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A IGREJA, A JMJ RIO-2013 E O PAPA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

 

Caros irmãos, sejam, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Seguindo nosso projeto de estudo do Catecismo da Igreja Católica, proposto pelo Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, durante as últimas semanas, refletimos, com a ajuda da Fabiana Theodoro, os diferentes modos do seguimento de Jesus Cristo: a hierarquia, os fiéis leigos e a vida religiosa consagrada [1].

De fato, o Código de Direito Canônico afirma que “fiéis são os que, incorporados a Cristo pelo Batismo, foram constituídos povo de Deus e, assim, feitos participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, são chamados a exercer, seguindo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo” [2]. De fato, todos que fomos batizados somos Igreja. Por isso, quando nos referimos à Igreja, referimo-nos também a nós, embora sejamos livres o bastante para nos afastar e até romper a comunhão com a Igreja…

Neste sentido, o que era mais bonito de estar em Copacabana no último fim de semana, na JMJ Rio-2013, era justamente ver ali, naquela multidão, a Igreja visível pic_042reunida. É claro que a Igreja é mais invisível que visível; isso é evidente. Mas, no que se refere à Igreja militante, era visível sua comunhão com Cristo ao redor do sucessor de Pedro, o Papa, e dos sucessores dos outros apóstolos, os bispos.

Era possível ver a comunhão com a Igreja na América Latina com a presença de tantos hermanos – e não só da Argentina, mas da Venezuela, da Colômbia, do Paraguai… E quem não viu nenhum grupo de chilenos? Estavam presentes também jovens de todos os outros continentes… Eram muitos europeus, norte-americanos, africanos (de uma alegria contagiosa) e asiáticos… Da Oceania, encontrei-me com uns australianos e, na Missa final, estava perto de um grupo das Ilhas Cook. Era visível, também, a comunhão com a Igreja perseguida nos três jovens paquistaneses que enfrentaram de tudo para estar ali…

E não só de todos os lugares, de tantas línguas, bandeiras e costumes… Mas de todos os modos de seguir Cristo: bispos, padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas e muitos, muitos leigos e leigas! Na maioria esmagadora de jovens. E, aí, mais uma experiência marcante: a Igreja está viva – e é jovem. A Igreja não está moribunda. Há muita gente – e gente jovem – lutando para viver de acordo com os valores evangélicos.

E, quando penso nisso, lembro-me que há sempre alguém para dizer que os jovens foram porque era uma festa. De fato, apesar dos contratempos, era uma festa. Flickr Oficial JMJ (26)Tinha aventura (nunca tinha pensado em dormir na praia), desafio (boas caminhadas), música e dança. Mas nem tudo era festa. Era preciso estar lá para sentir o silêncio adorador no sábado à noite, depois que o Santíssimo Sacramento foi trazido ao altar. Foi bonito ver as bandeiras sendo recolhidas para a Missa do domingo. Vi muitos grupos rezando o Terço enquanto caminhavam. Tenho o testemunho de outros rezando a Liturgia das Horas. Jovens de oração; de adoração… Bastava fitar os olhares ao redor. Era uma multidão que rezava. E rezava de verdade.

E rezavam porque a presença de Jesus Cristo, nosso Senhor, era misteriosa, mas real e quase palpável… E Ele é o mais importante nisso tudo. Presente Ele estava nos irmãos. Presente, também, na natureza exuberante. Presente nos Flickr Oficial JMJ (7)sacramentos, sobretudo na Eucaristia. Presente no Santo Padre, o Papa Francisco. Agora eu sei porque Santa Catarina de Sena o chamava de “Doce Cristo na terra”…

E é com a presença do Papa Francisco que quero terminar este breve testemunho (acho até que já me estendi demais). O Santo Padre é um homem sem fronteiras: parece não haver nenhuma barreira entre o Papa Francisco e nossos corações. Ao mesmo tempo, ele é um homem muito firme, como pudemos verificar nas palavras que ele nos dirigiu. Agora, para escaparmos às más interpretações que nos são apresentadas, temos que ir às fontes. O Papa veio até nós e o mínimo que podemos fazer para lhe agradecer é ouvir o que ele nos disse mesmo (e não o que disseram que ele disse). Não precisa muito. Dois ou três cliques e você chega lá [3]. Isso é fundamental num país como o nosso, onde o aborto é legalizado por debaixo dos panos.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, interceda por nós e nos sirva de modelo de fidelidade à Palavra de Deus.

Fraterno abraço a todos. Até a próxima.

 

 

[1] “Todos os fiéis de Cristo recebem a missão, cada um a seu modo, de zelar pelos outros – Por Fabiana Theodoro”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/07/11/todos-os-fieis-de-cristo-recebem-a-missao-cada-um-a-seu-modo-de-zelar-pelos-outros-por-fabiana-theodoro/>.

Os fiéis leigos buscam a santidade nas atividades mais simples – Por Fabiana Theodoro”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/07/19/os-fieis-leigos-buscam-a-santidade-nas-atividades-mais-simples-por-fabiana-theodoro/>.

E deixará a sua casa para estar com aquele a quem ama – Por Fabiana Theodoro”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/08/02/e-deixara-a-sua-casa-para-estar-com-aquele-a-quem-ama-por-fabiana-theodoro/>.

[2] CIC, cân. 204.

[3] Para ter acesso aos discursos do Papa Francisco no Brasil (em português), siga o link: <http://www.vatican.va/holy_father/francesco/travels/2013/papa-francesco-gmg-rio-de-janeiro-2013_po.htm>.

E DEIXARÁ A SUA CASA PARA ESTAR COM AQUELE A QUEM AMA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

Após a grande experiência de fé vivida no Brasil por três milhões de jovens na Jornada Mundial da Juventude com o Papa Francisco, ainda podemos sentir um clima de paz deixado por nosso Sumo Pontífice. Foi muito bom recebê-lo em nosso meio e poder notar à nossa volta o quanto sua visita já pôde render frutos. Pessoas de outras religiões com faixas declarando seu amor pelo Santo Padre, católicos que se encontravam afastados, voltando para a Igreja e revendo suas vidas, pecadores que se sentiram abraçados e acolhidos pela Igreja na pessoa do Papa, jovens que viram despertar o desejo de consagrar-se ao serviço de Deus e da Igreja. Quantas bênçãos ele nos trouxe, é de fato um servo fiel do Senhor, ungido pelo Espírito Santo, escolhido a dedo por Deus para orientar a Igreja neste momento tão difícil vivido por ela.

Seu amor pelo povo é de fato o que a Igreja tanto precisava para poder evangelizar de forma mais eficaz. Papa Francisco consegue transmitir a verdadeira imagem que a Igreja e seus membros eclesiais devem ter, a imagem da mãe que acolhe, que alimenta, que pega no colo, que abençoa, que educa, que acima de Papa Francisco na JMJ-2013tudo ama e perdoa seus filhos, segundo a imagem de Deus. Abençoado servo da vontade de Deus que um dia disse seu sim ao divino chamado de amor e sem saber o que o futuro lhe reservava, entregou sua vida sem reservas para servir ao outro como havia aprendido com o Mestre Jesus por meio de sua família.

Deus ama a todos os teus filhos e cada filho responde a esse amor de uma forma diferente. Muitos, como já vimos, são chamados a constituírem família, a trabalharem, a viverem normalmente, de acordo com o que nos sugere o Evangelho. Outros são chamados a responder ao amor de Deus de uma forma diferente. São pessoas que não se contentam em viver no mundo apenas, mas que querem dar algo mais para Deus, como os sacerdotes e as religiosas que doam sua vida inteira à Igreja para servirem inteiramente a Deus e aos irmãos sem olhar para o que deixam para trás e que de forma alguma encaram como sacrifício, mas sim como uma prova de amor, assim como no momento do Matrimônio, onde cada noivo deixa sua casa para estar com aquele a quem ama.

Como dizer não a um chamado de amor tão forte, algo que queima tão intensamente e que não cabe na pobre e tão pequena alma humana? Pobres daqueles que são escolhidos por Deus para tal comprometimento, pois jamais serão contentados pelos amores do mundo, afinal, como preencher no coração um lugar que pertence somente a Deus?

A vida consagrada é professar publicamente valores que estão em desuso no Irmãsmundo atual, os conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) experimentando assim uma plena liberdade para dedicar-se totalmente ao serviço de Deus em um estado de vida permanente reconhecido pela Igreja [1]. É estar intimamente ligado a Ele, amá-Lo acima de tudo e dedicar sua vida para o bem dos outros acima do seu próprio bem, é doar-se inteiramente sabendo que é amando o outro que se ama também a Ele.

Hoje, há também as Comunidades de Vida e as de Aliança, nas quais não se toma o hábito e a batina, como na consagração tradicional, mas se vive sob as constituições das respectivas comunidades.

Cada Comunidade de Vida possui sua própria constituição que ajuda os seus membros a viverem melhor o discipulado, o apostolado e a busca da perfeita caridade. São pessoas que desejam ser missionários de Cristo, que deixam suas casas para viver com outros irmãos que partilham dos mesmos ideais de servir e trabalhar pelo bem uns dos outros, deixam a vida velha sem olhar para trás, desejam seguir somente a vontade de Deus, sendo assim enviados aonde forem mais necessários.

As Comunidades de Aliança são alternativas para aqueles que se identificam com a constituição e com o carisma de uma comunidade, mas querem continuar vivendo no mundo, continuar sua vida normalmente, mas respeitando e servindo com alegria segundo as regras determinadas por esta comunidade. Você recebe as formações da Comunidade e é chamado a ser missionário no mundo, sem sair do convívio dos seus amigos, da sua família, do seu trabalho.

O chamado de Deus é pessoal, Ele chama a cada um de nós para uma vocação diferente: ser pai, ser mãe, ser filho, ser um leigo consagrado, ser freira, ser Padre, etc. Seja qual for a missão que Ele te confiou, assuma-a com muito amor sem se preocupar com o passado e sem ter medo do futuro. Afinal, o amor supera tudo, mas a culpa e o medo nos paralisam.

O mês de agosto é dedicado às vocações, vamos aproveitá-lo para rezar mais pelas vocações de nossa Igreja, as que já se manifestaram e as que ainda não, as que se concretizaram e as que ainda não. Que o Senhor olhe por todos nós e nos abençoe.

 

CEC 915-945

[1] CEC 944.

OS FIÉIS LEIGOS BUSCAM A SANTIDADE NAS ATIVIDADES MAIS SIMPLES – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Mais uma vez, sejam bem vindos ao nosso blog!

Hoje, refletiremos sobre a minha e a sua missão na Igreja, a missão dos fiéis leigos. Cabe aos leigos buscarem a santidade em sua vida cotidiana, na simplicidade de suas atividades e em seus relacionamentos com os irmãos, Cruz JMJprocurando em cada atitude, agradar a Deus e sempre agindo à luz do Espírito Santo.

Leigos são todos os cristãos batizados que não foram ordenados. Porém, mesmo assim, participam da missão sacerdotal, profética e régia de Cristo e contam com a vantagem de estarem “infiltrados” no mundo.

Participam da função sacerdotal de Cristo, enquanto, no Espírito Santo, oferecem a Deus toda sua vida, até os momentos de sofrimento suportados com paciência, entregando-os no altar de Nosso Senhor Jesus Cristo como “hóstias espirituais agradáveis a Deus” [1], como forma da mais singela adoração.

Recebem também a missão profética de Cristo, de evangelizar por onde passam, seja pelo testemunho por meio das atitudes mais simples, seja pela pregação da palavra de Deus aos que não a conhecem, pois o Espírito Santo está em todo lugar e, às vezes uma simples palavra pode entrar no coração de alguém e iniciar ali um Ícone e Cruz JMJprocesso de conversão.

A função régia do leigo é reinar sobre seu próprio corpo, é não deixá-lo cair no pecado, é lutar contra as paixões deste mundo e buscar sempre a santidade. É reinar sobre si, lembrando que, acima de todos, há um Rei Maior do qual depende e não se deixar levar pela tentação de colocar-se no lugar de Deus, afastando-O de sua vida.

O indiferentismo religioso e o ateísmo nas suas mais variadas formas, particularmente naquela que hoje talvez seja a mais espalhada, a do secularismo, [2] estão tomando o lugar de Deus no coração do homem. Não que o progresso seja ruim, mas, cria no homem uma falsa autossuficiência, na qual ele começa a pensar que não precisa de pessoas para ser feliz, mas de coisas. Acaba “amando coisas e usando pessoas”, tratando-as como se fossem descartáveis.

“O Matrimônio não dá certo, melhor separar”;

“Engravidou sem querer, melhor abortar”;

“O avô está em coma, vamos desligar os aparelhos e deixá-lo morrer”;

O mundo cria alternativas para que o homem fuja das responsabilidades que lhe custem esforço. O divórcio, o aborto, a eutanásia, são alguns exemplos do homem tentando tomar o lugar de Deus e recusando-se ao sacrifício. Há circunstâncias em que realmente não se têm alternativas, e uma decisão como o divórcio, por Cruz e Ícone JMJexemplo, é inevitável, mas a pergunta que cada leigo numa situação assim deve se fazer é: “Fiz o possível para dar certo?” E caso a resposta seja sim, com sua consciência tranquila, deve voltar seu coração a Deus e deixá-lo reconduzir sua vida.

Ser um fiel leigo é estar na contramão do mundo. É fazer escolhas que surpreendem, como: devolver um troco errado, respeitar uma fila, achar uma carteira perdida na rua e devolvê-la, optar por sacrificar dias e noites cuidando de um doente, escolher ser mãe e sacrificar a carreira pela educação de um filho e ainda, nesta aventura da vida, crer que Deus não nos desampara.

Por mais que nossos caminhos sejam incertos nesta vida, devemos ter a certeza de que Deus caminha sempre ao nosso lado e que o seu amor, o essencial para a nossa vida nós teremos sempre, tenhamos fé!

Em alguns dias, receberemos em nosso país, o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude. Este será um momento muito especial que, mais uma vez, mostrará ao mundo o quanto a Igreja Católica é unida, jovem e vibrante.

Rezemos pelo nosso Papa e por todos os participantes, para que saiam deste grande encontro com o verdadeiro ardor missionário.

Um abraço a todos.

 

 

CEC 897-914.

[1] 1Pd 2,5.

[2] Beato João Paulo II, Christifideles laici, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_30121988_christifideles-laici_po.html>.