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“A QUEM PERDOARDES OS PECADOS, SERÃO PERDOADOS” (Jo 20,23) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos! Sejam novamente bem vindos a este espaço de reflexão acerca da fé da Igreja.

Depois de um longo caminho de estudo, chegamos ao décimo dos doze artigos de fé do Símbolo dos Apóstolos. Com a Igreja, aprendemos que o católico crê na remissão dos pecados. E por que isso é tão importante? G. K. Chesterton, pensando sobre as razões que levam um homem (inclusive ele) a se tornar católico, escreveu:

“Quanto às razões fundamentais para um homem fazê-lo, há apenas duas que são realmente fundamentais. Uma é que ele acredite que a Igreja seja a verdade sólida e irremovível – que é verdade, quer ele queira, quer ele não queria; a outra, que ele busque o perdão de seus pecados” [1].

Perdão dos pecados e a busca pela verdade: razões que nos levam a Deus. E se em nosso país a busca pela verdade não figura entre os maiores interesses (vide a reeleição do partido que encabeçou o maior esquema de corrupção já descoberto para dirigir o país), o perdão dos pecados é objetivo de todo coração sincero. Não há como não enxergarmos o mal que existe em nossos corações. “Meu pecado está sempre diante de mim” (Sl 51(50),5), diz o salmista.

Para entendermos bem o real teor dessa verdade de fé, o perdão dos pecados, precisamos primeiramente entender que perdão não é desculpa. Desculpar é, como a própria palavra dá a entender, um retirar a culpa, um inocentar. É o reconhecimento de que uma pessoa não teve a intenção de cometer o mal. Perdão, pelo contrário, é atestar a culpa, e mesmo assim dar uma nova chance. Desculpa é justiça para com o outro. Perdão é superar a justiça no amor.

Pecamos! Ponto. Sejamos honestos e veremos que o mal não está em um jesus-e-a-mulher-adc3baltera“sistema”, mas em nossos corações. Somos culpados. E para os culpados resta a pena.

Diante desta perspectiva entendemos verdadeiramente o que é o perdão. Mesmo culpados de um crime terrível, fomos redimidos por Deus. E isso não significa que nossa pena tenha sido retirada, pois redimir é “comprar de volta”. O que ocorreu é que por amor, Deus pagou a nossa pena. E a pagou com a sua morte na Cruz! Crer no perdão é crer que o Senhor pagou o preço que deveríamos pagar. O que nos cabe é aceitar essa oferta generosa de Deus. Entrar pela porta do seu perdão e permanecer junto Dele por toda a eternidade.

Para descobrirmos a porta do perdão que vem de Deus, basta seguirmos a pista deixada por Chesterton: a porta do perdão está na Igreja. Mais especificamente, o perdão de Deus se realiza através dos sacramentos da Igreja. E isso não porque ela tenha se outorgado esse direito. Foi o próprio Cristo que legou essa missão à Igreja quando se dirigiu aos Apóstolos, dizendo: “A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficaram retidos” (Jo 20,23).

O perdão de Deus sobressai, sobretudo, nos sacramentos do Batismo e da Penitência (Confissão). Bento XVI chama a atenção para a relação entre o perdão e esses dois sacramentos quando analisa o lava-pés, relatado no Evangelho de São João. Diante das palavras de São Pedro, de que queria Jesus encontra sua Mãeser lavado por inteiro, diz Jesus: “Quem já tomou banho não precisa lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo” (Jo 13,10). Segundo o Papa Emérito o banho se refere ao Batismo e o lavar os pés à Confissão [2].

O Batismo é o principal sacramento do perdão dos pecados porque “pelo Batismo fomos sepultados com ele [Jesus Cristo] em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). No Batismo, unidos a Cristo, ocorre a nossa morte para o pecado. E “esta é uma morte autêntica porque é a destruição, no homem, daquilo que é mal, para lhe permitir renascer como Filho de Deus, tornando-se assim uma nova criatura – participante da natureza divina e chamado à santidade” [3].

Já a Confissão, existe porque “a graça do Batismo não livra ninguém de todas as fraquezas da natureza” [4]. Mesmo tendo adentrado pela porta do perdão, nossa concupiscência continua a nos atrair para fora. Mesmo batizados, continuamos a pecar, a ferir Jesus Crucificado. Deus, que não nos abandona, oferece o sacramento da Penitência para podermos nos reconciliar com Ele. Dizia São João Maria Vianney: “Crucificaste, Cristo, mas quando vos ide confessar, ide libertá-lo da cruz”.

Creiamos firmemente no Amor e na Misericórdia de Deus. “Cristo, que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” [5]. Arrependamo-nos e lutemos para recuar do pecado, pois esta é condição para experimentarmos o perdão de Deus.

Uma boa semana a todos!

 

 

[1] CHESTERTON, G. K. Todos os Caminhos levam a Roma. São Paulo: Oratório, 2012, p. 17.

[2] Cf. RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 74 -77.

[3]DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007, p. 161.

[4] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 978.

[5] CEC, n. 983.

CREIO NO PERDÃO DOS PECADOS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

É bom revê-lo para mais uma reflexão, lembrando o quanto é preciosa a Doutrina Católica transmitida a nós desde os Apóstolos.

Nós recebemos, no momento do Batismo, o Espírito Santo, que não só nos insere na vida cristã, como também é o meio mais eficaz de perdão dos pecados. No Batismo, somos lavados do Pecado Original dos nossos primeiros pais, e assim, mergulhamos na vida nova que Cristo nos conseguiu por seu sacrifício na cruz.

Mesmo sendo purificado no momento do Batismo, o homem, ao longo da vida, volta a pecar, pois, a vida nova recebida não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos batizados, a fim de que prestem as suas provas filhoprodigono combate da vida cristã, ajudados pela graça de Cristo. Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna, a que o Senhor não se cansa de nos chamar [1].

Jesus deu a Pedro a “chave” do céu, o poder de perdoar pecados, de reconciliar o homem com Deus. Deu a ele o poder de tudo o que ligar na terra, ser ligado no céu, e tudo o que desligar na terra, ser desligado no céu [2]. Jesus dá à Igreja e aos sucessores dos apóstolos, os bispos, como sacerdotes, o poder de trazer de volta os pecadores para Si.

Deus não se afasta de nós quando pecamos, pelo contrário, nós nos afastamos de Deus para pecar e, muitas vezes, temos vergonha de voltar. Não nos lembramos da misericórdia Dele, que sabe muito bem de que “pó” nós somos feitos.

Nossa humanidade não é capaz de compreender, mas Ele sempre nos recebe de braços abertos, como na parábola do Filho Pródigo [3]. E assim, como Ele é misericordioso, também devemos ser, tanto conosco, quanto com os outros. O inimigo de Deus investe muito tempo querendo nos fazer acreditar que não somos dignos de perdão, e muitas vezes, não o somos mesmo. Porém, o que nos falta de merecimento, Deus completa com a Sua graça.

Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero”. Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado [4]. Então, sejamos humildes para buscar na Confissão o abraço generoso de Nosso Senhor que tanto anseia pela nossa volta, seja qual tenha sido a nossa falta, pois Ele nos conhece bem, sabe das nossas fraquezas e da nossa vontade de lutar contra elas. Busquemos sempre a força que nos falta em Cristo, nosso Redentor.

Deus nos abençoe,

Boa semana a todos!

 

 

CEC 976-987

[1] CEC 1446.

[2] Mt 16,19.

[3] Lc 15,11-32.

[4] CEC 982, Parágrafos relacionados 1463,605).