Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs em Cristo, sejam novamente bem vindos ao CommunioSCJ! Quero, antes de mais nada, agradecer a você que continua a acessar nosso blog, mesmo com todo este tempo de nossa ausência. É muito bom perceber que nossos textos são, de alguma forma, úteis para seu caminho de encontro com nosso Bom Deus e Pai.

Neste sentido, vamos continuar nossa jornada juntos com S. João Paulo II na descoberta da beleza da nossa corporalidade e sexualidade de acordo com o projeto de Deus. E, neste caminho, chegamos ao ponto de reconhecermos que se existimos isto é dom do amor de Deus [1]. E, se há sentido no existir, ele encontra-se no pessoal e amoroso dom de nós mesmos [2].

De fato, diz o santo: “a criação (…), como ação de Deus, significa não só chamar do nada à existência do mundo e do homem no mundo, mas significa também, segundo a primeira narrativa ‘berechit bará’, doação; doação fundamental e ‘radical’, que dizer, doação em que o dom surge precisamente do nada” [3]. Em outras palavras, Deus, que é Amor – e justamente por isso mesmo – cria o mundo dando a ele o existir. De modo particular, podemos afirmar que o Senhor nos deu a vida porque nos ama; existimos porque generosa e amorosamente Ele nos quis: somos frutos de um radical dom de amor.

“Só” isso já seria o suficiente para afirmarmos que esta vida tem sentido enquanto é doada. Porque, se a recebemos como dom, nada mais coerente do que doá-la! Doá-la radicalmente Àquele que nos criou. E isso se faz doando nossa vida pelo bem dos irmãos – por isso os dois mandamentos do amor a Deus e ao próximo são inseparáveis. Mas ainda temos isso inscrito em nossos corpos.

Lemos: “o corpo, que exprime a feminilidade ‘para’ a masculinidade e vice versa a masculinidade ‘para’ a feminilidade manifesta a reciprocidade e a comunhão das pessoas. Exprime-a por meio do dom como característica fundamental da existência pessoal” [4]. Assim, cada um pode olhar seu próprio corpo e perceber que ele tem sentido com relação ao sexo oposto: até nossos corpos foram feitos de modo a apontarem a autodoação que se exprime de maneira particular no ato sexual. E não só uma doação corporal, mas pessoal: de gastar-se por amor.

Por isso mesmo, o ato conjugal só tem sentido dentro do matrimônio: nele, o esposo deu-se inteiramente à esposa pelo pacto nupcial e, também, a esposa ao esposo. É neste contexto que a mútua doação dos corpos no ato próprio que os faz uma só carne [5] e com o qual se submetem à bênção da fecundidade [6] encontra seu sentido e significados mais profundos.

Que o Senhor, nosso Deus e Pai, nos conceda a todos a graça de compreender o significado esponsal do nosso corpo e do corpo de nossos semelhantes, a fim de sermos, como dizia Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, o que Ele pensa de nós.

Pela intercessão da Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, Deus abençoe a todos! Até mais.

 

 

[1] S. JOÃO PAULO II. “A criação como dom fundamental e original”. In Teologia do corpo: o amor humano no plano divino, p. 69-72. Disponível também em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1980/documents/hf_jp-ii_aud_19800102_po.html>.

[2] S. JOÃO PAULO II. “A revelação e a descoberta do significado esponsal do corpo”. In Teologia do corpo: o amor humano no plano divino, p. 73-76. Disponível também em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1980/documents/hf_jp-ii_aud_19800109_po.html>.

[3] S. JOÃO PAULO II. “A criação como dom fundamental e original”, p. 71.

[4] S. JOÃO PAULO II. “A revelação e a descoberta do significado esponsal do corpo”, p. 75.

[5] S. JOÃO PAULO II. “Através da comunhão das pessoas, o homem se torna imagem de Deus”. In Teologia do corpo: o amor humano no plano divino, p. 53-56. Disponível também em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791114_po.html>.

[6] S. JOÃO PAULO II. “A revelação e a descoberta do significado esponsal do corpo”, p. 76.

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