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“MEU SENHOR E MEU DEUS” (Jo 20,28) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá novamente, amigos. É muito bom tê-los conosco neste espaço de divulgação de nossa fé.

Continuando nosso estudo acerca dos títulos comumente atribuídos a Jesus queremos agora entender melhor o que há por detrás da expressão Senhor. Como sinaliza o Catecismo, este título possui origem no Antigo Testamento. É à luz dele que compreendemos seu sentido mais profundo.

Senhor é a fórmula utilizada pelo povo da antiga Aliança para designar Deus. Evitando pronunciar o nome inefável com o qual Deus se revelou a Moisés, Iahweh, Ícone - Cristo Rei (2)os judeus começaram a utilizar a palavra hebraica Adonai para se referir a Ele. Nas versões gregas do Antigo Testamento, entretanto, esta palavra foi substituída por Kyrios, que posteriormente seria traduzida para o latim como Dominus e para português como Senhor.

É assim que, na continuidade da Tradição cristã, ao chamarmos Jesus de Senhor exprimimos nossa fé na sua divindade. Diante do Ressuscitado, continuamos a nos prostrar para dizer, como São Tomé, “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Continuamos a professar com toda a Igreja que “o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai cabem também a Jesus” [1].

Mas indo além dessa constatação tão obvia para um cristão, é preciso atentar para outro significado do título Senhor. Com ele expressamos ainda o senhorio de Cristo sobre o mundo e a história [2], bem como sobre a nossa vida. Porque fazendo-se homem, o Filho de Deus nos mostrou como é um ser humano de verdade. Mostrou que ao nos submetermos por amor ao Pai, encontramos nossa realização.

Em seu livro Jesus de Nazaré, o Papa Bento XVI explica como Jesus é Senhor: “N’Ele Bento XVIDeus está agora em ação e é verdadeiramente Senhor – dominado devidamente, isto é, não com o poder do mundo, mas dominando através do amor que vai até ‘o fim’ (Jo 13,1), até a cruz” [3]. É através do exemplo de Cristo, que se submeteu ao Pai em tudo, que compreendemos que “o homem não deve submeter sua liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o Senhor” [4].

Para ser cristão não basta crer em Deus. É preciso abrir o coração para que Ele reine em nós. E se essa submissão é difícil para uma alma manchada pelo pecado original, nosso Senhor Jesus Cristo vem ao nosso auxílio. Ao nos unirmos a Ele – na oração, na Igreja, na Eucaristia – nos tornamos também dóceis à vontade do Pai. Nesse momento, nossa alma se depara com a felicidade plena.

Que auxiliados pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, possamos professar com sinceridade que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2,11).

Até a próxima.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 449.

[2] Cf. CEC, n. 450.

[3] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 68.

[4] CEC, n. 450.

ESTAR SOB O SENHORIO DE JESUS CRISTO, VERDADEIRA RENOVAÇÃO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, como sempre, sejam muito bem vindos. Continuamos nosso caminho neste Ano da Fé avançando na leitura do Catecismo da Igreja Católica. Nesta semana, nos deteremos um pouco mais demoradamente em Jesus Cristo como nosso Senhor.

O texto do Catecismo nos ensina (nn. 446-451) que o título de “Senhor” foi atribuído a Jesus de Nazaré desde os primórdios da Igreja com toda a força de sentido com que era empregado pelos judeus, ou seja, era “o nome mais habitual para designar a divindade do Deus de Israel” [1]. Esta atribuição, porém, não se Jesus Cristo - Kyriosdeu gratuitamente como uma espécie de psicose coletiva dos discípulos, mas a partir das palavras de Jesus e dos seus atos de domínio sobre a realidade criada [2]. Por isso, sob o auxílio do Espírito Santo, dizer que Jesus é o Senhor significa, desde as comunidades primitivas, reconhecer o mistério da divindade de Jesus [3].

Assim, “desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor». «A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre»” [4].

Meus irmãos e irmãs, isto é muito sério… Porque reconhecer o senhorio de Cristo sobre toda história humana nos obriga, em primeiro lugar, à humildade. Se Jesus Cristo é o Senhor – e Ele é – não há lugar para um “eu também”. Se Ele é o Senhor, significa que não há outro. E, portanto, somos servos. Seus servos. Então, devemos obedecê-lo.

E aqui, irmãos, encontramos uma liberdade que não se explica, mas se experimenta. Escolher Cristo é um ato livre que produz liberdade. Como dizia Tertuliano, a “vida cristã é como uma lâmpada que ilumina o ambiente, quem olha de fora só vê o fogo, mas lá dentro está o óleo da unção”, porque o jugo deste Senhor é suave e seu peso é leve [5], pois quem tem o Deus verdadeiro como Senhor não é escravo de nenhum ídolo.

E é justamente a isto que o Santo Padre Bento XVI nos está chamando no final de seu ministério petrino: “a Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros Bento XVI (17.02.2013)a renovar-se no espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor. Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo propício para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do caminho de Deus” [6].

O Papa nos está chamando, caros irmãos e irmãs, neste grave tempo em que vivemos, à renovação da Igreja. Não como gostariam os césares de nosso tempo ou a classe falante deste Brasil guaranil (ou ignorante, ou mal intencionada; em todos os casos, louca). O Papa nos chama à renovação, mas não à traição do Evangelho submetendo-nos à ditadura do relativismo. Não. Esta renovação à qual, repito, somos chamados, é a reorientação firmemente decidida de nosso ser a Deus. Ou seja, nossa tarefa é fazer da fé em Deus o critério básico de nossas escolhas cotidianas assumindo, para tanto, o combate espiritual que nos é proposto.

O Santo Padre Bento XVI sempre nos chamou e nos orientou no caminho do bem e da verdade contra a ditadura do relativismo. Não seria agora que ele capitularia no combate. Ele continua firme no caminho de Cristo, que é o caminho da vitória. E nós, de que lado estamos?

Que a Santíssima Virgem Maria nos acompanhe com sua materna intercessão, a fim de não esmorecermos.

Um fraterno abraço a todos. Até breve.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 446.

[2] Cf. idem, n. 447.

[3] Cf. idem, n. 448.

[4] Idem, n. 450.

[5] Cf. Mt 11,30.

[6] BENTO XVI. Nas tentações o que está em jogo é a fé, porque está em jogo Deus. Disponível em: <http://www.zenit.org/pt/articles/nas-tentacoes-o-que-esta-em-jogo-e-a-fe-porque-esta-em-jogo-deus>.

QUEM É O SENHOR DO TEU CORAÇÃO? – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos queridos!

Estamos, nesta semana, refletindo sobre a última conotação de Jesus tratada no Catecismo, o senhorio de Jesus.

No Antigo Testamento, Kýrios, que significa Senhor, era como o povo se referia a Deus, já que seu nome sagrado era impronunciável por todos os judeus.

No Novo Testamento, as pessoas reconhecem o senhorio de Jesus sobre a natureza, sobre as doenças, sobre a morte, sobre os demônios e passam a tratá-lo também por Senhor. As pessoas reconhecem a divindade de Deus agora presente em Jesus [1].

Porém, nem todo aquele que chama Jesus de Senhor garante a sua salvação. Jesus rejeita os hipócritas que invocam seu nome em vão e entregam o senhorio Kýriosde suas vidas às coisas terrestres. E quantos não são os “senhores” que possuem os corações humanos? Os vícios, o dinheiro, os bens materiais, a vaidade, o orgulho, o poder, a luxúria e tantos outros.

Chamar Jesus de Senhor é muito sério. Não é apenas uma forma de falar, é dar-lhe pleno poder para reinar em nossa vida, é confiar realmente nas palavras do Evangelho e seguir todas as instruções que Jesus deixou na Sagrada Escritura. Chamar Jesus de Senhor é reconhecer sua total soberania sobre as coisas, jamais colocá-lo em segundo plano. Não é rezar pedindo a ajuda dele hoje e amanhã “deitar e rolar” com as coisas do mundo. Ele mesmo diz que é impossível amar a dois senhores ao mesmo tempo: “ou amará um e odiará o outro e vice-versa” [2]. Ou amamos a Ele de todo coração e com toda alma e desprezamos as coisas terrestres, ou nos apegamos a estes bens materiais e espirituais (apego aos filhos, ao trabalho, até à tranquilidade, etc) e desprezamos àquele que sim deveria ser nosso senhor. Se escolhermos nos apegar a estas coisas, infelizmente não haverá espaço para Jesus, pois não podem coexistir no mesmo espaço dentro do coração humano, quando um entra, o outro sai.

Deixamos tanto nosso apego nos escravizar que não percebemos o quanto ele é danoso para a saúde da nossa alma, tanto que mesmo sofrendo, não abrimos mão dele. Mas Jesus, ao contrário, quer nos libertar, nos dar a paz que nada, nem ninguém neste mundo pode dar.

Precisamos conformar nossos pensamentos aos pensamentos de Cristo e lhe permitir que habite em nós, pense em nós e viva em nós [3]. Este é o senhorio de Jesus.

Jesus deseja libertar nosso coração de todos os apegos, dar-nos uma liberdade plena que nos ajudará a voltar para casa de Nosso Pai, pois somente num coração limpo de impurezas Jesus pode habitar.

Que Jesus assuma para Si tudo o que somos, tudo o que temos e vivemos, pois já não queremos mais que o mundo nos consuma, apenas em Ti queremos nos consumir, amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.

[2] Mt 6, 24

[3] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.