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“TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA” (Lc 1, 48) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos do CommunioSCJ. Sejam bem-vindos.

Seguindo as páginas do Catecismo começamos, na semana passada, a olhar com imenso carinho para a figura da Santíssima Virgem Maria. Partilho com vocês que depois de publicado o texto onde meditava sobre a maternidade dessa amada Senhora, me dei conta de como a rica Liturgia da Igreja volta regularmente nossos olhos para essa boa Advogada. Reparei que só neste mês de agosto, celebramos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no dia 15, e a memória de Nossa Senhora Rainha, no dia 22.

Paulo VI não estava de modo algum exagerando quando afirmou que “a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão” [1]. São muitas as celebrações feitas em sua memória o longo do ano. E todas elas são sinal da nossa gratidão: pelo seu precioso sim, pela sua maternidade espiritual, pela sua proteção. Elas são tempos fortes para recorrer à sua poderosa intercessão. São memórias, festas e solenidades nas quais a Igreja se atém fielmente às palavras proferidas por Maria diante de Isabel: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48).

O culto à Santíssima Virgem não é, evidentemente, da mesma natureza do que o culto que prestamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, com o Pai e o Espírito Santo. Mas para a Igreja, ficou claro desde o início que, embora Maria seja infinitamente menor que Deus, sua participação singular no mistério da salvação faz dela um grande auxílio no caminho rumo ao Salvador. Justamente por isso, “desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se abrigam em todos os seus perigos e necessidades” [2]. A Igreja sabe, há muito tempo, que o grande benefício de se confiar à Nossa Senhora é que ela nos confia ao próprio Deus.

Muitos podem insistir que é possível se unir a Deus sem intermediários. Mas como menosprezar o caminho que o próprio Deus escolheu para chegar até nós? “O Ícone - Virgem Maria_2Inacessível aproximou-se, uniu-se estreitamente e até pessoalmente à nossa humanidade por intermédio de Maria, sem nada perder de sua majestade. É também por Maria que nos devemos aproximar de Deus e unir-nos à Divina Majestade perfeita e estreitamente, sem receio de sermos repelidos” [3].

Um olhar atento para a história da Igreja mostrará que foram muitos os homens e mulheres que se tornaram melhores, que se santificaram, sob os cuidados e a proteção de nossa Mãe amada. E isso não é uma hipótese; é um fato. Se consultarmos, por exemplo, a lista de membros das Congregações Marianas, cuja fundação data de 1563, teremos prova dessa fecunda devoção. Dentre aqueles que escolheram viver o cristianismo através de uma consagração especial à Virgem Maria, se encontram muitos dos nossos santos e santas: São Francisco de Sales, São Gabriel da Virgem Dolorosa, São João Batista de la Salle, São Luís Gonzaga, Santa Madre Paulina, Beata Madre Teresa de Calcutá, Santo Antônio de Santana Galvão, Santa Bernadette Soubirous, Beato João Paulo II e muitos outros eram congregados marianos [4]. Além disso, a grande maioria dos Papas eleitos após 1563 eram também congregados marianos.

Sejamos honestos: não há como negar que aqueles que se recorrem à Santíssima Virgem renovam suas forças para viver a radicalidade do Evangelho. Ao se entregar à Nossa Senhora, aumentam as graças adquiridas pela sua poderosa intercessão. Tendo a Rainha dos Céus como modelo, logo começam a se aproximar de seu Filho. Maria é, de fato, um precioso ícone para cada um de nós: através dela podemos fazer um encontro com o Cristo!

Que a vida da Santíssima Virgem seja um exemplo para cada um de nós, seus filhos. Mas que seja também uma grande esperança. Pois depois de combater o bom combate (Cf. 2Tm 4, 7) ela foi assunta aos Céus onde está glorificada em corpo e alma. O que já é realidade na vida da Santíssima Virgem, esperamos em Deus que seja também na nossa vida futura. Nossa Senhora, rogai por nós!

Grande abraço a todos!

 

 

[1] MC (Exortação Apostólica Marialis Cultus), n. 56.

[2] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 971.

[3] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 111.

[4] Cf. VAZ, J. C. L. Santos: Vida e Fé. Petrópolis (RJ): Vozes, 2008.

O CULTO À VIRGEM MARIA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigo!

Que bom nos encontrarmos novamente para continuar nossa reflexão sobre a Bem-aventurada, Virgem Maria.

Maria nos precede na “peregrinação da fé” [1], e é seu exemplo mais perfeito. Ela é o caminho seguro que leva ao Filho, quem a seguir não terá outro destino senão o céu já alcançado por ela, pois se cumpriu em sua vida, a benção pronunciada por Isabel: “Bendita Aquela que acreditou” [2].

De forma alguma, Maria quis equiparar-se a Jesus, muito pelo contrário, sua vida foi um grande exemplo de humildade, fé, oração e abandono à vontade de Deus, mesmo quando estava com seu coração trespassado de grande dor [3].

Maria não entendia, a princípio, os propósitos de Deus para sua vida, o Filho de Deus nascido num estábulo, ter que fugir com ele para salvá-lo da morte, mas manteve-se sempre em oração, com ela, aprendeu a silenciar e a guardar tudo em seu coração, até que fosse capaz de interpretar de modo correto os acontecimentos [4]. Nada na vida de Maria foi fácil, mas ela soube ser uma mulher de verdade, assumindo as decisões que tomara e enfrentando todos os desafios Ícone - Anunciação 02de forma serena, abandonando-se completamente nas mãos de Deus.

O “sim” mais difícil de Maria, foi aquele que ela disse aos pés da cruz. Quando uma pessoa tem uma vida espiritual avançada, declara-se pronta para se sacrificar se for preciso [5], como o fizeram muitos mártires, porém, ela aceitou também o sofrimento de seu amado filho. Foi crucificada e torturada junto Dele. Todos os pregos, que perfuraram o corpo de Jesus, perfuraram-na interiormente. Somente uma mulher de muita fé é capaz de tamanho sacrifício, tamanho abandono em Deus, ela não “arredou o pé”, permaneceu ali junto do Filho até o fim. O “fiat” (faça-se) de Maria faz dela a Mãe da Igreja, a Mãe de todos nós [6]. Quem mais seria capaz de suportar tamanha dor, o sacrifício da vida de um filho em prol de pecadores?

Sabemos que Deus escolheu Maria e a amou de uma forma muito especial, porém, exigiu dela decisões e renúncias muito difíceis, não a poupou do sofrimento, mas ela jamais deixou de crer.

Quanto mais próximo de Deus o discípulo estiver, mais Ele o exigirá; é assim que trata seus amigos, não por ser um Deus cruel, mas porque não quer um amor interesseiro, quer um amor capaz de renunciar a sua própria vontade para seguir a Dele, demonstrando sua fidelidade e amor assim como Maria fez. As renúncias libertam o coração para amar verdadeiramente. Quanto maior seu abandono, mais conseguirá ser amado por Jesus e o deixará tomar conta da sua vida.

O culto à Virgem Maria é o respeito que todo filho da Igreja Católica tem pelo sofrimento de Maria, pela sua capacidade de amar, de se doar pelos filhos até o fim. Ela caminha conosco, não está distante de nós, nos orienta no caminho da santidade e nos ensina a ser cristãos. Ela nos ensina a amar verdadeiramente, entendendo que as pessoas que amamos não nos pertencem, são de Deus e cada uma tem o seu destino junto aos irmãos em Cristo. Prepare-se, pois quanto mais se envolver nas coisas de Deus, mais Ele provará teu coração e mais te ensinará a depender somente Dele. Não desista, seja forte, como Maria foi, pois a recompensa do céu vale mais do que tudo nesta vida.

E se, por acaso achar que a dor é insuportável, conte com a intercessão de Maria. Lembre-se das Bodas de Caná [7].

Um abraço a todos, boa semana!

 

 

CEC 971-975

[1] Lumen Gentium (LG) 58.

[2] Lc 1,45.

[3] Lc 2,35.

[4] TADEU DJACZER, Meditações sobre a fé.

[5] idem.

[6] ibidem.

[7] Jo 2,1-11.

“MARIA, MÃE DE CRISTO, MÃE DA IGREJA [1]” (Papa Paulo VI) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Saudações a todos vocês, amigos do CommunioSCJ. Com grande alegria, continuamos a aprofundar nossa fé ao longo das páginas do Catecismo da Igreja Católica.

Depois de meditarmos sobre o mistério da Igreja de Cristo, voltamos nossos olhares, nessas semanas mais recentes, para os membros desse instrumento de salvação. Vimos que existem diferentes formas de se ser um membro da Igreja; e que ao mesmo tempo todos eles estão unidos em Jesus, na Comunhão dos Santos. Todavia, dentre todos os membros que constituem o Corpo Místico de Cristo, seja na Terra, no Purgatório ou no Paraíso, existe um que ocupa um lugar de maior honra em virtude de sua pertença a Cristo, por ocasião de sua vinda (Cf. 1Cor 15,23): a Santíssima Virgem Maria!

A grandeza de Nossa Senhora reside no aparente paradoxo de sua figura. Pois embora ela possa ser contada entre os membros do Corpo de Cristo, ela é ao mesmo tempo a Mãe desse Corpo. Justamente por isso, Maria é mais do que uma intercessora ou um “modelo da fé e da caridade” [2], como são os outros santos e santas da Igreja. Ela desempenha um papel maior, uma ação real e concreta: Maria é também a nossa Mãe. E essa palavra não representa um mero título carinhoso, mas uma relação verdadeira e fecunda.

E esta constatação é não somente uma verdade de fé, como também uma dedução perfeitamente lógica diante de tudo o que temos refletido até aqui. Pois se Maria é a Mãe de Jesus, e Jesus é a “Cabeça do Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,18), não há Ícone - Nossa Senhora_02como negar que Maria é também Mãe da Igreja. Nas belíssimas palavras de Santo Agostinho, Nossa Senhora “é verdadeiramente a Mãe dos membros (de Cristo)… porque cooperou pela caridade para quer na Igreja nascessem os fiéis que são os membros desta Cabeça” [3]. Desta maternidade não se pode duvidar. Jesus, que é a Verdade, foi quem a instituiu. As palavras que dirigiu a São João do alto da cruz são também para toda a humanidade: “Eis aí a tua Mãe!” (Jo 19,27).

Assim entendemos o papel de Nossa Senhora em nossa vida espiritual. Sendo nossa Mãe, ela gera Cristo em nós. Sim, através de sua intercessão, no Espírito Santo, nos tornamos um com Cristo. Por isso podemos dizer com a Igreja que “pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas” [4]. E dizemos com a consciência de que essa ação maternal não é fruto das próprias forças de Maria, mas “flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na Sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a força” [5].

E se é difícil entendermos como Nossa Senhora coopera com a nossa salvação, podemos iluminar as nossas dúvidas com uma bela analogia apresentada de São Luís Maria Grignion de Montfort:

“Peço-te que notes o que eu disse: os santos são moldados em Maria. Há grande diferença em fazer uma figura em relevo a golpes de martelo e de cinzel, e fazer uma figura lançando-a numa fôrma. […] Santo Agostinho chama a Santíssima Virgem ‘Fôrma de Deus’, Fôrma própria para formar e moldar deuses: ‘Sois digna de ser chamada Fôrma de Deus’. Aquele que é lançado nessa Fôrma Divina depressa é formado e moldado em Jesus Cristo e Jesus Cristo nele. Facilmente e em pouco tempo será transformado em Deus, divinizado, pois é lançado no próprio molde que formou um Deus” [6].

Lembremo-nos sempre de que essa amada Mãe foi assunta aos Céus e, estando perto do Senhor, “por sua multíplice intercessão prossegue em granjear-nos os dons da salvação eterna” [7]. E peçamos: Santíssima Virgem Maria, rogai por nós!

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 963.

[2] CEC, n. 967

[3] LG (Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II), n. 53.

[4]. LG, n. 61.

[5] LG, n. 60.

[6] SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONFORT. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis (GO): Fraternidade Arca de Maria, 2012, p. 152.

[7] LG, n. 62.

MARIA, MÃE E MODELO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

3 Comentários

Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

Caros irmãos em Cristo Jesus, sejam, como sempre, bem vindos ao CommunioSCJ. Cumprindo nosso projeto para este Ano da Fé, de acordo com o que nos pediu o Santo Padre, o Papa emérito Bento XVI, damos mais um passo no estudo do Catecismo da Igreja Católica. E, assim, chegamos ao Parágrafo 6 da nossa Profissão de Fé que aborda o tema do lugar da Virgem Maria no mistério da Igreja [1], mais especificamente da maternidade de Maria em relação à Igreja. Providencialmente, neste final de semana, a liturgia nos chama à contemplação da Virgem assunta aos céus, o que nos ajuda não apenas a entender racionalmente este mistério, mas adentrarmos mais profundamente a ele com todo nosso coração.

O Concílio Vaticano II afirma que Maria, “de modo inteiramente singular, pela Ícone moderno_Maria-Mãe-da-Igrejaobediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça” [2]. É sua união a Deus que permite que ela seja a nossa Mãe, Mãe da Igreja. Tal cooperação, aliás, não cessou com sua assunção aos céus, pois ela está em comunhão com toda a Igreja na comunhão dos santos [3]. Assim, tal cooperação perdura pelos séculos na sua maternidade em relação a nós. Esta maternidade, podemos observá-la concretamente na sua múltipla intercessão, atestada por numerosíssimos testemunhos dos fiéis que tem recorrido a ela em toda a história da Igreja, e no modelo de vida cristã que ela constitui para cada um de nós.

Ora, compreendemos melhor a maternidade da Virgem em relação a nós quando vemos o mesmo Concílio afirmar que “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” [4]. Ou seja, a maternidade que Maria exerce em relação à Igreja não deriva de uma necessidade ontológica, Ícone - Imaculado Coração de Mariamas da imensa bondade de Deus que no-la deu na cruz de Cristo como socorro para que, no naufrágio desta existência, encontrássemos o porto seguro nele.

Noutro ponto de vista, Maria não é apenas nossa intercessora, advogada e Mãe na ordem da graça. Ela é nosso modelo. Diz-nos o Catecismo: “por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade” [5]. Fica claro, então, caros irmãos, que não devemos ter Nossa Senhora como uma espécie de banco, onde colocamos nossa confiança a fim de obtermos recursos para esta vida. Sua missão não consiste em nos fazer favores, mas em nos ligar a Jesus, seu divino Filho. Por isso, nossa relação filial com ela deve ir além de uma relação de barganha: somos chamados, pelo seu exemplo, a aderir de todo coração à vontade de Deus, a corresponder à obra de Jesus Cristo e às moções do Espírito Santo na fé e na caridade, de tal modo que a vida divina transborde em nós. Assim, não há dúvida que ao nos aproximarmos de Maria, encontramos um caminho seguro para o verdadeiro encontro com Jesus Cristo.

Que a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa, nos ajude, por seu exemplo e por sua intercessão, a viver cada dia mais unidos a Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fraterno abraço a todos. Até breve!

 

 

[1] Catecismo da Igreja Católica (CEC) 963-975.

[2] Lumen Gentium (LG) 61.

[3] Mistério que estudamos na semana passada. Cf. “Creio na Comunhão dos Santos – Por Fr. Lucas, scj”. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/08/10/creio-na-comunhao-dos-santos-por-fr-lucas-scj/>.

[4] LG 60.

[5] CEC 967.

MARIA, FILHA PREDILETA DO PAI E SACRÁRIO VIVO DO ESPÍRITO SANTO – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Que bom estarmos juntos novamente!

Continuando as reflexões sobre nossa fé, chegamos agora ao papel da Virgem Maria na Igreja, cujo sim em gerar o Filho de Deus em seu ventre, mudou para sempre o destino da humanidade.

“A Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus no coração e no corpo e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime e unida a ele por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com a missão sublime e a dignidade de ser a Mãe do Filho de Deus, e por isso filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo” [1], veio ao mundo sem a mancha do pecado original, era pura de coração, obediente e entregue totalmente à vontade do Pai. Por sua fé, caridade e esperança, Maria é a discípula perfeita e modelo para todos nós, é a seta que nos conduz ao seu Filho. A Igreja reconhece em Maria a Ícone - Santa Maria Mãe de Deusadvogada, a auxiliadora, a medianeira e protetora, mas principalmente como a Mãe de Deus e Mãe da Igreja.

No Evangelho de João, quando Jesus diz ao discípulo, “Mulher eis aí o teu filho” [2], Ele deixa bem claro o papel de Maria junto a Igreja, entregando-a como Mãe, não só ao discípulo amado, mas a todos os discípulos.

De forma alguma ela ocupa o mesmo lugar que seu Filho, somente Jesus é Salvador e Redentor, porém, Maria cooperou na sua obra de restauração da vida sobrenatural das almas [3]. Foi assunta aos céus, mostrando-nos a antecipação da glória reservada a todo cristão que segue seu exemplo.

Maria foi um grande exemplo de mulher e mãe, suportou tanto sofrimento desde que soube de sua gravidez, o risco de ser apedrejada, caso José a acusasse de traição, suportou a desconfiança da sua própria família, teve seu filho num estábulo, teve que fugir assim que seu filho nasceu para salvá-lo da morte. Mas Deus sempre a amparou, mandou seu Anjo dizer a verdade a José para que a protegesse e que confiasse nela, Ele guardou a vida de seu Filho, o fez crescer a salvo em sabedoria e graça [4]. Recebeu muitas alegrias de seu Filho, e mesmo no momento da grande dor da Crucifixão, não a deixou só, consolou seu coração entregando-lhe todos os filhos da Igreja e assim adotando-os, os protege, intercede por eles até o fim dos tempos, é a sua advogada, pois rico em misericórdia é também o coração de Maria.

Que a nossa fé seja como a fé de Maria, que tudo ouviu e guardou em silêncio em seu coração, que jamais perdeu a fé mesmo nas piores tribulações e que, assim com ela, nós possamos ser setas que indicam o caminho para Jesus.

Uma semana abençoada a todos!

 

 

Maria, mãe de Cristo, mãe da Igreja – CEC 963-970

[1] Lumen Gentium (LG) 53.

[2] Jo 19,26.

[3] LG 61.

[4] Lc 2,52.

AVE, CHEIA DE GRAÇA! – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Sejam bem-vindos, para mais uma vez, refletirmos sobre o nosso Catecismo.

Primeiramente, precisamos agradecer a Deus, por nos dar uma mãe, Maria. Uma mãe de olhar doce, sereno e rico em misericórdia, exemplo para cada cristão. Ela é exemplo de obediência, humildade, fé, completa entrega, é toda pura, é a mãe que o próprio Deus separou para si. Aquela que desde o ventre de Santa Ana, já era a escolhida para ser a mãe de Jesus e que, mesmo assim, Deus esperou pelo seu sim, respeitou o livre arbítrio que Ele mesmo deu a ela.

Nas próprias palavras do anjo Gabriel, percebemos a predileção de Deus por aquela menina: “Ave, cheia de graça” [1]. E se Maria estava cheia de graça, não havia espaço para mais nada além da graça. O mal jamais conseguiu ocupar seu coração, pois ele já estava cheio de Deus e sem espaço para mais nada.

Pensando na visita do anjo à Maria, não posso deixar de imaginar o medo que aquela menina sentiu. Não sabia o que seria dela, porém, mesmo assim, disse sim ao projeto de Deus, acolheu Jesus no seu ventre, enfrentou a dúvida de seus familiares, de seu noivo, estava disposta a enfrentar o que precisasse para ter seu filho e jamais duvidou da providência divina sempre presente em sua vida.

Depois do nascimento do pequeno Deus, ela o protegeu, o alimentou, o educou, Nossa Senhora de Lourdesesteve do seu lado até que a lança transpassou seu coração na morte de seu filho. Conservou-se virgem, como forma de entregar-se completamente a Deus, não entregou apenas uma parte de sua vida, mas sim toda ela [2]. Dedicou-se inteiramente ao cuidado de seu Filho e a Igreja a venera, não a adora, porque ela não foi uma mulher qualquer e sim foi “a mulher” escolhida por Deus, para desatar o nó do pecado de outra mulher, Eva.

Maria é parte importantíssima da nossa salvação, pela sua obediência aos desígnios de Deus, por isso a Igreja a eleva ao seu ponto mais elevado, porém mais próximo de nós [3]. Ela é exemplo de abandono e humidade, jamais desejou glória, pôs-se em seu lugar, orou em silêncio, chorou em silêncio. Ela é a imagem da serva perfeita, é a seta que nos leva, não para si mesma e sim para seu filho, Jesus Cristo. A Igreja a reconhece como rainha, não por seu mérito, mas pelo mérito de Jesus. Maria é a Mãe de Deus, rainha porque o seu Filho é rei.

A maternidade divina e virginal de Maria foi várias vezes fonte de discussão entre teólogos, porém, não se pode discutir um dogma da Igreja desacreditando nele. A fé deve sempre preceder qualquer discussão. As testemunhas, segundo o evangelista Lucas, em seu primeiro capítulo, atestaram a veracidade dos fatos, o que, aliás, foi um grande escândalo para a época, já que, ninguém acharia estranho se Jesus tivesse sido concebido da forma natural, depois da conjunção carnal entre Maria e José, porém dizer que ela continuou virgem, antes, durante e após o parto, somente à luz da fé de que Deus tudo pode e que tudo fez de forma misteriosa [4]. Tudo isso consiste no belo e intrigante mistério da nossa fé.

Maria é ao mesmo tempo Virgem e Mãe por ser a figura e a mais perfeita realização Ícone - Anunciaçãoda Igreja. A Igreja torna-se também como ela Mãe por meio da palavra de Deus que recebe na fé, pois pela pregação e pelo Batismo ela gera para a vida nova e imortal os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus. Ela é também a virgem que guarda íntegra e puramente, a fé dada a seu esposo [5].

Deus não precisava de nada disso, mesmo assim escolheu encarnar-se, nascer de uma mulher, viver como nós, sofrer como nós, nos amar e morrer por esse tamanho amor.

Que Nossa Senhora nos ensine a ser, como ela, obedientes, confiantes, cheios de fé, capazes de abandonar-nos completamente nas mãos do Senhor, como ela assim o fez e nos lembremos sempre de que sua vontade nunca foi engrandecer-se, mas engrandecer ao Deus a quem ela foi fiel até o fim.

 

 

CEC (Catecismo da Igreja Católica) 484-507.

[1] Lc 1, 28.

[2] Tadeucz Dajczer, Meditações sobre a fé (Cap. 2).

[3] idem.

[4] Pe. Paulo Ricardo, Curso sobre o Catecismo da Igreja Católica, Aulas 57 e 58. (Conteúdo para Assinantes).

[5] CIC 507.

É NA FRAQUEZA QUE SOMOS FORTES [1] – Por Fabiana Theodoro.

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Olá amigos,

Temos refletido até agora sobre como Deus se inclina para o homem e como, por amor, se revela, dando ao homem todo conhecimento necessário para sua salvação através de seu filho Jesus.

Hoje falaremos sobre a resposta do homem a Deus, que recebendo o seu convite, percebe a mão divina em sua direção e a agarra.

Esta resposta humana ao desejo divino de comunhão, esse amor correspondido do homem a Deus chamamos fé.

Para crermos, não são necessárias provas materiais, e se existissem, não se precisaria da fé. Deus é infinitamente maior do que tudo o que é palpável e maior do que a compreensão humana que só vai até onde permite o Espírito Santo.

Apesar de ser um dom recebido de Deus, a fé é essencialmente humana e Ele não obriga ninguém a crer, não nos priva de nossa liberdade de escolha, vontade ou de pensamento, embora, em sua infinita misericórdia, o Senhor conhecendo seus filhos como conhece, saiba muito bem como atraí-los.

Deus permite o sofrimento humano para lembrá-los de sua fraqueza e impotência e de que somente encontra-se a paz abandonando-se em suas mãos.

Os que se sentem fortes e autossuficientes, criam uma fortaleza ao seu redor e não deixam a graça divina entrar, pois pensam que tudo depende deles e não se confiam nas mãos de Deus. Este sentimento evidencia uma grande falta de humildade, acarretando uma sobrecarga emocional quando realmente percebe o tamanho do peso carregado nos ombros que podia ser muito mais leve, se dividido com o Senhor.

Quando o ser humano encontra em seu caminho uma grande dor, abre os olhos e percebe que não está só e que Ele está sempre disposto a recebê-lo de volta, esta é a fenda na “fortaleza” que Deus espera para penetrar novamente na alma e resgatar seus amados.

A Virgem Maria é o maior exemplo de fé do Novo Testamento, disse sim a Deus sem saber o que aconteceria em seu futuro, apenas confiou e obedeceu. E diante da morte do filho, com o coração dilacerado por tamanha dor, jamais duvidou dos desígnios de Deus. Quando não tinha mais nada a fazer, abandonou-se, como eram unânimes em dizer os grandes santos.

Embora muitos digam que a Fé contradiz a Ciência, não é verdade. As primeiras universidades do mundo eram católicas. A Igreja sempre se preocupou em formar pessoas que pudessem estudar e trazer respostas à humanidade. A Fé e a Razão são duas asas que nos conduzem à Verdade [2], por isso todos devem ficar atentos a todas as descobertas e estudos à cerca da Doutrina que professam, sem descuidar também do que acontece na sociedade. É através da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja que podemos fincar raízes numa fé sólida, que não se deixa abater por nenhuma tempestade (e veja que são muitas).

É preciso aproximar-se de Deus, ter um relacionamento profundo com Ele. Mas para isso, não se pode esperar sentir sempre a euforia da primeira experiência de conversão, porque isso passa. Nem sempre o coração vai arder ou a emoção vai tomar conta. Relacionamento profundo é buscá-lo mesmo quando não se consegue ouvi-lo ou não se tem vontade de procurá-lo. É como o namoro, começa pela paixão e depois de um tempo amadurece e transforma-se em amor, em compromisso sério.

Virgem Mãe, que o amor derramado por Deus em nossas vidas jamais fique sem nossa resposta, mesmo sabendo que somos finitos em nossa capacidade de amar, fazei com que consigamos nos abandonar sem medo nas mãos de Deus que jamais nos deixa só, Amém.

Boa semana a todos!

 

 

Recomendo:

DAJCZER, T. Meditações sobre a fé. São Paulo: Palavra e Prece, 2007.

CEC, n. 142-165 (A resposta do homem a Deus).

[1] 2Cor 12

[2] Cf. JOÃO PAULO II, Fides et Ratio, n. 1.