Olá, amigos!

Como começamos a refletir semana passada, Nosso Senhor Jesus Cristo se deu por nós na Cruz, sem merecermos, mesmo sabendo que nós, na nossa limitada humanidade, jamais seríamos capazes de retribuir tamanho amor. Na verdade, por isso, Ele abaixou-se até nós, homens e mulheres pecadores, para cumprir a vontade do Pai, a fim de ter restaurada definitivamente a sua aliança com o homem.

Por Jesus, todos são chamados a amar como Ele amou, doar-se como Ele se doou, Jesus no Monte das Oliveiras (F lvio Giuliano)mesmo que para isso, tenha que também carregar a cruz como Jesus carregou. Quando Jesus morreu, morreu por toda a humanidade, por todos os homens que existiram, existem e por todos os que ainda existirão. A Salvação nos foi dada, não por merecimento, mas sim por graça de Deus, pois Ele sabe que nenhum homem, nem mesmo o mais santo, poderia carregar sobre si o peso dos pecados da humanidade como seu Filho era capaz de carregar [1].

Jesus abraçou em seu coração humano, o amor de Deus por todos nós [2]. Amou-nos até às últimas consequências (cf. Jo 13,1).

“Na Paixão de Jesus, toda a sujidade do mundo entrou em contato com o intensamente Puro, com a alma de Jesus e, deste modo, com o Próprio Filho de Deus. Se habitualmente a realidade suja contagia pelo contato e inquina a realidade pura, aqui temos o contrário: onde o mundo com toda a sua injustiça e as crueldades que o inquinam, entram em contato com o imensamente Puro, aí Ele o Puro, revela-se o mais forte. Nesse contato, toda a sujidade é absorvida, anulada e transformada pelo sofrimento do amor infinito” [3].

Jesus foi obediente ao Pai de uma forma que nós jamais seremos capazes de ser. Ele é o sacrifício perfeito, mas não porque Deus é cruel e sedento de sangue e de Ícone - Jesus crucificadovingança pelos pecados cometidos por nós. Não, o próprio Deus, na pessoa do Filho carrega sobre Si todos os sofrimentos do mundo, para que o seu pecado e o meu pecado sejam lavados no sangue de Jesus.

A obediência humana jamais chegará a ser perfeita como a de Jesus, mas o desejo de dar a Deus o que não somos capazes de dar faz com que Ele mesmo venha ao nosso encontro. Santa Teresinha do Menino Jesus diz que somos como bebês aprendendo a ficar de pé diante do Pai que está no topo da escada. O simples desejo do bebê de alcançar o Pai faz com que Ele desça ao seu encontro e o pegue nos braços. É esse amor, que já existia antes de nós, que se revelou totalmente na entrega de Jesus à cruz. Jamais seremos capazes de venerar a Deus como Ele merece, mas Jesus carrega-nos consigo e por este meio somos capazes de alcançar ao Nosso Amado Deus. Para tanto, contamos com o Batismo, que marca a nossa entrada na vida cristã e com a Eucaristia, na qual a obediência de Jesus na cruz nos abraça, nos purifica e nos atrai na adoração perfeita realizada por Jesus [4].

Que a nossa desobediência não seja ocasião de culpa, mas sim de arrependimento e conversão, pois não somos perfeitos, mas que busquemos sempre a Confissão e a Eucaristia como forma segura para retomarmos o caminho de volta para Deus sempre que for necessário, amém.

Deus abençoe a todos!

 

 

CEC 595-618.

[1] CEC 616.

[2] CEC 609.

[3] Joseph, RATZINGER. Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição, p. 189.

[4] Idem, p. 192.

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