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O CRISTÃO NÃO TEM OUTRO DESTINO SE NÃO A CRUZ – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Retomando nossas reflexões sobre o Catecismo, chegamos ao Artigo 4, “Jesus padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”. Por séculos, a culpou-se os judeus pela morte de Jesus. Hitler usou isso para cometer as maiores atrocidades contra homens, mulheres e crianças judias. Quanta injustiça, já que mesmo Jesus invocou sobre os judeus a ignorância quando disse: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”, para justificar a sua condenação [1]. Eles não conheciam Jesus, pois se o conhecessem como o Filho de Deus que Ele era, jamais o teriam entregado para a morte [2].

Jesus morreu como consequência de sua missão salvífica, em meio a uma sociedade hipócrita que julgava os fracos e os pobres, indignos do amor de Deus. Acreditavam que a pobreza e a doença eram castigo e que Deus abençoava apenas os seus amados com bens materiais. Mas Jesus foi de encontro ao povo e mostrou a verdadeira face de amor do Pai. Mostrou que a maior riqueza não está Ícone - Extrema humildadenos bens e nas propriedades acumuladas aqui na terra, mas sim no céu. E por isso, não titubeou em entregar sua vida por nós. Teve medo, suou sangue, chorou pelos amigos que o deixaram só, mas sabia dos planos de Deus e foi fiel até o fim.

O cristão não tem outra saída além de seguir o seu mestre ao mesmo destino, de segui-lo até a cruz. Segundo João Paulo II, o martírio atual é a ridicularização. Os cristãos, por enquanto, não sofrem na carne, como antigamente, porém sofrem a ridicularização quando quer se manter dentro dos valores ensinados por Cristo, num mundo em que se tornou antiquado ser de Deus.

Estão destruindo os valores essenciais da sociedade, deturpando os valores familiares, desvalorizando a vida, estimulando um novo tipo de sociedade sem valores, com pessoas que vivem apenas em busca de prazeres momentâneos, de riquezas, de poder. Querem que as pessoas esqueçam e desprezem o amor de Deus. Afinal, esse amor é contrário a tudo o que o mundo prega. Enquanto Deus é amor e comunhão, o mundo faz os seres humanos voltarem-se contra si mesmos, se ferindo, se tornando objetos uns dos outros, tentando preencher um vazio que possuem na alma com coisas supérfluas, mas nada vai preencher este vazio, pois esta parte do ser humano é a parte que pertence a Deus e só Ele pode preencher. Deus é grande demais, como poderia algo infinitamente menor ocupar o espaço feito sob medida somente para Ele?

Conhecer a Cristo é conhecer a si mesmo e esta necessidade profunda de Deus. A Mosaico - Via SacraCruz para o cristão de hoje, é não ter medo de mostrar o que é certo e denunciar o que é errado, custe o que custar, pois a maior riqueza não está aqui. Os santos e mártires mostraram isso, quando preferiram a morte a negar Jesus. Pedro negou Jesus três vezes por medo quando estava a caminho de seu martírio, mas depois que viu Jesus ressuscitado, ele não teve mais dúvidas de que o Reino dos Céus era e é real e não duvidou de que precisaria seguir o mesmo caminho do Mestre para chegar a estar com Ele novamente [3].

Como disse anteriormente, nosso preço a pagar por ser cristão não é mais o martírio, mas a ridicularização e várias vezes nos calamos por medo disso, mas o que é a ridicularização diante do sangue e do sofrimento de Jesus na cruz?

Não podemos mais pecar pela omissão, tempos muito difíceis para a Igreja se aproximam e se nos calarmos, nossos filhos sofrerão as consequências. Cada um do seu modo, no seu meio pode influenciar opiniões, se souber defender o que a Igreja prega com o amor e a convicção com a qual Jesus o fez.

O cristão deve lutar com as mesmas armas de Jesus, amor, paciência, paz e justiça. Deve defender o que acredita, haja o que houver, sem agredir ninguém. Configurar-se a Cristo, ser como Ele, essa é a nossa meta.

Que o Senhor nos abençoe!

 

 

Recomendo:

CEC 571-630.

[1] Lc 23,34.

[2] CEC 597.

[3] Lc 22,56-62.

BARRABÁS OU JESUS? – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam, mais uma vez, muito bem vindos! O Ano da Fé prossegue e nosso estudo do Catecismo da Igreja Católica também. Assim, chegamos, nesta semana, aos números (571-594) do Catecismo que tratam da relação de Jesus com as principais instituições judaicas: a Lei, o Templo e o monoteísmo absoluto.

Aparentemente, essa temática não tem nada a ver com nossa vida concreta. Mas, Ícone - A chegada do Noivonão é bem assim. O Catecismo é categórico ao dizer que Jesus Cristo cumpriu plenamente a Lei, aliás, “Ele é o único que conseguiu cumpri-la com perfeição” [1]; que Ele venerou o Templo e o apontou como prefiguração de seu próprio mistério [2]; mas provocou escândalo de seus contemporâneos quando, por seu comportamento, manifestou-se como o próprio Deus salvador [3].

Aqui temos, caros irmãos e irmãs, uma lição importante, que fica ainda mais evidente se tomarmos em conta o fato de que esses números do Catecismo estão entre os que se referem à vida pública de Jesus e os que se referem diretamente ao mistério pascal, pois é aqui que vemos o motivo pelo qual Ele foi condenado à morte: Jesus foi condenado como blasfemo. Em outras palavras, Jesus Cristo é o Messias esperado, de uma maneira inesperada.

Jesus é verdadeiramente o Messias, o Cristo de Deus. Mas Ele não era, como se esperava, aquele que restauraria o reino político de Israel. Não. Jesus Cristo é simplesmente o Emanuel – Deus conosco. E isso é muito importante hoje, quando muitos querem impor-lhe uma boina cravejada de foice e martelo.

O que quero dizer-lhes, caríssimos, é que Jesus Cristo não foi, não é e nunca será Ícone - Julgamento de Jesusum revolucionário político: Ele é Deus conosco. Um revolucionário não cumpriria a Lei integralmente, nem veneraria o Templo. Talvez um revolucionário, naquela época, liderasse uma revolta contra Roma. Mas Jesus não o fez.

Provavelmente era isso que as lideranças judaicas esperavam, e, por isso, escolheram Barrabás. Acredito que, também nós, estamos diante da mesma escolha: “dizer ‘sim’ àquele Deus que age apenas com o poder da verdade e do amor ou apoiar-se no concreto, naquilo que está ao alcance da mão, na violência” [4]. Esta decisão está em nossas mãos.

E por que devemos escolher Jesus Cristo? Se Ele não trouxe nem a paz para o mundo, nem o bem estar para todos, nem um mundo melhor… Por que devemos escolhê-lo? Porque “Ele nos trouxe Deus (…), o verdadeiro Deus (…). Jesus trouxe Deus e assim a verdade sobre o nosso fim e a nossa origem; a fé, a esperança e o amor” [5].

Que a beatíssima Virgem Maria nos ampare com sua materna intercessão a fim de que possamos escolher Jesus Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e ajamos sempre com o poder da verdade e do amor. Pois “o reino humano permanece humano, e quem afirma que pode erigir um mundo santo concorda com o engano de Satanás, entrega-lhe o mundo nas mãos” [6].

Um fraterno abraço a todos, até breve!

 

 

[1] CEC 578.

[2] CEC 593.

[3] CEC 594.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até à Ressurreição. Cascais: Principia, 2011, p. 162.

[5] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 54.

[6] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 53.

Leitura recomendada: CARVALHO, Olavo. A mentalidade revolucionária. Disponível em: <http://www.olavodecarvalho.org/semana/070813dc.html>.

JESUS ANTECIPA SUA GLÓRIA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, Feliz Páscoa a todos!

“Nossa fé seria vã, se Jesus não tivesse ressuscitado”, diz São Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios (15,13-14). A Páscoa do Senhor é tão importante para nós cristãos que não dura um dia apenas. Ela dura cinquenta dias, até a descida de Pentecostes, o fogo do Espírito Santo que impulsionou a coragem dos discípulos, que os levou a propagar a fé em todos os confins da terra [1].

Após a morte de Jesus, as esperanças dos discípulos haviam acabado. “O Mestre morreu, e agora?” O tão aclamado rei que combateria os romanos e tomaria de volta ao povo judeu a sua terra, morreu. Aquele que transmitia as palavras de Deus, que acolhia os impuros, já não estava mais entre eles.

Mas as mulheres trouxeram a notícia, “Ele ressuscitou” e mostrou ao mundo que o verdadeiro Reino, não era aqui [2]. O reino da terra passa, mas o reino Dele jamais passará.

Em sua Transfiguração, já havia manifestado sua glória às primeiras testemunhas, a quem confiou missões muito importantes: João, o discípulo que permaneceu junto de Maria na cruz até o fim, Pedro, a pedra da Igreja, o nosso primeiro Papa e Ícone - TransfiguracaoTiago, primeiro bispo de Jerusalém e primeiro mártir a derramar seu sangue em nome de Jesus.

A Transfiguração demonstra o elo entre o Antigo Testamento, na figura de Moisés e Elias e o Novo Testamento, na figura de Jesus. O Novo e o Antigo convergem para o mesmo ponto, Jesus da Galileia. E não é difícil imaginar o porquê de Pedro querer permanecer ali, junto de Jesus e dos profetas, contemplando desde já a paz do Reino de Deus [3].

Ali se manifestaram as três pessoas da Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O Pai que fala com Jesus: “Eis o meu Filho Amado, ouvi-o; o Filho envolto pela sua real majestade e o Espírito Santo na nuvem clara” [4].

Jesus também poderia ter permanecido na glória, mas ainda não concluíra a missão que o esperava, por isso lembrou a Pedro que precisavam descer e cumprir a missão que os aguardava antes de subir para a glória de Deus.

Jesus mostrou-se em sua glória, para que os apóstolos tivessem forças para suportar a grande dor que viria em Jerusalém. Eles precisariam seguir sem a presença material do Mestre, e foi na Transfiguração de Jesus que puderam abastecer-se de coragem e força para suportar tudo o que viriam a passar.

Jesus, no início de sua vida pública, foi batizado com os pecadores por João, comia com eles, aceitava as mulheres no seu grupo, amava e convivia com os impuros, mesmo sendo judeu [5]. Ele atraía a todos com um amor que não era humano, um amor maior que todos os amores, o amor ágape, o amor oblação. O amor de Deus, que nenhum ser humano é capaz de amar sozinho, pois somente o amor divino é puro assim, capaz de doar-se inteiramente, sem reservar nada para si, doando-se inteiramente para o outro.

Os discípulos, que depois saíram para evangelizar as outras nações, levaram a Ícone - Ressurreição do Senhorcerteza desse amor em si e por isso foram capazes de dar a própria vida em nome de Jesus. Confiaram na promessa Dele e despojaram-se de tudo o que os aprisionava na terra, até mesmo da própria vida.

Dar a vida para Jesus e entregar-se totalmente a Ele não é tarefa fácil. Conforme se vai caminhando com Ele e lhe abrindo o coração, Ele começa a pedir algumas renúncias. Essas renúncias vão “limpando” a alma para que possa estabelecer-se ali. E cada vez que se renuncia algo com o que Jesus não pode coabitar, abre-se mais espaço para que Jesus possa amar em nós, aquele amor que só Deus é capaz de amar.

Boa semana a todos!

 

 

[1] At 1,8.

[2] Lc 24,1-12.

[3] Mc 9,2-13.

[4] CEC 257.

[5] CEC 535.

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