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“QUEM NÃO ESTÁ PRONTO PARA BEM MORRER, CORRE GRANDE PERIGO DE MORRER MAL” (São João Bosco) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos. Sejam novamente bem vindos ao CommunioSCJ.

Adentrando no último artigo do Símbolo dos Apóstolos é chegada a hora de meditarmos sobre a Vida Eterna. Essa é nossa , mas é também nossa Esperança. Esperança de que saindo dessa vida passageira, cheia de altos e baixos, possamos mergulhar na Vida em plenitude. Mas como alcançá-la? A resposta é óbvia, mas nem por isso fácil. Nas palavras de São Francisco: “é morrendo que se vive para a Vida Eterna”.

Na morte corporal há uma separação: corpo e alma tomam destinos diferentes. O corpo encontra seu fim, a corrupção. Já a alma, imortal, se encontra com o Justo Juiz. A esse encontro entre a alma e Deus, que acontece tão logo um homem morre, chamamos Juízo Particular. Conforme ensina a Igreja, é nesse momento que “cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna” [1]. É o que atesta São Paulo, quando diz que os homens morrem uma única vez e “depois vem o julgamento” (Hb 9,27). É o que atesta o próprio Jesus, quando diante da súplica do bom ladrão lhe responde “hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43).

Céu, inferno ou purgatório são os caminhos que a alma de cada ser humano pode tomar depois desse julgamento. Melhor do que caminhos a tomar, na verdade, seria mais correto dizer que são os caminhos a continuar, pois o Juízo Particular é Ressurreição de Lázarosempre um reflexo da vida que se levou na terra. Deus respeita nossa liberdade! Se morremos caminhando para Deus, para Ele iremos. Se morremos fugindo de Deus, para longe dele iremos. E esse não é um mero detalhe. Mudar o caminho na última hora, com a morte batendo à porta, não é tarefa simples. O Catecismo sabiamente nos recorda que “a morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo” [2].

Os materialistas podem fingir que a morte não virá ou que ela é algo natural, facilmente aceitável. Mas nós cristãos sabemos que ela virá, que é salário do pecado (cf. Rm 6,23) e que é o momento decisivo das nossas vidas. A maneira com a qual nos encontramos com Deus no Juízo define como passaremos a Eternidade. Por isso os Santos Padres ensinavam a pensar diariamente na morte: para nos prepararmos.

Viver como se a morte não fosse chegar é uma grande insensatez. Dizia São João Bosco aos jovens: “Embora seja incerto o lugar e a hora de sua morte, porém é muito certo que ela virá” [3]. Por isso o grande santo da juventude exortava os jovens a se prepararem para esse momento. Ensinava que a ideia de “deixar para se converter depois”, nada mais é do que artimanha do Diabo para perder as almas. Chamando seus filhos espirituais à realidade de que a morte pode vir a qualquer momento, escreveu:

“Diga-me, filho, se tivesse que morrer neste instante, que seria da sua alma? Ai de você, se não se mantém sempre preparado! Quem não está pronto para bem morrer, corre grande perigo de morrer mal” [4].

São sábias palavras que somos também convidados a meditar. Será que temos nos preparado adequadamente para esse momento decisivo? Será que temos caminhado em direção a Deus? São perguntas que só podem encontrar a reposta no profundo de nosso coração. Perguntas que dizem respeito ao nosso interior, que ultrapassam a exterioridade dos atos e chegam à interioridade das intenções. É para respondê-las que a Igreja nos ensina a fazermos diariamente um exame de consciência. Para reconhecermos como todos os dias com nossos “pensamentos e palavras, atos e omissões”, damos passos para longe do Senhor. E para que à luz dessa descoberta mudemos de vida!

Que a nossa morte seja uma importante baliza para nossa vida. Ouçamos mais um conselho do grande São João Bosco: “Teme grandemente pela sua alma e pense que do viver bem depende uma boa morte e uma eternidade de glória” [5].

Que pela intercessão da Santíssima Virgem o Senhor nos ajude a viver bem, caminhando em sua direção. Que Ele nos livre de uma morte repentina e nos dê a graça de nos prepararmos adequadamente para o nosso Juízo.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 1022.

[2] CEC, n. 1021.

[3] São João Bosco, O Cristão Bem Formado. Campinas (SP): Ecclesiae, 2010, p. 47.

[4] Idem.

[5] Ibidem, p. 49.

CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, a paz de Jesus!

Mais uma vez retornamos a este espaço para refletir sobre a fé que os Apóstolos nos transmitiram através dos séculos, apresentada pelo nosso Catecismo, principal fonte de aprofundamento para nós católicos.

A nossa fé tem base na Ressurreição de Cristo, e como São Paulo diz: “vã é a nossa fé se não crermos que Jesus ressuscitou” [1].

Deus nos criou para a vida plena, não para a morte. Como podemos ver nas Ícone - RessureiçãoSagradas Escrituras, a morte é consequência do Pecado, do homem querendo igualar-se a Deus. Mesmo assim, Ele não desistiu do homem, por isso mandou seu Filho para reconciliar a humanidade consigo. Jesus desceu à Mansão dos Mortos e resgatou os justos que aguardavam a sua vinda, venceu para sempre a morte, a qual não mais se precisará temer, ressuscitou e deixou a todos os discípulos a esperança de ressuscitar com Ele pelo Espírito Santo que caminha conosco até o fim dos dias.

Quando uma pessoa morre, ocorre o que chamamos “Juízo Particular”, ou seja, cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição, seja através de uma purificação (purgatório), seja para entrar de imediato na eterna felicidade do céu (paraíso), ou para condenar-se para sempre.

No final dos tempos vai haver o Juízo Final. Como vai ser, somente o Deus sabe. Sabemos apenas que Deus vai ressuscitar o nosso corpo, para sermos julgados todos juntos. A ressurreição dos mortos foi revelada de modo progressivo por Deus a seu povo. Jesus a ensina com firmeza, [2] e por isso, nós podemos crer na eternidade junto de Deus, onde voltaremos a ser corpo e alma, não da mesma Ícone - Juízo Finalforma que somos aqui, mas com um corpo glorificado pela graça do Senhor. Maria já está lá. Por sua obediência, fé e fidelidade ela nos precede no Reino dos Céus, basta segui-la e ela nos levará diretamente para seu Filho.

Os santos reconhecem na morte, o prêmio de todo cristão, afinal, é a hora de receber a coroa da vitória, como Paulo dizia quando sentiu que seu combate estava chegando ao fim [3]. Santa Teresinha sabia que para chegar a Deus era necessário morrer [4].

A fé na vida eterna é para nós motivo de força e consolo nos momentos em que é necessário deixar que alguém que amamos, parta em paz, pois a nossa meta é caminhar até chegar em Deus. Lágrimas são derramadas, permanece a saudade, mas fica também a certeza de que há mais alguém no céu intercedendo por nós. Assim como, um dia, nós também chegaremos lá, com a graça de Deus. Por isso, busquemos levar uma vida correta, caminhando para a santidade, procurando a Confissão sempre, pois não sabemos quando seremos chamados por Deus.

Que o Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna, Amém! [5]

 

 

CEC 988-1019

[1] 1 Cor 15,2.

[2] A ressurreição da carne e a vida eterna, disponível em: <http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv03/23.htm>.

[3] 2Tm 4,7.

[4] CEC 1011.

[5] Liturgia das Horas.

“PARA MIM O VIVER É CRISTO E O MORRER, LUCRO” (Fl 1,21) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Sejam mais uma vez bem vindos, amigos do CommunioSCJ.

Estamos chegando ao fim do itinerário de aprofundamento sobre o Credo cristão. Depois desse longo caminho é chegada a hora de meditarmos o que significa dizer que cremos na ressureição da carne.

De uma maneira direta, o Catecismo nos ensina que “da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia” [1]. Esta crença fundamentada em diversas passagens bíblicas (Cf. Rm 8,11; 1Cor 15,20) e intimamente ligada com a fé na Ícone-Ressurreição.jpgressureição de Jesus Cristo é essencial para a fé cristã. Como disse Tertuliano: “A confiança dos cristãos é a ressureição dos mortos; crendo nela, somos cristãos” [2].

Para entendermos melhor esse ponto crucial de nossa fé, comecemos por olhar para a palavra carne. Carne, ao contrário do que comumente se imagina, não está, na linguagem teológica, associada à palavra corpo. Se crêssemos na ressureição do corpo, teríamos uma má notícia. Pois de que nos serviria ganhar de volta esse corpo corrompido pelo pecado? Seria mais um instante dessa vida limitada que sempre é vencida pela morte. Pelo contrário, carne está associada a nossa “condição de fraqueza e mortalidade” [3]. Aí temos uma ótima notícia de salvação. Pois entendemos que a ressureição não é um mero voltar à vida, mas é o adentrar numa vida nova. Uma vida que pressupõe um homem novo em sua totalidade, com um corpo e uma alma livres da marca do pecado.

Ressuscitar é, dessa forma, ganhar uma vida incorruptível onde o corpo será novamente unido à alma imortal. Como será esse corpo incorruptível permanece um mistério, mas fato é que ele nos será concedido no “último dia” (Jo 6,40), na volta gloriosa de Jesus, tanto para os que se salvarem como para os que se perderem. Os que se salvarem, entretanto, terão seus corpos transfigurados pela glória de Deus, ao qual estarão unidos, e uma alma redimida, livre de toda mancha do pecado. Não terão a mesma vida, mas a Vida.

A ressureição para a Vida, não é alcançada pelas próprias forças ou méritos, mas pela nossa união a Jesus Cristo, no Espírito Santo. Nesse processo, podemos contar com os sacramentos, especialmente o Batismo e a Eucaristia. O próprio Jesus chama nossa atenção para esse caminho de união: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6,35) e “Quem consome este pão viverá para sempre” (Jo 6,58). Através dos Ícone - Ressuscitadosacramentos, nossa existência se encontra com a de Cristo, começamos a ressuscitar “como Ele, com Ele, por Ele” [4]. Isso porque “na ressureição de Jesus foi alcançada uma nova possibilidade de ser homem” [5]. “Foi inaugurada uma dimensão que nos interessa a todos, e que criou para todos nós um novo âmbito da vida, o estar com Deus” [6].

Esta perspectiva de ressureição nos anima mesmo diante da realidade trágica da morte, terrível consequência do pecado. Nós a experimentaremos como Cristo experimentou, mas a venceremos como Ele também venceu. Sendo um dramático, mas único caminho para a Vida em Deus, “a morte cristã tem um sentido positivo” [7], pois “para ressuscitar com Cristo é preciso morrer com Cristo” [8]. Consciente disso, São Paulo afirma: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro” (Fl 1,21).

Concordar com São Paulo é impossível para o que não crê. Mas não para aquele ou aquela que tem fé verdadeira. Muitos são os que auxiliados pelo Espírito Santo, compreenderam esta realidade ao longo destes dois milênios da Igreja. Muitíssimos mártires aos quais caberiam as palavras de Santo Inácio de Antioquia: “É bom para mim morrer em Cristo Jesus, melhor do que reinar até as extremidades da terra”. Muitíssimos místicos que poderiam se expressar como Santa Teresa de Jesus: “Quero ver a Deus, e para vê-lo é preciso morrer”.

Que a Santíssima Virgem Maria, interceda a Deus para que nossa fé na ressureição da carne seja renovada e tenhamos a graça de uma morte santa, que nos faça ressuscitar com Cristo.

“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amem!”

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 989.

[2] CEC, n. 991.

[3] CEC, n. 990.

[4] CEC, n. 995.

[5] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 219.

[6] Idem, p. 245.

[7] CEC, n. 1010.

[8] CEC, n. 1005.

JESUS CRISTO “RESSUSCITOU AO TERCEIRO DIA, SEGUNDO AS ESCRITURAS” (1Cor 15,4) – Por Fr. Lucas, scj.

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Caros irmãos e irmãs, sejam, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos refletindo sobre nossa fé a partir do Catecismo da Igreja Católica, como propôs o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI para este Ano da Fé. Assim, chegamos, nesta semana, ao centro de nossa fé: a Ressurreição de Jesus [1] enquanto ainda celebramos o Tempo Pascal.

Há muitos elementos que poderiam ser abordados sobre este assunto. E muito já Ícone - Ressurreiçãose escreveu a este respeito. Entretanto, gostaria, aqui, de abordar rapidamente um elemento que, no meu ponto de vista, faz toda a diferença: a ressurreição de Jesus é um fato histórico e transcendente.

Com efeito, lemos, no Catecismo, que “o mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento” [2]. Tais manifestações são o túmulo vazio e as aparições do Ressuscitado aos seus. Nelas, fica claro a identidade, que há entre o corpo crucificado e o ressuscitado, embora depois da ressurreição, o corpo de Jesus se apresentasse glorificado.

Em outras palavras, Jesus saiu da morte não pela mesma porta por onde entrou [3], ou seja, não voltou à vida mortal, mas entrou na vida eterna e definitiva glorificada em Deus. Parece óbvio dizer isso (e, realmente, é), mas acontece que hoje não é difícil encontrar alguém que se julgue bom cristão e, ao mesmo tempo, acredite que a Ressurreição de Cristo foi uma espécie de delírio coletivo dos Apóstolos: num dado momento, eles se olharam e disseram “Jesus está vivo, continuemos seu projeto” enquanto seu corpo se decompunha no sepulcro…

Mas, como seria possível anunciar na Jerusalém no séc. I a ressurreição de alguém Ícone - Tomé e Jesuscujo túmulo estava ali? É evidente que tal anúncio seria “absolutamente impossível se se pudesse referir o cadáver jacente no sepulcro” [4]. Que uma pessoa morra por sua própria alucinação, acho possível. Agora que outros deem a vida pela loucura de alguns, acho difícil. E que a Igreja subsista num delírio coletivo que dura 2000 anos, acho impossível.

Ora, se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé [5]. Com todo respeito, qualquer pessoa é capaz de perceber pelos textos neotestamentários que a fé dos Apóstolos estava destruída depois da Cruz e que, se algo verdadeiramente extraordinário não tivesse acontecido, a Igreja terminaria por ali mesmo. De forma que “a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um ‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos carece de consistência” [6].

Por isso, S. Paulo, já no ano 56, testemunhava a existência de uma sólida tradição a respeito da Ressurreição do Senhor: “transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1Cor 15,3-8).

Mas, ainda que seja um “evento histórico constatável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história” [7]. Ou seja, é preciso que a fé nos socorra a fim de não cairmos num empirismo estéril.

Que a Virgem Maria, modelo de mulher de fé, interceda por nós a fim de não termos um coração endurecido à fé na Ressurreição de seu divino Filho.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-658.

[2] CEC 639.

[3] CANTALAMESSA, Raniero. Justificados gratuitamente: por meio da fé no sangue de Cristo. Disponível em: <http://www.cantalamessa.org/?p=2219&lang=pt>.

[4] procurar citação

[5] Cf. 1Cor 15,14.

[6] CEC 644.

[7] CEC 647.

“SE CRISTO NÃO RESSUSCITOU, VÃ É A NOSSA FÉ” (1Cor 15,14) – Por Fabiana Theodoro

2 Comentários

Olá, amigos do CommunioSCJ!

Alegro-me por tê-los conosco mais uma vez refletindo sobre a nossa Profissão de Fé, à qual seguimos e espalhamos pelo mundo cumprindo a missão primeira deixada a todo cristão: “Ir e evangelizar a toda criatura” [1].

Depois que Jesus passou na Mansão dos Mortos, foram as três discípulas que constataram que o sepulcro estava vazio. No primeiro momento, houve a surpresa e a indagação: “O que fizeram ao Nosso Senhor?” As mulheres chegaram aos apóstolos e contaram do anjo que lhes apareceu e o que lhes disse e ainda houve quem duvidasse do acontecimento. Mas quando Pedro chegou ao túmulo e pôde constatar com seus próprios olhos, não teve mais dúvidas em seu coração e creu: “O Senhor vive!”.

Somente o sepulcro vazio não é uma prova concreta de que Jesus ressuscitou, porém, não foi o único sinal. Seus amigos ficaram perplexos, quando Ele lhes Ícone - Ressurreição de Jesusapareceu, quando puderam tocar Nele, e quando comeu junto deles. Eles puderam ver que não era um espírito, o Mestre estava verdadeiramente, de corpo e alma glorificados junto deles. Esses fatos nos são atestados pelos homens e mulheres que o viram, por isso creram, testemunharam a verdade e deram sua própria vida por defender a veracidade destes acontecimentos.

Enquanto Jesus vivia, os Evangelhos relatam algumas ressurreições como a da filha de Naum, a de Lázaro, a do filho da viúva, porém todas estas foram provisórias, pois eles voltaram à vida humana e mais cedo ou mais tarde morreram novamente. Jesus não. Ele ressuscitou para além da vida terrena, ressuscitou para a vida celeste, onde a morte jamais o alcançaria novamente. O homem, segundo a sua natureza, foi criado para imortalidade, mas só agora com a Ressurreição, existe o lugar, o próprio Jesus, onde a alma imortal encontra o espaço, aquela corporeidade, na qual a imortalidade recebe sentido como comunhão com Deus e com toda a humanidade reconciliada [2].

“Se Jesus não ressuscitou, vã seria nossa fé” [3]. A Ressurreição de Cristo é o elo entre o Antigo e o Novo Testamento, é a certeza de que Jesus é o Filho de Deus, feito da própria essência do Pai, na verdade, o próprio Deus. Ele é o cumprimento da promessa de Deus que os profetas anunciaram, é a nova Aliança entre Deus e os homens, a plena Salvação.

Na Ressurreição de Jesus, as três Pessoas da Santíssima Trindade agem ao mesmo Ressuscitado (Painneau)tempo. O Pai, pelo seu poder, ressuscitou seu Filho, que introduziu de modo perfeito a sua humanidade, com seu corpo, na Trindade, e por obra do Espírito Santo, vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor [4].

Pela Ressurreição, nós somos chamados a ressuscitar com Ele, a viver uma vida nova em Cristo. Assim como Paulo que teve sua experiência em Damasco e, através dela, passou de perseguidor dos cristãos a perseguido, nós também temos nossa experiência de amor com Jesus e a partir dessa experiência, podemos deixá-lo transformar primeiramente a nossa vida e depois a vida dos outros, através de nós. Não há forma melhor de testemunhar a Ressurreição de Nosso Senhor do que através de nossa própria experiência, de nossa própria intimidade com Ele, pois assim o fizeram os primeiros cristãos. Muitos têm outras possíveis explicações racionais e plausíveis até, mas é a minha experiência com Jesus que me faz acreditar e gritar a todos: Jesus ressuscitou, aleluia!

Boa semana a todos!

 

 

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-655.

[1] Mt 28,18.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 222.

[3] 1Cor 15,14.

[4] CEC 648.

JESUS ANTECIPA SUA GLÓRIA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, Feliz Páscoa a todos!

“Nossa fé seria vã, se Jesus não tivesse ressuscitado”, diz São Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios (15,13-14). A Páscoa do Senhor é tão importante para nós cristãos que não dura um dia apenas. Ela dura cinquenta dias, até a descida de Pentecostes, o fogo do Espírito Santo que impulsionou a coragem dos discípulos, que os levou a propagar a fé em todos os confins da terra [1].

Após a morte de Jesus, as esperanças dos discípulos haviam acabado. “O Mestre morreu, e agora?” O tão aclamado rei que combateria os romanos e tomaria de volta ao povo judeu a sua terra, morreu. Aquele que transmitia as palavras de Deus, que acolhia os impuros, já não estava mais entre eles.

Mas as mulheres trouxeram a notícia, “Ele ressuscitou” e mostrou ao mundo que o verdadeiro Reino, não era aqui [2]. O reino da terra passa, mas o reino Dele jamais passará.

Em sua Transfiguração, já havia manifestado sua glória às primeiras testemunhas, a quem confiou missões muito importantes: João, o discípulo que permaneceu junto de Maria na cruz até o fim, Pedro, a pedra da Igreja, o nosso primeiro Papa e Ícone - TransfiguracaoTiago, primeiro bispo de Jerusalém e primeiro mártir a derramar seu sangue em nome de Jesus.

A Transfiguração demonstra o elo entre o Antigo Testamento, na figura de Moisés e Elias e o Novo Testamento, na figura de Jesus. O Novo e o Antigo convergem para o mesmo ponto, Jesus da Galileia. E não é difícil imaginar o porquê de Pedro querer permanecer ali, junto de Jesus e dos profetas, contemplando desde já a paz do Reino de Deus [3].

Ali se manifestaram as três pessoas da Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai que fala com Jesus: “Eis o meu Filho Amado, ouvi-o; o Filho envolto pela sua real majestade e o Espírito Santo na nuvem clara” [4].

Jesus também poderia ter permanecido na glória, mas ainda não concluíra a missão que o esperava, por isso lembrou a Pedro que precisavam descer e cumprir a missão que os aguardava antes de subir para a glória de Deus.

Jesus mostrou-se em sua glória, para que os apóstolos tivessem forças para suportar a grande dor que viria em Jerusalém. Eles precisariam seguir sem a presença material do Mestre, e foi na Transfiguração de Jesus que puderam abastecer-se de coragem e força para suportar tudo o que viriam a passar.

Jesus, no início de sua vida pública, foi batizado com os pecadores por João, comia com eles, aceitava as mulheres no seu grupo, amava e convivia com os impuros, mesmo sendo judeu [5]. Ele atraía a todos com um amor que não era humano, um amor maior que todos os amores, o amor ágape, o amor oblação. O amor de Deus, que nenhum ser humano é capaz de amar sozinho, pois somente o amor divino é puro assim, capaz de doar-se inteiramente, sem reservar nada para si, doando-se inteiramente para o outro.

Os discípulos, que depois saíram para evangelizar as outras nações, levaram a Ícone - Ressurreição do Senhorcerteza desse amor em si e por isso foram capazes de dar a própria vida em nome de Jesus. Confiaram na promessa Dele e despojaram-se de tudo o que os aprisionava na terra, até mesmo da própria vida.

Dar a vida para Jesus e entregar-se totalmente a Ele não é tarefa fácil. Conforme se vai caminhando com Ele e lhe abrindo o coração, Ele começa a pedir algumas renúncias. Essas renúncias vão “limpando” a alma para que possa estabelecer-se ali. E cada vez que se renuncia algo com o que Jesus não pode coabitar, abre-se mais espaço para que Jesus possa amar em nós, aquele amor que só Deus é capaz de amar.

Boa semana a todos!

 

 

[1] At 1,8.

[2] Lc 24,1-12.

[3] Mc 9,2-13.

[4] CEC 257.

[5] CEC 535.