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“ONDE ESTÁ CRISTO JESUS, AÍ ESTÁ A IGREJA CATÓLICA” (Santo Inácio de Antioquia) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos. Sejam novamente bem vindos a este espaço de aprofundamento de nossa fé. O CommunioSCJ os acolhe com muita alegria.

Estamos terminando nosso estudo sobre as notas da Igreja de Cristo, ou seja, as características que permitem identifica-la. Amparados pelo Catecismo, já vimos extensamente que essa Igreja é Una e Santa. Entretanto, essas duas importantes notas são insuficientes para uma descrição completa. Para uma visão mais acurada, precisamos saber que a Igreja deixada por Cristo é ainda Católica e Apostólica. E qualquer semelhança entre essas qualidades e a designação de sua Igreja não é mera coincidência.

Católico, do grego katholikos, significa universal. Desta forma, dizer que a Igreja é Católica equivale a dizer que ela possui a totalidade da fé, que ela mantém e respeita todas as verdades da fé deixadas por Jesus Cristo. E isso não só porque ela ainda guarda a fé legada aos apóstolos, mas também porque ela é o próprio Corpo de Cristo (Cf. Cl 1,18), que a sustenta e a guarda “todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20) com a ajuda do Espírito Santo.

Apostólico designa aquilo que vem dos apóstolos, os verdadeiros “embaixadores de Cristo” (2 Cor 5,20). A Igreja é Apostólica por ser construída sobre “o alicerce dos apóstolos” (Ef 2,20), sobre o ensinamento que saiu de suas bocas. Mais ainda: é apostólica por continuar a ser “dirigida pelos apóstolos, até a volta de Cristo, graças aos que a eles sucedem” [1], quer dizer, os bispos unidos ao sucessor de São Pedro, o chefe do colégio apostólico, que nos dias atuais atende pelo nome Francisco.

Católica e apostólica são, de fato, qualidades que se complementam. Pois quem abraça a fé dos apóstolos abraça a fé inteira, isto é, a fé católica. Santo Ireneu, discípulo de São Policarpo, discípulo do próprio apóstolo São João, dizia já no segundo século da era cristã que a fé das igrejas apostólicas é que devia ser “considerada autêntica, pois contém o que tais igrejas receberam dos apóstolos, os apóstolos de Cristo, e Cristo de Deus” [2]. O santo atestava assim aquilo que o próprio Senhor Jesus havia dito aos apóstolos: “Quem vos recebe, é a mim que está recebendo” (Mt 10,40).

Usando da lógica, é fácil percebermos que para que uma Igreja seja apostólica, e Ícone - Pentecost (586 ad)consequentemente católica, ela precisa datar da época dos apóstolos. Essa Igreja não tem apenas a qualidade de ser católica, mas também tem essa palavra em seu nome. De fato, Santo Inácio de Antioquia, bispo martirizado no ano 107, já dizia no primeiro século da era cristã que “Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica”. E para que tenhamos clareza, é importante saber que as Igrejas que frequentamos são “plenamente católicas pela comunhão com uma delas: a Igreja de Roma” [3]. É na Igreja de Roma que encontramos Francisco, 267º Papa de uma linha ininterrupta que tem origem com São Pedro.

Pode ser que anunciar a verdade da Igreja Católica nesse mundo moderno tão plural e relativista pareça insensatez. No entanto, esta tarefa ganha importância quando nos recordamos o ensinamento do Concílio Vaticano II sobre ela:

“Em primeiro lugar o Santo Sínodo volta seu pensamento aos fiéis católicos. Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e o caminho da salvação é Cristo, que se torna presente no Seu corpo, que é a Igreja” [4].

Essa afirmação tão recente da história da Igreja não significa de modo algum que apenas os fiéis católicos serão salvos, já que o mesmo Concílio afirma que “Todos os homens, pois, são chamados a esta católica unidade do povo de Deus” [5]. Certamente aqueles que por algum motivo ignoram nesta terra a presença de Cristo na Igreja Católica, podem certamente ser incorporados a ela nos Céus.

A beleza dessa afirmação está no fato de ensinar-nos que ao fundar uma Igreja, o que Nosso Senhor Jesus Cristo queria era legar ao mundo um instrumento de salvação para toda a humanidade, mesmo que grande parte dele o desconheça. Para isso a Igreja foi sonhada: para conferir a salvação a todos os que a aceitarem, seja nessa vida, ou diante de Deus, após a morte.

Quanto a nós, que tivemos a graça sermos batizados na Igreja de Cristo, agradeçamos a Deus pelo seu imenso amor que nos legou esse grandioso e precioso dom que é a Igreja. Dando valor à obra de salvação, reconheçamos com a Igreja que “Deus pode, por caminhos dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa ignoram o Evangelho” [6]. Mas reconheçamos igualmente que “há uma única Igreja, exatamente como há um único universo; e nenhum homem sábio perambulará por aí procurando outra” [7].

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós para que estejamos cada vez mais unidos ao corpo de Cristo, para quer sejamos cada dia mais Igreja.

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 857.

[2] Aquino, F. A Minha Igreja. Lorena: Cléofas, 2002, 3ª edição, p. 96.

[3] CEC, n. 834.

[4] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 14.

[5] LG, n. 13.

[6] CEC, n. 849.

[7] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 63.

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O CAMINHO DA IGREJA ESTÁ CADA VEZ MAIS ESTREITO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, meu querido amigo, como é bom recebê-lo mais uma vez em nosso blog. Continuando a reflexão sobre os atributos da Igreja, hoje falaremos sobre a catolicidade dela.

“O termo ‘católico’ significa universal no sentido de ‘segundo a totalidade’ ou ‘segundo a integralidade’. A Igreja é católica porque Cristo está nela, onde subsiste a plenitude do Corpo de Cristo junto à sua Cabeça, o que implica que ela recebe de Jesus a ‘plenitude dos meios de salvação’ que ele quis: confissão de fé correta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica” [1].

Para manterem a unidade, todas as igrejas, devem ser conformes a uma só Igreja, situada em Roma, única base e fundamento de todas elas, visto que segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela [2].

E ainda, a Igreja é católica (universal), porque é chamada a evangelizar, a reunir os que estão dispersos no mundo, congregando ao Povo de Deus os que ainda não conhecem o nome de Jesus Cristo. A Igreja não deve fechar-se em si mesma, deve “ir ao povo”, como dizia Padre Dehon, fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus.

É missão primordial do Catolicismo, para defender sua unidade, evangelizar, espalhar pelo mundo o ardor missionário, reafirmar os mandamentos de Cristo neste mundo, ser exemplo de vida para essa sociedade que está perdendo as referências do que é correto e do que não é.

Os belos discursos comovem num primeiro momento, mas se não for acompanhado de testemunho, as palavras são vazias. O mundo não quer mais belas palavras, Ícone - Mariaele precisa ver as obras, a boca deve falar do que o coração está cheio, deve falar de uma experiência pessoal e verdadeira com Cristo, e da conformidade de vida com a vida dele. Para isso, os cristãos devem voltar seus olhos para as origens do Cristianismo, quando o testemunho dos mártires que derramaram seu sangue era semente de novos cristãos, como afirmava Tertuliano [3].

Há países onde ainda se morre por ser cristão, onde os católicos precisam se encontrar às escondidas para comungar a Palavra, onde a Eucaristia é celebrada disfarçada em meio a piqueniques, correndo o perigo dos cristãos serem presos, onde a Bíblia ou o Catecismo da Igreja só são conseguidos por meio de contrabando.

Devemos ser solidários em oração a essa Igreja perseguida, à coragem destes fieis que amam Cristo acima de tudo, nem que isso custe a vida, sem se importar com os riscos. Essa realidade precisa nos fazer rever a nossa pertença a Igreja de Jesus. Será que realmente estamos assumindo o nome de cristão e vivendo como Cristo viveria? Até que ponto nós conhecemos e defendemos a postura da Igreja Católica que também deve ser a nossa?

No Brasil, por enquanto, ainda temos a liberdade de religião, ainda podemos dizer livremente nossa opinião sem sermos presos, porém, isso custa, a ridicularização e a exclusão, que, segundo o Papa Emérito Bento XVI, é o martírio deste século.

O caminho está cada vez mais estreito. O Senhor quer de nós, cada vez mais, uma posição. Ficar em cima do muro, já é estar do lado contrário a Ele. Quanto vale para nós, o sangue e o sofrimento de Jesus na cruz? Mais ou menos do que as zombarias ou indiferenças dos que não o conhecem? A escolha é nossa, mas cuidado, o Senhor está vendo. Vamos preferir nos omitir ou dizer no fim da vida, como Paulo disse: “Combati um bom combate […] resta-me receber a minha coroa da justiça” [4].

Boa semana a todos!

 

 

CEC 830-856.

[1] CEC 830.

[2] CEC 834.

[3] A infelicidade de alguém que viveu apaixonadamente pelo Cristo sem humildade, Pe. Daniel Antônio de Carvalho Ribeiro, disponível em:

<https://communioscj.wordpress.com/2011/05/24/tertuliano-a-infelicidade-de-alguem-que-viveu-apaixonadamente-pelo-cristo-sem-humildade-por-diacono-daniel-antonio-de-carvalho-ribeiro-scj/>.

[4] 2Tm 4,7-8.

A IGREJA É O SINAL DE CRISTO NO MUNDO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom poder contar novamente com você em nosso blog, para que juntos, refletindo sobre a fé que professamos, possamos difundir o que a Igreja acredita e Ícone - Virgem Mariadefende em meio às tribulações do mundo na qual está inserida.

Lembrando um pouco do último texto, recordemos as atribuições que a Igreja recebe junto de sua missão: ela é una, santa, católica e apostólica. Hoje refletiremos sobre a condição santa da Igreja, que não é concedida por Deus pelo seu mérito, mas por sua condição de amada esposa de Jesus.

Quando um homem desposa uma mulher, Santa Teresa de Jesus (ícone moderno)nada mais normal do que ele dar-lhe seu sobrenome e assumi-la por inteiro, fazendo dela parte de si mesmo. Jesus, sendo o “verdadeiro e único santo”, unindo-se à Igreja, dá a ela o Espírito Santo com a finalidade de também santificá-la e fazer dela santificadora. Ela é santa enquanto faz parte de Jesus e Jesus dela, enquanto conta com a graça do Espírito Santo e a proteção de Deus, mas também é pecadora, enquanto conduzida por mãos humanas.

O pecado afasta o homem de Deus, mas também demonstra o quanto o homem é amado por Deus. Pois, em sua infinita misericórdia, Ele acolhe de volta os pecadores arrependidos, oferece-lhes, através da Igreja e dos padres, o sacramento da Confissão, dá-lhes a chance de recomeçar, de reestabelecer a ligação de amor com o Senhor, retomando o caminho para a santidade. Ser santo não é nunca ter pecado, mas sim reconhecer que se é falho, que se precisa ser perdoado e também perdoar a si mesmo e aos outros.

O cristão precisa ter como meta principal de sua vida amar como Jesus amou, pois Ícone grego - Jean dela Croix é o amor que dá força para se realizar o que ninguém considera possível. O amor não torna nada mais fácil, porém, em meio às piores e mais difíceis tribulações é ele que ajuda a suportar. Se não fosse o amor, quem teria morrido para se tornar mártir? Santa Teresa D’Ávila teria suportado todas as humilhações que suportou em sua reforma no Carmelo, se não por amor? E os anos de prisão de São João da Cruz? Santa Teresinha teria suportado tantas dores em sua vida e louvado a Deus mesmo assim? Ela teria prometido jamais descansar no céu enquanto todas as almas não fossem salvas? E Madre Tereza de Calcutá cuidaria das feridas dos leprosos, se não por amor?

Temos tantos exemplos para seguir. A santidade está embutida na alma da Igreja e é expressa na sua capacidade de amar, de se doar ao outro, de mostrar quem é Jesus não por palavras, mas pelo testemunho do que esse Jesus faz na vida de cada um.

Quão difícil é ser santo nos dias de hoje, onde reina o relativismo, a paixão Ícone - Santa Teresinhadescartável (se é que se pode chamar de amor), a busca do prazer sem limites, o consumismo, a desvalorização da vida, o “esfarelamento” das famílias, a corrupção. Tudo isso tem sido considerado tão normal, enquanto a Igreja é taxada de antiquada por manter firme a posição contrária a tudo isso. Ser santo é fazer a vontade de Deus em qualquer circunstância e a Igreja vai manter-se firme quanto a isso, pois é sinal de Cristo para o mundo, e assim como Ele, muitas vezes, será sinal de contradição. Ela não se deixa contaminar pelo que o mundo prega. Como podem querer que a Igreja conforme seus valores aos valores deste mundo sabendo que o príncipe deste mundo é o inimigo de Deus?

A Igreja aponta o caminho para se chegar ao verdadeiro Reino de paz e de justiça Santo Agostinho de Hiponae este não é aqui [1]. Para isso, conta com o exemplo daqueles que já deram certo, daqueles que foram fieis seguidores da Palavra de Deus, que viram em Jesus o verdadeiro sentido e que, não pouparam suas vidas, defendendo bravamente a fé cristã e hoje são lembrados pela Igreja para suscitar em nós a esperança. Os santos são setas que nos apontam o caminho para onde devemos ir, se quisermos chegar aonde eles já chegaram.

Alguns não foram santos a vida toda, como Santo Agostinho que se converteu depois dos trinta anos por meio de muitas orações de sua mãe. Apesar de pecador, ele fez a experiência de se olhar com o mesmo amor que Deus o olhava. A santidade não significa que não vamos errar, mas sim que conhecemos o caminho de volta, por isso, não podemos nos prender no passado como o inimigo de Deus quer que façamos, mas precisamos olhar para frente sem nos prender em nossas culpas. Deus quer nos dar a liberdade para cumprirmos no mundo a missão de ser “luz” [2].

Imagine uma noite muito escura com alguns pontos brilhantes no céu. Retire agora esses pontos, só resta escuridão. Esta escuridão só não domina o mundo porque estamos aqui, somos a Igreja e estamos dispostos a ser as estrelas no céu e assim como a Estrela de Belém levou os Reis Magos a Jesus, nós também devemos fazer o mesmo às outras pessoas.

Sabemos que a santidade não é um caminho fácil, mas vale cada gota de suor, sangue e lágrimas derramados no caminho que leva a Nosso Senhor Jesus Cristo, onde só a luz eterna reinará.

Um abraço a todos!

Até semana que vem.

 

 

CEC 823-829.

[1] Jo 18,36.

[2] Mt 5,14.

“INDEFECTIVELMENTE SANTA” (CEC, n. 823) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos. Sejam mais uma vez bem vindos a este espaço de divulgação da nossa fé.

As ruas do país estão agitadas. Com os olhos atentos aos noticiários assistimos ao compreensível e justo sentimento de indignação da população brasileira. E embora o despertar da população esteja sendo esperado há muito tempo, precisamos ficar atentos ao perigo deste momento: o de que esse movimento social venha a servir de combustível para ideais revolucionários, tão contrários à nossa fé como o próprio demônio.

Em muitos lugares os gritos de guerra, cartazes e reivindicações deixam entrever o vazio moral em que se encontra o nosso país: uma multidão é capaz de se lançar em marcha por 20 centavos e outros interesses materiais (muitos deles justos, é verdade), mas não se sensibiliza com as milhares de crianças abortadas (assassinadas), com o ataque do governo aos valores cristãos e à família ou ao cerceamento do nosso direito de educar nossos filhos segundo nossas próprias concepções de mundo.

Muitas pessoas, certamente a maior parte delas boas e bem intencionadas, não percebem, mas seus gritos por justiça podem muito bem servir para justificar um aumento de poder por parte do Estado. Esperamos em Deus que esse movimento contrário a algo que não sabemos bem o que, não acabe dando mais força ao Estado e comprometendo ainda mais a nossa liberdade [1].

Aqui no CommunioSCJ, entretanto, não há simpatia por revoluções, não importa de que tipo sejam. Assim, seguimos como planejado a nossa programação de estudos do Catecismo para esse Ano da Fé, proclamado pelo Papa Emérito Bento XVI. Estamos refletindo sobre as chamadas notas da Igreja, isto é, as qualidades que permitem reconhecer a Igreja de Cristo. Depois de refletirmos como a Igreja á Una, Ícone de Nossa Senhorachegamos ao momento de entender porque podemos dizer que “A Igreja… é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa” [2].

Certamente, para muitas pessoas, inclusive católicas, acreditar ainda hoje na santidade da Igreja parece uma insensatez. Basta citar essa característica básica da Igreja de Cristo para que muito comecem a vomitar pecados e erros do passado. Deixando de lado a discussão acerca da validade de algumas das informações tão amplamente difundidas, pode-se afirmar que as pessoas que se agitam e enfurecem frente à menção dessa característica da Igreja provavelmente não entendem o que ela quer dizer.

Quando se afirma que a Igreja é santa, não se pretende de modo algum sustentar que os membros da Igreja não pequem. É simplesmente óbvio e notório que tanto os leigos quanto o clero (esses mais do que gostaríamos) pecam. Entretanto, é preciso ter clareza que os pecados cometidos não pertencem à Igreja, mas sim aos seus membros. Como já discutimos, a Igreja é muito maior que os seus membros visíveis, ela é “maior que qualquer coisa no mundo; […] é realmente maior que o mundo” [3]. Critica a santidade da Igreja quem tão uma visão limitada da Igreja, isto é, quem não entende que ela é o Corpo Místico de Jesus e que, “unida a Cristo, é santificada por Ele” [4]. Também são santos a Virgem Maria, as almas dos Céus e todos os anjos. E eles também são Igreja.

Quanto aos membros da Igreja nessa terra, podemos dizer que eles são Igreja à medida que se livram do pecado, pois cada ato pecaminoso é um passo para fora da Igreja. Não é exagero dizer que um cristão só é plenamente Igreja no Céu. Aqui nesse mundo, sua vida é uma luta para alcançar essa união perfeita com Cristo, à qual chamamos santidade. Por isso a Igreja, embora seja santa, é nesta terra um lugar de acolhida dos pecadores: “É nela que adquirimos a santidade pela graça de Deus” [5].

Se a Igreja é santa, devemos nós também buscar a santidade. Foi o que Jesus pediu: “Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Mais recentemente, foi também o pedido do Papa Emérito Bento XVI à juventude: “Queridos jovens, Jesus vos chama a ser santos”. Somos pecadores, mas não podemos conviver pacificamente com essa realidade. Como membros da Igreja santa de Cristo, somos impelidos a buscar a perfeição que advém pela Graça de Deus, perfeição que se manifesta, sobretudo na virtude da Caridade, isto é, do amor.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós e pelo nosso país. Que possam acontecer as mudanças necessárias em nossas almas e na política nacional. Mas que sejam as mudanças desejadas por Deus, que conduzam a uma maior liberdade e a uma sociedade que ame mais.

Deus abençoe a todos. Deus abençoe o Brasil!

 

 

[1] Para uma visão católica sobre as manifestações, recomendamos o vídeo do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/as-manifestacoes-no-brasil>.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 823.

[3] p. 71 do Todos os caminhos levam à roma

[4] CEC, n. 824.

[5] Ibidem.

A UNIDADE DA IGREJA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Mais uma vez refletimos sobre a nossa amada Igreja Católica, hoje, sobre os atributos que ela recebe junto da missão confiada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa Igreja é una, santa, católica e apostólica e cada uma dessas qualidades nos remete ao seu fundador, Jesus Cristo. Ela é una, assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um.

Assim como a Santíssima Trindade, Jesus também assumiu sua Igreja em Si como uma só pessoa, da qual Ele é a cabeça, a Igreja seu corpo e nós os seus membros, realizando o desejo de Deus que constituíssemos aqui na terra a comunhão que nos é reservada no céu. Por sua cruz, Jesus reúne o Povo de Deus, estabelecendo a união de todos em um só povo [1], um vínculo que nem a morte é capaz de romper, assim diz o Credo, quando fala da Comunhão dos Santos. Por isso nós, que ainda caminhamos neste mundo, podemos contar com a intercessão daqueles que já se encontram ao lado de Jesus na vida eterna.

Os membros da Igreja não são perfeitos, e quando caem no erro, o Espírito Santo com seus dons suscita pessoas capazes de reconduzi-los para o caminho da santidade. São João da Cruz, Santa Tereza D’Ávila, São Francisco de Assis, enfim, tantos santos, iluminados pela presença do Espírito ajudaram e ajudam tantos a enxergar seu erro e retornar ao ponto essencial da fé, a cruz de Cristo. Estas figuras extraordinárias não concordavam com as atitudes erradas presentes na Ícone - JC_02Igreja de sua época, mas não a abandonaram, a amaram ainda mais e dedicaram a própria vida para a mudança de atitude de seus membros, começando primeiro em si mesmos. Afinal, “nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo” [2].

A Igreja fundada por Cristo e edificada por Pedro é única, porém, os erros de alguns, tanto de dentro dela, quanto de fora, levou à sua divisão, surgindo, assim, as heresias, os cismas e a apostasia (CEC 1462). Esses erros culminaram no surgimento de novas denominações contendo “partes” dos ensinamentos da nossa Doutrina com as quais seus fundadores concordavam e inserindo outros, moldando-as de acordo com sua vontade e muitas vezes, não conforme os ensinamentos de Jesus.

A Igreja entende que os herdeiros destas divisões não podem ser responsabilizados por elas, pois reconhece que há elementos de Salvação também fora dos limites visíveis da Igreja Católica, pois o Espírito Santo paira em todo lugar. A Palavra de Deus, a caridade, a fé, a esperança são os sinais de que a graça de Deus se faz presente mesmo fora da nossa Igreja. Por isso, cabe a nós o diálogo ecumênico com outras denominações, acolher nossos irmãos na fé, orar para que um dia, a unidade entre todos os cristãos seja restaurada, já que com as mãos humanas não é possível, que Deus o faça com suas mãos divinas.

Respeito de todo coração todas as religiões e denominações. Porém, os Sacramentos presentes na Igreja Católica, em especial, a Confissão e a Eucaristia, me ajudam a ser melhor e me aproximam de Jesus. Pessoalmente, não conseguiria viver sem o colo de Maria, sem o exemplo dos santos, e sem a Eucaristia, nem pensar! Não me sinto só com tantos anjos e santos torcendo para darmos certo aqui na terra e um dia poder encontrá-los no céu.

Zelemos pela unidade da Igreja que começa em nós.

 

 

CEC 811- 822

[1] CEC 813.

[2] Mahatma Gandhi.

“TODOS VÓS SOIS UM SÓ, EM CRISTO JESUS” (Gl 3,28) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações a todos vocês, queridos amigos. Com muita alegria continuamos nosso caminho de aprofundamento da nossa fé.

Na semana anterior começamos a refletir sobre a Igreja deixada por Cristo. Pela nossa fé, cremos que é através dela que se realiza o plano de amor de Deus para cada um de nós: unir-nos a Ele. Inseridos na Igreja começamos a caminhar aqui na terra para a plena comunhão com o Senhor, nos Céus. Entretanto, como o Deus com o qual nos unimos não é impessoal, mas é comunhão de três Pessoas Divinas, podemos afirmar que a Igreja é simultaneamente comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Para expressar essa realidade, o Catecismo nos apresenta três grandes figuras da Igreja, cada uma salientando a relação com uma Pessoa da Trindade: ela é Povo de Deus (em relação ao Pai), é Corpo de Cristo (em relação ao Filho) e é Templo (em relação ao Espírito Santo).

A Igreja como Povo de Deus é prefigurada desde o Antigo Testamento. É um povo formado por homens e mulheres de várias épocas, culturas e etnias, mas que se diferencia de qualquer outro grupo na história. Esse povo é “gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa” (1Pd 2,9). É um povo que não tem sua identidade embasada em sua língua, cultura ou história, mas no fato de terem sido batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e crerem na salvação alcançada por Jesus Cristo.

Fazendo parte desse mesmo povo, todos nós, batizados, possuímos o mesmo Senhor que nos compromete com sua missão. A exemplo de Jesus Cristo, somos chamados a sermos uma nação de sacerdotes, profetas e reis. Sacerdotes, para Ícone da Trindadeoferecermos nossos sofrimentos e méritos ao Pai, como fez aquele que é o verdadeiro Filho. Profetas, para comunicarmos uma Verdade que não vem de nós mesmos, mas do Pai. Reis, para lutarmos contra o mal que reina na terra e para fazermos prevalecer o bem, com a ajuda do Espírito Santo.

A Igreja também é Corpo de Cristo porque é através de sua Pessoa que somos inseridos na Santíssima Trindade. Por ter encarnado no seio da Virgem, Jesus possui um Corpo no qual a humanidade pode encontrar a divindade. De fato, Ele “anuncia uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio corpo e o nosso: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele’ (Jo 6,56)” [1]. Na Eucaristia, como nenhum outro lugar na terra, somos verdadeiramente inseridos no Corpo de Cristo. Como escreveu Santo Agostinho: “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornados não somente cristãos, mas o próprio Cristo” [2].

E neste Corpo que é a Igreja nos unimos não somente a Cristo, mas a todos os seus, estejam eles na Terra, no Purgatório ou nos Céus. A ligação de cada batizado com Deus não se dá de maneira isolada: “todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28). E é o próprio Cristo, “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), que faz os membros de seu Corpo místico crescerem rumo a uma comunhão perfeita, unindo-os à sua Páscoa. Uma comunhão salvadora justamente porque nos insere em Deus sem eliminar nossa existência. Pois que salvação haveria se nos dissolvêssemos em Deus, perdendo nossa identidade? A unidade entre Cristo e sua Igreja “implica também a distinção dos dois em uma relação pessoal” [3], fato salientado quando dizemos que a Igreja é Esposa de Cristo: “os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e a Igreja” (Ef 5,31-32). Unimo-nos a Cristo da mesma forma que homem e mulher no Matrimônio. Formamos assim uma unidade de amor, resultante da comunhão de pessoas.

Finalmente, a Igreja também é Templo do Espírito Santo, já que foi quando a Terceira Pessoa da Trindade foi comunicada por Jesus que Ele “fez de seus irmãos, chamados de todos os povos, misticamente os componentes de seu próprio Corpo” [4]. Se podemos formar um só Povo e um só Corpo, é somente porque o Espírito Santo faz dos membros da Igreja “o templo do Deus vivo” (2Cor 6,16). É Ele quem nos une como Igreja, animando-nos e concedendo-nos toda sorte de carismas “em vista do bem de todos” (1Cor 12,7).

Que a reflexão dessas realidades faça aumentar o nosso amor e gratidão pela Igreja. Ajudados pela Santíssima Virgem Maria, possamos ser cada vez mais fiéis a ela.

Uma ótima semana a todos.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 787.

[2] CEC, n. 795.

[3] CEC, n. 796.

[4] CEC, n. 788.

“TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA CONSTRUIREI A MINHA IGREJA” (Mt 16,18) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos do CommunioSCJ. Sejam bem vindos.

Enquanto refletíamos, nas semanas anteriores, sobre a Pessoa Divina do Espírito Santo, pudemos perceber que sua principal missão é a de “uni-los [os homens] a Cristo e fazê-los viver nele” [1]. Convém ressaltar agora, amparados pelo Catecismo, que o local onde nos tornamos um com o Cristo é precisamente a Ícone - VideiraIgreja. Vários são os símbolos utilizados para expressar a riqueza da Igreja no Novo Testamento. Dentre eles encontra-se a figura da videira, símbolo que alude claramente para íntima união entre Cristo e os seus:

“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,4-5).

Eis o maravilhoso mistério: permanecendo em Cristo, na Igreja, Ele permanece também em nós, somos ligados por um vínculo místico. Justamente por isso, a Igreja, tão perseguida e insultada atualmente, não pode diminuir de valor aos olhos daqueles que têm fé. Ela não é instituição meramente humana: “está na história, mas ao mesmo tempo a transcende” [2]. Abarca todo o povo de Deus que vive na terra, mas também as almas dos santos, a Virgem Maria e os anjos, todos unidos a Cristo, pela ação do Espírito Santo.

A Igreja é, assim, a realização do sonho de Deus para o ser humano: que e o homem possa compartilhar de sua perfeição. Não por acaso, os primeiros cristãos ousavam afirmar que “o mundo foi criado em vista da Igreja” [3]. Quando Cristo se faz homem, Ele assim procede para cumprir o projeto de amor do Pai, inaugurando o Reino dos Céus aqui na terra. E “a Igreja é o Reino de Cristo já misteriosamente presente” [4].

A verdade de fé sobre a Igreja é tão importante que impele G. K. Chesterton, filósofo convertido ao catolicismo, a escrever que “o cristianismo não é uma Nossa Senhora Mãe da Igrejareligião, é uma Igreja” [5]. Mais bela ainda, porém, é a fórmula proposta por São Clemente de Alexandra para explicar o mistério da Igreja: “Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação e se chama Igreja” [6].

E se alguém por ventura nos perguntar que Igreja é essa, onde somos inseridos em Cristo, pela ação do Espírito Santo, para gozarmos por toda a eternidade do amor de Deus Pai? Aí poderemos dizer que é a Igreja que foi “admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito. E no fim dos tempos será gloriosamente consumada” [7]. A Igreja que o mundo começou a conhecer quando os Apóstolos saíram a pregar após o Pentecostes (cf. At 2,1-17). A Igreja fundada por Jesus, deixada aos cuidados dos Doze, chefiados por São Pedro, conforme as próprias palavras do Senhor: “Por isso eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças da morte não poderão vencê-la” (Mt 16,18).

Que a festa do Corpo de Cristo que celebramos nesta semana nos ajude a aumentar o nosso vínculo com a Igreja. Que através dessa comunhão ainda imperfeita possamos um dia, com a Graça de Deus, contemplar sua Sagrada Face em companhia da Santíssima Virgem Maria, de todos os santos e de todos os anjos.

Uma abençoada semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 690.

[2] CEC, n. 770.

[3] CEC, n. 760.

[4] CEC, n. 763.

[5] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 57.

[6] CEC, n. 760.

[7] CEC, n. 759.

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