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O MATRIMÔNIO É UMA CRUZ – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, que a paz do Senhor esteja sempre convosco!

Chegamos ao ponto das nossas reflexões em que o Beato João Paulo II fala especificamente do Matrimônio. As Escrituras são marcadas por casamentos determinantes ao longo da História, começa com a união de Adão e Eva na Criação [1], no início do Novo Testamento, o primeiro milagre de Jesus, a transformação da água em vinho, relatado pelo evangelista João, marca o início da vida pública de Jesus [2] e o Apocalipse, último livro das Escrituras é marcado pelas núpcias do Cordeiro [3], o casamento definitivo entre Jesus e sua Igreja.

Esses casamentos são sinais da a aliança de Deus para com seu povo, renovadas de tempos em tempos até a aliança definitiva, o sangue do Cordeiro derramado na cruz.

Falar em aliança definitiva e Matrimônio ao mesmo tempo, pode soar como “piada” para as pessoas desinformadas que ainda enxergam a Igreja como uma crença ultrapassada. Pois bem, os tempos mudaram, o divórcio está cada vez mais fácil, várias pessoas se divorciam sem passar sequer do primeiro ano. Mas, por quê?

Na verdade, nada mais natural do que buscar ser feliz, não é mesmo? Pois é, aí está o grande problema: a busca egoísta da própria felicidade, quando o casamento é pura doação, é dar o máximo de si para a felicidade do outro e jamais esperar que o outro satisfaça o nosso desejo de felicidade. Ninguém pode nos dar o que só Deus pode. Santo Agostinho mesmo diz “a minha alma só em Ti encontra repouso” [4].

Que grande tentação são as soluções fáceis, a fuga do sofrimento, qualquer crise já é motivo de separação, esquece-se que Cristo carregou sua cruz até o fim. Por isso a Igreja pede maturidade no momento de decidir-se pelo Matrimônio, e isto é o que mais têm faltado em nossa sociedade, já não somos mais preparados para relacionamentos duradouros, o pensamento moderno diz: “não deu certo, separe-se”. O casamento deve ser muito bem pensado e os noivos devem estar cientes do compromisso de um para com o outro. O amor é o Mandamento mais importante que Deus nos deixou, preste muita atenção, não é sentimento, é Mandamento.

Na Eucaristia vivemos o grande mistério em que o Esposo, Nosso Senhor Jesus Cristo, entrega o Seu Corpo pela Esposa, a Igreja. O Esposo dá tudo o que é por amor. O matrimônio é uma “cruz”, pois é uma entrega de amor [5].

O casamento entre dois batizados é um sacramento, porque é uma participação na redenção, é salvífico porque é uma entrega. É a entrega da sua vida para fazer com que o outro chegue à felicidade, que é Jesus. Você não é a fonte da felicidade, mas deve entregar a sua vida para alcançar a felicidade, um se faz sacrifício ao outro [6].

Dentro deste contexto de inteira doação, o sexo é extremamente sagrado, é a consumação desta entrega total, o corpo fala, pois é uma linguagem. Se uma pessoa diz: “eu te amo” – com os lábios cerrados e com gestos negativos – você vai acreditar no corpo ou na palavra dela? O corpo, na relação sexual entre marido e mulher, diz: “o meu corpo é todo seu”. Mas quando o sexo está no namoro não há entrega total; quando cada um vai para sua casa é uma mentira. Somente no matrimônio, na entrega para sempre, é que ocorre a entrega total, isso é redentor, sacramento que Jesus nos revelou na cruz [7].

A entrega total nos dá muito medo. Como prometer a vida inteira a uma pessoa, se não sabemos se vai dar certo ou não, se vamos ser felizes ou não, se vamos ser traídos, e se nos interessarmos por outra pessoa, como acontece o tempo todo nas novelas?

A resposta é muito simples e muitos católicos que eu conheço nos dão exemplos maravilhosos disso: “o amor é decisão”, simples assim.

Então, minhas últimas palavras hoje para você são: “decida-se a amar e a deixar-se ser amado, aceite sua cruz e não tenha medo de sofrer, Jesus carrega a cruz junto com você”.

Uma boa semana!

 

 

PAPA JOÃO PAULO II. Valor do matrimônio uno e indissolúvel à luz dos primeiros capítulos do Génesis. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791121_po.html>.

[1] Gn 2,23.

[2] Jo 2.

[3] Ap 19,7-9.

[4] SANTO AGOSTINHO, Confissões, I, 1.

[5] PE. PAULO RICARDO. Matrimônio, o sacramento da Criação. Disponível em: <http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12433#.UzibgPldU3k>.

[6] idem.

[7] idem.

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CRISTO, O FOGO QUE QUEIMA E SALVA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente, refletindo sobre o nosso Catecismo. Falaremos hoje sobre um grande motivo de divergência entre católicos e protestantes, o Purgatório.

Pela morte de Jesus, nós fomos todos salvos, porém, Jesus não contradiz o nosso livre arbítrio. Ainda podemos escolher se aceitamos ou não esta salvação.

Por mais que amemos a Deus e busquemos seguir os passos de Jesus, ainda há em nós a tendência para o pecado. Vivemos a vida inteira em conflito, entre o bem Ícone - Juízoe o mal, até chegar a hora do Juízo, onde seremos sentenciados de acordo com nossas ações. Alguns viveram inteiramente para Deus, até conseguimos pensar facilmente em algumas dessas pessoas, que foram diretamente para o Paraíso. Outros se voltaram contra o amor de Deus, preferiram fazer o mal no mundo e foram direto para o inferno. Mas, a maioria de nós vive entre o bem e o mal, quer ser fiel a Deus, mas se percebe pecador. É para esses, o fogo purificador, a nossa esperança diante da insignificância humana perante Deus.

O Papa Emérito, Bento XVI, recorda-nos que o Purgatório não é “um lugar” depois da morte, mas sim “o caminho em direção à plenitude através de uma purificação completa”. Não é um fogo exterior, mas interno. “É o fogo que purifica as almas no caminho da plena união com Deus” [1].

Santa Catarina de Gênova, na visão que teve sobre o Purgatório, assim como o Filho Pródigo que retorna à casa do Pai, após viver uma vida desregrada e o encontra de braços abertos, pôde sentir o amor do Pai e sua infinita misericórdia, ao mesmo tempo em que se confrontava com sua alma medíocre e pecadora. Ela não parte do além para contar os tormentos do purgatório e indicar depois o caminho da purificação ou a conversão, mas parte da sua “experiência interior caminhando rumo à eternidade” [2].

O fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. Ante o seu olhar, toda falsidade é eliminada. É o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarronice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, no qual o impuro e o nocivo em nós se tornam evidentes, está a salvação. O seu olhar, o toque do seu coração cura-nos através de uma transformação certamente dolorosa, como pelo fogo. “Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo-nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo totalmente de Deus” [3].

Rezemos pelos mortos para que possam ser acolhidos pelo Senhor e recebidos no céu puros, como o Senhor é puro. Afinal, Ele não abrirá as portas de sua casa para alguém que esteja “coberto de lama”, há de se lavar primeiro. E que bom que mesmo em meio ao pecado, Ele ainda nos oferece a oportunidade de estar junto Dele.

Que a divina misericórdia de Deus nos envolva e sua graça nos leve à Salvação, Amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Purgatório é um fogo interior, esclarece o Papa, disponível em: <http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/purgatorio-e-um-fogo-interior-esclarece-o-papa,1c487227b94fa310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>.

[2] idem.

[3] Papa Emérito BENTO XVI, Spe salvi, 47. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html>.

JESUS, DUAS NATUREZAS, UMA SÓ PESSOA – Por Fabiana Theodoro.

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Sejam bem-vindos, amigos!

É bom estarmos juntos mais uma vez para falarmos sobre o Catecismo. Nesta semana, conversaremos sobre um tema que, durante séculos, foi alvo de várias divergências na história de Igreja: a verdadeira natureza de Jesus Cristo. Citarei algumas heresias, para que possamos nos aprofundar um pouco mais no assunto:

Monarquianismo: dizia que Cristo era a manifestação de Deus, dotado da força Jesus Cristo - Pantokratordivina, porém não era o próprio Deus. Com isso, queriam apenas harmonizar a divindade de Cristo com o monoteísmo [1].

Arianismo: dizia que Jesus não era co-eterno e consubstancial ao Pai, apenas uma criatura, embora a mais divina de todas. Segundo os arianos, Jesus origina-se da vontade de Deus, mas não da mesma substância que Ele [2].

A heresia nestoriana: via em Cristo, uma pessoa humana unida à pessoa divina, ou seja, um Jesus, filho de Maria e um Jesus, Filho de Deus. Duas pessoas diferentes coabitando um mesmo corpo. Contra esta heresia, o Concílio de Éfeso afirmou que o “Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional se tornou homem” [3]. O Concílio afirmou ainda que em Jesus há apenas um sujeito e não dois como Nestório afirmava. Maria pode ser reconhecida como a Mãe de Deus.

Segundo o Novo Testamento, Jesus tinha alma humana, nasceu de uma mulher, teve sede e fome, chorou, orou, obedeceu, sentiu dor como todos nós. Porém, Jesus Cristo é Deus encarnado e, por isso, pôde reconciliar a humanidade consigo. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem divisão, separação ou confusão e segundo essa unidade, podemos atribuir coisas divinas ao humano e coisas humanas ao divino, por exemplo, o Filho de Deus nasceu, sofreu e morreu na cruz [4].

Ora, quando não se crê na verdadeira divindade de Jesus, também não se pode Apresentação do Senhor (pintura)crer na remissão dos pecados nem no chamado de Deus ao homem para participar da vida divina. Pela fé, podemos afirmar que Deus quis unir de novo o homem a Si e não havia melhor meio para mostrar esse desejo aos homens, para conceder-lhes a Salvação do que mandar o seu próprio Filho. A obra redentora de Jesus não era apenas um mero perdão dos pecados, mas também expiação e divinização para a alma humana. A alma humana de Jesus era importante para a Salvação. Sua obediência era expressão da alma humana e tudo o que Ele assumiu na própria carne foi redimido, o que não assumiu não foi redimido [5].

Jesus amou com coração humano a cada um de nós. Nem o fato de não ter sido aceito por aqueles a quem veio salvar tirou de seu coração esse amor. Um coração sagrado que foi ferido, transpassado pelo sofrimento da carne e da alma e mesmo assim ensina-nos a amar de forma incondicional. Somente Deus pode amar dessa maneira, e assim nos convidar a amar como Ele. É essa capacidade de amar que nos confere a possibilidade de concretizar a nossa vocação de tornar-nos um com nosso Pai, assim como Jesus já o é, e de retornarmos à nossa verdadeira morada junto Dele.

Que o Senhor, nosso Deus nos ilumine e nos proteja, que olhe pelos cardeais que se reunirão nesta semana para eleição do novo Papa, e que este seja fonte de muitas bênçãos para nossa Igreja, segundo a vossa vontade, amém.

Boa semana a todos!

 

 

Referências:

[1] KNOB, Pe. José. Breve Curso de Cristologia (Cap. 9). Uso interno.

[2] Idem.

[3] CEC 466.

[4] KNOB, Pe. José. Breve Curso de Cristologia (Cap. 10). Uso interno.

[5] Idem.

“NÃO ABANDONO A CRUZ, SIGO DE UMA NOVA MANEIRA O CRUCIFICADO” (Bento XVI, Papa emérito) – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Nesta semana, demos uma pausa na reflexão sobre o Catecismo para nos despedirmos com muito carinho de nosso amado Papa.

Bento XVI, agora papa emérito, deixa o pontificado por forças além de sua vontade, já não encontra forças para seguir conduzindo a Igreja em tempos tão difíceis.

Esse gesto de renúncia deixou o mundo boquiaberto, já que o atual sistema Bento XVI termina seu pontificado_02mundial preza tanto o apego a cargos, títulos e bens materiais e não está acostumado a abrir mão de nada. A mídia faz ainda várias especulações sobre problemas dentro da Igreja e creio que realmente existam. Em que família não há problemas? Deixamos de amá-la por causa disso? A Igreja é muito maior que tudo isso, pois ela é o corpo de Cristo.

A decisão de Bento XVI não desestabilizou a fé dos católicos como a mídia tem tentado nos fazer acreditar, pelo contrário, nesse tempo em que vivemos a Quaresma, nos faz refletir sobre o que é realmente essencial na vida de todos nós e nos faz pensar se temos renunciado aquilo que desagrada o coração de Deus. O essencial para Bento XVI é a Igreja e quando viu que não tinha mais forças para conduzi-la com o punho forte que ela precisa, através de muita oração, pois não decidiu sozinho, ele preferiu entregar essa missão a alguém mais capacitado. Quão digno e corajoso foi esse ato! Uma verdadeira lição para cada um de nós.

Ele não precisava renunciar. Ninguém o condenaria caso ele escolhesse, mesmo Bento XVI termina seu pontificado_03fraco, continuar sendo Papa. Poderia não viajar mais em razão da saúde frágil, se envolver menos em assuntos difíceis, se poupar mais e no momento de sua morte receberia todas as honras da mesma forma. Mas não, por amor, ele abriu mão de todas as honras, preferiu terminar sua vida de maneira simples e humilde porque ama a Igreja e sabe que para Jesus não dá para ser mais ou menos. Dispensou todas as honras, a exemplo de Jesus, que ocupou o último lugar no mundo, a cruz, e é essa humildade radical que desconsertou o mundo nas últimas semanas, pois todos querem uma explicação pelo seu ato, que não foi nada mais do que despojar-se de tudo por amor, como aprendeu com o Mestre Jesus [1].

Paulo disse em suas cartas que quando somos fracos é que somos fortes, pois é aí que a força do nosso poderoso Deus pode tomar conta de nós [2]. É nesse momento que Deus nos carrega nos braços, quando não nos resta mais nada, nos entregamos inteiramente a Ele.

Bento XVI escreveu livros belíssimos que falam com muito amor sobre Jesus e para muitos, como eu, foram essenciais para o amadurecimento da fé. Os livros Jesus de Nazaré foram muito importantes na minha caminhada. Após muitas opiniões e discussões sobre quem é realmente o Jesus histórico, ler os ensinamentos dele, Bento XVI termina seu pontificado_01me ajudou a compreender melhor a essência da mensagem de Cristo e apesar de tantas contrariedades no seu pontificado, ele sempre fez a vontade do nosso Mestre. Lutou com muita coragem a favor da Igreja, defendeu a vida, a família e a paz o quanto pôde. Agora, nada mais justo que, quando não mais lhe resta forças, deixá-lo estar mais próximo de Jesus em oração; e oração por todos nós.

A Igreja jamais vai esquecê-lo e no mesmo momento que derrama lágrimas por sua ausência, é extremamente grata por mais uma vez ser surpreendida por um ato tão generoso como esse de colocar em primeiro lugar o destino de toda a Igreja acima de si mesmo. Não importa o que o mundo diga sobre o nosso querido amigo estar abandonando a Igreja, isso não é verdade. Ele a ama e a Igreja o ama muito e vai amá-lo e lembrar dele como grande exemplo de fé dos últimos anos.

Obrigada por tudo, Papa Bento XVI, nós te amamos muito e como o senhor, nós também rezaremos pelo novo Pontífice, o amaremos e obedeceremos.

Abraço a todos!

 

 

[1] BENTO XVI, Jesus de Nazaré da Entrada em Jerusalém à Ressurreição.

[2] 2Cor 13.

ESTAR SOB O SENHORIO DE JESUS CRISTO, VERDADEIRA RENOVAÇÃO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, como sempre, sejam muito bem vindos. Continuamos nosso caminho neste Ano da Fé avançando na leitura do Catecismo da Igreja Católica. Nesta semana, nos deteremos um pouco mais demoradamente em Jesus Cristo como nosso Senhor.

O texto do Catecismo nos ensina (nn. 446-451) que o título de “Senhor” foi atribuído a Jesus de Nazaré desde os primórdios da Igreja com toda a força de sentido com que era empregado pelos judeus, ou seja, era “o nome mais habitual para designar a divindade do Deus de Israel” [1]. Esta atribuição, porém, não se Jesus Cristo - Kyriosdeu gratuitamente como uma espécie de psicose coletiva dos discípulos, mas a partir das palavras de Jesus e dos seus atos de domínio sobre a realidade criada [2]. Por isso, sob o auxílio do Espírito Santo, dizer que Jesus é o Senhor significa, desde as comunidades primitivas, reconhecer o mistério da divindade de Jesus [3].

Assim, “desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor». «A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre»” [4].

Meus irmãos e irmãs, isto é muito sério… Porque reconhecer o senhorio de Cristo sobre toda história humana nos obriga, em primeiro lugar, à humildade. Se Jesus Cristo é o Senhor – e Ele é – não há lugar para um “eu também”. Se Ele é o Senhor, significa que não há outro. E, portanto, somos servos. Seus servos. Então, devemos obedecê-lo.

E aqui, irmãos, encontramos uma liberdade que não se explica, mas se experimenta. Escolher Cristo é um ato livre que produz liberdade. Como dizia Tertuliano, a “vida cristã é como uma lâmpada que ilumina o ambiente, quem olha de fora só vê o fogo, mas lá dentro está o óleo da unção”, porque o jugo deste Senhor é suave e seu peso é leve [5], pois quem tem o Deus verdadeiro como Senhor não é escravo de nenhum ídolo.

E é justamente a isto que o Santo Padre Bento XVI nos está chamando no final de seu ministério petrino: “a Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros Bento XVI (17.02.2013)a renovar-se no espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor. Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo propício para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do caminho de Deus” [6].

O Papa nos está chamando, caros irmãos e irmãs, neste grave tempo em que vivemos, à renovação da Igreja. Não como gostariam os césares de nosso tempo ou a classe falante deste Brasil guaranil (ou ignorante, ou mal intencionada; em todos os casos, louca). O Papa nos chama à renovação, mas não à traição do Evangelho submetendo-nos à ditadura do relativismo. Não. Esta renovação à qual, repito, somos chamados, é a reorientação firmemente decidida de nosso ser a Deus. Ou seja, nossa tarefa é fazer da fé em Deus o critério básico de nossas escolhas cotidianas assumindo, para tanto, o combate espiritual que nos é proposto.

O Santo Padre Bento XVI sempre nos chamou e nos orientou no caminho do bem e da verdade contra a ditadura do relativismo. Não seria agora que ele capitularia no combate. Ele continua firme no caminho de Cristo, que é o caminho da vitória. E nós, de que lado estamos?

Que a Santíssima Virgem Maria nos acompanhe com sua materna intercessão, a fim de não esmorecermos.

Um fraterno abraço a todos. Até breve.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 446.

[2] Cf. idem, n. 447.

[3] Cf. idem, n. 448.

[4] Idem, n. 450.

[5] Cf. Mt 11,30.

[6] BENTO XVI. Nas tentações o que está em jogo é a fé, porque está em jogo Deus. Disponível em: <http://www.zenit.org/pt/articles/nas-tentacoes-o-que-esta-em-jogo-e-a-fe-porque-esta-em-jogo-deus>.

QUEM É O SENHOR DO TEU CORAÇÃO? – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos queridos!

Estamos, nesta semana, refletindo sobre a última conotação de Jesus tratada no Catecismo, o senhorio de Jesus.

No Antigo Testamento, Kýrios, que significa Senhor, era como o povo se referia a Deus, já que seu nome sagrado era impronunciável por todos os judeus.

No Novo Testamento, as pessoas reconhecem o senhorio de Jesus sobre a natureza, sobre as doenças, sobre a morte, sobre os demônios e passam a tratá-lo também por Senhor. As pessoas reconhecem a divindade de Deus agora presente em Jesus [1].

Porém, nem todo aquele que chama Jesus de Senhor garante a sua salvação. Jesus rejeita os hipócritas que invocam seu nome em vão e entregam o senhorio Kýriosde suas vidas às coisas terrestres. E quantos não são os “senhores” que possuem os corações humanos? Os vícios, o dinheiro, os bens materiais, a vaidade, o orgulho, o poder, a luxúria e tantos outros.

Chamar Jesus de Senhor é muito sério. Não é apenas uma forma de falar, é dar-lhe pleno poder para reinar em nossa vida, é confiar realmente nas palavras do Evangelho e seguir todas as instruções que Jesus deixou na Sagrada Escritura. Chamar Jesus de Senhor é reconhecer sua total soberania sobre as coisas, jamais colocá-lo em segundo plano. Não é rezar pedindo a ajuda dele hoje e amanhã “deitar e rolar” com as coisas do mundo. Ele mesmo diz que é impossível amar a dois senhores ao mesmo tempo: “ou amará um e odiará o outro e vice-versa” [2]. Ou amamos a Ele de todo coração e com toda alma e desprezamos as coisas terrestres, ou nos apegamos a estes bens materiais e espirituais (apego aos filhos, ao trabalho, até à tranquilidade, etc) e desprezamos àquele que sim deveria ser nosso senhor. Se escolhermos nos apegar a estas coisas, infelizmente não haverá espaço para Jesus, pois não podem coexistir no mesmo espaço dentro do coração humano, quando um entra, o outro sai.

Deixamos tanto nosso apego nos escravizar que não percebemos o quanto ele é danoso para a saúde da nossa alma, tanto que mesmo sofrendo, não abrimos mão dele. Mas Jesus, ao contrário, quer nos libertar, nos dar a paz que nada, nem ninguém neste mundo pode dar.

Precisamos conformar nossos pensamentos aos pensamentos de Cristo e lhe permitir que habite em nós, pense em nós e viva em nós [3]. Este é o senhorio de Jesus.

Jesus deseja libertar nosso coração de todos os apegos, dar-nos uma liberdade plena que nos ajudará a voltar para casa de Nosso Pai, pois somente num coração limpo de impurezas Jesus pode habitar.

Que Jesus assuma para Si tudo o que somos, tudo o que temos e vivemos, pois já não queremos mais que o mundo nos consuma, apenas em Ti queremos nos consumir, amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.

[2] Mt 6, 24

[3] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.

O FILHO, SINAL DO AMOR DE DEUS – Por Fr. Lucas, scj.

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Caros amigos do CommunioSCJ, mais uma vez, sejam bem vindos. Sem dúvida, o assunto mais comentado no momento é a renúncia do Santo Padre Bento XVI, apresentada aos cardeais em consistório no último dia 10. Já tive ocasião de lhes dirigir algumas palavras a este respeito quando publiquei o texto integral do anúncio [1]. Por isso, foco, neste texto, a fonte de nossa esperança, que nos ampara e ilumina, retomada hoje pelo mesmo Bento XVI no início de sua catequese: a Igreja é de Cristo [2].

E, no nosso estudo do Catecismo, estamos justamente nos perguntando quem é este Jesus Cristo. A resposta começa em olharmos os títulos que foram dados a Ele já nos Ícone - Ressurreiçãotempos apostólicos. Neste texto, em particular, nossa atenção se concentra sobre uma verdade fundamental: Jesus Cristo é o Filho de Deus.

O convívio com Jesus de Nazaré, o testemunho de suas palavras e atos, suscitaram nos apóstolos, sobretudo após a Ressurreição, a certeza de fé que n’Ele havia algo mais que um simples humano. Como o texto do Youcat nos lembra: “em toda humanidade, apenas Jesus é mais que um ser humano” [3]: Jesus é o próprio Deus. Ele mesmo o disse! (cf. Lc 22,70) Mas é interessante notar que nas ações que os apóstolos presenciaram, Jesus se revelara o Filho de Deus: “nos grandes momentos sentiam-se os discípulos abalados: isto é Deus mesmo” [4].

Isso fica evidente na oração de Jesus. Nela, Ele dirige-se ao Pai com uma intimidade que era impossível para sua época. De tal forma que “a oração de Jesus é a verdadeira origem desta expressão ‘o Filho’” [5]. E, assim, se manifesta a originalidade desta relação íntima que Jesus vive com o Pai: manifesta-se o mistério do diálogo de amor que é a Trindade.

Ora, se é assim, Deus está conosco em Jesus Cristo. O Deus imenso, vivo e Bento XVI - Missa de cinzas (2013)verdadeiro, preocupa-se conosco a ponto de vir ao nosso encontro em Jesus de Nazaré. Está claro que Deus é Amor que nos ama primeiro (cf. 1Jo 4,8.10). Por isso, “toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus” [6]. De forma que a Quaresma surge como tempo de renovação de nossa vida cristã, sempre experimentada como uma luta sob o grave risco da tibieza.

Portanto, concretamente, somos convocados pelo Santo Padre Bento XVI a redescobrir o entrelaçamento da fé e da caridade [7] a fim de que não nos contentemos com aquilo que o Espírito já produziu em nós. É este testemunho que, no meu ponto de vista, precisamos dar aos nossos contemporâneos. Assim, teremos a oportunidade de seguir o conselho de Paul Claudel: “Fala de Cristo apenas quando te perguntarem! Mas vive de tal forma que te perguntem por Cristo!” [8].

Que a Santíssima Virgem Maria nos ajude com sua materna intercessão a não esmorecermos diante das vicissitudes de nossa vida.

Um fraterno abraço a todos! Até a próxima semana.

 

 

[1] Bento XVI anuncia renúncia. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/02/11/bento-xvi-anuncia-demissao/>.

[2] BENTO XVI. Audiência: “Agradeço a todos pelo amor e pela oração”. Disponível em: <http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=664503>.

[3] Youcat, p. 53.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 260.

[5] Idem, p. 291.

[6] BENTO XVI. Mensagem para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[7] Recomendo vivamente a leitura da Mensagem de sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[8] Youcat, p. 53.

 

Artigo recomendado:

“A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular” – Por Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/blog/a-renuncia-do-papa-e-os-oportunistas-da-imprensa-secular>.

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