Saudações a todos vocês, queridos amigos. Com muita alegria continuamos nosso caminho de aprofundamento da nossa fé.

Na semana anterior começamos a refletir sobre a Igreja deixada por Cristo. Pela nossa fé, cremos que é através dela que se realiza o plano de amor de Deus para cada um de nós: unir-nos a Ele. Inseridos na Igreja começamos a caminhar aqui na terra para a plena comunhão com o Senhor, nos Céus. Entretanto, como o Deus com o qual nos unimos não é impessoal, mas é comunhão de três Pessoas Divinas, podemos afirmar que a Igreja é simultaneamente comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo. Para expressar essa realidade, o Catecismo nos apresenta três grandes figuras da Igreja, cada uma salientando a relação com uma Pessoa da Trindade: ela é Povo de Deus (em relação ao Pai), é Corpo de Cristo (em relação ao Filho) e é Templo (em relação ao Espírito Santo).

A Igreja como Povo de Deus é prefigurada desde o Antigo Testamento. É um povo formado por homens e mulheres de várias épocas, culturas e etnias, mas que se diferencia de qualquer outro grupo na história. Esse povo é “gente escolhida, o sacerdócio régio, a nação santa” (1Pd 2,9). É um povo que não tem sua identidade embasada em sua língua, cultura ou história, mas no fato de terem sido batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e crerem na salvação alcançada por Jesus Cristo.

Fazendo parte desse mesmo povo, todos nós, batizados, possuímos o mesmo Senhor que nos compromete com sua missão. A exemplo de Jesus Cristo, somos chamados a sermos uma nação de sacerdotes, profetas e reis. Sacerdotes, para Ícone da Trindadeoferecermos nossos sofrimentos e méritos ao Pai, como fez aquele que é o verdadeiro Filho. Profetas, para comunicarmos uma Verdade que não vem de nós mesmos, mas do Pai. Reis, para lutarmos contra o mal que reina na terra e para fazermos prevalecer o bem, com a ajuda do Espírito Santo.

A Igreja também é Corpo de Cristo porque é através de sua Pessoa que somos inseridos na Santíssima Trindade. Por ter encarnado no seio da Virgem, Jesus possui um Corpo no qual a humanidade pode encontrar a divindade. De fato, Ele “anuncia uma comunhão misteriosa e real entre o seu próprio corpo e o nosso: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele’ (Jo 6,56)” [1]. Na Eucaristia, como nenhum outro lugar na terra, somos verdadeiramente inseridos no Corpo de Cristo. Como escreveu Santo Agostinho: “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornados não somente cristãos, mas o próprio Cristo” [2].

E neste Corpo que é a Igreja nos unimos não somente a Cristo, mas a todos os seus, estejam eles na Terra, no Purgatório ou nos Céus. A ligação de cada batizado com Deus não se dá de maneira isolada: “todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28). E é o próprio Cristo, “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), que faz os membros de seu Corpo místico crescerem rumo a uma comunhão perfeita, unindo-os à sua Páscoa. Uma comunhão salvadora justamente porque nos insere em Deus sem eliminar nossa existência. Pois que salvação haveria se nos dissolvêssemos em Deus, perdendo nossa identidade? A unidade entre Cristo e sua Igreja “implica também a distinção dos dois em uma relação pessoal” [3], fato salientado quando dizemos que a Igreja é Esposa de Cristo: “os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e a Igreja” (Ef 5,31-32). Unimo-nos a Cristo da mesma forma que homem e mulher no Matrimônio. Formamos assim uma unidade de amor, resultante da comunhão de pessoas.

Finalmente, a Igreja também é Templo do Espírito Santo, já que foi quando a Terceira Pessoa da Trindade foi comunicada por Jesus que Ele “fez de seus irmãos, chamados de todos os povos, misticamente os componentes de seu próprio Corpo” [4]. Se podemos formar um só Povo e um só Corpo, é somente porque o Espírito Santo faz dos membros da Igreja “o templo do Deus vivo” (2Cor 6,16). É Ele quem nos une como Igreja, animando-nos e concedendo-nos toda sorte de carismas “em vista do bem de todos” (1Cor 12,7).

Que a reflexão dessas realidades faça aumentar o nosso amor e gratidão pela Igreja. Ajudados pela Santíssima Virgem Maria, possamos ser cada vez mais fiéis a ela.

Uma ótima semana a todos.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 787.

[2] CEC, n. 795.

[3] CEC, n. 796.

[4] CEC, n. 788.

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