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“SE CRISTO NÃO RESSUSCITOU, VÃ É A NOSSA FÉ” (1Cor 15,14) – Por Fabiana Theodoro

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Olá, amigos do CommunioSCJ!

Alegro-me por tê-los conosco mais uma vez refletindo sobre a nossa Profissão de Fé, à qual seguimos e espalhamos pelo mundo cumprindo a missão primeira deixada a todo cristão: “Ir e evangelizar a toda criatura” [1].

Depois que Jesus passou na Mansão dos Mortos, foram as três discípulas que constataram que o sepulcro estava vazio. No primeiro momento, houve a surpresa e a indagação: “O que fizeram ao Nosso Senhor?” As mulheres chegaram aos apóstolos e contaram do anjo que lhes apareceu e o que lhes disse e ainda houve quem duvidasse do acontecimento. Mas quando Pedro chegou ao túmulo e pôde constatar com seus próprios olhos, não teve mais dúvidas em seu coração e creu: “O Senhor vive!”.

Somente o sepulcro vazio não é uma prova concreta de que Jesus ressuscitou, porém, não foi o único sinal. Seus amigos ficaram perplexos, quando Ele lhes Ícone - Ressurreição de Jesusapareceu, quando puderam tocar Nele, e quando comeu junto deles. Eles puderam ver que não era um espírito, o Mestre estava verdadeiramente, de corpo e alma glorificados junto deles. Esses fatos nos são atestados pelos homens e mulheres que o viram, por isso creram, testemunharam a verdade e deram sua própria vida por defender a veracidade destes acontecimentos.

Enquanto Jesus vivia, os Evangelhos relatam algumas ressurreições como a da filha de Naum, a de Lázaro, a do filho da viúva, porém todas estas foram provisórias, pois eles voltaram à vida humana e mais cedo ou mais tarde morreram novamente. Jesus não. Ele ressuscitou para além da vida terrena, ressuscitou para a vida celeste, onde a morte jamais o alcançaria novamente. O homem, segundo a sua natureza, foi criado para imortalidade, mas só agora com a Ressurreição, existe o lugar, o próprio Jesus, onde a alma imortal encontra o espaço, aquela corporeidade, na qual a imortalidade recebe sentido como comunhão com Deus e com toda a humanidade reconciliada [2].

“Se Jesus não ressuscitou, vã seria nossa fé” [3]. A Ressurreição de Cristo é o elo entre o Antigo e o Novo Testamento, é a certeza de que Jesus é o Filho de Deus, feito da própria essência do Pai, na verdade, o próprio Deus. Ele é o cumprimento da promessa de Deus que os profetas anunciaram, é a nova Aliança entre Deus e os homens, a plena Salvação.

Na Ressurreição de Jesus, as três Pessoas da Santíssima Trindade agem ao mesmo Ressuscitado (Painneau)tempo. O Pai, pelo seu poder, ressuscitou seu Filho, que introduziu de modo perfeito a sua humanidade, com seu corpo, na Trindade, e por obra do Espírito Santo, vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor [4].

Pela Ressurreição, nós somos chamados a ressuscitar com Ele, a viver uma vida nova em Cristo. Assim como Paulo que teve sua experiência em Damasco e, através dela, passou de perseguidor dos cristãos a perseguido, nós também temos nossa experiência de amor com Jesus e a partir dessa experiência, podemos deixá-lo transformar primeiramente a nossa vida e depois a vida dos outros, através de nós. Não há forma melhor de testemunhar a Ressurreição de Nosso Senhor do que através de nossa própria experiência, de nossa própria intimidade com Ele, pois assim o fizeram os primeiros cristãos. Muitos têm outras possíveis explicações racionais e plausíveis até, mas é a minha experiência com Jesus que me faz acreditar e gritar a todos: Jesus ressuscitou, aleluia!

Boa semana a todos!

 

 

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-655.

[1] Mt 28,18.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 222.

[3] 1Cor 15,14.

[4] CEC 648.

BARRABÁS OU JESUS? – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam, mais uma vez, muito bem vindos! O Ano da Fé prossegue e nosso estudo do Catecismo da Igreja Católica também. Assim, chegamos, nesta semana, aos números (571-594) do Catecismo que tratam da relação de Jesus com as principais instituições judaicas: a Lei, o Templo e o monoteísmo absoluto.

Aparentemente, essa temática não tem nada a ver com nossa vida concreta. Mas, Ícone - A chegada do Noivonão é bem assim. O Catecismo é categórico ao dizer que Jesus Cristo cumpriu plenamente a Lei, aliás, “Ele é o único que conseguiu cumpri-la com perfeição” [1]; que Ele venerou o Templo e o apontou como prefiguração de seu próprio mistério [2]; mas provocou escândalo de seus contemporâneos quando, por seu comportamento, manifestou-se como o próprio Deus salvador [3].

Aqui temos, caros irmãos e irmãs, uma lição importante, que fica ainda mais evidente se tomarmos em conta o fato de que esses números do Catecismo estão entre os que se referem à vida pública de Jesus e os que se referem diretamente ao mistério pascal, pois é aqui que vemos o motivo pelo qual Ele foi condenado à morte: Jesus foi condenado como blasfemo. Em outras palavras, Jesus Cristo é o Messias esperado, de uma maneira inesperada.

Jesus é verdadeiramente o Messias, o Cristo de Deus. Mas Ele não era, como se esperava, aquele que restauraria o reino político de Israel. Não. Jesus Cristo é simplesmente o Emanuel – Deus conosco. E isso é muito importante hoje, quando muitos querem impor-lhe uma boina cravejada de foice e martelo.

O que quero dizer-lhes, caríssimos, é que Jesus Cristo não foi, não é e nunca será Ícone - Julgamento de Jesusum revolucionário político: Ele é Deus conosco. Um revolucionário não cumpriria a Lei integralmente, nem veneraria o Templo. Talvez um revolucionário, naquela época, liderasse uma revolta contra Roma. Mas Jesus não o fez.

Provavelmente era isso que as lideranças judaicas esperavam, e, por isso, escolheram Barrabás. Acredito que, também nós, estamos diante da mesma escolha: “dizer ‘sim’ àquele Deus que age apenas com o poder da verdade e do amor ou apoiar-se no concreto, naquilo que está ao alcance da mão, na violência” [4]. Esta decisão está em nossas mãos.

E por que devemos escolher Jesus Cristo? Se Ele não trouxe nem a paz para o mundo, nem o bem estar para todos, nem um mundo melhor… Por que devemos escolhê-lo? Porque “Ele nos trouxe Deus (…), o verdadeiro Deus (…). Jesus trouxe Deus e assim a verdade sobre o nosso fim e a nossa origem; a fé, a esperança e o amor” [5].

Que a beatíssima Virgem Maria nos ampare com sua materna intercessão a fim de que possamos escolher Jesus Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e ajamos sempre com o poder da verdade e do amor. Pois “o reino humano permanece humano, e quem afirma que pode erigir um mundo santo concorda com o engano de Satanás, entrega-lhe o mundo nas mãos” [6].

Um fraterno abraço a todos, até breve!

 

 

[1] CEC 578.

[2] CEC 593.

[3] CEC 594.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até à Ressurreição. Cascais: Principia, 2011, p. 162.

[5] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 54.

[6] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 53.

Leitura recomendada: CARVALHO, Olavo. A mentalidade revolucionária. Disponível em: <http://www.olavodecarvalho.org/semana/070813dc.html>.