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“ONDE ESTÁ CRISTO JESUS, AÍ ESTÁ A IGREJA CATÓLICA” (Santo Inácio de Antioquia) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos. Sejam novamente bem vindos a este espaço de aprofundamento de nossa fé. O CommunioSCJ os acolhe com muita alegria.

Estamos terminando nosso estudo sobre as notas da Igreja de Cristo, ou seja, as características que permitem identifica-la. Amparados pelo Catecismo, já vimos extensamente que essa Igreja é Una e Santa. Entretanto, essas duas importantes notas são insuficientes para uma descrição completa. Para uma visão mais acurada, precisamos saber que a Igreja deixada por Cristo é ainda Católica e Apostólica. E qualquer semelhança entre essas qualidades e a designação de sua Igreja não é mera coincidência.

Católico, do grego katholikos, significa universal. Desta forma, dizer que a Igreja é Católica equivale a dizer que ela possui a totalidade da fé, que ela mantém e respeita todas as verdades da fé deixadas por Jesus Cristo. E isso não só porque ela ainda guarda a fé legada aos apóstolos, mas também porque ela é o próprio Corpo de Cristo (Cf. Cl 1,18), que a sustenta e a guarda “todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20) com a ajuda do Espírito Santo.

Apostólico designa aquilo que vem dos apóstolos, os verdadeiros “embaixadores de Cristo” (2 Cor 5,20). A Igreja é Apostólica por ser construída sobre “o alicerce dos apóstolos” (Ef 2,20), sobre o ensinamento que saiu de suas bocas. Mais ainda: é apostólica por continuar a ser “dirigida pelos apóstolos, até a volta de Cristo, graças aos que a eles sucedem” [1], quer dizer, os bispos unidos ao sucessor de São Pedro, o chefe do colégio apostólico, que nos dias atuais atende pelo nome Francisco.

Católica e apostólica são, de fato, qualidades que se complementam. Pois quem abraça a fé dos apóstolos abraça a fé inteira, isto é, a fé católica. Santo Ireneu, discípulo de São Policarpo, discípulo do próprio apóstolo São João, dizia já no segundo século da era cristã que a fé das igrejas apostólicas é que devia ser “considerada autêntica, pois contém o que tais igrejas receberam dos apóstolos, os apóstolos de Cristo, e Cristo de Deus” [2]. O santo atestava assim aquilo que o próprio Senhor Jesus havia dito aos apóstolos: “Quem vos recebe, é a mim que está recebendo” (Mt 10,40).

Usando da lógica, é fácil percebermos que para que uma Igreja seja apostólica, e Ícone - Pentecost (586 ad)consequentemente católica, ela precisa datar da época dos apóstolos. Essa Igreja não tem apenas a qualidade de ser católica, mas também tem essa palavra em seu nome. De fato, Santo Inácio de Antioquia, bispo martirizado no ano 107, já dizia no primeiro século da era cristã que “Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica”. E para que tenhamos clareza, é importante saber que as Igrejas que frequentamos são “plenamente católicas pela comunhão com uma delas: a Igreja de Roma” [3]. É na Igreja de Roma que encontramos Francisco, 267º Papa de uma linha ininterrupta que tem origem com São Pedro.

Pode ser que anunciar a verdade da Igreja Católica nesse mundo moderno tão plural e relativista pareça insensatez. No entanto, esta tarefa ganha importância quando nos recordamos o ensinamento do Concílio Vaticano II sobre ela:

“Em primeiro lugar o Santo Sínodo volta seu pensamento aos fiéis católicos. Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e o caminho da salvação é Cristo, que se torna presente no Seu corpo, que é a Igreja” [4].

Essa afirmação tão recente da história da Igreja não significa de modo algum que apenas os fiéis católicos serão salvos, já que o mesmo Concílio afirma que “Todos os homens, pois, são chamados a esta católica unidade do povo de Deus” [5]. Certamente aqueles que por algum motivo ignoram nesta terra a presença de Cristo na Igreja Católica, podem certamente ser incorporados a ela nos Céus.

A beleza dessa afirmação está no fato de ensinar-nos que ao fundar uma Igreja, o que Nosso Senhor Jesus Cristo queria era legar ao mundo um instrumento de salvação para toda a humanidade, mesmo que grande parte dele o desconheça. Para isso a Igreja foi sonhada: para conferir a salvação a todos os que a aceitarem, seja nessa vida, ou diante de Deus, após a morte.

Quanto a nós, que tivemos a graça sermos batizados na Igreja de Cristo, agradeçamos a Deus pelo seu imenso amor que nos legou esse grandioso e precioso dom que é a Igreja. Dando valor à obra de salvação, reconheçamos com a Igreja que “Deus pode, por caminhos dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa ignoram o Evangelho” [6]. Mas reconheçamos igualmente que “há uma única Igreja, exatamente como há um único universo; e nenhum homem sábio perambulará por aí procurando outra” [7].

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós para que estejamos cada vez mais unidos ao corpo de Cristo, para quer sejamos cada dia mais Igreja.

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 857.

[2] Aquino, F. A Minha Igreja. Lorena: Cléofas, 2002, 3ª edição, p. 96.

[3] CEC, n. 834.

[4] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 14.

[5] LG, n. 13.

[6] CEC, n. 849.

[7] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 63.

A IGREJA É APOSTÓLICA! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Então chegamos à quarta atribuição da Igreja que, conforme já refletimos, é una, santa, católica e apostólica.

Ela é apostólica, pois é fundada e construída sobre o alicerce dos Apóstolos, testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo. Guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas deles, e continua a ser ensinada, santificada e dirigida por eles até o regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja [1].

Jesus escolheu os que Ele quis para segui-lo e continuar a missão de “ir e pregar ao mundo inteiro”. Cristo não escolheu os mais habilitados para a função de apóstolo, pelo contrário, escolheu Pedro e Tiago, os “filhos do trovão”, chamou Mateus, o cobrador de impostos, Judas Iscariotes, que o traiu, Tomé que só acreditou na Ressurreição do Mestre quando pôde tocar suas feridas, mas foi quem primeiro proclamou que Jesus era Deus, dizendo “Meu Senhor e meu Deus”, Saulo de Tarso, que passou de perseguidor dos cristãos a cristão, tornando-se Paulo. Pedro o negou três vezes, e ainda assim Jesus fez dele a pedra fundamental da sua Igreja.

Vendo esses homens que Jesus escolheu, nós vemos o quanto Deus acredita na humanidade. Se pudéssemos comparar o chamado de Jesus com uma entrevista de emprego, com certeza esses homens não teriam passado nem pela porta. Mas o Senhor enxergou neles, algo que os olhos humanos não poderiam ver. Viu algo especial que o Pai havia colocado em cada um deles, uma semente de possibilidades. Jesus acreditou neles e não foi decepcionado. Eles o abandonaram, o negaram, o traíram, e ainda assim, confiou-lhes o futuro da Igreja.

Quanta alegria para nós católicos saber que fomos precedidos por homens que, Ícone - 12 Apóstolosapesar do pecado, souberam olhar para frente, não se prenderam ao passado, ao contrário de Judas que, após ter traído Jesus, não conseguiu substituir sua culpa pelo arrependimento, não confiou na misericórdia de Deus e, segundo a tradição, deu fim à sua própria vida.

Difícil cogitar a ideia de ser cristão e não respeitar os desígnios do próprio Cristo que transmitiu aos apóstolos os fundamentos de sua Igreja e não seguir a Tradição Apostólica. O Senhor os tornou os doze alicerces da Igreja, foram eles os responsáveis por pregar sobre as Escrituras, por levar ao povo o conhecimento sobre a vida de Jesus enquanto ainda nem tinha sido escrito o Evangelho. Ele confiou aos seus discípulos a propagação da fé e de seus ensinamentos, e eles, por sua vez, também transmitiram aos seus sucessores, os bispos, para que a fé não morresse com eles e para chegar integralmente a nós mesmo após dois mil anos.

Todos os membros da Igreja são vocacionados ao apostolado e enviados a evangelizar, mas muitos estão acomodados, “mornos”, perderam o ardor missionário que impulsiona o católico a cumprir sua missão. Papa Francisco nos lembra em uma de suas homilias do zelo apostólico, daquele fruto do conhecimento de Jesus, do encontro pessoal com Ele, daquele ardor que incomoda e não se acomoda. Daquele ardor que inspira as pessoas a darem a vida por Cristo, que faz com que se saia do lugar tranquilo, uma certa loucura espiritual, como a de Paulo, capaz de incomodar onde as coisas estão tranquilas demais e levar Jesus aonde mais precisam dele, não sendo preciso ir para outras cidades, mas ir a lugares muito próximos onde mais precisam Dele [2].

“Hoje, peçamos ao Espírito Santo que nos dê este fervor apostólico e a graça de incomodar as coisas que são tranquilas demais na Igreja; a graça de irmos às periferias existenciais não só nas terras distantes, mas aqui nas cidades, onde é necessário o anúncio de Jesus Cristo. E se perturbarmos, bendito seja o Senhor. Como disse o Senhor a Paulo: ‘coragem!’” [3].

 

 

CEC 857-870.

[1] CEC 857.

[2] Papa Francisco. “Igreja precisa de zelo apostólico, não de cristãos de salão”, disponível em: <http://www.news.va/pt/news/papa-igreja-precisa-de-zelo-apostolico-nao-de-cris>.

[3] Idem.