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COM ADÃO, A RUPTURA; COM JESUS, A ALIANÇA DEFINITIVA – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Estamos vivendo o Tempo Pascal, a festa mais importante do Cristianismo para a Igreja Católica do Ocidente. Neste clima de esperança e vida nova, lembramo-nos que o amor de Deus por nós vem desde a Criação e que apesar do desamor do homem, jamais foi Deus quem rompeu a aliança conosco. Ele jamais nos esqueceu, sempre tomou a iniciativa em nos procurar para renová-la, através dos profetas, homens fiéis dispostos a mudar de vida para conduzirem o povo de volta ao Senhor. A Aliança definitiva foi inaugurada por Jesus, seu Filho, desde então, tudo o que nós precisávamos saber para nossa salvação nos foi revelado por Ele, o novo Adão que veio nos dar a chance de um novo começo.

Obediente até o fim, Jesus nos convida a seguir o caminho que Ele próprio seguiu rumo à vida eterna, a lutar contra o pecado, a levar uma vida transparente perante Deus, a ser-lhe plenamente fiel.

Deus deu ao homem o paraíso e tudo o que foi criado por Ele. Tudo foi submetido ao homem, mas não foi suficiente para satisfazer seu coração que tendeu à ganância, à inveja. Ele queria mais, queria a sabedoria e o poder de Deus.

Antes da desobediência, o homem vivia nu e não se envergonhava. Após o Pecado Original, o homem escondeu-se de Deus, passou a sentir vergonha, conforme dizem as Escrituras: “Percebi que o Senhor estava se aproximando, fiquei com medo, porque estava nu. Por isso me escondi” [1].

A percepção da nudez pelo homem e pela mulher deixa claro que ambos passaram a se olhar de uma maneira diferente depois de comerem o fruto proibido, consequentemente, o relacionamento com Aquele que é puro e santo também mudou, houve uma ruptura, já não podiam mais estar com Ele no paraíso. Antes, o corpo do homem e da mulher eram ícones, imagens que remetem ao Criador, mas passaram a ser ídolos um para o outro, surgiu então a concupiscência.

O homem passou a curvar-se diante da nudez da mulher e a idolatrá-la e a mulher passou a gostar dessa situação, por isso não temos mais condições de viver a nudez original, não estamos mais na pureza original do paraíso, por isso, nós temos de nos vestir de “roupas de figueira”, assim como Adão e Eva. O pecado original faz com que o homem e a mulher se idolatrem mutuamente, […] pecado este, do qual somos prisioneiros. Ser idólatra é transformar uma imagem, que deveria nos levar para Deus, em um deus [2].

Deus, em sua infinita misericórdia, ainda assim nos deu meios para nos libertarmos deste pecado. Nós temos dois modelos de homem à nossa frente um que nos remete ao passado, ao pecado, à desobediência, à ganância, o outro, nos remete ao futuro, à santidade, à obediência, à generosidade, ao amor. Nós decidimos a quem seguir ou ao velho homem Adão ou ao novo homem, Jesus, o Filho de Deus.

Continuaremos nos aprofundando sobre este assunto nos próximos textos, mas que nós possamos, desde já, refletir sobre até que ponto nós somos prisioneiros de nossos desejos para que possamos buscar a libertação em nome de Jesus Cristo e retornar à comunhão com nosso amado Pai.

Até a próxima semana!

 

 

Cf. JOÃO PAULO II, Os significados das primordiais experiências do homem. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791212_po.html>.

[1] Gn 3,10.

[2] PE. PAULO RICARDO, Para sempre fiéis. Disponível em: <http://www.cancaonova.com/portal/canais/eventos/novoeventos/cobertura.php?cod=2891&pre=8208&tit=Para%20sempre%20fi%E9is>.

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O MATRIMÔNIO É UMA CRUZ – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos, que a paz do Senhor esteja sempre convosco!

Chegamos ao ponto das nossas reflexões em que o Beato João Paulo II fala especificamente do Matrimônio. As Escrituras são marcadas por casamentos determinantes ao longo da História, começa com a união de Adão e Eva na Criação [1], no início do Novo Testamento, o primeiro milagre de Jesus, a transformação da água em vinho, relatado pelo evangelista João, marca o início da vida pública de Jesus [2] e o Apocalipse, último livro das Escrituras é marcado pelas núpcias do Cordeiro [3], o casamento definitivo entre Jesus e sua Igreja.

Esses casamentos são sinais da a aliança de Deus para com seu povo, renovadas de tempos em tempos até a aliança definitiva, o sangue do Cordeiro derramado na cruz.

Falar em aliança definitiva e Matrimônio ao mesmo tempo, pode soar como “piada” para as pessoas desinformadas que ainda enxergam a Igreja como uma crença ultrapassada. Pois bem, os tempos mudaram, o divórcio está cada vez mais fácil, várias pessoas se divorciam sem passar sequer do primeiro ano. Mas, por quê?

Na verdade, nada mais natural do que buscar ser feliz, não é mesmo? Pois é, aí está o grande problema: a busca egoísta da própria felicidade, quando o casamento é pura doação, é dar o máximo de si para a felicidade do outro e jamais esperar que o outro satisfaça o nosso desejo de felicidade. Ninguém pode nos dar o que só Deus pode. Santo Agostinho mesmo diz “a minha alma só em Ti encontra repouso” [4].

Que grande tentação são as soluções fáceis, a fuga do sofrimento, qualquer crise já é motivo de separação, esquece-se que Cristo carregou sua cruz até o fim. Por isso a Igreja pede maturidade no momento de decidir-se pelo Matrimônio, e isto é o que mais têm faltado em nossa sociedade, já não somos mais preparados para relacionamentos duradouros, o pensamento moderno diz: “não deu certo, separe-se”. O casamento deve ser muito bem pensado e os noivos devem estar cientes do compromisso de um para com o outro. O amor é o Mandamento mais importante que Deus nos deixou, preste muita atenção, não é sentimento, é Mandamento.

Na Eucaristia vivemos o grande mistério em que o Esposo, Nosso Senhor Jesus Cristo, entrega o Seu Corpo pela Esposa, a Igreja. O Esposo dá tudo o que é por amor. O matrimônio é uma “cruz”, pois é uma entrega de amor [5].

O casamento entre dois batizados é um sacramento, porque é uma participação na redenção, é salvífico porque é uma entrega. É a entrega da sua vida para fazer com que o outro chegue à felicidade, que é Jesus. Você não é a fonte da felicidade, mas deve entregar a sua vida para alcançar a felicidade, um se faz sacrifício ao outro [6].

Dentro deste contexto de inteira doação, o sexo é extremamente sagrado, é a consumação desta entrega total, o corpo fala, pois é uma linguagem. Se uma pessoa diz: “eu te amo” – com os lábios cerrados e com gestos negativos – você vai acreditar no corpo ou na palavra dela? O corpo, na relação sexual entre marido e mulher, diz: “o meu corpo é todo seu”. Mas quando o sexo está no namoro não há entrega total; quando cada um vai para sua casa é uma mentira. Somente no matrimônio, na entrega para sempre, é que ocorre a entrega total, isso é redentor, sacramento que Jesus nos revelou na cruz [7].

A entrega total nos dá muito medo. Como prometer a vida inteira a uma pessoa, se não sabemos se vai dar certo ou não, se vamos ser felizes ou não, se vamos ser traídos, e se nos interessarmos por outra pessoa, como acontece o tempo todo nas novelas?

A resposta é muito simples e muitos católicos que eu conheço nos dão exemplos maravilhosos disso: “o amor é decisão”, simples assim.

Então, minhas últimas palavras hoje para você são: “decida-se a amar e a deixar-se ser amado, aceite sua cruz e não tenha medo de sofrer, Jesus carrega a cruz junto com você”.

Uma boa semana!

 

 

PAPA JOÃO PAULO II. Valor do matrimônio uno e indissolúvel à luz dos primeiros capítulos do Génesis. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1979/documents/hf_jp-ii_aud_19791121_po.html>.

[1] Gn 2,23.

[2] Jo 2.

[3] Ap 19,7-9.

[4] SANTO AGOSTINHO, Confissões, I, 1.

[5] PE. PAULO RICARDO. Matrimônio, o sacramento da Criação. Disponível em: <http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12433#.UzibgPldU3k>.

[6] idem.

[7] idem.