Olá, amigos!

Continuamos nossa reflexão sobre o Credo, onde refletimos sobre Nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que foi concebido pelo Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria, para nos resgatar de uma vida cheia de erros e vazia de sentido.

Como já vimos nos textos anteriores, é por meio de Jesus Cristo que Deus se revela, não apenas como um Deus cheio de poder, cuja justiça fazia perecer os homens, mas também se revela como um Pai que ama e cobre a humanidade com Anunciação - íconesua misericórdia. Essa é a visão que o Filho nos deu, a qual mudou para sempre o destino da humanidade, pois a partir de Jesus, aprendemos que apesar de pecadores, Deus ainda diz: “Eu acredito que você não é um caso perdido, você ainda tem jeito”.

Encarnando-se, o Filho humilhou-se para devolver à humanidade o que, com Adão e Eva, havia perdido: o laço de amizade, a intimidade com o Pai e a consciência do seu lugar junto a Ele. Jesus tornou-se humano, para tornar o homem divino [1].

Como disse São Gregório de Nissa: “Doente, a nossa natureza precisava ser curada; […] Havíamos perdido a posse do bem, era preciso nos restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso nos trazer a luz; cativos, esperávamos um salvador.” Tais razões comoveram tanto o coração de nosso Deus que Ele próprio desceu a terra para salvar a humanidade que se encontrava em um estado miserável e infeliz [2].

Com a presença de Jesus, todo homem e toda mulher é chamada a voltar, a ocupar o lugar mais próximo de Deus, o qual deixou vazio quando sucumbiu ao pecado, é chamada a restabelecer a amizade com Ele e voltar para a morada reservada a todos os filhos. Ele dá todas as oportunidades possíveis para que os filhos retornem, porque seu amor não é limitado como o nosso, Ele próprio é puro amor, porém é urgente que convertamos nosso caminho ainda hoje.

Somente Deus poderia abrir mão de algo tão perfeito quanto sua condição divina, por amor a seres como nós. Que mais poderíamos pedir a Ele, que já renunciou a tudo o que Ele era por amor? Renunciou ao poder, às riquezas, ao trono no qual Nascimento de Jesus - íconequeriam colocá-lo, a tudo o que poderia ser e ter aqui na terra porque era consciente de que a riqueza do céu é infinitamente maior do que as da terra, que nada aqui é eterno, como Deus o é. Por isso, escolheu nascer pobre, viver pobre, morrer pobre. Seu coração não se prendeu a nada além do Pai.

Engraçado como a renúncia, praticada e ensinada pelo próprio Deus, é motivo de espanto para muitos. O apego pregado no mundo é tanto que quando alguém, num gesto de pura generosidade, renuncia por amor, o julgam como louco, procuram justificativas que expliquem com lógica humana o que vem de Deus. Lembre-se de São Francisco de Assis, jovem rico que morreu como mendigo e tantos outros santos que viveram a radicalidade da renúncia até às últimas consequências.

Bento XVI também demonstrou grande coragem ao renunciar ao cargo mais alto da Igreja por amor a ela. Foi um gesto, ao qual já estava acostumado, pois toda sua vida foi construída em cima de renúncias, desde quando decidiu entregar sua vida a Cristo e prometeu zelar pelo bem da Igreja. Ousou ser diferente mais uma vez, entregou o seu cargo, não para deixar o sacerdócio, mas sim para que sua amada Igreja pudesse seguir em frente, o que suas forças já não o permitiam fazer. Não que ele não vá mais fazer parte dela, simplesmente assumiu outra função, a de estar em oração por todos os filhos e filhas da Igreja.

Que a exemplo de Bento XVI e de São Francisco, saibamos abrir mão de tudo o que for desnecessário para a nossa vida, de tudo o que nos afasta de Deus e de seu verdadeiro propósito para as nossas vidas, pois tudo o que somos e temos é finito, enquanto somente Deus é infinito.

Neste momento, queremos também entregar nas mãos de Deus, as congregações dos cardeais em Roma, que iniciam nesta semana as reuniões que antecedem a escolha de nosso novo papa, que sejam iluminados pelo Espírito Santo para que seja feita a vontade de Deus.

Boa semana a todos!

 

 

Cf. CEC 456-463.

[1] Cf. CEC 457.

[2] Cf. CEC 460.