Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, como sempre, sejam bem vindos ao nosso blog! É motivo de grande alegria, retomarmos nossas atividades neste novo ano: esperamos contribuir para a divulgação de nossa fé. E esta retomada parte justamente do ponto onde paramos em 2013: a segunda catequese sobre o amor humano (ou teologia do corpo) do Beato João Paulo II.

Na sua segunda catequese sobre o tema, o Papa bem-aventurado quer aproximar-se do “princípio” evocado por nosso Senhor na polêmica com os fariseus a respeito do matrimônio (cf. Mc 10 e Mt 19): trata-se da primeira narrativa da criação, apresentada pelo Gênesis. Ou seja, como o beato chama a nossa atenção, só podemos compreender profundamente o significado e o sentido da unidade e da indissolubilidade do matrimônio se nos empenharmos em conhecer a natureza humana tal qual concebida e criada por Deus.

Isso é muito importante para nós que vivemos numa sociedade sob a ditadura do relativismo. Porque só na falta de uma intenção criadora e de uma ordem realmente estabelecida é possível sustentar este relativismo. Ou seja, caso Deus não exista; ou, pior, caso Ele não tenha intenção nenhuma conosco neste mundo, então, podemos nos determinar a nosso bel prazer.

Pois, de outro modo, se Ele existe e é nosso criador, então, não somos nós quem nos determinamos qual é a realidade do nosso ser, mas temos de nos submeter à Ícone - Criação de Adãoordem que Ele estabeleceu para nos realizarmos. Ora, é isso justamente que perdemos de vista com o pecado: Deus, nosso criador, é Amor; é o sumo bem, a suma bondade. Ele não é nosso adversário. Pelo contrário: Ele só quer o nosso bem, a nossa realização e, portanto, nossa felicidade. Desse modo, se quisermos ser, de fato, felizes, outro meio não há: temos de nos submeter ao Seu projeto. E, para tanto, é necessário ter fé.

Então, como cristãos, é importante que nos aproximemos dos relatos da criação em busca daquilo que o autor sagrado apresenta como verdade sobre nosso ser. E, no primeiro relato da criação (cf. Gn 1,1-2,4a), em seu caráter teológico, está claro que o homem se define “na sua relação com Deus («à imagem de Deus o criou»), o que encerra ao mesmo tempo a afirmação da impossibilidade absoluta de reduzir o homem ao «mundo»”.

Em outras palavras, segue o Beato: o homem “não pode o homem ser compreendido, nem explicado até ao fundo, com as categorias deduzidas do «mundo», isto é, do conjunto visível dos corpos”. Desse modo, se quisermos entender o verdadeiro sentido de nosso ser, inclusive de nossa sexualidade, não podemos nos deter na mera materialidade: temos de nos compreender como um todo de acordo com o projeto do Criador.

Em palavras pobres, isso significa que, considerando nossa sexualidade, não podemos olhá-la e estudá-la como olhamos e estudamos qualquer outro mamífero no exercício de sua procriação. Nós não somos bichos. Somos imagem e semelhança de nosso Criador. De forma que não encontramos nossa realização vivendo de maneira animalesca, mas integrando todo nosso ser no profundo sentido que Deus nos deu quando nos fez.

Assim, vemos claramente que “ao mistério da sua criação («à imagem de Deus os criou») corresponde a perspectiva da procriação («sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra»)”, ou seja, o dom da procriação foi feito a nós por Deus como uma forma de colaborarmos perpetuamente na obra da criação. Então, nosso corpo e, portanto, nossa sexualidade, são radicalmente bons: Deus viu que era muito bom (cf. Gn 1,31).

Peçamos, por fim, a intercessão da Santíssima Virgem Maria, a fim de reconhecermos que Deus fez bem em nos criar e nos ter dado a sexualidade como modo de participar de Seu ato criador para, assim, louvarmos ao nosso Criador pela vida que dele recebemos e correspondermos com largueza ao Seu amor por nós.

Grande abraço a todos, até breve!

 

 

Todas as citações são retiradas do texto “Na primeira narrativa da criação encontra-se a definição objetiva do homem”, de João Paulo II. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790912_po.html>.

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