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A NOVA EVANGELIZAÇÃO CONTINUA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, a paz!

É chegado o encerramento do Ano da Fé. É a hora de avaliarmos como foi este tempo para cada um de nós. Aprofundamos o Catecismo, ganhamos um novo Papa, vivemos a Jornada Mundial da Juventude, quantas bênçãos este ano de 2013 nos trouxe, não foi, católicos?

Devemos eterna gratidão ao grande Papa que Bento XVI foi e por essa grande graça que foi o Ano da Fé, essa oportunidade de olhar para as raízes de nossa fé, de termos um contato maior com as lições da Igreja e tudo o que ela prega, o que Jesus nos deixou de mais belo e precioso, os segredos de Deus e do seu Reino, a Verdade que não deveria mais permanecer em segredo, mas sim ser compartilhada com os mais pequeninos.

A Igreja é a esposa de Cristo, sua presença nela é indiscutível e tudo o que ela crê deve ser entendido por cada um de nós num contexto não só de fé, mas também de razão. A Igreja não está ultrapassada e obsoleta, pelo contrário, nunca foi tão atual no contexto em que vivemos. A Igreja é a chama em meio à escuridão que quer se instalar no mundo para destruir a família, escolher quem tem o direito de nascer ou não, quem está na hora de morrer ou não, rompendo a linha que existe entre o direito de um e o direito do outro.

É por isso que nós cristãos estamos aqui, para ser luz e para tirarmos do erro os que desconhecem a verdade sobre a Igreja Católica.

Nós cremos em Cristo porque Ele nos salvou. Ele desceu do céu para salvar-nos de nós mesmos, para mostrar a cada um de nós o valor que temos, que não depende de como somos, do quanto temos, mas sim, depende do que somos e do que Deus acredita que poderemos ser.

Para isso ocorrer, você e eu temos um grande compromisso com Cristo, assumido por nós mesmos quando nos chamamos cristãos. O compromisso de pensar como Ele pensaria, agir como Ele agiria e reagir como Ele reagiria em todas as situações.

Eis a importância de se conhecer bem a Cristo e à Igreja, a Nova Evangelização depende de nós. Quem conhece a Cristo jamais anda sozinho, quem tem intimidade com Ele deixa de preocupar-se com as coisas fúteis da vida, busca as coisas do Alto [1] e leva os outros a buscá-las também.

Meus amigos, se o Ano da Fé acabou, nossa busca, não. Um ano é muito pouco para conhecer todas as riquezas que a Igreja guarda sob o sangue dos mártires e do próprio Jesus. Cristo é o amém definitivo na História da Igreja, mudou o mundo para sempre com atitudes simples de amizade, humildade, misericórdia, amor. Foi grande na terra, se fazendo pequeno entre nós. Podia ter feito coisas muito maiores para demonstrar seu poder, mas preferiu fazer pequenos milagres que salvaram (e ainda salva) a vida de muitas pessoas que se achavam sem valor nenhum.

Podemos ser assim também, deixar Jesus agir em nós para através de nós, salvar a vida das pessoas com pequenos exemplos e pequenas atitudes. A Nova Evangelização depende mais de exemplos do que de palavras.

Continuem conosco e com nossas reflexões, conheçam a vida dos santos, leiam o Catecismo, conheçam e transmitam a verdade sobre a Igreja, sejam católicos de verdade.

Estamos juntos em prol da Igreja de Cristo, boa semana a todos, que o Senhor os abençoe.

 

 

[1] Col 3,1.

“SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS” (Hb 11, 6) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

1 Comentário

Bem vindos novamente, amigos do CommunioSCJ!

Depois de discutirmos muitos dos aspectos relativos à Revelação de Deus, é chegada a hora de falarmos sobre a “resposta do homem a Deus” [1]. Com esta expressão, o Catecismo nos convida a tomar consciência de que precisamos deixar nossa passividade para darmos uma resposta concreta ao Senhor, que nos convida à comunhão com Ele. “A resposta adequada a este convite é a fé” [2].

Entretanto, é fácil perceber que o homem, e aqui estamos todos incluídos, constantemente deixa Deus esperando. São Cláudio de la Colombière definia o Sagrado Coração de Cristo como um “Coração que ama e não é amado”. Se o homem, que ama de maneira limitada, já se entristece quando é ignorado, imaginemos quão grande não deve ser a dor deste Coração, que ama infinitamente, quando recebe apenas nossa indiferença! Para oferecer a Deus que nos busca a “resposta adequada”, não existe outro caminho: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus […]” (Hb 11, 6).

Mas no que consiste nossa fé? Qual é a sua substância? Mais do que um conjunto de regras e ideias, a fé cristã se constitui de um acontecimento que se realiza de maneira plena na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma explicação melhor pode ser conseguida através do Papa Bento XVI que, enquanto ainda era cardeal, explicou que a nossa fé:

“Consiste em considerarmos Cristo como Filho vivo de Deus, que se fez carne, que se fez Homem; que a partir dele acreditamos em Deus, no Deus trino, Criador do céu e da terra; que acreditemos que esse Deus se debruça, por assim dizer, de tal forma, que pode fazer-se tão pequeno, que se preocupa com o Homem e fez História com o Homem, e que o receptáculo dessa História, o lugar de expressão privilegiado, é a Igreja” [3].

Essa fé, para ser vivida integralmente, pressupõe um contato com Deus que fundamente nossa vida espiritual. Não basta falar de Cristo. É preciso tomar contato com Deus que entra na história do mundo e na história pessoal de cada um. É preciso se ligar existencialmente a Ele na pessoa de Cristo. E isto “requer, por parte do homem, uma decisão de escolha consciente e a orientação da sua vontade para Cristo, como fim último e valor supremo” [4]. A fé é plena quando o homem submete toda a sua inteligência e sua vontade a Deus [5].

Na atualidade, a submissão total a Deus soa não apenas como algo difícil, mas até mesmo escandaloso. Com a modernidade vimos crescer a ideia de que o progresso mental está “relacionado ao rompimento de laços, à abolição de fronteiras, à rejeição de dogmas” [6]. Esse movimento não conseguiu destruir a fé, que está gravada no mais profundo do coração do homem, mas acabou por diminuir sua importância. A ideia de que a fé, a crença, os dogmas, impedem o progresso mental não é verdadeira. Conforme expressou o grande filósofo G. K. Chesterton:

“Ao abandonar doutrina após doutrina, num refinado ceticismo, ao recusar a filiar-se a um sistema, ao dizer que superou definições, ao dizer que duvida da finalidade, quando na própria imaginação, senta-se como Deus, não professando nenhum credo, mas contemplando todos, então está, por intermédio do mesmo processo, imergindo lentamente na indistinção dos animais errantes e da inconsciência da grama. Árvores não têm dogmas. Nabos são particularmente tolerantes” [7].

O que Chesterton previa no início do século XX, é facilmente constatável no presente. A rejeição da fé, e também dos valores, tem levado os homens a se parecer cada vez menos com homens. O mundo está cada vez mais desumano. E as promessas de progresso e felicidade deram lugar à intensificação dos problemas sociais e ao crescimento da tristeza.

Se não queremos tomar lugar nessa viagem rumo à desumanização e à tristeza, precisamos deixar crescer em nós a fé, que se dá na submissão à vontade de Deus. É fato que, devido ao nosso pecado, isso deve acontecer em meio ao sofrimento. Entretanto, se tivermos coragem de lutar poderemos perceber que “a fé dá alegria” [8]. Não essa alegria falsa e passageira que o homem moderno busca como um cão busca as migalhas que caem da mesa. Mas a alegria verdadeira e plena que brota do Coração de amoroso de Deus.

Que a exemplo da Santíssima Virgem Maria, saibamos dizer sim a Deus na certeza de que Ele nos cumulará de graças. “[…] pois quem dele se aproxima deve crer que ele existe e recompensa os que o procuram” (Hb 11, 6).

 

 

[1] Título do capítulo III da primeira seção do Catecismo.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 142.

[3] RATZINGER, J. O Sal da terra: o Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milênio. Um diálogo com Peter Seewald. Rio de janeiro: Imago, 2005, p.17.

[4] DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 41.

[5] CEC, n. 143.

[6] CHESTERTON, G. K. Hereges. São Paulo: Ecclesiae, 2011, p. 257.

[7] Idem, p. 258.

[8] RATZINGER, J. O Sal da terra, p. 23.