Olá, amigos do CommunioSCJ. Que alegria reencontrá-los para estudarmos a nossa fé.

“O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu” (1Cor 2,9). Partindo deste versículo, misto de mistério e esperança, nos voltamos para o Céu, o Paraíso, sonho de Deus para cada um de seus filhos.

Conforme vimos anteriormente, o Céu é um dos caminhos que a alma humana pode tomar após esta vida. Mais do que um caminho, ele é o caminho desejado e querido por Deus para cada homem e mulher. O Céu é o fim daqueles que, livres, decidem-se pelo Senhor; dos que escolhem a “melhor parte” (cf. Lc 10,42) e permanecerão com Deus por toda a Eternidade. Como nos ensina o Catecismo, “os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo” [1].

O Céu, todavia, representa uma nova forma de viver com o Senhor. Se neste mundo nós só enxergamos a Deus pelo reflexo da sua Graça no mundo, nos irmãos ou na Igreja, no Céu nós O “veremos face a face” (1Cor 13,12). Se neste mundo começamos a nos unir a Cristo em seu Corpo Místico, é no Céu que estaremos plenamente incorporados a Ele.

A alma que alcança o Paraíso se une a Cristo sem perder sua identidade. Vive uma unidade profunda que não está baseada na solidão, mas na comunhão. E como Cristo é comunhão com o Pai e o Espírito Santo, o Céu é também comunhão perfeita com a Santíssima Trindade. E sendo a Santíssima Trindade perfeita e gloriosa, a alma que se encontra ligada a Ela não pode mais conhecer o pecado, a tristeza, a falta de amor, a solidão e tantas outras misérias a que foi submetida após o pecado original. E essa alma pura, unida ao Único Deus como todas as outras, experimenta também um comunhão perfeita com a Santíssima Virgem, com all saints icontodos os anjos e santos, com todos os parentes e amigos.

Essa comunhão perfeita é o enorme dom que Deus tem a oferecer a cada filho. Ela é o convite mais profundo que Deus faz a cada ser humano. Convite que o homem, livre, pode recusar, mas que está inserido no mais profundo de sua alma. Trata-se daquela sede, daquele desejo que muitas vezes não se sabe de quê, mas que existe em cada homem e mulher. E se algo é desejado, é porque existe. Como no caso dos animais, que encontram na natureza as respostas para todos os seus desejos, a resposta para o anseio mais profundo do ser humano também existe: “O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado felicidade suprema e definitiva” [2].

Assim, a existência do Céu é uma verdade de fé que a Igreja não cansa de anunciar. Pois são muitos os homens que, sem ajuda, procuram a felicidade definitiva nos prazeres deste mundo sem perceber que anseiam algo que transcende esta realidade visível. Chesterton dizia que em cada homem que bate na porta de um prostíbulo existe um coração à procura de Deus. Isso é verdade para todo pecado: buscando a felicidade, erra-se o alvo, cai-se no vazio existencial.

Sem uma direção, o homem definha, fica imoral, pequeno. Tentando salvar-se cai no desespero. Foi o que percebeu o psicólogo Viktor Frankl durante sua estadia nos campos de concentração do nazismo: somente os homens que vislumbravam um sentido para sua vida, mantinham sua dignidade em meio àquele horror. “O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido”, dizia Frankl. Para nós que somos cristãos, esse sentido é a união com Cristo no Céu. Só a contemplação constante desta realidade pode nos fazer suportar as dificuldades e nos dar força para caminhar ruma a felicidade plena. Que as seguintes palavras de São João Bosco nos ajudem alcançar nossa Meta:

“Coragem, pois, meu filho; neste mundo você terá que sofrer, mas não importa: o prêmio que receberá na Eternidade compensará infinitamente todos os sofrimentos. Que consolação não será a sua, quando se encontrar no Céu na companhia dos parentes, dos amigos, dos Santos, dos bem aventurados e exclamar ‘Estaremos para sempre com o Senhor’ (1Ts 4,17). Então será a hora que abençoará o momento em que abandonou o pecado, que fez aquela boa Confissão e sempre buscou os Sacramentos; lembrará do dia em que deixou os maus companheiros e se entregou a uma vida virtuosa. E cheio de gratidão volverá para Deus e cantará seus louvores e sua glória por todos os séculos. Assim seja” [3].

Uma ótima semana.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 1023.

[2] CEC, n. 1024.

[3] São João Bosco, O Cristão Bem Formado. Campinas (SP): Ecclesiae, 2010, p. 63.

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