que “ao mistério da sua criação («à imagem de Deus os criou») corresponde a perspectiva da procriação («sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra»)”, ou seja, o dom da procriação foi feito a nós por Deus como uma forma de colaborarmos perpetuamente na obra da criação. Então, nosso corpo e, portanto, nossa sexualidade, são radicalmente bons: Deus viu que era muito bom (cf. Gn 1,31).

Peçamos, por fim, a intercessão da Santíssima Virgem Maria, a fim de reconhecermos que Deus fez bem em nos criar e nos ter dado a sexualidade como modo de participar de Seu ato criador para, assim, louvarmos ao nosso Criador pela vida que dele recebemos e correspondermos com largueza ao Seu amor por nós.

Grande abraço a todos, até breve!

 

 

Todas as citações são retiradas do texto “Na primeira narrativa da criação encontra-se a definição objetiva do homem”, de João Paulo II. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790912_po.html>.