Olá, amigos! Com muita alegria os acolhemos novamente aqui no CommunioSCJ.

Na semana passada refletimos acerca da morte redentora de nosso Senhor Jesus Cristo. E nesse caso, anunciar a morte significa, simultaneamente, proclamar a Ressureição. Entre esses dois mistérios, entretanto, existe o sepulcro. Pois “em seu projeto de salvação, Deus dispôs que seu Filho não somente ‘morresse por nossos pecados (1Cor 15, 3), mas também que ‘provasse a morte’, isto é, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre sua alma e seu corpo compreendido entre o momento que expirou na cruz e o momento em que ressuscitou” [1].

Como já foi apontado em outras ocasiões, a fim de redimir a nossa humanidade, Ícone - Descida ao SheolJesus teve que assumi-la plenamente. Deste modo, não pôde se furtar de viver a terrível realidade da morte. Como acontece com cada homem e mulher, teve sua humanidade dilacerada pela separação entre alma e corpo. Compartilhou dessa experiência humana permanecendo sepultado até o domingo, dia em que ressuscitou reunindo-as novamente. Jesus se sujeitou a ser sepultado como nós seremos um dia, para que nós pudéssemos ressuscitar como Ele ressuscitou no terceiro dia após a sua morte. Não apenas no final dos tempos, mas desde agora, espiritualmente, no nosso batismo onde “fomos sepultados com Ele em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6, 4).

É preciso notar, entretanto, que por se tratar do Filho de Deus, a morte O envolveu de uma forma diferente do que acontecerá com cada um de nós. Pois embora corpo e alma estivessem separados, estavam ligados à Pessoa Eterna do Filho. Assim, ao pensarmos no corpo sepultado de Cristo “não estamos diante de um cadáver como os outros” [2]. Estamos diante de um corpo que não sofreu a corrupção, a decomposição. Mas e quanto a sua alma? Onde esteve ela enquanto seu corpo incorrupto repousava no sepulcro?

O Catecismo responde a essa indagação dizendo que “Cristo desceu aos Ícone - Resurrection Yaroslavl Schoolinfernos” [3]. Durante a sua morte, a Pessoa do Filho, através de sua alma humana, foi muito além do se fazer homem. Foi o mais fundo que seu amor permitiu e glorificou o Pai cumprindo de maneira perfeita sua missão redentora. Jesus se rebaixou ao extremo a fim de ser posteriormente glorificado pelo Pai. “Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher o universo” (Ef 4, 10).

Mas entendamos bem o que se pretende exprimir com a palavra “infernos”. Não se trata, evidentemente, do inferno criado por Satanás. Pois este é o estado da alma que permanece eternamente separada de Deus, o que seria impossível para Jesus, já que Ele próprio é Deus. A palavra “infernos” designa na verdade, o local onde estavam as almas dos que estavam “privados da visão de Deus” [4], daqueles que ainda aguardavam a salvação de Cristo. Trata-se do sheol, do Hades, do que costumamos nos referir como “mansão dos mortos” quando rezamos o credo.

Enquanto o corpo de Cristo aguardava no sepulcro, Ele se dirigia às muitas almas justas que se encontravam neste estado de espera, na “mansão dos mortos”, para libertá-las, para abrir-lhes as portas dos Céus. Considerando o tempo que seu corpo permaneceu sepultado, pode parecer que tenha se tratado de algo breve, até mesmo pequeno. Na realidade, foi uma imensa obra de salvação. Ou melhor, o imenso começo de sua imensa obra de salvação.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós a fim de que, um dia, sejamos contados entre os justos aos quais as portas dos Céus foram abertas.

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 624.

[2] CEC, n. 627.

[3] CEC, n. 632.

[4] CEC, n. 633.

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