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“MARIA, MÃE DE CRISTO, MÃE DA IGREJA [1]” (Papa Paulo VI) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações a todos vocês, amigos do CommunioSCJ. Com grande alegria, continuamos a aprofundar nossa fé ao longo das páginas do Catecismo da Igreja Católica.

Depois de meditarmos sobre o mistério da Igreja de Cristo, voltamos nossos olhares, nessas semanas mais recentes, para os membros desse instrumento de salvação. Vimos que existem diferentes formas de se ser um membro da Igreja; e que ao mesmo tempo todos eles estão unidos em Jesus, na Comunhão dos Santos. Todavia, dentre todos os membros que constituem o Corpo Místico de Cristo, seja na Terra, no Purgatório ou no Paraíso, existe um que ocupa um lugar de maior honra em virtude de sua pertença a Cristo, por ocasião de sua vinda (Cf. 1Cor 15,23): a Santíssima Virgem Maria!

A grandeza de Nossa Senhora reside no aparente paradoxo de sua figura. Pois embora ela possa ser contada entre os membros do Corpo de Cristo, ela é ao mesmo tempo a Mãe desse Corpo. Justamente por isso, Maria é mais do que uma intercessora ou um “modelo da fé e da caridade” [2], como são os outros santos e santas da Igreja. Ela desempenha um papel maior, uma ação real e concreta: Maria é também a nossa Mãe. E essa palavra não representa um mero título carinhoso, mas uma relação verdadeira e fecunda.

E esta constatação é não somente uma verdade de fé, como também uma dedução perfeitamente lógica diante de tudo o que temos refletido até aqui. Pois se Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é a “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), não há Ícone - Nossa Senhora_02como negar que Maria é também Mãe da Igreja. Nas belíssimas palavras de Santo Agostinho, Nossa Senhora “é verdadeiramente a Mãe dos membros (de Cristo)… porque cooperou pela caridade para quer na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça” [3]. Desta maternidade não se pode duvidar. Jesus, que é a Verdade, foi quem a instituiu. As palavras que dirigiu a São João do alto da cruz são também para toda a humanidade: “Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,27).

Assim entendemos o papel de Nossa Senhora em nossa vida espiritual. Sendo nossa Mãe, ela gera Cristo em nós. Sim, através de sua intercessão, no Espírito Santo, nos tornamos um com Cristo. Por isso podemos dizer com a Igreja que “pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas” [4]. E dizemos com a consciência de que essa ação maternal não é fruto das próprias forças de Maria, mas “flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na Sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a força” [5].

E se é difícil entendermos como Nossa Senhora coopera com a nossa salvação, podemos iluminar as nossas dúvidas com uma bela analogia apresentada de São Luís Maria Grignion de Montfort:

“Peço-te que notes o que eu disse: os santos são moldados em Maria. Há grande diferença em fazer uma figura em relevo a golpes de martelo e de cinzel, e fazer uma figura lançando-a numa fôrma. […] Santo Agostinho chama a Santíssima Virgem ‘Fôrma de Deus’, Fôrma própria para formar e moldar deuses: ‘Sois digna de ser chamada Fôrma de Deus’. Aquele que é lançado nessa Fôrma Divina depressa é formado e moldado em Jesus Cristo e Jesus Cristo nele. Facilmente e em pouco tempo será transformado em Deus, divinizado, pois é lançado no próprio molde que formou um Deus” [6].

Lembremo-nos sempre de que essa amada Mãe foi assunta aos Céus e, estando perto do Senhor, “por sua multíplice intercessão prossegue em granjear-nos os dons da salvação eterna” [7]. E peçamos: Santíssima Virgem Maria, rogai por nós!

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 963.

[2] CEC, n. 967

[3] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 53.

[4]. LG, n. 61.

[5] LG, n. 60.

[6] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 152.

[7] LG, n. 62.

MARIA, MÃE E MODELO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

3 Comentários

Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos em Cristo Jesus, sejam, como sempre, bem vindos ao CommunioSCJ. Cumprindo nosso projeto para este Ano da Fé, de acordo com o que nos pediu o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, damos mais um passo no estudo do Catecismo da Igreja Católica. E, assim, chegamos ao Parágrafo 6 da nossa Profissão de Fé que aborda o tema do lugar da Virgem Maria no mistério da Igreja [1], mais especificamente da maternidade de Maria em relação à Igreja. Providencialmente, neste final de semana, a liturgia nos chama à contemplação da Virgem assunta aos céus, o que nos ajuda não apenas a entender racionalmente este mistério, mas adentrarmos mais profundamente a ele com todo nosso coração.

O Concílio Vaticano II afirma que Maria, “de modo inteiramente singular, pela Ícone moderno_Maria-Mãe-da-Igrejaobediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça” [2]. É sua união a Deus que permite que ela seja a nossa Mãe, Mãe da Igreja. Tal cooperação, aliás, não cessou com sua assunção aos céus, pois ela está em comunhão com toda a Igreja na comunhão dos santos [3]. Assim, tal cooperação perdura pelos séculos na sua maternidade em relação a nós. Esta maternidade, podemos observá-la concretamente na sua múltipla intercessão, atestada por numerosíssimos testemunhos dos fiéis que tem recorrido a ela em toda a história da Igreja, e no modelo de vida cristã que ela constitui para cada um de nós.

Ora, compreendemos melhor a maternidade da Virgem em relação a nós quando vemos o mesmo Concílio afirmar que “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” [4]. Ou seja, a maternidade que Maria exerce em relação à Igreja não deriva de uma necessidade ontológica, Ícone - Imaculado Coração de Mariamas da imensa bondade de Deus que no-la deu na cruz de Cristo como socorro para que, no naufrágio desta existência, encontrássemos o porto seguro nele.

Noutro ponto de vista, Maria não é apenas nossa intercessora, advogada e Mãe na ordem da graça. Ela é nosso modelo. Diz-nos o Catecismo: “por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade” [5]. Fica claro, então, caros irmãos, que não devemos ter Nossa Senhora como uma espécie de banco, onde colocamos nossa confiança a fim de obtermos recursos para esta vida. Sua missão não consiste em nos fazer favores, mas em nos ligar a Jesus, seu divino Filho. Por isso, nossa relação filial com ela deve ir além de uma relação de barganha: somos chamados, pelo seu exemplo, a aderir de todo coração à vontade de Deus, a corresponder à obra de Jesus Cristo e às moções do Espírito Santo na fé e na caridade, de tal modo que a vida divina transborde em nós. Assim, não há dúvida que ao nos aproximarmos de Maria, encontramos um caminho seguro para o verdadeiro encontro com Jesus Cristo.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude, por seu exemplo e por sua intercessão, a viver cada dia mais unidos a Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 963-975.

[2] Lumen Gentium (LG) 61.

[3] Mistério que estudamos na semana passada. Cf. “Creio na Comunhão dos Santos – Por Fr. Lucas, scj”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/08/10/creio-na-comunhao-dos-santos-por-fr-lucas-scj/>.

[4] LG 60.

[5] CEC 967.

MARIA, FILHA PREDILETA DO PAI E SACRÁRIO VIVO DO ESPÍRITO SANTO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente!

Continuando as reflexões sobre nossa fé, chegamos agora ao papel da Virgem Maria na Igreja, cujo sim em gerar o Filho de Deus em seu ventre, mudou para sempre o destino da humanidade.

“A Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime e unida a ele por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com a missão sublime e a dignidade de ser a Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo” [1], veio ao mundo sem a mancha do pecado original, era pura de coração, obediente e entregue totalmente à vontade do Pai. Por sua fé, caridade e esperança, Maria é a discípula perfeita e modelo para todos nós, é a seta que nos conduz ao seu Filho. A Igreja reconhece em Maria a Ícone - Santa Maria Mãe de Deusadvogada, a auxiliadora, a medianeira e protetora, mas principalmente como a Mãe de Deus e Mãe da Igreja.

No Evangelho de João, quando Jesus diz ao discípulo, “Mulher eis aí o teu filho” [2], Ele deixa bem claro o papel de Maria junto a Igreja, entregando-a como Mãe, não só ao discípulo amado, mas a todos os discípulos.

De forma alguma ela ocupa o mesmo lugar que seu Filho, somente Jesus é Salvador e Redentor, porém, Maria cooperou na sua obra de restauração da vida sobrenatural das almas [3]. Foi assunta aos céus, mostrando-nos a antecipação da glória reservada a todo cristão que segue seu exemplo.

Maria foi um grande exemplo de mulher e mãe, suportou tanto sofrimento desde que soube de sua gravidez, o risco de ser apedrejada, caso José a acusasse de traição, suportou a desconfiança da sua própria família, teve seu filho num estábulo, teve que fugir assim que seu filho nasceu para salvá-lo da morte. Mas Deus sempre a amparou, mandou seu Anjo dizer a verdade a José para que a protegesse e que confiasse nela, Ele guardou a vida de seu Filho, o fez crescer a salvo em sabedoria e graça [4]. Recebeu muitas alegrias de seu Filho, e mesmo no momento da grande dor da Crucifixão, não a deixou só, consolou seu coração entregando-lhe todos os filhos da Igreja e assim adotando-os, os protege, intercede por eles até o fim dos tempos, é a sua advogada, pois rico em misericórdia é também o coração de Maria.

Que a nossa fé seja como a fé de Maria, que tudo ouviu e guardou em silêncio em seu coração, que jamais perdeu a fé mesmo nas piores tribulações e que, assim com ela, nós possamos ser setas que indicam o caminho para Jesus.

Uma semana abençoada a todos!

 

 

Maria, mãe de Cristo, mãe da Igreja – CEC 963-970

[1] Lumen Gentium (LG) 53.

[2] Jo 19,26.

[3] LG 61.

[4] Lc 2,52.