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DA EXPERIÊNCIA À ESCOLHA – Por Diác. Lucas, scj.

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Caros irmãos e irmãs, sejam, mais uma vez, bem vindos ao CommunioSCJ!

Continuamos nossa reflexão acerca da teologia do corpo, do Beato João Paulo II. Neste caminho, chegamos agora à catequese que trata da alternativa entre a mortalidade e a imortalidade na definição mesma do homem. Nela, o beato papa aprofunda o tema da solidão original do homem, abordado nas reflexões anteriores.

Tal solidão se refere, num primeiro momento, ao fato de que o homem, apesar de se encontrar num ambiente material, físico, pois formado do pó da terra (cf. Gn 2,7), ele está só: está consciente de não se limitar ao plano físico, como os animais. Fica evidente, portanto, que esta solidão é sinal da subjetividade especificamente humana como autoconsciência e autodeterminação. Diante de Deus, o ser humano está só: nenhum dos animais lhe pode ser parceiro, como ele é chamado a ser do próprio Deus. Num segundo momento, refere-se à mútua inclinação entre os dois sexos.

E esta subjetividade, que caracteriza sua solidão original, não é experimentada apesar de seu corpo: pelo contrário, a própria descoberta de sua corporalidade leva o homem a perceber-se só em meio à criação. Pois, o corpo humano tem uma estrutura “tal que lhe permite ser o autor de uma atividade verdadeiramente humana. Nesta atividade, o corpo exprime a pessoa. Ele é, portanto, em toda a sua materialidade (…), quase penetrável e transparente, de maneira que evidencia quem é o homem (e quem deveria ser) graças à estrutura da sua consciência e da sua autodeterminação” [1].

Desse modo, percebe-se claramente que “o ‘invisível’ determina o homem mais que o ‘visível’” [2], ou seja, que o mundo material não é suficiente para dar um sentido à existência humana. E é aí, nesta experiência fundamental, que se lhe apresentou “a alternativa íntima e diretamente ligada por Deus-Iahweh, à árvore do conhecimento do bem e do mal” [3]: a morte e a imortalidade. Em outras palavras, ou o homem se abandonava ao desígnio de Deus para que, assim, entre numa dinâmica de imortalidade; ou o ele se precipita no abismo da morte, como “radical antítese de tudo aquilo de que o homem fora dotado” [4].

É justamente este caminho – da consciência à escolha – que proponho como nossa reflexão pessoal (talvez até mesmo como exercício quaresmal). Primeiro, a experiência. É simples: basta sermos sinceros conosco mesmos para ver que não há sentido para nossa vida, se ela está fechada neste mundo – se não nos abrirmos ao transcendente. Mais: que não há nada que nos possa fazer feliz entre aquilo que se vê. Santo Agostinho também fez esta experiência e a relatou como oração dirigida a Deus nas famosas Confissões: “nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso” [5].

Segundo, a escolha. Cabe a nós a decisão de nos fecharmos em nós e, assim, encararmos a morte sem esperança, ou nos abrirmos ao amor redentor que nosso Senhor derramou de sua cruz: um amor capaz de dar um novo horizonte e um sentido definitivo à nossa existência [6]. “Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da auto-referencialidade” [7]. E é aí que encontramos a verdadeira alegria que inunda nosso coração e transborda em evangelização.

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, estrela da evangelização, interceda por nós neste caminho de encontro com seu divino Filho. Fraterno abraço, até breve.

 

 

[1] JOÃO PAULO II, “Na definição mesma do homem, a alternativa entre a morte e a imortalidade”. In Homem e mulher o criou: catequeses sobre o amor humano, p. 74-75.

[2] Idem, p. 75.

[3] Ibidem.

[4] Ibidem.

[5] SANTO AGOSTINHO, Confissões, I,1.

[6] BENTO XVI. Deus caritas est, n.1.

[7] FRANCISCO. Evangelii gaudium, n.8.

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A NOSSA FÉ CATÓLICA (v. 2) – Por Pe. Daniel Ribeiro, scj.

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Olá, queridos amigos. Que a Paz de Deus esteja com vocês.

Estou feliz em escrever novamente para o nosso blog. O assunto deste texto continua a ser nossa fé em Jesus Cristo que recebemos da Igreja. Neste texto eu gostaria de refletir sobre como a fé deve afetar toda a nossa vida. Este ano está quase acabamento e nós não podemos dizer sempre as mesmas coisas sobre a nossa vida. Ela pode crescer. Para ajudar nossa reflexão, em 26 de Setembro, em sua missa diária, o Papa Francisco explicou sobre três formas diferentes para viver a fé e conhecer nosso Deus.

Primeiro é possível conhecer a Deus com a mente. É muito comum ouvirmos que o Concílio Vaticano II ainda não é conhecido. Mas raramente alguém diz que nós não conhecemos o Catecismo da Igreja Católica. Eu acho que se os católicos conhecerem bem a Igreja e sua história nós teremos muito respeito e admiração. Ler e estudar é muito importante, mas é apenas o primeiro passo. É assim porque quando estudamos podemos saber coisas sobre Jesus, mas não é suficiente. Depois é preciso conhecer Jesus.

Ninguém pode conhecer Jesus sem se envolver com Ele. Se você não conversa com Ele, você não O conhece. Você pode ter conhecimento sobre Jesus, mas sem amizade, é impossível ser Seu amigo. Então a oração não é teoria ou repetição de fórmulas prontas. Eu penso que rezar é um encontro e um diálogo íntimo com alguém que amamos. Quando nós amamos não são suficientes apenas fotos e cartões. Então sem oração, Deus pode ser admirado, mas não amado.

Entretanto o Papa Francisco explicou que a fé do coração é também apenas um passo importante, mas podemos ir mais longe. A fé precisa descer da mente para o coração e depois precisa chegar nas mãos. Em outras palavras, nós precisamos conhecer a linguagem da ação. É necessário andar com Jesus em nossa jornada diária. Então eu devo sempre pensar que se Ele estivesse em meu caminho Ele também faria isso.

Eu gostaria de ajudá-los a pensar em como é bonita a fé que recebemos da Igreja. Então não podemos esquecer que a fé não é uma fórmula, mas um comportamento de alguém que ama e gosta de fazer tudo o que seu amado faria e acredita. Entretanto, Jesus é simples, mas Ele quer sinais concretos de amor. Tenham uma boa semana.

Deus os abençoe.

 

Pe. Daniel

 

 

 

Segue o texto em sua versão original:

 

Hello, dear friends. May the peace of God be with you.

I’m happy to write again to our blog. The subject of this text continues to be our faith in Jesus Christ that we received from the Church. In this text I would like to meditate about how the faith has to affect all our life. This year is almost finishing and we can´t tell always the same things about our lives. It can grow. To help our reflection, in September 26th, in his daily Mass, Pope Francis explained about three different ways of living the faith and knowing our God.

First it is possible to know God with the mind. It is very common we listen that Vatican Council II still isn´t known. But rarely someone say that we don´t know the Catechism of the Catholic Church. I think that if the catholic know well the Church and its history we will have much respect and admiration. To read and to study is very important, but it is only the first step. It is like this because when we study we can know things about Jesus, but it isn´t enough. After is needed to know Jesus.

No one can know Jesus without getting oneself involved with Him. If you don´t talk to Him, you don’t know Him. You can have knowledge about Jesus, but without friendship, it is impossible to be His friend. So, the prayer isn’t theory or repetition of ready formulas. I think to pray is a meeting and intimate dialogue with somebody that we love. When we love it isn´t enough only pictures and cards. So, without prayer God can be admired, but not loved.

However Pope Francis explained the faith of heart is also only another important step, but we can go further. The faith needs to go down from the head to the heart and after must arrive in the hands. In other words, we need to know the language of action. It is necessary to walk with Jesus along our daily journey. So, I always should think if He was in my path He would also do it.

I would like to help you to think how it is beautiful the faith that receive from the Church. So, we can´t forget that the faith isn´t a formula, but a behavior of someone that loves and likes to do all that his loved one would do and believe. However, Jesus is simple, but He wants concrete signs of love. Have a nice week.

God bless you.

 

Fr. Daniel

A IGREJA, A JMJ RIO-2013 E O PAPA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

 

Caros irmãos, sejam, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Seguindo nosso projeto de estudo do Catecismo da Igreja Católica, proposto pelo Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, durante as últimas semanas, refletimos, com a ajuda da Fabiana Theodoro, os diferentes modos do seguimento de Jesus Cristo: a hierarquia, os fiéis leigos e a vida religiosa consagrada [1].

De fato, o Código de Direito Canônico afirma que “fiéis são os que, incorporados a Cristo pelo Batismo, foram constituídos povo de Deus e, assim, feitos participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, são chamados a exercer, seguindo a condição própria de cada um, a missão que Deus confiou para a Igreja cumprir no mundo” [2]. De fato, todos que fomos batizados somos Igreja. Por isso, quando nos referimos à Igreja, referimo-nos também a nós, embora sejamos livres o bastante para nos afastar e até romper a comunhão com a Igreja…

Neste sentido, o que era mais bonito de estar em Copacabana no último fim de semana, na JMJ Rio-2013, era justamente ver ali, naquela multidão, a Igreja visível pic_042reunida. É claro que a Igreja é mais invisível que visível; isso é evidente. Mas, no que se refere à Igreja militante, era visível sua comunhão com Cristo ao redor do sucessor de Pedro, o Papa, e dos sucessores dos outros apóstolos, os bispos.

Era possível ver a comunhão com a Igreja na América Latina com a presença de tantos hermanos – e não só da Argentina, mas da Venezuela, da Colômbia, do Paraguai… E quem não viu nenhum grupo de chilenos? Estavam presentes também jovens de todos os outros continentes… Eram muitos europeus, norte-americanos, africanos (de uma alegria contagiosa) e asiáticos… Da Oceania, encontrei-me com uns australianos e, na Missa final, estava perto de um grupo das Ilhas Cook. Era visível, também, a comunhão com a Igreja perseguida nos três jovens paquistaneses que enfrentaram de tudo para estar ali…

E não só de todos os lugares, de tantas línguas, bandeiras e costumes… Mas de todos os modos de seguir Cristo: bispos, padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas e muitos, muitos leigos e leigas! Na maioria esmagadora de jovens. E, aí, mais uma experiência marcante: a Igreja está viva – e é jovem. A Igreja não está moribunda. Há muita gente – e gente jovem – lutando para viver de acordo com os valores evangélicos.

E, quando penso nisso, lembro-me que há sempre alguém para dizer que os jovens foram porque era uma festa. De fato, apesar dos contratempos, era uma festa. Flickr Oficial JMJ (26)Tinha aventura (nunca tinha pensado em dormir na praia), desafio (boas caminhadas), música e dança. Mas nem tudo era festa. Era preciso estar lá para sentir o silêncio adorador no sábado à noite, depois que o Santíssimo Sacramento foi trazido ao altar. Foi bonito ver as bandeiras sendo recolhidas para a Missa do domingo. Vi muitos grupos rezando o Terço enquanto caminhavam. Tenho o testemunho de outros rezando a Liturgia das Horas. Jovens de oração; de adoração… Bastava fitar os olhares ao redor. Era uma multidão que rezava. E rezava de verdade.

E rezavam porque a presença de Jesus Cristo, nosso Senhor, era misteriosa, mas real e quase palpável… E Ele é o mais importante nisso tudo. Presente Ele estava nos irmãos. Presente, também, na natureza exuberante. Presente nos Flickr Oficial JMJ (7)sacramentos, sobretudo na Eucaristia. Presente no Santo Padre, o Papa Francisco. Agora eu sei porque Santa Catarina de Sena o chamava de “Doce Cristo na terra”…

E é com a presença do Papa Francisco que quero terminar este breve testemunho (acho até que já me estendi demais). O Santo Padre é um homem sem fronteiras: parece não haver nenhuma barreira entre o Papa Francisco e nossos corações. Ao mesmo tempo, ele é um homem muito firme, como pudemos verificar nas palavras que ele nos dirigiu. Agora, para escaparmos às más interpretações que nos são apresentadas, temos que ir às fontes. O Papa veio até nós e o mínimo que podemos fazer para lhe agradecer é ouvir o que ele nos disse mesmo (e não o que disseram que ele disse). Não precisa muito. Dois ou três cliques e você chega lá [3]. Isso é fundamental num país como o nosso, onde o aborto é legalizado por debaixo dos panos.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, interceda por nós e nos sirva de modelo de fidelidade à Palavra de Deus.

Fraterno abraço a todos. Até a próxima.

 

 

[1] “Todos os fiéis de Cristo recebem a missão, cada um a seu modo, de zelar pelos outros – Por Fabiana Theodoro”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/07/11/todos-os-fieis-de-cristo-recebem-a-missao-cada-um-a-seu-modo-de-zelar-pelos-outros-por-fabiana-theodoro/>.

Os fiéis leigos buscam a santidade nas atividades mais simples – Por Fabiana Theodoro”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/07/19/os-fieis-leigos-buscam-a-santidade-nas-atividades-mais-simples-por-fabiana-theodoro/>.

E deixará a sua casa para estar com aquele a quem ama – Por Fabiana Theodoro”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/08/02/e-deixara-a-sua-casa-para-estar-com-aquele-a-quem-ama-por-fabiana-theodoro/>.

[2] CIC, cân. 204.

[3] Para ter acesso aos discursos do Papa Francisco no Brasil (em português), siga o link: <http://www.vatican.va/holy_father/francesco/travels/2013/papa-francesco-gmg-rio-de-janeiro-2013_po.htm>.

E DEIXARÁ A SUA CASA PARA ESTAR COM AQUELE A QUEM AMA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

Após a grande experiência de fé vivida no Brasil por três milhões de jovens na Jornada Mundial da Juventude com o Papa Francisco, ainda podemos sentir um clima de paz deixado por nosso Sumo Pontífice. Foi muito bom recebê-lo em nosso meio e poder notar à nossa volta o quanto sua visita já pôde render frutos. Pessoas de outras religiões com faixas declarando seu amor pelo Santo Padre, católicos que se encontravam afastados, voltando para a Igreja e revendo suas vidas, pecadores que se sentiram abraçados e acolhidos pela Igreja na pessoa do Papa, jovens que viram despertar o desejo de consagrar-se ao serviço de Deus e da Igreja. Quantas bênçãos ele nos trouxe, é de fato um servo fiel do Senhor, ungido pelo Espírito Santo, escolhido a dedo por Deus para orientar a Igreja neste momento tão difícil vivido por ela.

Seu amor pelo povo é de fato o que a Igreja tanto precisava para poder evangelizar de forma mais eficaz. Papa Francisco consegue transmitir a verdadeira imagem que a Igreja e seus membros eclesiais devem ter, a imagem da mãe que acolhe, que alimenta, que pega no colo, que abençoa, que educa, que acima de Papa Francisco na JMJ-2013tudo ama e perdoa seus filhos, segundo a imagem de Deus. Abençoado servo da vontade de Deus que um dia disse seu sim ao divino chamado de amor e sem saber o que o futuro lhe reservava, entregou sua vida sem reservas para servir ao outro como havia aprendido com o Mestre Jesus por meio de sua família.

Deus ama a todos os teus filhos e cada filho responde a esse amor de uma forma diferente. Muitos, como já vimos, são chamados a constituírem família, a trabalharem, a viverem normalmente, de acordo com o que nos sugere o Evangelho. Outros são chamados a responder ao amor de Deus de uma forma diferente. São pessoas que não se contentam em viver no mundo apenas, mas que querem dar algo mais para Deus, como os sacerdotes e as religiosas que doam sua vida inteira à Igreja para servirem inteiramente a Deus e aos irmãos sem olhar para o que deixam para trás e que de forma alguma encaram como sacrifício, mas sim como uma prova de amor, assim como no momento do Matrimônio, onde cada noivo deixa sua casa para estar com aquele a quem ama.

Como dizer não a um chamado de amor tão forte, algo que queima tão intensamente e que não cabe na pobre e tão pequena alma humana? Pobres daqueles que são escolhidos por Deus para tal comprometimento, pois jamais serão contentados pelos amores do mundo, afinal, como preencher no coração um lugar que pertence somente a Deus?

A vida consagrada é professar publicamente valores que estão em desuso no Irmãsmundo atual, os conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) experimentando assim uma plena liberdade para dedicar-se totalmente ao serviço de Deus em um estado de vida permanente reconhecido pela Igreja [1]. É estar intimamente ligado a Ele, amá-Lo acima de tudo e dedicar sua vida para o bem dos outros acima do seu próprio bem, é doar-se inteiramente sabendo que é amando o outro que se ama também a Ele.

Hoje, há também as Comunidades de Vida e as de Aliança, nas quais não se toma o hábito e a batina, como na consagração tradicional, mas se vive sob as constituições das respectivas comunidades.

Cada Comunidade de Vida possui sua própria constituição que ajuda os seus membros a viverem melhor o discipulado, o apostolado e a busca da perfeita caridade. São pessoas que desejam ser missionários de Cristo, que deixam suas casas para viver com outros irmãos que partilham dos mesmos ideais de servir e trabalhar pelo bem uns dos outros, deixam a vida velha sem olhar para trás, desejam seguir somente a vontade de Deus, sendo assim enviados aonde forem mais necessários.

As Comunidades de Aliança são alternativas para aqueles que se identificam com a constituição e com o carisma de uma comunidade, mas querem continuar vivendo no mundo, continuar sua vida normalmente, mas respeitando e servindo com alegria segundo as regras determinadas por esta comunidade. Você recebe as formações da Comunidade e é chamado a ser missionário no mundo, sem sair do convívio dos seus amigos, da sua família, do seu trabalho.

O chamado de Deus é pessoal, Ele chama a cada um de nós para uma vocação diferente: ser pai, ser mãe, ser filho, ser um leigo consagrado, ser freira, ser Padre, etc. Seja qual for a missão que Ele te confiou, assuma-a com muito amor sem se preocupar com o passado e sem ter medo do futuro. Afinal, o amor supera tudo, mas a culpa e o medo nos paralisam.

O mês de agosto é dedicado às vocações, vamos aproveitá-lo para rezar mais pelas vocações de nossa Igreja, as que já se manifestaram e as que ainda não, as que se concretizaram e as que ainda não. Que o Senhor olhe por todos nós e nos abençoe.

 

CEC 915-945

[1] CEC 944.

OS FIÉIS LEIGOS BUSCAM A SANTIDADE NAS ATIVIDADES MAIS SIMPLES – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Mais uma vez, sejam bem vindos ao nosso blog!

Hoje, refletiremos sobre a minha e a sua missão na Igreja, a missão dos fiéis leigos. Cabe aos leigos buscarem a santidade em sua vida cotidiana, na simplicidade de suas atividades e em seus relacionamentos com os irmãos, Cruz JMJprocurando em cada atitude, agradar a Deus e sempre agindo à luz do Espírito Santo.

Leigos são todos os cristãos batizados que não foram ordenados. Porém, mesmo assim, participam da missão sacerdotal, profética e régia de Cristo e contam com a vantagem de estarem “infiltrados” no mundo.

Participam da função sacerdotal de Cristo, enquanto, no Espírito Santo, oferecem a Deus toda sua vida, até os momentos de sofrimento suportados com paciência, entregando-os no altar de Nosso Senhor Jesus Cristo como “hóstias espirituais agradáveis a Deus” [1], como forma da mais singela adoração.

Recebem também a missão profética de Cristo, de evangelizar por onde passam, seja pelo testemunho por meio das atitudes mais simples, seja pela pregação da palavra de Deus aos que não a conhecem, pois o Espírito Santo está em todo lugar e, às vezes uma simples palavra pode entrar no coração de alguém e iniciar ali um Ícone e Cruz JMJprocesso de conversão.

A função régia do leigo é reinar sobre seu próprio corpo, é não deixá-lo cair no pecado, é lutar contra as paixões deste mundo e buscar sempre a santidade. É reinar sobre si, lembrando que, acima de todos, há um Rei Maior do qual depende e não se deixar levar pela tentação de colocar-se no lugar de Deus, afastando-O de sua vida.

O indiferentismo religioso e o ateísmo nas suas mais variadas formas, particularmente naquela que hoje talvez seja a mais espalhada, a do secularismo, [2] estão tomando o lugar de Deus no coração do homem. Não que o progresso seja ruim, mas, cria no homem uma falsa autossuficiência, na qual ele começa a pensar que não precisa de pessoas para ser feliz, mas de coisas. Acaba “amando coisas e usando pessoas”, tratando-as como se fossem descartáveis.

“O Matrimônio não dá certo, melhor separar”;

“Engravidou sem querer, melhor abortar”;

“O avô está em coma, vamos desligar os aparelhos e deixá-lo morrer”;

O mundo cria alternativas para que o homem fuja das responsabilidades que lhe custem esforço. O divórcio, o aborto, a eutanásia, são alguns exemplos do homem tentando tomar o lugar de Deus e recusando-se ao sacrifício. Há circunstâncias em que realmente não se têm alternativas, e uma decisão como o divórcio, por Cruz e Ícone JMJexemplo, é inevitável, mas a pergunta que cada leigo numa situação assim deve se fazer é: “Fiz o possível para dar certo?” E caso a resposta seja sim, com sua consciência tranquila, deve voltar seu coração a Deus e deixá-lo reconduzir sua vida.

Ser um fiel leigo é estar na contramão do mundo. É fazer escolhas que surpreendem, como: devolver um troco errado, respeitar uma fila, achar uma carteira perdida na rua e devolvê-la, optar por sacrificar dias e noites cuidando de um doente, escolher ser mãe e sacrificar a carreira pela educação de um filho e ainda, nesta aventura da vida, crer que Deus não nos desampara.

Por mais que nossos caminhos sejam incertos nesta vida, devemos ter a certeza de que Deus caminha sempre ao nosso lado e que o seu amor, o essencial para a nossa vida nós teremos sempre, tenhamos fé!

Em alguns dias, receberemos em nosso país, o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude. Este será um momento muito especial que, mais uma vez, mostrará ao mundo o quanto a Igreja Católica é unida, jovem e vibrante.

Rezemos pelo nosso Papa e por todos os participantes, para que saiam deste grande encontro com o verdadeiro ardor missionário.

Um abraço a todos.

 

 

CEC 897-914.

[1] 1Pd 2,5.

[2] Beato João Paulo II, Christifideles laici, disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_30121988_christifideles-laici_po.html>.

TODOS OS FIÉIS DE CRISTO RECEBEM A MISSÃO, CADA UM A SEU MODO, DE ZELAR PELOS OUTROS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

É bom recebê-lo em nosso blog, para começarmos uma nova etapa de nossas reflexões sobre a Profissão de Fé, na qual falaremos sobre os Fiéis de Cristo, primeiramente de sua Hierarquia e nas próximas semanas dos Leigos e da Vida Consagrada.

Fiéis são aqueles que, pelo Batismo, foram incorporados ao Corpo de Cristo (a Igreja), fazendo parte do Povo de Deus, participando assim do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, sendo chamados a exercer, cada um ao seu modo, a missão que Deus lhe confiou no mundo [1].

O ministério eclesial, em especial, tem como fonte o próprio Cristo. Ele instituiu uma Ícone - Stos Basílio, Gregório e João Crisóstomo (tres_santos_hierarcas)variedade de ministérios necessários para o bem da Igreja e para sua santificação, constituindo assim a estrutura hierárquica da Igreja, que precisa de pregadores que levem ao povo o Evangelho, que levem ao povo a mensagem do Mestre com a autoridade conferida por Ele mesmo. Para isso, os Bispos, auxiliados pelos presbíteros recebem a missão e o poder sagrado de agirem na “pessoa de Cristo” [2].

Os Bispos e os Padres têm a função de ensinar o Evangelho, de manter a pureza da fé, de transmiti-la como foi recebida dos apóstolos. Bem como de santificar a Igreja (particularmente pela Eucaristia ministrada por eles), de orar por ela, de servi-la com seu trabalho e ser modelo para o seu rebanho. E ainda de regerem-na com seus conselhos, exortações e exemplos, com autoridade e poder sagrado, o qual porém devem exercer para edificar, no espírito de serviço que caracteriza o próprio Mestre, submetendo-se sempre à Igreja de Roma [3].

O Papa Francisco, que ocupa a cadeira de Pedro na Igreja, é o vigário de Cristo, possui poder pleno, supremo e universal. O colégio de Bispos exerce junto dele este poder de forma solene sobre a Igreja inteira através dos Concílios, caminhando sempre em comunhão com o Bispo de Roma, conduzindo o povo de Deus pelo caminho seguro da fé, evitando que os ensinamentos de Jesus se percam, caiam no erro ou se afrouxem. É função do Papa e dos Bispos manter o povo na verdade que liberta [4] e é nossa missão de cristãos conhecer a posição Feto no útero maternoque eles assumem em matéria de fé e moral, conhecer seus argumentos, segui-los e apoiá-los, pois estar em comunhão com o Bispo de nossa Igreja é estar em comunhão com Cristo.

Jesus é o Caminho que nos conduz à Salvação, e devemos seguir por Ele sem titubear. É um caminho pedregoso, cheio de espinhos, mas vale a pena, pois conduz à vida. Esse caminho exige coragem, exige uma posição firme, não só para defender a si, mas também em defesa de outros, afinal, Jesus deixou-nos dois Mandamentos: “Amai a Deus sobre todas as coisas e amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”, de modo que S. João pôde chamar de mentiroso aquele que diz que ama a Deus, mas não ama seu irmão [5]. Por isso já passou da hora de sairmos de nossa posição cômoda e assumirmos a responsabilidade sobre a vida e o sofrimento do outro.

Outra vez o Governo brasileiro tenta aprovar a Legalização do Aborto nas nossas costas, já que a maioria absoluta do povo é contra. Assim, disfarçadamente tiraram a palavra “aborto” de seu conteúdo para que passasse pelo Congresso, até mesmo para enganar os parlamentares que são contra a sua legalização. Essa Lei, a PLC 03/2013, contém brechas suficientes para facilitarem a Legalização definitiva no futuro. Segue abaixo link com mais detalhes e o que podemos fazer contra, já que essa Lei está aguardando apenas a assinatura de nossa Presidente, que se comprometeu a não aprovar nenhuma Lei que facilitasse a Legalização do Aborto em seu governo [6].

Que o Senhor nos abençoe e nos dê coragem para defendermos a vida dos que não podem se defender, que Nossa Senhora, nossa Mãe esteja junto conosco nessa luta.

 

 

[1] CEC 871.

[2] CEC 874.

[3] CEC 888-896.

[4] CEC 890.

[5] 1 Jo 4,20.

[6] Pe. Paulo Ricardo, O Congresso Brasileiro aprova a lei, que na prática, legaliza o aborto no Brasil, disponível em: <http://padrepauloricardo.org/blog/congresso-aprova-lei-que-na-pratica-legaliza-o-aborto-no-brasil>.

A IGREJA É APOSTÓLICA! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Então chegamos à quarta atribuição da Igreja que, conforme já refletimos, é una, santa, católica e apostólica.

Ela é apostólica, pois é fundada e construída sobre o alicerce dos Apóstolos, testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo. Guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas deles, e continua a ser ensinada, santificada e dirigida por eles até o regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja [1].

Jesus escolheu os que Ele quis para segui-lo e continuar a missão de “ir e pregar ao mundo inteiro”. Cristo não escolheu os mais habilitados para a função de apóstolo, pelo contrário, escolheu Pedro e Tiago, os “filhos do trovão”, chamou Mateus, o cobrador de impostos, Judas Iscariotes, que o traiu, Tomé que só acreditou na Ressurreição do Mestre quando pôde tocar suas feridas, mas foi quem primeiro proclamou que Jesus era Deus, dizendo “Meu Senhor e meu Deus”, Saulo de Tarso, que passou de perseguidor dos cristãos a cristão, tornando-se Paulo. Pedro o negou três vezes, e ainda assim Jesus fez dele a pedra fundamental da sua Igreja.

Vendo esses homens que Jesus escolheu, nós vemos o quanto Deus acredita na humanidade. Se pudéssemos comparar o chamado de Jesus com uma entrevista de emprego, com certeza esses homens não teriam passado nem pela porta. Mas o Senhor enxergou neles, algo que os olhos humanos não poderiam ver. Viu algo especial que o Pai havia colocado em cada um deles, uma semente de possibilidades. Jesus acreditou neles e não foi decepcionado. Eles o abandonaram, o negaram, o traíram, e ainda assim, confiou-lhes o futuro da Igreja.

Quanta alegria para nós católicos saber que fomos precedidos por homens que, Ícone - 12 Apóstolosapesar do pecado, souberam olhar para frente, não se prenderam ao passado, ao contrário de Judas que, após ter traído Jesus, não conseguiu substituir sua culpa pelo arrependimento, não confiou na misericórdia de Deus e, segundo a tradição, deu fim à sua própria vida.

Difícil cogitar a ideia de ser cristão e não respeitar os desígnios do próprio Cristo que transmitiu aos apóstolos os fundamentos de sua Igreja e não seguir a Tradição Apostólica. O Senhor os tornou os doze alicerces da Igreja, foram eles os responsáveis por pregar sobre as Escrituras, por levar ao povo o conhecimento sobre a vida de Jesus enquanto ainda nem tinha sido escrito o Evangelho. Ele confiou aos seus discípulos a propagação da fé e de seus ensinamentos, e eles, por sua vez, também transmitiram aos seus sucessores, os bispos, para que a fé não morresse com eles e para chegar integralmente a nós mesmo após dois mil anos.

Todos os membros da Igreja são vocacionados ao apostolado e enviados a evangelizar, mas muitos estão acomodados, “mornos”, perderam o ardor missionário que impulsiona o católico a cumprir sua missão. Papa Francisco nos lembra em uma de suas homilias do zelo apostólico, daquele fruto do conhecimento de Jesus, do encontro pessoal com Ele, daquele ardor que incomoda e não se acomoda. Daquele ardor que inspira as pessoas a darem a vida por Cristo, que faz com que se saia do lugar tranquilo, uma certa loucura espiritual, como a de Paulo, capaz de incomodar onde as coisas estão tranquilas demais e levar Jesus aonde mais precisam dele, não sendo preciso ir para outras cidades, mas ir a lugares muito próximos onde mais precisam Dele [2].

“Hoje, peçamos ao Espírito Santo que nos dê este fervor apostólico e a graça de incomodar as coisas que são tranquilas demais na Igreja; a graça de irmos às periferias existenciais não só nas terras distantes, mas aqui nas cidades, onde é necessário o anúncio de Jesus Cristo. E se perturbarmos, bendito seja o Senhor. Como disse o Senhor a Paulo: ‘coragem!’” [3].

 

 

CEC 857-870.

[1] CEC 857.

[2] Papa Francisco. “Igreja precisa de zelo apostólico, não de cristãos de salão”, disponível em: <http://www.news.va/pt/news/papa-igreja-precisa-de-zelo-apostolico-nao-de-cris>.

[3] Idem.

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