Inicial

O MATRIMÔNIO É UMA CRUZ – Por Fabiana Theodoro.

Deixe um comentário

Olá, amigos, que a paz do Senhor esteja sempre convosco!

Chegamos ao ponto das nossas reflexões em que o Beato João Paulo II fala especificamente do Matrimônio. As Escrituras são marcadas por casamentos determinantes ao longo da História, começa com a união de Adão e Eva na Criação [1], no início do Novo Testamento, o primeiro milagre de Jesus, a transformação da água em vinho, relatado pelo evangelista João, marca o início da vida pública de Jesus [2] e o Apocalipse, último livro das Escrituras é marcado pelas núpcias do Cordeiro [3], o casamento definitivo entre Jesus e sua Igreja.

Esses casamentos são sinais da a aliança de Deus para com seu povo, renovadas de tempos em tempos até a aliança definitiva, o sangue do Cordeiro derramado na cruz.

Falar em aliança definitiva e Matrimônio ao mesmo tempo, pode soar como “piada” para as pessoas desinformadas que ainda enxergam a Igreja como uma crença ultrapassada. Pois bem, os tempos mudaram, o divórcio está cada vez mais fácil, várias pessoas se divorciam sem passar sequer do primeiro ano. Mas, por quê?

Na verdade, nada mais natural do que buscar ser feliz, não é mesmo? Pois é, aí está o grande problema: a busca egoísta da própria felicidade, quando o casamento é pura doação, é dar o máximo de si para a felicidade do outro e jamais esperar que o outro satisfaça o nosso desejo de felicidade. Ninguém pode nos dar o que só Deus pode. Santo Agostinho mesmo diz “a minha alma só em Ti encontra repouso” [4].

Que grande tentação são as soluções fáceis, a fuga do sofrimento, qualquer crise já é motivo de separação, esquece-se que Cristo carregou sua cruz até o fim. Por isso a Igreja pede maturidade no momento de decidir-se pelo Matrimônio, e isto é o que mais têm faltado em nossa sociedade, já não somos mais preparados para relacionamentos duradouros, o pensamento moderno diz: “não deu certo, separe-se”. O casamento deve ser muito bem pensado e os noivos devem estar cientes do compromisso de um para com o outro. O amor é o Mandamento mais importante que Deus nos deixou, preste muita atenção, não é sentimento, é Mandamento.

Na Eucaristia vivemos o grande mistério em que o Esposo, Nosso Senhor Jesus Cristo, entrega o Seu Corpo pela Esposa, a Igreja. O Esposo dá tudo o que é por amor. O matrimônio é uma “cruz”, pois é uma entrega de amor [5].

O casamento entre dois batizados é um sacramento, porque é uma participação na redenção, é salvífico porque é uma entrega. É a entrega da sua vida para fazer com que o outro chegue à felicidade, que é Jesus. Você não é a fonte da felicidade, mas deve entregar a sua vida para alcançar a felicidade, um se faz sacrifício ao outro [6].

Dentro deste contexto de inteira doação, o sexo é extremamente sagrado, é a consumação desta entrega total, o corpo fala, pois é uma linguagem. Se uma pessoa diz: “eu te amo” – com os lábios cerrados e com gestos negativos – você vai acreditar no corpo ou na palavra dela? O corpo, na relação sexual entre marido e mulher, diz: “o meu corpo é todo seu”. Mas quando o sexo está no namoro não há entrega total; quando cada um vai para sua casa é uma mentira. Somente no matrimônio, na entrega para sempre, é que ocorre a entrega total, isso é redentor, sacramento que Jesus nos revelou na cruz [7].

A entrega total nos dá muito medo. Como prometer a vida inteira a uma pessoa, se não sabemos se vai dar certo ou não, se vamos ser felizes ou não, se vamos ser traídos, e se nos interessarmos por outra pessoa, como acontece o tempo todo nas novelas?

A resposta é muito simples e muitos católicos que eu conheço nos dão exemplos maravilhosos disso: “o amor é decisão”, simples assim.

Então, minhas últimas palavras hoje para você são: “decida-se a amar e a deixar-se ser amado, aceite sua cruz e não tenha medo de sofrer, Jesus carrega a cruz junto com você”.

Uma boa semana!

 

 

PAPA JOÃO PAULO II. Valor do matrimônio uno e indissolúvel à luz dos primeiros capítulos do Génesis. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791121_po.html>.

[1] Gn 2,23.

[2] Jo 2.

[3] Ap 19,7-9.

[4] SANTO AGOSTINHO, Confissões, I, 1.

[5] PE. PAULO RICARDO. Matrimônio, o sacramento da Criação. Disponível em: <http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12433#.UzibgPldU3k>.

[6] idem.

[7] idem.

A IGREJA É, E SEMPRE SERÁ CONTRA TUDO O QUE FERE O SER HUMANO – Por Fabiana Theodoro.

Deixe um comentário

Olá amigos!

Iniciando o novo ano litúrgico, também começamos um novo ciclo de reflexões, conforme Frater Lucas já adiantou em seu último texto, sobre as catequeses do Beato João Paulo II, a chamada Teologia do Corpo.

Neste primeiro texto, somos chamados a refletir sobre uma realidade muito comum em nosso cotidiano, porém, que não corresponde à vontade de Deus, o divórcio.

No Evangelho de Mateus, Jesus é questionado pelos fariseus quanto a esse assunto e responde: “O Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher, e disse: Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne. Portanto, já não são dois, mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem”. “Por que foi então, perguntaram eles, que Moisés preceituou dar-lhe carta de divórcio ao repudiá-la?”. “Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.” [1]

No princípio, como se refere Jesus, Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança [2], para unirem-se um ao outro, envoltos por um elo sagrado selado no altar (quem dera todos tivessem essa ciência, antes de comprometerem-se por este ato).

Ao unir-se em matrimônio na Igreja, o Senhor testemunha a promessa de um noivo Aliançaspara o outro de que vai empenhar-se em fazer o outro feliz, mais do que se empenhará em ser feliz, que abrirá mão de si mesmo em prol do outro, estando ciente de que é uma “só carne”, como diz o Senhor.

O casamento que não tem o Senhor como centro já começa errado. Relacionamentos não são fáceis, aceitar os defeitos e os erros do outro, muito menos. Aqueles que se casam sem firmar primeiramente um compromisso com Deus, não resistem às tribulações. A sociedade diz: “não deu certo, separe-se”, mas Deus diz: “Permaneçam firmes, estou junto de vocês.”

O Beato João Paulo II estará conosco ao longo das próximas reflexões para nos elucidar sobre a profundidade das palavras de Jesus no Evangelho que nos exortam a amar incondicionalmente à àquele que se escolheu para compartilhar a vida. Para tanto, é necessário um bom tempo de preparação e acompanhamento espiritual para que o casal tenha condições de conhecer um ao outro e descobrir se compartilham do mesmo desejo de servir e seguir a Deus juntos. Um casamento feliz se constrói sobre rocha firme para que as tempestades, quando vierem, não o derrubem.

O mundo das celebridades trata como “normal” os vários divórcios de suas estrelas e de seus astros, mas quando os holofotes se apagam ninguém sabe como é de verdade. Nessas horas, todas as pessoas sofrem da mesma forma e os filhos também.

Em muitos casos, através de uma investigação mais profunda, a Igreja identifica a validade ou não de um casamento, considerando-o nulo por várias razões possíveis e, nessas situações, é sempre bom consultar um padre, pois ninguém melhor para orientar nesse momento.

A Igreja não é indiferente ao sofrimento daqueles que já viveram um casamento que não deu certo, e, no entanto, querem viver de forma correta e coerente com a fé. Ela acolhe essas pessoas, mas quer evitar que outros casais cometam os mesmos erros, sendo acusada de intolerante e antiquada, o que ela não é. Deus ama o homem e a mulher, os criou à sua imagem e semelhança, para amar como Ele ama. O divórcio fere esse objetivo de Deus para nós e por isso a Igreja é contra, Ela é e sempre será contra tudo o que fere a criação de Deus, o ser humano.

Que o Senhor nos guarde sempre em teus caminhos, nos oriente e nos ilumine sempre em direção à sua vontade e que saibamos esperar o melhor de Deus para nossas vidas, amém!

Boa semana a todos!

 

 

BEATO JOÃO PAULO II, Audiência Geral, 5 de setembro de 1979, Em colóquio com Cristo sobre os fundamentos da família, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19790905_po.html>.

[1] Mt. 19,3 ss.; Mc. 10,2 ss.

[2] Gn 5,2.

“HOMEM E MULHER, OS CRIOU” (Gn 1,27) – Por Fr. Lucas, scj.

Deixe um comentário

Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs, bem vindos ao CommunioSCJ! Estamos muito contentes por, já na primeira quinzena de 2013 nosso blog ter ultrapassado a expressiva marca dos 15.000 acessos. Agradecemos a confiança e esperamos, com o imprescindível auxílio da Graça divina, corresponder à altura.

O Ano da Fé prossegue e, com ele, nosso estudo do Catecismo da Igreja Católica. Sagrada Família (ícone)Chegamos hoje, ainda nos detendo sobre a verdade da criação e do lugar ímpar do ser humano nela como imagem e semelhança de Deus, à verdade de que a diferença entre homem e mulher é querida por Deus.

O número 369 do Catecismo é muito claro: “o homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher”. Ou seja, tanto o homem, quanto a mulher, tem a mesma dignidade: são iguais na dignidade de pessoa. Há, entretanto, uma diferença que é, também ela, querida por Deus: a diferença dos gêneros, o masculino e o feminino.

Caros irmãos, fomos criados como homem ou mulher. Deus nos quis assim. Nossa sexualidade não é fruto do pecado ou algo mau: Deus nos quis sexuados, masculinos ou femininos e, assim, nos fez orientados à comunhão (cf. CEC 371-373). Portanto, sermos homens e mulheres, é uma realidade positiva, nascida do Coração de Deus e que nos conduz a Deus.

Nosso próprio corpo aponta para esta natural abertura à comunhão. Se você é homem como eu, pense comigo. Só há sentido para o nosso corpo, masculino como ele é, porque sabemos que existe o corpo feminino com sua composição e harmonia próprias. Da mesma forma o contrário: há sentido para o corpo feminino porque existe nosso corpo masculino com sua composição e harmonia próprias. Deus nos fez assim, naturalmente orientados um para o outro.

Esta comunhão se realiza de modo particular no Sacramento do Matrimônio, onde o casal se une por um amor que é Sinal do amor de Cristo pela Igreja e, assim, se abre à Mãos - Matrimôniovida. Quando um homem e uma mulher se unem através de um amor livre, total, fiel e fecundo, através do Sagrado Matrimônio, a atividade sexual se torna expressão daquilo que se vive e, portanto, está em ordem. Do contrário, a atividade sexual introduz a desordem interior e é, portanto, destrutiva. É por isso que nós, católicos, somos contra o sexo fora do Matrimônio [1].

Há, porém, todo um trabalho de desconstrução desta realidade: a ideologia de gênero. Para os ideólogos de gênero, não nascemos homem ou mulher, mas escolhemos o que queremos ser. É um pensamento obviamente autocontraditório que não se sustenta depois de cinco minutos de sinceridade consigo mesmo diante do mundo real.

Que Maria Santíssima, mulher de acordo com o Coração de Deus, nos conduza a Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nosso Redentor.

Forte abraço, até breve!

 

 

Cf. CEC 369-384.

[1] Cf. “Pregador internacional explica amor humano a partir de João Paulo II”. Disponível em: <http://www.cancaonova.com/portal/canais/tvcn/tv/mostramateria.php?id=8816>.

 

Neste texto, abri várias linhas de reflexão. É impossível levar todas ao fim. Por isso, recomendo o estudo do trecho do Catecismo que trata do Sagrado Matrimônio (CEC 1601-1666). Além disso, recomendo os seguintes textos e vídeos:

Destrave: “Ideologia de gênero, seus perigos e alcances”. Disponível em: <http://destrave.cancaonova.com/ideologia-de-genero-seus-perigos-e-alcances>.

Pe. Paulo Ricardo:

“Feminismo, o maior inimigo das mulheres”. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/feminismo-o-maior-inimigo-das-mulheres>.

“Homossexualismo e ideologia gay”. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/homossexualismo-e-a-ideologia-gay>.

“Masculinidade, o que está acontecendo com os homens?” Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/masculinidade-o-que-esta-acontecendo-com-os-homens> (parte 1) e <http://padrepauloricardo.org/episodios/masculinidade-o-que-esta-acontecendo-com-os-homens-de-deus> (parte 2).