Olá novamente, amigos. É muito bom tê-los conosco neste espaço de divulgação de nossa fé.

Continuando nosso estudo acerca dos títulos comumente atribuídos a Jesus queremos agora entender melhor o que há por detrás da expressão Senhor. Como sinaliza o Catecismo, este título possui origem no Antigo Testamento. É à luz dele que compreendemos seu sentido mais profundo.

Senhor é a fórmula utilizada pelo povo da antiga Aliança para designar Deus. Evitando pronunciar o nome inefável com o qual Deus se revelou a Moisés, Iahweh, Ícone - Cristo Rei (2)os judeus começaram a utilizar a palavra hebraica Adonai para se referir a Ele. Nas versões gregas do Antigo Testamento, entretanto, esta palavra foi substituída por Kyrios, que posteriormente seria traduzida para o latim como Dominus e para português como Senhor.

É assim que, na continuidade da Tradição cristã, ao chamarmos Jesus de Senhor exprimimos nossa fé na sua divindade. Diante do Ressuscitado, continuamos a nos prostrar para dizer, como São Tomé, “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Continuamos a professar com toda a Igreja que “o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai cabem também a Jesus” [1].

Mas indo além dessa constatação tão obvia para um cristão, é preciso atentar para outro significado do título Senhor. Com ele expressamos ainda o senhorio de Cristo sobre o mundo e a história [2], bem como sobre a nossa vida. Porque fazendo-se homem, o Filho de Deus nos mostrou como é um ser humano de verdade. Mostrou que ao nos submetermos por amor ao Pai, encontramos nossa realização.

Em seu livro Jesus de Nazaré, o Papa Bento XVI explica como Jesus é Senhor: “N’Ele Bento XVIDeus está agora em ação e é verdadeiramente Senhor – dominado devidamente, isto é, não com o poder do mundo, mas dominando através do amor que vai até ‘o fim’ (Jo 13,1), até a cruz” [3]. É através do exemplo de Cristo, que se submeteu ao Pai em tudo, que compreendemos que “o homem não deve submeter sua liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o Senhor” [4].

Para ser cristão não basta crer em Deus. É preciso abrir o coração para que Ele reine em nós. E se essa submissão é difícil para uma alma manchada pelo pecado original, nosso Senhor Jesus Cristo vem ao nosso auxílio. Ao nos unirmos a Ele – na oração, na Igreja, na Eucaristia – nos tornamos também dóceis à vontade do Pai. Nesse momento, nossa alma se depara com a felicidade plena.

Que auxiliados pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, possamos professar com sinceridade que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2,11).

Até a próxima.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 449.

[2] Cf. CEC, n. 450.

[3] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 68.

[4] CEC, n. 450.