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“VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM” (CEC, 464) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Sejam novamente bem-vindos, amigos. Recebo-os cheio de alegria, pois temos um Papa novamente. Deus abençoe e ilumine o Santo Padre Francisco.

Seguindo nosso estudo sobre a Pessoa do Filho, nesta semana estamos refletindo sobre uma importante verdade da nossa fé: “Jesus Cristo é verdadeiro Deus e Ícone - Nascimento do Senhorverdadeiro homem” [1]. É bem verdade que escrever acerca de um tema dessa magnitude e complexidade não é tarefa fácil. Entretanto, é consolador saber que por detrás dessa pequena afirmação se encontra o cerne de nossa redenção.

O nosso precioso Catecismo da Igreja Católica nos dá uma pequena ideia de como este difícil tema levou muitos homens, das mais diferentes épocas, à confusão e ao erro. Entre os parágrafos 465 e 469 são apresentadas algumas das muitas heresias que atacaram essa verdade fundamental do cristianismo. Simultaneamente, o Catecismo nos apresenta a defesa empreendida pelo Magistério e pelos santos ao longo da história da Igreja. Mais uma prova de que, embora complexo, este tema é de suma importância para nossa salvação. Tentemos entender o porquê.

Em sua suprema sabedoria, Deus conseguiria pensar em muitas formas de perdoar nossos pecados e corrigir nossa natureza humana decaída. Mas quando Jesus Ícone - CrucifixãoCristo, a Pessoa divina do Filho de Deus, assume nossa humanidade em sua totalidade, Ele a eleva a outro patamar. Ao se fazer homem, Ele não perde sua dignidade, mas nos confere uma nova. Não nos oferece apenas uma graça sanante, capaz de nos curar do pecado original, mas também uma graça elevante, capaz de nos fazer participar de sua natureza divina. Assim somos salvos.

Por isso é importante quando o Catecismo cita a Gaudium et Spes dizendo que “a natureza humana foi assumida, não aniquilada” [2]. Embora “o Filho de Deus comunique à sua humanidade seu próprio modo de existir pessoal na Trindade” [2], sua humanidade é plena. Jesus possui não somente o corpo, mas também alma racional e vontade humanas. Caso contrário, não teria nos redimido por completo. Como diz uma antiquíssima fórmula teológica, “O que não foi assumido não foi redimido”.

Em Jesus encontramos um novo corpo ressuscitado, uma nova alma cheia da sabedoria que vem do Pai, e uma nova vontade obediente. E tudo isso nos é comunicado através de sua Graça, que é o próprio derramamento de Deus sobre nós. Mais ainda, olhando para Jesus, podemos entender como é o homem verdadeiramente. Não um homem que se fecha em si mesmo, no seu orgulho egoísta. Mas um que se abre e se entrega a Deus dizendo “não seja feita a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22, 42).

Hoje, redimidos pelo Sangue de Cristo, temos uma nova alternativa. Podemos nos entregar total e verdadeiramente a Deus. E auxiliado pela oração, pelos sacramentos e pela intercessão da Santíssima Virgem Maria o ser humano pode, como diz a belíssima música do Padre Zezinho:

“Amar como Jesus amou

Sonhar como Jesus sonhou

Pensar como Jesus pensou

Viver como Jesus viveu

Sentir o que Jesus sentia

Sorrir como Jesus sorria” [3].

Que Deus derrame abundantemente sua bênçãos sobre cada um de nós, sobre toda a Igreja e sobre nosso Papa Francisco. Até a próxima oportunidade.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 464.

[2] Cf. CEC, n. 470.

[3] Trecho da música “Amar como Jesus amou”, Padre Zezinho, scj.

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“VERDADEIRAMENTE ESTE HOMEM ERA FILHO DE DEUS” (Mc 15,39) – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs, sejam bem vindos ao CommunioSCJ. Depois de vermos a fumaça branca sair pela chaminé na Capela Sistina e acolhermos com alegria o Santo Padre, o Papa Francisco, continuaremos refletindo o Catecismo da Igreja Católica de acordo com nosso projeto para o Ano da Fé, convocado pelo Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI.

Neste caminho, chegamos, nesta semana, ao centro de nossa fé sobre a pessoa de Jesus Cristo: Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Lemos, no n. 469 do Jesus CristoCatecismo: “a Igreja confessa, assim, que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele é verdadeiramente o Filho de Deus que se fez homem, nosso irmão, e isto sem deixar de ser Deus, nosso Senhor”.

Em outras palavras, podemos dizer que Jesus não é um ser híbrido, metade deus e metade homem, como o mitológico Hércules, por exemplo. Não. Com o Concílio de Calcedônia (451), cremos e, “na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado’” [1].

Este não é um tema fácil e cada um pode, por sua própria iniciativa, ler o próprio Catecismo nos n. 465-468 um breve resumo das heresias que foram levantadas nos primeiros séculos a este respeito. Contudo, o longo debate a este respeito Virgem Mariadeve ser para nós um sinal de que crer em Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem é central para nossa fé.

Em primeiro lugar, para demonstrar a eficácia da redenção operada por Ele: Jesus é o Sumo Sacerdote do grande dia da expiação [2]. Mas não só. Sendo verdadeiro homem, Jesus nos mostra a humanidade em pleno acordo com a vontade divina. É como nos diz a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II: “na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente (…). Ele é o homem perfeito” [3]. É Ele nossa meta, “pois Cristo é o princípio e o modelo da humanidade renovada e imbuída de fraterno amor, sinceridade e espírito de paz, à qual todos aspiram” [4].

Dessa forma, crer firmemente em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e olhar fixamente para este mistério de união entre Deus e a humanidade, é importante, também, em nossa espiritualidade cotidiana, porque vivermos na condição humana decaída, depois do pecado, e temos, por isso, alguma dificuldade em enxergar o mundo real. Concretamente, na hora da tentação, temos a impressão de que não há outra saída que não seja nos entregarmos ao pecado. Mas a humanidade de Jesus, unida firmemente à vontade do Pai nos dá a certeza de que há outra saída de que n’Ele podemos vencer, mesmo que isso nos custe muito. É mais ou menos como dizia Orígenes: “o cristão, depois de uma tentação, ou sai idólatra ou sai mártir”.

Que a Santíssima Virgem Maria nos ajude com sua materna intercessão, a fim de não esmorecermos no combate cotidiano.

Fraterno abraço a todos.

 

 

[1] CEC 467.

[2] Cf. RATZINGER, J. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até à Ressurreição. Cascais: Principia, 2011, p. 72s.

[3] GS 22. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html>.

[4] AG 8. Disponível em: <http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_ad-gentes_po.html>.

JESUS, DUAS NATUREZAS, UMA SÓ PESSOA – Por Fabiana Theodoro.

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Sejam bem-vindos, amigos!

É bom estarmos juntos mais uma vez para falarmos sobre o Catecismo. Nesta semana, conversaremos sobre um tema que, durante séculos, foi alvo de várias divergências na história de Igreja: a verdadeira natureza de Jesus Cristo. Citarei algumas heresias, para que possamos nos aprofundar um pouco mais no assunto:

Monarquianismo: dizia que Cristo era a manifestação de Deus, dotado da força Jesus Cristo - Pantokratordivina, porém não era o próprio Deus. Com isso, queriam apenas harmonizar a divindade de Cristo com o monoteísmo [1].

Arianismo: dizia que Jesus não era co-eterno e consubstancial ao Pai, apenas uma criatura, embora a mais divina de todas. Segundo os arianos, Jesus origina-se da vontade de Deus, mas não da mesma substância que Ele [2].

A heresia nestoriana: via em Cristo, uma pessoa humana unida à pessoa divina, ou seja, um Jesus, filho de Maria e um Jesus, Filho de Deus. Duas pessoas diferentes coabitando um mesmo corpo. Contra esta heresia, o Concílio de Éfeso afirmou que o “Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional se tornou homem” [3]. O Concílio afirmou ainda que em Jesus há apenas um sujeito e não dois como Nestório afirmava. Maria pode ser reconhecida como a Mãe de Deus.

Segundo o Novo Testamento, Jesus tinha alma humana, nasceu de uma mulher, teve sede e fome, chorou, orou, obedeceu, sentiu dor como todos nós. Porém, Jesus Cristo é Deus encarnado e, por isso, pôde reconciliar a humanidade consigo. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem divisão, separação ou confusão e segundo essa unidade, podemos atribuir coisas divinas ao humano e coisas humanas ao divino, por exemplo, o Filho de Deus nasceu, sofreu e morreu na cruz [4].

Ora, quando não se crê na verdadeira divindade de Jesus, também não se pode Apresentação do Senhor (pintura)crer na remissão dos pecados nem no chamado de Deus ao homem para participar da vida divina. Pela fé, podemos afirmar que Deus quis unir de novo o homem a Si e não havia melhor meio para mostrar esse desejo aos homens, para conceder-lhes a Salvação do que mandar o seu próprio Filho. A obra redentora de Jesus não era apenas um mero perdão dos pecados, mas também expiação e divinização para a alma humana. A alma humana de Jesus era importante para a Salvação. Sua obediência era expressão da alma humana e tudo o que Ele assumiu na própria carne foi redimido, o que não assumiu não foi redimido [5].

Jesus amou com coração humano a cada um de nós. Nem o fato de não ter sido aceito por aqueles a quem veio salvar tirou de seu coração esse amor. Um coração sagrado que foi ferido, transpassado pelo sofrimento da carne e da alma e mesmo assim ensina-nos a amar de forma incondicional. Somente Deus pode amar dessa maneira, e assim nos convidar a amar como Ele. É essa capacidade de amar que nos confere a possibilidade de concretizar a nossa vocação de tornar-nos um com nosso Pai, assim como Jesus já o é, e de retornarmos à nossa verdadeira morada junto Dele.

Que o Senhor, nosso Deus nos ilumine e nos proteja, que olhe pelos cardeais que se reunirão nesta semana para eleição do novo Papa, e que este seja fonte de muitas bênçãos para nossa Igreja, segundo a vossa vontade, amém.

Boa semana a todos!

 

 

Referências:

[1] KNOB, Pe. José. Breve Curso de Cristologia (Cap. 9). Uso interno.

[2] Idem.

[3] CEC 466.

[4] KNOB, Pe. José. Breve Curso de Cristologia (Cap. 10). Uso interno.

[5] Idem.