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MARIA, FILHA PREDILETA DO PAI E SACRÁRIO VIVO DO ESPÍRITO SANTO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente!

Continuando as reflexões sobre nossa fé, chegamos agora ao papel da Virgem Maria na Igreja, cujo sim em gerar o Filho de Deus em seu ventre, mudou para sempre o destino da humanidade.

“A Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime e unida a ele por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com a missão sublime e a dignidade de ser a Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo” [1], veio ao mundo sem a mancha do pecado original, era pura de coração, obediente e entregue totalmente à vontade do Pai. Por sua fé, caridade e esperança, Maria é a discípula perfeita e modelo para todos nós, é a seta que nos conduz ao seu Filho. A Igreja reconhece em Maria a Ícone - Santa Maria Mãe de Deusadvogada, a auxiliadora, a medianeira e protetora, mas principalmente como a Mãe de Deus e Mãe da Igreja.

No Evangelho de João, quando Jesus diz ao discípulo, “Mulher eis aí o teu filho” [2], Ele deixa bem claro o papel de Maria junto a Igreja, entregando-a como Mãe, não só ao discípulo amado, mas a todos os discípulos.

De forma alguma ela ocupa o mesmo lugar que seu Filho, somente Jesus é Salvador e Redentor, porém, Maria cooperou na sua obra de restauração da vida sobrenatural das almas [3]. Foi assunta aos céus, mostrando-nos a antecipação da glória reservada a todo cristão que segue seu exemplo.

Maria foi um grande exemplo de mulher e mãe, suportou tanto sofrimento desde que soube de sua gravidez, o risco de ser apedrejada, caso José a acusasse de traição, suportou a desconfiança da sua própria família, teve seu filho num estábulo, teve que fugir assim que seu filho nasceu para salvá-lo da morte. Mas Deus sempre a amparou, mandou seu Anjo dizer a verdade a José para que a protegesse e que confiasse nela, Ele guardou a vida de seu Filho, o fez crescer a salvo em sabedoria e graça [4]. Recebeu muitas alegrias de seu Filho, e mesmo no momento da grande dor da Crucifixão, não a deixou só, consolou seu coração entregando-lhe todos os filhos da Igreja e assim adotando-os, os protege, intercede por eles até o fim dos tempos, é a sua advogada, pois rico em misericórdia é também o coração de Maria.

Que a nossa fé seja como a fé de Maria, que tudo ouviu e guardou em silêncio em seu coração, que jamais perdeu a fé mesmo nas piores tribulações e que, assim com ela, nós possamos ser setas que indicam o caminho para Jesus.

Uma semana abençoada a todos!

 

 

Maria, mãe de Cristo, mãe da Igreja – CEC 963-970

[1] Lumen Gentium (LG) 53.

[2] Jo 19,26.

[3] LG 61.

[4] Lc 2,52.

“ONDE ESTÁ CRISTO JESUS, AÍ ESTÁ A IGREJA CATÓLICA” (Santo Inácio de Antioquia) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos. Sejam novamente bem vindos a este espaço de aprofundamento de nossa fé. O CommunioSCJ os acolhe com muita alegria.

Estamos terminando nosso estudo sobre as notas da Igreja de Cristo, ou seja, as características que permitem identifica-la. Amparados pelo Catecismo, já vimos extensamente que essa Igreja é Una e Santa. Entretanto, essas duas importantes notas são insuficientes para uma descrição completa. Para uma visão mais acurada, precisamos saber que a Igreja deixada por Cristo é ainda Católica e Apostólica. E qualquer semelhança entre essas qualidades e a designação de sua Igreja não é mera coincidência.

Católico, do grego katholikos, significa universal. Desta forma, dizer que a Igreja é Católica equivale a dizer que ela possui a totalidade da fé, que ela mantém e respeita todas as verdades da fé deixadas por Jesus Cristo. E isso não só porque ela ainda guarda a fé legada aos apóstolos, mas também porque ela é o próprio Corpo de Cristo (Cf. Cl 1,18), que a sustenta e a guarda “todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20) com a ajuda do Espírito Santo.

Apostólico designa aquilo que vem dos apóstolos, os verdadeiros “embaixadores de Cristo” (2 Cor 5,20). A Igreja é Apostólica por ser construída sobre “o alicerce dos apóstolos” (Ef 2,20), sobre o ensinamento que saiu de suas bocas. Mais ainda: é apostólica por continuar a ser “dirigida pelos apóstolos, até a volta de Cristo, graças aos que a eles sucedem” [1], quer dizer, os bispos unidos ao sucessor de São Pedro, o chefe do colégio apostólico, que nos dias atuais atende pelo nome Francisco.

Católica e apostólica são, de fato, qualidades que se complementam. Pois quem abraça a fé dos apóstolos abraça a fé inteira, isto é, a fé católica. Santo Ireneu, discípulo de São Policarpo, discípulo do próprio apóstolo São João, dizia já no segundo século da era cristã que a fé das igrejas apostólicas é que devia ser “considerada autêntica, pois contém o que tais igrejas receberam dos apóstolos, os apóstolos de Cristo, e Cristo de Deus” [2]. O santo atestava assim aquilo que o próprio Senhor Jesus havia dito aos apóstolos: “Quem vos recebe, é a mim que está recebendo” (Mt 10,40).

Usando da lógica, é fácil percebermos que para que uma Igreja seja apostólica, e Ícone - Pentecost (586 ad)consequentemente católica, ela precisa datar da época dos apóstolos. Essa Igreja não tem apenas a qualidade de ser católica, mas também tem essa palavra em seu nome. De fato, Santo Inácio de Antioquia, bispo martirizado no ano 107, já dizia no primeiro século da era cristã que “Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica”. E para que tenhamos clareza, é importante saber que as Igrejas que frequentamos são “plenamente católicas pela comunhão com uma delas: a Igreja de Roma” [3]. É na Igreja de Roma que encontramos Francisco, 267º Papa de uma linha ininterrupta que tem origem com São Pedro.

Pode ser que anunciar a verdade da Igreja Católica nesse mundo moderno tão plural e relativista pareça insensatez. No entanto, esta tarefa ganha importância quando nos recordamos o ensinamento do Concílio Vaticano II sobre ela:

“Em primeiro lugar o Santo Sínodo volta seu pensamento aos fiéis católicos. Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e o caminho da salvação é Cristo, que se torna presente no Seu corpo, que é a Igreja” [4].

Essa afirmação tão recente da história da Igreja não significa de modo algum que apenas os fiéis católicos serão salvos, já que o mesmo Concílio afirma que “Todos os homens, pois, são chamados a esta católica unidade do povo de Deus” [5]. Certamente aqueles que por algum motivo ignoram nesta terra a presença de Cristo na Igreja Católica, podem certamente ser incorporados a ela nos Céus.

A beleza dessa afirmação está no fato de ensinar-nos que ao fundar uma Igreja, o que Nosso Senhor Jesus Cristo queria era legar ao mundo um instrumento de salvação para toda a humanidade, mesmo que grande parte dele o desconheça. Para isso a Igreja foi sonhada: para conferir a salvação a todos os que a aceitarem, seja nessa vida, ou diante de Deus, após a morte.

Quanto a nós, que tivemos a graça sermos batizados na Igreja de Cristo, agradeçamos a Deus pelo seu imenso amor que nos legou esse grandioso e precioso dom que é a Igreja. Dando valor à obra de salvação, reconheçamos com a Igreja que “Deus pode, por caminhos dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa ignoram o Evangelho” [6]. Mas reconheçamos igualmente que “há uma única Igreja, exatamente como há um único universo; e nenhum homem sábio perambulará por aí procurando outra” [7].

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós para que estejamos cada vez mais unidos ao corpo de Cristo, para quer sejamos cada dia mais Igreja.

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 857.

[2] Aquino, F. A Minha Igreja. Lorena: Cléofas, 2002, 3ª edição, p. 96.

[3] CEC, n. 834.

[4] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 14.

[5] LG, n. 13.

[6] CEC, n. 849.

[7] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 63.