Olá novamente, caríssimos amigos do CommunioSCJ. Que bom reencontrá-los. Depois de uma breve pausa voltamos às nossas reflexões sobre a nossa fé católica, orientados pelo Catecismo da Igreja Católica. Que o Senhor nos auxilie nessa tarefa.

Dando continuidade ao estudo sobre a Criação nos voltamos, juntamente com o Catecismo, à criação do gênero humano. Para isso remeto ao relato da criação presente no primeiro capítulo do livro do Gênesis, onde Deus se dirige ao homem A Criação do homem - Michelangelodizendo: “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). Nessas palavras estão presentes simultaneamente um mandato e uma herança grandiosíssimas. Elas já manifestam a crença da Igreja de que “O homem ocupa um lugar único na criação” [1]. Mas, sem dúvida, essa realidade privilegiada contrasta com a fragilidade humana. É assim que precisamos perguntar como o salmista: “Que coisa é o homem, para dele te lembrares, que é o ser humano, para o visitares?” (Sl 8,5).

Podemos responder dizendo que o ser humano é uma criatura feita à imagem de Deus (cf. Gn 1,26). Dentre todos os fatos que isso implica, o Catecismo ressalta o fato de que, por ser imagem de Deus, “o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas alguma coisa, mas alguém” [2]. Na linguagem teológica cristã, o termo pessoa surge para indicar relação. E a grande beleza de sermos pessoas, está no fato de que assim como as três Pessoas Divinas (Pai, Filho e Espírito Santo) relacionam-se entre si, podemos também nos relacionar com Deus. Podemos “compartilhar, pelo conhecimento e pelo amor, a vida de Deus” [3]. Perceber isso é crucial, pois a comunhão com a Santíssima Trindade é nosso fim, nossa realização.

Indo além, podemos também afirmar que o homem “é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual” [4]. O segundo capítulo do livro de Gênesis, nos dá uma pantokratorimagem belíssima dessa realidade quando mostra o homem feito do pó da terra e do sopro de Deus (Cf. Gn 2, 7). Somos a união de alma e corpo, ambas criadas e queridas por Deus, numa única natureza. Como escreveu G. K. Chesterton, expressando uma ideia do grande Santo Tomás de Aquino: “um homem não é um homem sem seu corpo, assim como não é um homem sem sua alma” [5]. A tomada de consciência desse fato também é de grande importância. Quando uma dessas realidades é diminuída ou menosprezada, a identidade do homem é desfigurada com consequências bem negativas [6].

Mas por mais que possamos evidenciar várias características, não podemos explicar “que coisa é o homem” (Sl 8, 5) olhando para nós mesmos. Pois apesar de criado por Deus, o ser humano rompeu com Ele no pecado (Cf. Gn 3). Por causa do pecado original, o homem se corrompeu, tornando-se uma criatura diferente daquela que Deus sonhou. Foi por isso que, para nos salvar, Deus assumiu a nossa natureza. Em Jesus Cristo o homem foi revelado como o Pai o pensou. Quanto mais nos afastamos de Cristo, mais nos afastamos de nossa própria humanidade. Por outro lado, se vivemos como Jesus, ou melhor, se deixamos Jesus viver em nós, correspondemos ao projeto do Pai para nossas vidas. Somos felizes!

Que meditando sobre nossa própria identidade, possamos acolher o conselho de São Bernardo de Claraval que dizia: “Reconhece-te como imagem de Deus e envergonha-te se te revestires de uma imagem estranha”. Devemos lutar para sermos como Jesus.

Que a Santíssima Virgem Maria, que gerou o Homem verdadeiro, nos auxilie a também gerarmos o Cristo em nós, a fim de que nos façamos filhos verdadeiros do Pai, e possamos contemplar a sua Glória por toda a eternidade.

Até a próxima semana.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 355.

[2] CEC, n. 357.

[3] CEC, n. 356.

[4] CEC, n. 362.

[5] CHESTERTON, G. K. São Tomás de Aquino e São Francisco de Assis. São Paulo: Madras, 2012, p. 25.

[6] O menosprezo do corpo levou ao surgimento de heresias como o maniqueísmo (século III) e o catarismo (século XI), pessimistas por natureza. Já o menosprezo da alma permitiu a criação de regimes de governo autoritários e ateus, como o nazismo e o comunismo, responsáveis por mais mortes do que qualquer outro governo ou instituição na história da humanidade.

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