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JESUS, A CABEÇA, A IGREJA, SEU CORPO E NÓS OS SEUS MEMBROS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, meus amigos tão queridos!

Voltamos a refletir sobre nossa valiosíssima Igreja Católica. A Igreja pela qual Jesus deu a vida e onde foi seguido por vários santos, sem os quais ela não permaneceria em pé até os dias de hoje.

Ser cristão, acima de tudo, é acolher o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo e configurar-se a Ele. É parecer-se com o Mestre que morreu para que sua Igreja fosse erguida, tornando-se sua Cabeça, assumindo-a como seu próprio Corpo, para que assim fosse um com os seus membros, o seu povo, aqueles que acreditaram e acolheram a Salvação de Cristo como a suprema verdade.

O Povo de Deus era o povo de Israel, porém, essa era apenas a preparação para a renovação, ou melhor, para a Nova e Eterna Aliança inaugurada em Jesus Cristo. Deus foi mostrando ao mundo que não era exclusivo de uma minoria, mas que era um Deus universal, preocupado em fazer ecoar não só entre os judeus, mas para toda a humanidade, a sua mensagem. Para isso, por exemplo, serviu-se dos ataques aos discípulos de Jesus, que fez com que eles se espalhassem pelo mundo, levando a fé com eles.

Jesus é Sacerdote, Profeta e Rei, e seus membros, assumem com Ele estas mesmas funções: a de Sacerdote, pois são ungidos pelo Espírito Santo em nosso Batismo para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para, por meio de todas as suas obras, próprias do cristão, oferecer oblações espirituais e anunciar os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (1Pd 2,4-10). Por isso, os cristãos devem perseverar na oração e louvar a Deus, se oferecer a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus, dar testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que pedirem devem dar razão da esperança da vida eterna que neles habita (1Pd 3,15) [1].

Jesus é Profeta, e como Ele, seu povo deve apegar-se à fé, sem titubear. A mesma fé que os santos professaram e pela qual entregaram a vida. A fé que, apesar de Ícone - Igrejatodas as tribulações, faz seu povo continuar de pé.

Jesus é Rei, e o Seu Povo participa dessa dignidade, na medida em que reina como seu Rei. Jesus não se sentou em um trono e exigiu servos, Ele mesmo foi o maior servo que a humanidade conheceu e é neste sentido que o cristão deve reinar: servindo àqueles que mais precisarem como o Rei assim o fez. O cristão reconhece no mais fraco, no mais pobre, o seu próprio Senhor, eis a razão da alegria em servir.

Assim como Jesus é a Cabeça que comanda a Igreja, e os seus membros formam seu Corpo, não poderia faltar a Sua alma, que é o Espírito Santo. É esta alma que une o corpo, a cabeça e todos os membros, pois ele está todo presente na cabeça, todo presente no corpo e todo presente nos seus membros.

O Espírito paira pela Igreja e lhe edifica pela ação eficaz da Palavra de Deus, do Batismo, dos Sacramentos, lhe concede vida nova através das virtudes suscitadas nos fieis, cujo testemunho é capaz de mudar a vida das pessoas, pelos carismas que são concedidos não para santificação própria, mas para santificação da Igreja e que não devem ser razão de orgulho, já que possuí-los não é certeza de santificação, a qual só é conquistada através de muita luta.

A Igreja, enquanto humana, é imperfeita. Mas, mesmo assim, Deus a quis e a ama dessa forma. Mesmo com seus defeitos, dificuldades, a Igreja é a esposa amada de Cristo e como tal, deve buscar ser como Ele, sendo referência para os que ainda não o conhecem, pois só se conhece o amor de Deus, pela forma como se ama o próximo. “Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos” [2].

Boa semana a todos!

 

 

CEC 781-810.

[1] Lumen Gentium (LG) 10. O Povo de Deus, disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html>.

[2] Cl 3,12-15.

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JESUS CRISTO “RESSUSCITOU AO TERCEIRO DIA, SEGUNDO AS ESCRITURAS” (1Cor 15,4) – Por Fr. Lucas, scj.

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Caros irmãos e irmãs, sejam, como sempre, muito bem vindos ao CommunioSCJ! Continuamos refletindo sobre nossa fé a partir do Catecismo da Igreja Católica, como propôs o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI para este Ano da Fé. Assim, chegamos, nesta semana, ao centro de nossa fé: a Ressurreição de Jesus [1] enquanto ainda celebramos o Tempo Pascal.

Há muitos elementos que poderiam ser abordados sobre este assunto. E muito já Ícone - Ressurreiçãose escreveu a este respeito. Entretanto, gostaria, aqui, de abordar rapidamente um elemento que, no meu ponto de vista, faz toda a diferença: a ressurreição de Jesus é um fato histórico e transcendente.

Com efeito, lemos, no Catecismo, que “o mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento” [2]. Tais manifestações são o túmulo vazio e as aparições do Ressuscitado aos seus. Nelas, fica claro a identidade, que há entre o corpo crucificado e o ressuscitado, embora depois da ressurreição, o corpo de Jesus se apresentasse glorificado.

Em outras palavras, Jesus saiu da morte não pela mesma porta por onde entrou [3], ou seja, não voltou à vida mortal, mas entrou na vida eterna e definitiva glorificada em Deus. Parece óbvio dizer isso (e, realmente, é), mas acontece que hoje não é difícil encontrar alguém que se julgue bom cristão e, ao mesmo tempo, acredite que a Ressurreição de Cristo foi uma espécie de delírio coletivo dos Apóstolos: num dado momento, eles se olharam e disseram “Jesus está vivo, continuemos seu projeto” enquanto seu corpo se decompunha no sepulcro…

Mas, como seria possível anunciar na Jerusalém no séc. I a ressurreição de alguém Ícone - Tomé e Jesuscujo túmulo estava ali? É evidente que tal anúncio seria “absolutamente impossível se se pudesse referir o cadáver jacente no sepulcro” [4]. Que uma pessoa morra por sua própria alucinação, acho possível. Agora que outros deem a vida pela loucura de alguns, acho difícil. E que a Igreja subsista num delírio coletivo que dura 2000 anos, acho impossível.

Ora, se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé [5]. Com todo respeito, qualquer pessoa é capaz de perceber pelos textos neotestamentários que a fé dos Apóstolos estava destruída depois da Cruz e que, se algo verdadeiramente extraordinário não tivesse acontecido, a Igreja terminaria por ali mesmo. De forma que “a hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um ‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos carece de consistência” [6].

Por isso, S. Paulo, já no ano 56, testemunhava a existência de uma sólida tradição a respeito da Ressurreição do Senhor: “transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, apareceu também a mim como a um abortivo” (1Cor 15,3-8).

Mas, ainda que seja um “evento histórico constatável pelo sinal do sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos apóstolos com Cristo ressuscitado, a Ressurreição nem por isso deixa de estar no cerne do mistério da fé, no que ela transcende e supera a história” [7]. Ou seja, é preciso que a fé nos socorra a fim de não cairmos num empirismo estéril.

Que a Virgem Maria, modelo de mulher de fé, interceda por nós a fim de não termos um coração endurecido à fé na Ressurreição de seu divino Filho.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-658.

[2] CEC 639.

[3] CANTALAMESSA, Raniero. Justificados gratuitamente: por meio da fé no sangue de Cristo. Disponível em: <http://www.cantalamessa.org/?p=2219&lang=pt>.

[4] procurar citação

[5] Cf. 1Cor 15,14.

[6] CEC 644.

[7] CEC 647.

“SE CRISTO NÃO RESSUSCITOU, VÃ É A NOSSA FÉ” (1Cor 15,14) – Por Fabiana Theodoro

2 Comentários

Olá, amigos do CommunioSCJ!

Alegro-me por tê-los conosco mais uma vez refletindo sobre a nossa Profissão de Fé, à qual seguimos e espalhamos pelo mundo cumprindo a missão primeira deixada a todo cristão: “Ir e evangelizar a toda criatura” [1].

Depois que Jesus passou na Mansão dos Mortos, foram as três discípulas que constataram que o sepulcro estava vazio. No primeiro momento, houve a surpresa e a indagação: “O que fizeram ao Nosso Senhor?” As mulheres chegaram aos apóstolos e contaram do anjo que lhes apareceu e o que lhes disse e ainda houve quem duvidasse do acontecimento. Mas quando Pedro chegou ao túmulo e pôde constatar com seus próprios olhos, não teve mais dúvidas em seu coração e creu: “O Senhor vive!”.

Somente o sepulcro vazio não é uma prova concreta de que Jesus ressuscitou, porém, não foi o único sinal. Seus amigos ficaram perplexos, quando Ele lhes Ícone - Ressurreição de Jesusapareceu, quando puderam tocar Nele, e quando comeu junto deles. Eles puderam ver que não era um espírito, o Mestre estava verdadeiramente, de corpo e alma glorificados junto deles. Esses fatos nos são atestados pelos homens e mulheres que o viram, por isso creram, testemunharam a verdade e deram sua própria vida por defender a veracidade destes acontecimentos.

Enquanto Jesus vivia, os Evangelhos relatam algumas ressurreições como a da filha de Naum, a de Lázaro, a do filho da viúva, porém todas estas foram provisórias, pois eles voltaram à vida humana e mais cedo ou mais tarde morreram novamente. Jesus não. Ele ressuscitou para além da vida terrena, ressuscitou para a vida celeste, onde a morte jamais o alcançaria novamente. O homem, segundo a sua natureza, foi criado para imortalidade, mas só agora com a Ressurreição, existe o lugar, o próprio Jesus, onde a alma imortal encontra o espaço, aquela corporeidade, na qual a imortalidade recebe sentido como comunhão com Deus e com toda a humanidade reconciliada [2].

“Se Jesus não ressuscitou, vã seria nossa fé” [3]. A Ressurreição de Cristo é o elo entre o Antigo e o Novo Testamento, é a certeza de que Jesus é o Filho de Deus, feito da própria essência do Pai, na verdade, o próprio Deus. Ele é o cumprimento da promessa de Deus que os profetas anunciaram, é a nova Aliança entre Deus e os homens, a plena Salvação.

Na Ressurreição de Jesus, as três Pessoas da Santíssima Trindade agem ao mesmo Ressuscitado (Painneau)tempo. O Pai, pelo seu poder, ressuscitou seu Filho, que introduziu de modo perfeito a sua humanidade, com seu corpo, na Trindade, e por obra do Espírito Santo, vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso de Senhor [4].

Pela Ressurreição, nós somos chamados a ressuscitar com Ele, a viver uma vida nova em Cristo. Assim como Paulo que teve sua experiência em Damasco e, através dela, passou de perseguidor dos cristãos a perseguido, nós também temos nossa experiência de amor com Jesus e a partir dessa experiência, podemos deixá-lo transformar primeiramente a nossa vida e depois a vida dos outros, através de nós. Não há forma melhor de testemunhar a Ressurreição de Nosso Senhor do que através de nossa própria experiência, de nossa própria intimidade com Ele, pois assim o fizeram os primeiros cristãos. Muitos têm outras possíveis explicações racionais e plausíveis até, mas é a minha experiência com Jesus que me faz acreditar e gritar a todos: Jesus ressuscitou, aleluia!

Boa semana a todos!

 

 

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica (CEC) 638-655.

[1] Mt 28,18.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 222.

[3] 1Cor 15,14.

[4] CEC 648.

JESUS DESCEU À MANSÃO DOS MORTOS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Continuando a nossa reflexão sobre o Credo, chegamos à descida de Jesus à Mansão dos Mortos.

Como professa nossa fé, Jesus morreu e, enquanto esperava sua Ressurreição, desceu até onde os mortos, que viveram segundo o amor de Deus, aguardavam, para serem finalmente levados para junto do Pai. Somente o sacrifício de amor de Jesus poderia abrir as portas do céu, que Adão havia fechado pelo pecado.

O pecado causa culpa e penas. Jesus pagou a nossa culpa, herdada de Adão, na Ícone - descida aos infernoscruz. As penas são as punições da alma que estão condenadas a viver eternamente longe de Deus. Segundo Papa Inocêncio III, a pena do pecado original é a carência da visão de Deus e a pena do pecado cometido nesta vida é o tormento do inferno eterno.

Os justos estavam na Morada dos Mortos, não sentiam as dores do fogo, mas estavam privados da visão de Deus. Esta também era chamada de “os infernos”, distinto do Inferno propriamente dito, aonde vão aqueles que livremente repudiaram a Deus em vida, que cometeram pecado mortal e não se arrependeram: para eles já não existe a Salvação, pois rejeitaram o amor e a misericórdia de Deus.

Jesus cumpriu sua missão plenamente, pois amou a todos incondicionalmente, não deixou nem aqueles que não estavam mais entre os vivos, mostrando que a Salvação é para todo aquele que crê e ama a Deus.

Depois de passados os três dias de permanência com eles, O Filho de Deus saiu Ícone - Jesus desce aos infernosseguido por uma grande procissão de justos em direção ao céu. Jesus desceu do céu para nos levar ao céu, desceu aos infernos para cumprir plenamente sua missão, já que somente Ele tem o poder sobre todas as coisas, que Ele venceu a morte, venceu todo o poder maligno na terra e abaixo da terra. Não há poder no mundo que não se curve perante o nome de Jesus.

Oremos e sejamos fiéis enquanto é tempo, pois a misericórdia de Deus é infinita, mas a nossa vida não é. Quem viver longe do amor de Deus na terra em vida padecerá com grandes suplícios eternamente e não convém esperar o último momento para a conversão. Converter-se é necessário sempre, e para ajudar-nos neste caminho, temos os Sacramentos.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo seja sempre louvado em toda hora e lugar, hoje e sempre, amém.

 

 

Fonte:

CEC 631-637.

“AQUELE QUE DESCEU É O MESMO QUE SUBIU ACIMA DE TODOS OS CÉUS, A FIM DE ENCHER O UNIVERSO” (Ef 4,10) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos! Com muita alegria os acolhemos novamente aqui no CommunioSCJ.

Na semana passada refletimos acerca da morte redentora de nosso Senhor Jesus Cristo. E nesse caso, anunciar a morte significa, simultaneamente, proclamar a Ressureição. Entre esses dois mistérios, entretanto, existe o sepulcro. Pois “em seu projeto de salvação, Deus dispôs que seu Filho não somente ‘morresse por nossos pecados (1Cor 15, 3), mas também que ‘provasse a morte’, isto é, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre sua alma e seu corpo compreendido entre o momento que expirou na cruz e o momento em que ressuscitou” [1].

Como já foi apontado em outras ocasiões, a fim de redimir a nossa humanidade, Ícone - Descida ao SheolJesus teve que assumi-la plenamente. Deste modo, não pôde se furtar de viver a terrível realidade da morte. Como acontece com cada homem e mulher, teve sua humanidade dilacerada pela separação entre alma e corpo. Compartilhou dessa experiência humana permanecendo sepultado até o domingo, dia em que ressuscitou reunindo-as novamente. Jesus se sujeitou a ser sepultado como nós seremos um dia, para que nós pudéssemos ressuscitar como Ele ressuscitou no terceiro dia após a sua morte. Não apenas no final dos tempos, mas desde agora, espiritualmente, no nosso batismo onde “fomos sepultados com Ele em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6, 4).

É preciso notar, entretanto, que por se tratar do Filho de Deus, a morte O envolveu de uma forma diferente do que acontecerá com cada um de nós. Pois embora corpo e alma estivessem separados, estavam ligados à Pessoa Eterna do Filho. Assim, ao pensarmos no corpo sepultado de Cristo “não estamos diante de um cadáver como os outros” [2]. Estamos diante de um corpo que não sofreu a corrupção, a decomposição. Mas e quanto a sua alma? Onde esteve ela enquanto seu corpo incorrupto repousava no sepulcro?

O Catecismo responde a essa indagação dizendo que “Cristo desceu aos Ícone - Resurrection Yaroslavl Schoolinfernos” [3]. Durante a sua morte, a Pessoa do Filho, através de sua alma humana, foi muito além do se fazer homem. Foi o mais fundo que seu amor permitiu e glorificou o Pai cumprindo de maneira perfeita sua missão redentora. Jesus se rebaixou ao extremo a fim de ser posteriormente glorificado pelo Pai. “Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher o universo” (Ef 4, 10).

Mas entendamos bem o que se pretende exprimir com a palavra “infernos”. Não se trata, evidentemente, do inferno criado por Satanás. Pois este é o estado da alma que permanece eternamente separada de Deus, o que seria impossível para Jesus, já que Ele próprio é Deus. A palavra “infernos” designa na verdade, o local onde estavam as almas dos que estavam “privados da visão de Deus” [4], daqueles que ainda aguardavam a salvação de Cristo. Trata-se do sheol, do Hades, do que costumamos nos referir como “mansão dos mortos” quando rezamos o credo.

Enquanto o corpo de Cristo aguardava no sepulcro, Ele se dirigia às muitas almas justas que se encontravam neste estado de espera, na “mansão dos mortos”, para libertá-las, para abrir-lhes as portas dos Céus. Considerando o tempo que seu corpo permaneceu sepultado, pode parecer que tenha se tratado de algo breve, até mesmo pequeno. Na realidade, foi uma imensa obra de salvação. Ou melhor, o imenso começo de sua imensa obra de salvação.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós a fim de que, um dia, sejamos contados entre os justos aos quais as portas dos Céus foram abertas.

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 624.

[2] CEC, n. 627.

[3] CEC, n. 632.

[4] CEC, n. 633.

“CRISTO MORREU POR NÓS QUANDO ÉRAMOS AINDA PECADORES” (Rm 5,8). Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá queridos amigos do CommunioSCJ! Que bom nos encontrarmos novamente.

Amparados pelo Catecismo, continuamos a olhar mais de perto para a vida de nosso Senhor Jesus Cristo. Após breves considerações sobre sua vida pública, iniciamos uma reflexão mais profunda acerca dos mistérios pascais que celebramos recentemente. Neste texto, em especial, trataremos da morte de Nosso Senhor, fato histórico que não fica apenas no passado, mas está intensamente relacionado com nossas vidas. Vejamos como.

Uma primeira e importante consideração sobre a morte de Jesus Cristo diz respeito Ícone - Judas beija Jesusà pergunta “quem matou Jesus?”. Contrária à visão de que os judeus foram os culpados por esse ato assassínio, a Igreja afirma que “foram os pecadores como tais os autores e como que os instrumentos de todos os sofrimentos por que passou o Divino Redentor” [1]. Desta forma, fica clara a nossa relação com a morte de Jesus; fica clara a resposta sobre a pergunta acerca dos culpados desse crime: nós, eu e você, pecadores, fomos os assassinos de Cristo. Esta constatação pode chocar algumas pessoas, mas é uma realidade dramática que todo cristão precisa compreender. Usando as palavras de São Francisco de Assis, “Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram; és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucifica-lo, deleitando-te nos vícios e nos pecados” [2]. Cada um de nós, com nossos pecados, matamos e continuamos a fazer Cristo sofrer.

A ideia de que somos diretamente culpados pela morte de Nosso Senhor nos leva a outra importante pergunta: “por que Jesus morreu?”. São Pedro nos responde dizendo que “Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pela mão dos ímpios” (At 2,23). Jesus morreu para nos libertar de nosso pecados, segundo desígnio de Deus. “Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus” (2 Cor 5,21).

Jesus assumiu e pagou nossas culpas na Cruz. Pois Deus é Justo, e o mal realizado Jesus crucificado (Icon at St. Catherine's Monastery, Sinai)por cada ser humano precisava ser pago. E bem sabemos que um mundo sem justiça jamais seria um mundo perfeito como Deus planejou. Entretanto, que nem passe pela nossa cabeça a ideia de um Deus vingativo. Pois o crime que precisava ser pago, Ele mesmo tomou sobre seus ombros e o pagou de maneira cruenta, no sacrifício da Cruz. E aí Deus revelou que além de Justo, é Misericórdia e Amor. E foi precisamente assim que Cristo nos salvou: amando-nos “até o fim” (Jo 13,1). E mais ainda, amando-nos independentemente de toda a nossa sujeira e maldade, pois “Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). E se saber que você também é responsável pela morte de Jesus Cristo o perturba (e deveria), reconheça (e alegre-se) com o fato de que mesmo assim Jesus o ama, independentemente de seus pecados passados e futuros.

Contemplando os atos de justiça e amor perfeitos presentes na morte redentora de cristo, precisamos nos deparar com uma terceira pergunta: “o que a morte de Jesus muda em minha vida?”. Diante da morte de Cristo, não é possível ser indiferente. Sua entrega livre já na Santa Ceia, como Eucaristia, sua agonia no Getsêmani, a dor da traição, a humilhação perante um falso julgamento, sua dolorosa flagelação, sua crucificação e morte: tudo isso nos cobra uma resposta. Pois “Cristo morreu por todos os homens sem exceção” [3], mas em sua liberdade qualquer homem é livre para rejeitar a redenção de Cristo.

Consciente de sua morte expiatória, Jesus faz um convite que ecoa pelos tempos e chega a cada um de nós hoje: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16, 14). Nos nossos sofrimentos, nas nossas dores e dificuldades podemos ir nos associando à crucificação de Cristo. É um convite difícil, muitas vezes incompreensível numa sociedade hedonista como a que nós vivemos. Mesmo assim, a Igreja continua e continuará a ensinar que existe redenção no sofrimento. Depois da Cruz existe a Ressureição! Como aconteceu com São Pedro, é difícil aceitar a Cruz. Mas Cristo redimiu nossa vontade pecadora e se São Pedro foi capaz de enfrentar também a sua cruz (São Pedro também morreu crucificado, de cabeça para baixo por não se achar digno de morrer como seu Senhor) nós também seremos capazes de aceitar as nossas cruzes. Um comentário do Papa Emérito Bento XVI sobre a relação de São Pedro com a cruz pode iluminar bastante nossa reflexão:

“Quem poderia negar que o seu comportamento [de São Pedro] espelhe a tentação contínua dos cristãos, aliás, mesmo da Igreja: chegar ao sucesso sem a cruz? Assim, é preciso anunciar-lhe a fragilidade, a tríplice negação. Ninguém, por si mesmo, é suficientemente forte para percorrer o caminho da salvação até o fim. Todos pecaram. Todos precisam da misericórdia do Senhor, do amor do Crucificado” [3].

Que a Santíssima Virgem Maria nos ensine a aceitar a misericórdia divina e nos auxilie no nosso sim ao amor generoso de Deus que nos leva da Cruz à Ressureição.

Uma ótima semana!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 598.

[2] Ibidem.

[3] CEC, n. 605.

[4] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 142.

DEUS NOS AMOU PRIMEIRO – por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Como começamos a refletir semana passada, Nosso Senhor Jesus Cristo se deu por nós na Cruz, sem merecermos, mesmo sabendo que nós, na nossa limitada humanidade, jamais seríamos capazes de retribuir tamanho amor. Na verdade, por isso, Ele abaixou-se até nós, homens e mulheres pecadores, para cumprir a vontade do Pai, a fim de ter restaurada definitivamente a sua aliança com o homem.

Por Jesus, todos são chamados a amar como Ele amou, doar-se como Ele se doou, Jesus no Monte das Oliveiras (F lvio Giuliano)mesmo que para isso, tenha que também carregar a cruz como Jesus carregou. Quando Jesus morreu, morreu por toda a humanidade, por todos os homens que existiram, existem e por todos os que ainda existirão. A Salvação nos foi dada, não por merecimento, mas sim por graça de Deus, pois Ele sabe que nenhum homem, nem mesmo o mais santo, poderia carregar sobre si o peso dos pecados da humanidade como seu Filho era capaz de carregar [1].

Jesus abraçou em seu coração humano, o amor de Deus por todos nós [2]. Amou-nos até às últimas consequências (cf. Jo 13,1).

“Na Paixão de Jesus, toda a sujidade do mundo entrou em contato com o intensamente Puro, com a alma de Jesus e, deste modo, com o Próprio Filho de Deus. Se habitualmente a realidade suja contagia pelo contato e inquina a realidade pura, aqui temos o contrário: onde o mundo com toda a sua injustiça e as crueldades que o inquinam, entram em contato com o imensamente Puro, aí Ele o Puro, revela-se o mais forte. Nesse contato, toda a sujidade é absorvida, anulada e transformada pelo sofrimento do amor infinito” [3].

Jesus foi obediente ao Pai de uma forma que nós jamais seremos capazes de ser. Ele é o sacrifício perfeito, mas não porque Deus é cruel e sedento de sangue e de Ícone - Jesus crucificadovingança pelos pecados cometidos por nós. Não, o próprio Deus, na pessoa do Filho carrega sobre Si todos os sofrimentos do mundo, para que o seu pecado e o meu pecado sejam lavados no sangue de Jesus.

A obediência humana jamais chegará a ser perfeita como a de Jesus, mas o desejo de dar a Deus o que não somos capazes de dar faz com que Ele mesmo venha ao nosso encontro. Santa Teresinha do Menino Jesus diz que somos como bebês aprendendo a ficar de pé diante do Pai que está no topo da escada. O simples desejo do bebê de alcançar o Pai faz com que Ele desça ao seu encontro e o pegue nos braços. É esse amor, que já existia antes de nós, que se revelou totalmente na entrega de Jesus à cruz. Jamais seremos capazes de venerar a Deus como Ele merece, mas Jesus carrega-nos consigo e por este meio somos capazes de alcançar ao Nosso Amado Deus. Para tanto, contamos com o Batismo, que marca a nossa entrada na vida cristã e com a Eucaristia, na qual a obediência de Jesus na cruz nos abraça, nos purifica e nos atrai na adoração perfeita realizada por Jesus [4].

Que a nossa desobediência não seja ocasião de culpa, mas sim de arrependimento e conversão, pois não somos perfeitos, mas que busquemos sempre a Confissão e a Eucaristia como forma segura para retomarmos o caminho de volta para Deus sempre que for necessário, amém.

Deus abençoe a todos!

 

 

CEC 595-618.

[1] CEC 616.

[2] CEC 609.

[3] Joseph, RATZINGER. Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição, p. 189.

[4] Idem, p. 192.

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