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TRÊS LIÇÕES COM A SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA – Por. Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu!

 

Caros irmãos e irmãs, sejam bem vindos ao CommunioSCJ! Vivemos o início do pontificado do Papa Francisco. Precisamos dar espaço para que ele seja Papa: o Espírito Santo o escolheu, nós o acolhemos com alegria e obediência filial. Outro cuidado, de nossa parte, é não enxergarmos o Papa Francisco como uma ruptura com todos os anteriores. Isso pode ser feito também através de comparações, sempre prejudiciais. O Santo Padre Bento XVI já havia nos alertado sobre os desta hermenêutica da ruptura em relação ao Concílio Vaticano II [1], mas é importante não fazermos uso deste tipo de pensamento também em relação ao nosso Papa.

A Igreja continua! E nosso projeto também. Por isso, avançando em nosso estudo do Catecismo, chegamos à figura da Virgem Maria. A fé a respeito dela se funda no mistério de Cristo e, ao mesmo tempo, o ilumina [2]. Nosso Catecismo trata a respeito da beatíssima Mãe de Deus nos números 484-511. Recomendo a leitura desses números de uma riqueza doutrinal e espiritual extraordinária. Aqui, porém, vou me deter em três pontos que julgo importantes e que podem nos ajudar no aprofundamento de nossa espiritualidade.

Um primeiro aspecto, diz respeito à virgindade perpétua da Mãe de Deus. O próprio Catecismo se refere diretamente a um verdadeiro estranhamento e uma consequente resistência em relação à virgindade maternal de Maria – já no mundo antigo, mas que, não raro ainda subsiste [3]. Trata-se de um estranhamento de quem não tem fé, ou mesmo está próximo de perdê-la. Contudo, as palavras de Bento XVI podem nos ajudar:

“Naturalmente não se podem atribuir a Deus coisas insensatas ou não razoáveis ou que estejam em contraste com a sua criação. Ora, aqui não se trata de algo não razoável ou de contraditório, mas precisamente de algo positivo: do poder criador de Deus, que abraça todo ser. Por isso, estes dois pontos – o parto virginal e a ressurreição real do túmulo – são pedras de toque para a fé. Se Deus não tem poder também sobre a matéria, então Ele não é Deus. Mas Ele possui esse poder e, com a concepção e a ressurreição de Jesus Cristo, inaugurou uma nova criação; assim, enquanto Criador, Ele é também nosso Redentor. Por isso, a concepção e o nascimento de Jesus da Virgem Maria são elementos fundamentais da nossa fé e um luminoso sinal de esperança” [4].

Portanto, o primeiro convite deste texto é um convite à fé. Deus não precisa – nem Nossa Senhora de Fátimapode – ser explicado em detalhes: haverá sempre mais a se conhecer do que conhecido. Além disso, é provável que, em nossa vida, para muitos acontecimentos, não encontremos razão alguma para o que se sucede. No entanto, nunca duvidemos da bondade e do amor misericordioso de Deus. “o rosto de Deus é o de um pai misericordioso” [5]! Por vezes, certamente, será um desafio. Mas peçamos a Deus a graça de uma fé perseverante e busquemos aderir a Ele com nossa vontade e inteligência, pois, com Ele, não ficaremos desamparados.

E aqui, encontramos justamente um segundo ponto deste texto. O mesmo Catecismo diz: “Para ser a Mãe do Salvador, Maria foi ‘enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função’ (LG 56)” [6]. Ele não nos desampara. Se nos pede uma árdua missão, provê, em nosso favor, toda a graça necessária para cumprirmos tal missão. Se a cruz nos parece pesada demais, creiamos, mais do que nunca Ele está próximo de nós. Por isso, podemos confiar. Confiar como a Santíssima Virgem confiou.

E tal confiança abre nossos corações para o último ponto que quero propor: a Ícone - Assunção (Dormição) de Nossa Senhoracorrespondência à Graça na livre entrega à Sua santa vontade. Ainda o Catecismo: “Ao anúncio de que, sem conhecer homem algum, ela conceberia o Filho do Altíssimo pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu com a ‘obediência da fé’, certa de que ‘nada é impossível a Deus’: ‘Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tomou Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da Redenção” [7].

É certo que, ao contrário de Maria, mãe de Jesus, nós pecamos. Mas, também no nosso caso, com o auxílio da Graça, podemos corresponder à vontade de Deus sem que nenhum pecado nos retenha. Ele não despreza nosso coração contrito e derrama largamente Seu perdão – particularmente no Sacramento da Reconciliação. “Ele nunca se cansa de perdoar, mas nós às vezes cansamo-nos de pedir perdão. Não nos cansemos jamais, nunca nos cansemos!” [8]. Arrependamo-nos, façamos penitência e, sem nos prendermos em nenhum pecado, entreguemo-nos à vontade da suma bondade.

Que a intercessão materna da Santíssima Virgem, a quem Deus encheu plenamente de Sua Graça, nos ajude a crer, confiar e nos entregarmos totalmente ao Pai, por Jesus Cristo, no Espírito Santo.

Uma abençoada semana santa a todos! Até a próxima.

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. Discurso do Papa Bento XVI aos cardeais, arcebispos e prelados da cúria romana na apresentação dos votos de natal. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2005/december/documents/hf_ben_xvi_spe_20051222_roman-curia_po.html>.

[2] Cf. CEC (Catecismo da Igreja Católica) 487.

[3] Cf. CEC 498.

[4] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 52.

[5] FRANCISCO. Angelus (17/03/2013). Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/francesco/angelus/2013/documents/papa-francesco_angelus_20130317_po.html>.

[6] CEC 490.

[7] CEC 494.

[8] FRANCISCO. Idem 5.

“EIS A TUA MÃE” (Jo 19, 27) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá mais uma vez, queridos amigos do CommunioSCJ. Sejam bem vindos!

Nesta semana, cheios de entusiasmo, vamos nos deter na venerabilíssima figura da Santíssima Virgem Maria. É evidente que com isso não pretendemos equiparar nossa Senhora com o Filho de Deus, pois, como dizia São Luís Maria, “comparada à Majestade infinita ela é menos que um átomo” [1]. Entretanto é preciso sempre reconhecer coma a Igreja que “o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo” [2].

Embora Deus, em sua Onipotência, pudesse ter vindo até nós de infinitas formas, “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de NossaSenhoraAparecidamulher” (Gl 4,4). E essa mulher é a Santíssima Virgem Maria que, escolhida e predestinada a ser aquela que daria à luz ao Salvador, “torna-se a arca da aliança, o lugar de uma verdadeira habitação do Senhor” [3]. Mas o que dizer sobre essa mulher que recebeu tão grande missão? Poderia ela, por acaso, ter recebido o Senhor em um ventre manchado pelo pecado? Obviamente não!

Quando Deus nos confere um encargo, Ele sempre nos confere também os meios de realizá-lo. Assim sendo, Maria, que recebeu a maior função dentre todos os seres humanos, foi concebida, nas palavras do anjo, “cheia de graça”. Meditando o tamanho da missão de Nossa Senhora, não parece exagerada a afirmação de São Luís Maria, quando diz: “Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria” [4].

Para que pudesse conceber Cristo em seu ventre, Maria “foi redimida desde a sua concepção” [5]. Ela foi desde o nascimento “preservada imune de toda a mancha do pecado original”, como diz o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX.

Para que ficasse claro que a Encarnação foi uma “iniciativa absoluta de Deus” [6], Nossa Senhora de GuadalupeMaria foi capaz de conceber o Cristo sendo virgem. Sua virgindade atesta que Jesus não é um homem como nós somos, pois foi concebido pelo poder do Espírito Santo, herdando a natureza humana de sua mãe, mas preservando sua eterna natureza divina.

Para que pudesse gerar a natureza humana de Jesus, Maria acabou se tornando a “Mãe de Deus (Theotókos)” [7]. Pois o homem que nasceu de seu ventre foi a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho do Pai.

Diante de todos os dons que Deus ofereceu à Santíssima Virgem, entendemos porque “a concepção e o nascimento de Jesus da Virgem Maria são elementos fundamentais da nossa fé e um luminoso sinal de esperança” [8]. Esses fatos apresentam o Deus cheio de amor que nos busca e nos salva; identificam o Deus que não só pode, mas quer operar maravilhas em nossas vidas; mostram que Deus age aqui, na carne, e não apenas no plano das ideias.

Cheios de esperança, aguardamos o dia em que estaremos juntos com o Pai, com Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Santíssima Mãe nos Céus. Sabemos que existe uma grande luta a ser travada para alcançarmos essa meta. Mas felizes nos lembramos das palavras que Cristo dirige do alto da cruz a São João e a toda a humanidade: “Eis a tua mãe!” (Jo 19, 27). Pois “a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que ele veio salvar” [9]. Como ficarmos desanimados se sabemos que temos tão admirável Mãe que intercede continuamente por nós?

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus!

 

 

[1] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 25.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 487.

[3] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 31.

[4] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 30.

[5] CEC, n. 491.

[6] CEC, n. 503.

[7] CEC, n. 495.

[8] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 52.

[9] CEC, n. 501.