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CRISTO, O FOGO QUE QUEIMA E SALVA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente, refletindo sobre o nosso Catecismo. Falaremos hoje sobre um grande motivo de divergência entre católicos e protestantes, o Purgatório.

Pela morte de Jesus, nós fomos todos salvos, porém, Jesus não contradiz o nosso livre arbítrio. Ainda podemos escolher se aceitamos ou não esta salvação.

Por mais que amemos a Deus e busquemos seguir os passos de Jesus, ainda há em nós a tendência para o pecado. Vivemos a vida inteira em conflito, entre o bem Ícone - Juízoe o mal, até chegar a hora do Juízo, onde seremos sentenciados de acordo com nossas ações. Alguns viveram inteiramente para Deus, até conseguimos pensar facilmente em algumas dessas pessoas, que foram diretamente para o Paraíso. Outros se voltaram contra o amor de Deus, preferiram fazer o mal no mundo e foram direto para o inferno. Mas, a maioria de nós vive entre o bem e o mal, quer ser fiel a Deus, mas se percebe pecador. É para esses, o fogo purificador, a nossa esperança diante da insignificância humana perante Deus.

O Papa Emérito, Bento XVI, recorda-nos que o Purgatório não é “um lugar” depois da morte, mas sim “o caminho em direção à plenitude através de uma purificação completa”. Não é um fogo exterior, mas interno. “É o fogo que purifica as almas no caminho da plena união com Deus” [1].

Santa Catarina de Gênova, na visão que teve sobre o Purgatório, assim como o Filho Pródigo que retorna à casa do Pai, após viver uma vida desregrada e o encontra de braços abertos, pôde sentir o amor do Pai e sua infinita misericórdia, ao mesmo tempo em que se confrontava com sua alma medíocre e pecadora. Ela não parte do além para contar os tormentos do purgatório e indicar depois o caminho da purificação ou a conversão, mas parte da sua “experiência interior caminhando rumo à eternidade” [2].

O fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. Ante o seu olhar, toda falsidade é eliminada. É o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarronice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, no qual o impuro e o nocivo em nós se tornam evidentes, está a salvação. O seu olhar, o toque do seu coração cura-nos através de uma transformação certamente dolorosa, como pelo fogo. “Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo-nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo totalmente de Deus” [3].

Rezemos pelos mortos para que possam ser acolhidos pelo Senhor e recebidos no céu puros, como o Senhor é puro. Afinal, Ele não abrirá as portas de sua casa para alguém que esteja “coberto de lama”, há de se lavar primeiro. E que bom que mesmo em meio ao pecado, Ele ainda nos oferece a oportunidade de estar junto Dele.

Que a divina misericórdia de Deus nos envolva e sua graça nos leve à Salvação, Amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Purgatório é um fogo interior, esclarece o Papa, disponível em: <http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/purgatorio-e-um-fogo-interior-esclarece-o-papa,1c487227b94fa310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>.

[2] idem.

[3] Papa Emérito BENTO XVI, Spe salvi, 47. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html>.

A IGREJA É O SINAL DE CRISTO NO MUNDO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom poder contar novamente com você em nosso blog, para que juntos, refletindo sobre a fé que professamos, possamos difundir o que a Igreja acredita e Ícone - Virgem Mariadefende em meio às tribulações do mundo na qual está inserida.

Lembrando um pouco do último texto, recordemos as atribuições que a Igreja recebe junto de sua missão: ela é una, santa, católica e apostólica. Hoje refletiremos sobre a condição santa da Igreja, que não é concedida por Deus pelo seu mérito, mas por sua condição de amada esposa de Jesus.

Quando um homem desposa uma mulher, Santa Teresa de Jesus (ícone moderno)nada mais normal do que ele dar-lhe seu sobrenome e assumi-la por inteiro, fazendo dela parte de si mesmo. Jesus, sendo o “verdadeiro e único santo”, unindo-se à Igreja, dá a ela o Espírito Santo com a finalidade de também santificá-la e fazer dela santificadora. Ela é santa enquanto faz parte de Jesus e Jesus dela, enquanto conta com a graça do Espírito Santo e a proteção de Deus, mas também é pecadora, enquanto conduzida por mãos humanas.

O pecado afasta o homem de Deus, mas também demonstra o quanto o homem é amado por Deus. Pois, em sua infinita misericórdia, Ele acolhe de volta os pecadores arrependidos, oferece-lhes, através da Igreja e dos padres, o sacramento da Confissão, dá-lhes a chance de recomeçar, de reestabelecer a ligação de amor com o Senhor, retomando o caminho para a santidade. Ser santo não é nunca ter pecado, mas sim reconhecer que se é falho, que se precisa ser perdoado e também perdoar a si mesmo e aos outros.

O cristão precisa ter como meta principal de sua vida amar como Jesus amou, pois Ícone grego - Jean dela Croix é o amor que dá força para se realizar o que ninguém considera possível. O amor não torna nada mais fácil, porém, em meio às piores e mais difíceis tribulações é ele que ajuda a suportar. Se não fosse o amor, quem teria morrido para se tornar mártir? Santa Teresa D’Ávila teria suportado todas as humilhações que suportou em sua reforma no Carmelo, se não por amor? E os anos de prisão de São João da Cruz? Santa Teresinha teria suportado tantas dores em sua vida e louvado a Deus mesmo assim? Ela teria prometido jamais descansar no céu enquanto todas as almas não fossem salvas? E Madre Tereza de Calcutá cuidaria das feridas dos leprosos, se não por amor?

Temos tantos exemplos para seguir. A santidade está embutida na alma da Igreja e é expressa na sua capacidade de amar, de se doar ao outro, de mostrar quem é Jesus não por palavras, mas pelo testemunho do que esse Jesus faz na vida de cada um.

Quão difícil é ser santo nos dias de hoje, onde reina o relativismo, a paixão Ícone - Santa Teresinhadescartável (se é que se pode chamar de amor), a busca do prazer sem limites, o consumismo, a desvalorização da vida, o “esfarelamento” das famílias, a corrupção. Tudo isso tem sido considerado tão normal, enquanto a Igreja é taxada de antiquada por manter firme a posição contrária a tudo isso. Ser santo é fazer a vontade de Deus em qualquer circunstância e a Igreja vai manter-se firme quanto a isso, pois é sinal de Cristo para o mundo, e assim como Ele, muitas vezes, será sinal de contradição. Ela não se deixa contaminar pelo que o mundo prega. Como podem querer que a Igreja conforme seus valores aos valores deste mundo sabendo que o príncipe deste mundo é o inimigo de Deus?

A Igreja aponta o caminho para se chegar ao verdadeiro Reino de paz e de justiça Santo Agostinho de Hiponae este não é aqui [1]. Para isso, conta com o exemplo daqueles que já deram certo, daqueles que foram fieis seguidores da Palavra de Deus, que viram em Jesus o verdadeiro sentido e que, não pouparam suas vidas, defendendo bravamente a fé cristã e hoje são lembrados pela Igreja para suscitar em nós a esperança. Os santos são setas que nos apontam o caminho para onde devemos ir, se quisermos chegar aonde eles já chegaram.

Alguns não foram santos a vida toda, como Santo Agostinho que se converteu depois dos trinta anos por meio de muitas orações de sua mãe. Apesar de pecador, ele fez a experiência de se olhar com o mesmo amor que Deus o olhava. A santidade não significa que não vamos errar, mas sim que conhecemos o caminho de volta, por isso, não podemos nos prender no passado como o inimigo de Deus quer que façamos, mas precisamos olhar para frente sem nos prender em nossas culpas. Deus quer nos dar a liberdade para cumprirmos no mundo a missão de ser “luz” [2].

Imagine uma noite muito escura com alguns pontos brilhantes no céu. Retire agora esses pontos, só resta escuridão. Esta escuridão só não domina o mundo porque estamos aqui, somos a Igreja e estamos dispostos a ser as estrelas no céu e assim como a Estrela de Belém levou os Reis Magos a Jesus, nós também devemos fazer o mesmo às outras pessoas.

Sabemos que a santidade não é um caminho fácil, mas vale cada gota de suor, sangue e lágrimas derramados no caminho que leva a Nosso Senhor Jesus Cristo, onde só a luz eterna reinará.

Um abraço a todos!

Até semana que vem.

 

 

CEC 823-829.

[1] Jo 18,36.

[2] Mt 5,14.

“INDEFECTIVELMENTE SANTA” (CEC, n. 823) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos. Sejam mais uma vez bem vindos a este espaço de divulgação da nossa fé.

As ruas do país estão agitadas. Com os olhos atentos aos noticiários assistimos ao compreensível e justo sentimento de indignação da população brasileira. E embora o despertar da população esteja sendo esperado há muito tempo, precisamos ficar atentos ao perigo deste momento: o de que esse movimento social venha a servir de combustível para ideais revolucionários, tão contrários à nossa fé como o próprio demônio.

Em muitos lugares os gritos de guerra, cartazes e reivindicações deixam entrever o vazio moral em que se encontra o nosso país: uma multidão é capaz de se lançar em marcha por 20 centavos e outros interesses materiais (muitos deles justos, é verdade), mas não se sensibiliza com as milhares de crianças abortadas (assassinadas), com o ataque do governo aos valores cristãos e à família ou ao cerceamento do nosso direito de educar nossos filhos segundo nossas próprias concepções de mundo.

Muitas pessoas, certamente a maior parte delas boas e bem intencionadas, não percebem, mas seus gritos por justiça podem muito bem servir para justificar um aumento de poder por parte do Estado. Esperamos em Deus que esse movimento contrário a algo que não sabemos bem o que, não acabe dando mais força ao Estado e comprometendo ainda mais a nossa liberdade [1].

Aqui no CommunioSCJ, entretanto, não há simpatia por revoluções, não importa de que tipo sejam. Assim, seguimos como planejado a nossa programação de estudos do Catecismo para esse Ano da Fé, proclamado pelo Papa Emérito Bento XVI. Estamos refletindo sobre as chamadas notas da Igreja, isto é, as qualidades que permitem reconhecer a Igreja de Cristo. Depois de refletirmos como a Igreja á Una, Ícone de Nossa Senhorachegamos ao momento de entender porque podemos dizer que “A Igreja… é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa” [2].

Certamente, para muitas pessoas, inclusive católicas, acreditar ainda hoje na santidade da Igreja parece uma insensatez. Basta citar essa característica básica da Igreja de Cristo para que muito comecem a vomitar pecados e erros do passado. Deixando de lado a discussão acerca da validade de algumas das informações tão amplamente difundidas, pode-se afirmar que as pessoas que se agitam e enfurecem frente à menção dessa característica da Igreja provavelmente não entendem o que ela quer dizer.

Quando se afirma que a Igreja é santa, não se pretende de modo algum sustentar que os membros da Igreja não pequem. É simplesmente óbvio e notório que tanto os leigos quanto o clero (esses mais do que gostaríamos) pecam. Entretanto, é preciso ter clareza que os pecados cometidos não pertencem à Igreja, mas sim aos seus membros. Como já discutimos, a Igreja é muito maior que os seus membros visíveis, ela é “maior que qualquer coisa no mundo; […] é realmente maior que o mundo” [3]. Critica a santidade da Igreja quem tão uma visão limitada da Igreja, isto é, quem não entende que ela é o Corpo Místico de Jesus e que, “unida a Cristo, é santificada por Ele” [4]. Também são santos a Virgem Maria, as almas dos Céus e todos os anjos. E eles também são Igreja.

Quanto aos membros da Igreja nessa terra, podemos dizer que eles são Igreja à medida que se livram do pecado, pois cada ato pecaminoso é um passo para fora da Igreja. Não é exagero dizer que um cristão só é plenamente Igreja no Céu. Aqui nesse mundo, sua vida é uma luta para alcançar essa união perfeita com Cristo, à qual chamamos santidade. Por isso a Igreja, embora seja santa, é nesta terra um lugar de acolhida dos pecadores: “É nela que adquirimos a santidade pela graça de Deus” [5].

Se a Igreja é santa, devemos nós também buscar a santidade. Foi o que Jesus pediu: “Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Mais recentemente, foi também o pedido do Papa Emérito Bento XVI à juventude: “Queridos jovens, Jesus vos chama a ser santos”. Somos pecadores, mas não podemos conviver pacificamente com essa realidade. Como membros da Igreja santa de Cristo, somos impelidos a buscar a perfeição que advém pela Graça de Deus, perfeição que se manifesta, sobretudo na virtude da Caridade, isto é, do amor.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós e pelo nosso país. Que possam acontecer as mudanças necessárias em nossas almas e na política nacional. Mas que sejam as mudanças desejadas por Deus, que conduzam a uma maior liberdade e a uma sociedade que ame mais.

Deus abençoe a todos. Deus abençoe o Brasil!

 

 

[1] Para uma visão católica sobre as manifestações, recomendamos o vídeo do Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, disponível em: <http://padrepauloricardo.org/episodios/as-manifestacoes-no-brasil>.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 823.

[3] p. 71 do Todos os caminhos levam à roma

[4] CEC, n. 824.

[5] Ibidem.