Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam bem vindos! Nesta semana, seguindo nosso projeto de estudo do Catecismo, chegamos ao tema da transmissão da Revelação divina [1]. Por isso, antes de propor o tema para nossa reflexão, chamo a atenção para íntima relação entre a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, as duas formas da transmissão do Depositum Fidei confiado à Igreja.

Foi à Igreja que Cristo confiou a tarefa de difundir e defender a fé. Como isso acontece através da Escritura e da Tradição, “ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência” como nos lembra o Concílio Vaticano II [2]. É para que a Igreja cumpra esta tarefa que a interpretação autêntica deste Depósito é tarefa do Magistério. Assim, se quisermos interpretar as Escrituras no Espírito em que foram escritas, devemos interpretá-las na comunhão eclesial, como já escrevi noutra oportunidade [3].

 

Neste texto, porém, quero tratar de um tema espinhoso que o Catecismo apresenta no n. 89. Ali, lemos: “Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé: iluminam-no e tornam-no seguro. Por outro lado, se a nossa vida for reta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé (Cf. Jo 8,31-32)”.

Se, por um lado, temos o benefício dos dogmas à nossa vida espiritual, ou seja, a luz que os dogmas trazem à nossa vida espiritual; temos, por outro lado, a disposição que nos é necessária para acolhê-los: retidão de vida e de inteligência, além da abertura do coração.

Digo que o tema é espinhoso porque, muitas vezes, o que encontramos (tanto dentro de nós mesmos, como pelo contato com outras pessoas) é a dificuldade de crer em alguma coisa por não conseguir corresponder àquilo. É mais ou menos como um adolescente que não quer mais crer porque a fé porá freios àquilo que, justamente, ele não quer frear. Isso é notório em muitos de nossos jovens que deixam a Igreja: o problema não é fé, é moral – como a fé faz exigências de conversão, o melhor é não crer. Em outras palavras, será preciso amar mais a Verdade e o Bem do que a si mesmo.

E, convenhamos, é bem mais cômodo capitular a verdade para obter um alívio da consciência – mesmo que irreal e efêmero – do que combater dia a dia o mal que há dentro de nós para que Jesus Cristo seja, de fato, nosso Senhor. Mas nós sabemos que é “Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, [quem] revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime” [4]. Assim, nossa vida deve, cada dia, com o imprescindível auxílio do Espírito Santo, ficar mais próxima daquilo que Jesus foi.

Por isso, com o Santo Padre Bento XVI, professamos que o caminho de renovação da Igreja não é o da desobediência, mas o caminho de Jesus Cristo – o Filho de Deus que se fez obediente até a morte, e morte de cruz (cf. Fl 2,8) [5]. Sem dúvida, trata-se de um grande desafio. Pode ser que isso signifique justamente a renúncia de nós mesmos que o Senhor nos pede para segui-lo (cf. Mt 16,24)…

Que Maria santíssima, a humilde e fiel serva do Senhor (cf. Lc 1,38) nos ajude neste caminho com sua materna intercessão.

Grande abraço! Até a próxima!

 

 

[1] CEC 74-100.

[2] DV 9.

[3] Ler as Sagradas Escrituras com o mesmo espírito com que foi escrita – Por Fr. Lucas, scj. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2011/10/08/ler-as-sagradas-escrituras-com-o-mesmo-espirito-com-que-foi-escrita-%E2%80%93-por-fr-lucas-scj/>.

[4] GS 22.

[5] Sobre este assunto, vale muito a pena ler a homilia que o Santo Padre pronunciou na Missa crismal deste ano, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2012/documents/hf_ben-xvi_hom_20120405_messa-crismale_po.html>.

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