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JESUS DESCEU À MANSÃO DOS MORTOS – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Continuando a nossa reflexão sobre o Credo, chegamos à descida de Jesus à Mansão dos Mortos.

Como professa nossa fé, Jesus morreu e, enquanto esperava sua Ressurreição, desceu até onde os mortos, que viveram segundo o amor de Deus, aguardavam, para serem finalmente levados para junto do Pai. Somente o sacrifício de amor de Jesus poderia abrir as portas do céu, que Adão havia fechado pelo pecado.

O pecado causa culpa e penas. Jesus pagou a nossa culpa, herdada de Adão, na Ícone - descida aos infernoscruz. As penas são as punições da alma que estão condenadas a viver eternamente longe de Deus. Segundo Papa Inocêncio III, a pena do pecado original é a carência da visão de Deus e a pena do pecado cometido nesta vida é o tormento do inferno eterno.

Os justos estavam na Morada dos Mortos, não sentiam as dores do fogo, mas estavam privados da visão de Deus. Esta também era chamada de “os infernos”, distinto do Inferno propriamente dito, aonde vão aqueles que livremente repudiaram a Deus em vida, que cometeram pecado mortal e não se arrependeram: para eles já não existe a Salvação, pois rejeitaram o amor e a misericórdia de Deus.

Jesus cumpriu sua missão plenamente, pois amou a todos incondicionalmente, não deixou nem aqueles que não estavam mais entre os vivos, mostrando que a Salvação é para todo aquele que crê e ama a Deus.

Depois de passados os três dias de permanência com eles, O Filho de Deus saiu Ícone - Jesus desce aos infernosseguido por uma grande procissão de justos em direção ao céu. Jesus desceu do céu para nos levar ao céu, desceu aos infernos para cumprir plenamente sua missão, já que somente Ele tem o poder sobre todas as coisas, que Ele venceu a morte, venceu todo o poder maligno na terra e abaixo da terra. Não há poder no mundo que não se curve perante o nome de Jesus.

Oremos e sejamos fiéis enquanto é tempo, pois a misericórdia de Deus é infinita, mas a nossa vida não é. Quem viver longe do amor de Deus na terra em vida padecerá com grandes suplícios eternamente e não convém esperar o último momento para a conversão. Converter-se é necessário sempre, e para ajudar-nos neste caminho, temos os Sacramentos.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo seja sempre louvado em toda hora e lugar, hoje e sempre, amém.

 

 

Fonte:

CEC 631-637.

“AQUELE QUE DESCEU É O MESMO QUE SUBIU ACIMA DE TODOS OS CÉUS, A FIM DE ENCHER O UNIVERSO” (Ef 4,10) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, amigos! Com muita alegria os acolhemos novamente aqui no CommunioSCJ.

Na semana passada refletimos acerca da morte redentora de nosso Senhor Jesus Cristo. E nesse caso, anunciar a morte significa, simultaneamente, proclamar a Ressureição. Entre esses dois mistérios, entretanto, existe o sepulcro. Pois “em seu projeto de salvação, Deus dispôs que seu Filho não somente ‘morresse por nossos pecados (1Cor 15, 3), mas também que ‘provasse a morte’, isto é, conhecesse o estado de morte, o estado de separação entre sua alma e seu corpo compreendido entre o momento que expirou na cruz e o momento em que ressuscitou” [1].

Como já foi apontado em outras ocasiões, a fim de redimir a nossa humanidade, Ícone - Descida ao SheolJesus teve que assumi-la plenamente. Deste modo, não pôde se furtar de viver a terrível realidade da morte. Como acontece com cada homem e mulher, teve sua humanidade dilacerada pela separação entre alma e corpo. Compartilhou dessa experiência humana permanecendo sepultado até o domingo, dia em que ressuscitou reunindo-as novamente. Jesus se sujeitou a ser sepultado como nós seremos um dia, para que nós pudéssemos ressuscitar como Ele ressuscitou no terceiro dia após a sua morte. Não apenas no final dos tempos, mas desde agora, espiritualmente, no nosso batismo onde “fomos sepultados com Ele em sua morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6, 4).

É preciso notar, entretanto, que por se tratar do Filho de Deus, a morte O envolveu de uma forma diferente do que acontecerá com cada um de nós. Pois embora corpo e alma estivessem separados, estavam ligados à Pessoa Eterna do Filho. Assim, ao pensarmos no corpo sepultado de Cristo “não estamos diante de um cadáver como os outros” [2]. Estamos diante de um corpo que não sofreu a corrupção, a decomposição. Mas e quanto a sua alma? Onde esteve ela enquanto seu corpo incorrupto repousava no sepulcro?

O Catecismo responde a essa indagação dizendo que “Cristo desceu aos Ícone - Resurrection Yaroslavl Schoolinfernos” [3]. Durante a sua morte, a Pessoa do Filho, através de sua alma humana, foi muito além do se fazer homem. Foi o mais fundo que seu amor permitiu e glorificou o Pai cumprindo de maneira perfeita sua missão redentora. Jesus se rebaixou ao extremo a fim de ser posteriormente glorificado pelo Pai. “Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher o universo” (Ef 4, 10).

Mas entendamos bem o que se pretende exprimir com a palavra “infernos”. Não se trata, evidentemente, do inferno criado por Satanás. Pois este é o estado da alma que permanece eternamente separada de Deus, o que seria impossível para Jesus, já que Ele próprio é Deus. A palavra “infernos” designa na verdade, o local onde estavam as almas dos que estavam “privados da visão de Deus” [4], daqueles que ainda aguardavam a salvação de Cristo. Trata-se do sheol, do Hades, do que costumamos nos referir como “mansão dos mortos” quando rezamos o credo.

Enquanto o corpo de Cristo aguardava no sepulcro, Ele se dirigia às muitas almas justas que se encontravam neste estado de espera, na “mansão dos mortos”, para libertá-las, para abrir-lhes as portas dos Céus. Considerando o tempo que seu corpo permaneceu sepultado, pode parecer que tenha se tratado de algo breve, até mesmo pequeno. Na realidade, foi uma imensa obra de salvação. Ou melhor, o imenso começo de sua imensa obra de salvação.

Que a Santíssima Virgem Maria rogue por cada um de nós a fim de que, um dia, sejamos contados entre os justos aos quais as portas dos Céus foram abertas.

Uma ótima semana a todos!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 624.

[2] CEC, n. 627.

[3] CEC, n. 632.

[4] CEC, n. 633.

“CRISTO MORREU POR NÓS QUANDO ÉRAMOS AINDA PECADORES” (Rm 5,8). Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá queridos amigos do CommunioSCJ! Que bom nos encontrarmos novamente.

Amparados pelo Catecismo, continuamos a olhar mais de perto para a vida de nosso Senhor Jesus Cristo. Após breves considerações sobre sua vida pública, iniciamos uma reflexão mais profunda acerca dos mistérios pascais que celebramos recentemente. Neste texto, em especial, trataremos da morte de Nosso Senhor, fato histórico que não fica apenas no passado, mas está intensamente relacionado com nossas vidas. Vejamos como.

Uma primeira e importante consideração sobre a morte de Jesus Cristo diz respeito Ícone - Judas beija Jesusà pergunta “quem matou Jesus?”. Contrária à visão de que os judeus foram os culpados por esse ato assassínio, a Igreja afirma que “foram os pecadores como tais os autores e como que os instrumentos de todos os sofrimentos por que passou o Divino Redentor” [1]. Desta forma, fica clara a nossa relação com a morte de Jesus; fica clara a resposta sobre a pergunta acerca dos culpados desse crime: nós, eu e você, pecadores, fomos os assassinos de Cristo. Esta constatação pode chocar algumas pessoas, mas é uma realidade dramática que todo cristão precisa compreender. Usando as palavras de São Francisco de Assis, “Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram; és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucifica-lo, deleitando-te nos vícios e nos pecados” [2]. Cada um de nós, com nossos pecados, matamos e continuamos a fazer Cristo sofrer.

A ideia de que somos diretamente culpados pela morte de Nosso Senhor nos leva a outra importante pergunta: “por que Jesus morreu?”. São Pedro nos responde dizendo que “Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pela mão dos ímpios” (At 2,23). Jesus morreu para nos libertar de nosso pecados, segundo desígnio de Deus. “Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus” (2 Cor 5,21).

Jesus assumiu e pagou nossas culpas na Cruz. Pois Deus é Justo, e o mal realizado Jesus crucificado (Icon at St. Catherine's Monastery, Sinai)por cada ser humano precisava ser pago. E bem sabemos que um mundo sem justiça jamais seria um mundo perfeito como Deus planejou. Entretanto, que nem passe pela nossa cabeça a ideia de um Deus vingativo. Pois o crime que precisava ser pago, Ele mesmo tomou sobre seus ombros e o pagou de maneira cruenta, no sacrifício da Cruz. E aí Deus revelou que além de Justo, é Misericórdia e Amor. E foi precisamente assim que Cristo nos salvou: amando-nos “até o fim” (Jo 13,1). E mais ainda, amando-nos independentemente de toda a nossa sujeira e maldade, pois “Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8). E se saber que você também é responsável pela morte de Jesus Cristo o perturba (e deveria), reconheça (e alegre-se) com o fato de que mesmo assim Jesus o ama, independentemente de seus pecados passados e futuros.

Contemplando os atos de justiça e amor perfeitos presentes na morte redentora de cristo, precisamos nos deparar com uma terceira pergunta: “o que a morte de Jesus muda em minha vida?”. Diante da morte de Cristo, não é possível ser indiferente. Sua entrega livre já na Santa Ceia, como Eucaristia, sua agonia no Getsêmani, a dor da traição, a humilhação perante um falso julgamento, sua dolorosa flagelação, sua crucificação e morte: tudo isso nos cobra uma resposta. Pois “Cristo morreu por todos os homens sem exceção” [3], mas em sua liberdade qualquer homem é livre para rejeitar a redenção de Cristo.

Consciente de sua morte expiatória, Jesus faz um convite que ecoa pelos tempos e chega a cada um de nós hoje: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16, 14). Nos nossos sofrimentos, nas nossas dores e dificuldades podemos ir nos associando à crucificação de Cristo. É um convite difícil, muitas vezes incompreensível numa sociedade hedonista como a que nós vivemos. Mesmo assim, a Igreja continua e continuará a ensinar que existe redenção no sofrimento. Depois da Cruz existe a Ressureição! Como aconteceu com São Pedro, é difícil aceitar a Cruz. Mas Cristo redimiu nossa vontade pecadora e se São Pedro foi capaz de enfrentar também a sua cruz (São Pedro também morreu crucificado, de cabeça para baixo por não se achar digno de morrer como seu Senhor) nós também seremos capazes de aceitar as nossas cruzes. Um comentário do Papa Emérito Bento XVI sobre a relação de São Pedro com a cruz pode iluminar bastante nossa reflexão:

“Quem poderia negar que o seu comportamento [de São Pedro] espelhe a tentação contínua dos cristãos, aliás, mesmo da Igreja: chegar ao sucesso sem a cruz? Assim, é preciso anunciar-lhe a fragilidade, a tríplice negação. Ninguém, por si mesmo, é suficientemente forte para percorrer o caminho da salvação até o fim. Todos pecaram. Todos precisam da misericórdia do Senhor, do amor do Crucificado” [3].

Que a Santíssima Virgem Maria nos ensine a aceitar a misericórdia divina e nos auxilie no nosso sim ao amor generoso de Deus que nos leva da Cruz à Ressureição.

Uma ótima semana!

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 598.

[2] Ibidem.

[3] CEC, n. 605.

[4] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressureição. São Paulo: Planeta, 2011, p. 142.

DEUS NOS AMOU PRIMEIRO – por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Como começamos a refletir semana passada, Nosso Senhor Jesus Cristo se deu por nós na Cruz, sem merecermos, mesmo sabendo que nós, na nossa limitada humanidade, jamais seríamos capazes de retribuir tamanho amor. Na verdade, por isso, Ele abaixou-se até nós, homens e mulheres pecadores, para cumprir a vontade do Pai, a fim de ter restaurada definitivamente a sua aliança com o homem.

Por Jesus, todos são chamados a amar como Ele amou, doar-se como Ele se doou, Jesus no Monte das Oliveiras (F lvio Giuliano)mesmo que para isso, tenha que também carregar a cruz como Jesus carregou. Quando Jesus morreu, morreu por toda a humanidade, por todos os homens que existiram, existem e por todos os que ainda existirão. A Salvação nos foi dada, não por merecimento, mas sim por graça de Deus, pois Ele sabe que nenhum homem, nem mesmo o mais santo, poderia carregar sobre si o peso dos pecados da humanidade como seu Filho era capaz de carregar [1].

Jesus abraçou em seu coração humano, o amor de Deus por todos nós [2]. Amou-nos até às últimas consequências (cf. Jo 13,1).

“Na Paixão de Jesus, toda a sujidade do mundo entrou em contato com o intensamente Puro, com a alma de Jesus e, deste modo, com o Próprio Filho de Deus. Se habitualmente a realidade suja contagia pelo contato e inquina a realidade pura, aqui temos o contrário: onde o mundo com toda a sua injustiça e as crueldades que o inquinam, entram em contato com o imensamente Puro, aí Ele o Puro, revela-se o mais forte. Nesse contato, toda a sujidade é absorvida, anulada e transformada pelo sofrimento do amor infinito” [3].

Jesus foi obediente ao Pai de uma forma que nós jamais seremos capazes de ser. Ele é o sacrifício perfeito, mas não porque Deus é cruel e sedento de sangue e de Ícone - Jesus crucificadovingança pelos pecados cometidos por nós. Não, o próprio Deus, na pessoa do Filho carrega sobre Si todos os sofrimentos do mundo, para que o seu pecado e o meu pecado sejam lavados no sangue de Jesus.

A obediência humana jamais chegará a ser perfeita como a de Jesus, mas o desejo de dar a Deus o que não somos capazes de dar faz com que Ele mesmo venha ao nosso encontro. Santa Teresinha do Menino Jesus diz que somos como bebês aprendendo a ficar de pé diante do Pai que está no topo da escada. O simples desejo do bebê de alcançar o Pai faz com que Ele desça ao seu encontro e o pegue nos braços. É esse amor, que já existia antes de nós, que se revelou totalmente na entrega de Jesus à cruz. Jamais seremos capazes de venerar a Deus como Ele merece, mas Jesus carrega-nos consigo e por este meio somos capazes de alcançar ao Nosso Amado Deus. Para tanto, contamos com o Batismo, que marca a nossa entrada na vida cristã e com a Eucaristia, na qual a obediência de Jesus na cruz nos abraça, nos purifica e nos atrai na adoração perfeita realizada por Jesus [4].

Que a nossa desobediência não seja ocasião de culpa, mas sim de arrependimento e conversão, pois não somos perfeitos, mas que busquemos sempre a Confissão e a Eucaristia como forma segura para retomarmos o caminho de volta para Deus sempre que for necessário, amém.

Deus abençoe a todos!

 

 

CEC 595-618.

[1] CEC 616.

[2] CEC 609.

[3] Joseph, RATZINGER. Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição, p. 189.

[4] Idem, p. 192.

O CRISTÃO NÃO TEM OUTRO DESTINO SE NÃO A CRUZ – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Retomando nossas reflexões sobre o Catecismo, chegamos ao Artigo 4, “Jesus padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”. Por séculos, a culpou-se os judeus pela morte de Jesus. Hitler usou isso para cometer as maiores atrocidades contra homens, mulheres e crianças judias. Quanta injustiça, já que mesmo Jesus invocou sobre os judeus a ignorância quando disse: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”, para justificar a sua condenação [1]. Eles não conheciam Jesus, pois se o conhecessem como o Filho de Deus que Ele era, jamais o teriam entregado para a morte [2].

Jesus morreu como consequência de sua missão salvífica, em meio a uma sociedade hipócrita que julgava os fracos e os pobres, indignos do amor de Deus. Acreditavam que a pobreza e a doença eram castigo e que Deus abençoava apenas os seus amados com bens materiais. Mas Jesus foi de encontro ao povo e mostrou a verdadeira face de amor do Pai. Mostrou que a maior riqueza não está Ícone - Extrema humildadenos bens e nas propriedades acumuladas aqui na terra, mas sim no céu. E por isso, não titubeou em entregar sua vida por nós. Teve medo, suou sangue, chorou pelos amigos que o deixaram só, mas sabia dos planos de Deus e foi fiel até o fim.

O cristão não tem outra saída além de seguir o seu mestre ao mesmo destino, de segui-lo até a cruz. Segundo João Paulo II, o martírio atual é a ridicularização. Os cristãos, por enquanto, não sofrem na carne, como antigamente, porém sofrem a ridicularização quando quer se manter dentro dos valores ensinados por Cristo, num mundo em que se tornou antiquado ser de Deus.

Estão destruindo os valores essenciais da sociedade, deturpando os valores familiares, desvalorizando a vida, estimulando um novo tipo de sociedade sem valores, com pessoas que vivem apenas em busca de prazeres momentâneos, de riquezas, de poder. Querem que as pessoas esqueçam e desprezem o amor de Deus. Afinal, esse amor é contrário a tudo o que o mundo prega. Enquanto Deus é amor e comunhão, o mundo faz os seres humanos voltarem-se contra si mesmos, se ferindo, se tornando objetos uns dos outros, tentando preencher um vazio que possuem na alma com coisas supérfluas, mas nada vai preencher este vazio, pois esta parte do ser humano é a parte que pertence a Deus e só Ele pode preencher. Deus é grande demais, como poderia algo infinitamente menor ocupar o espaço feito sob medida somente para Ele?

Conhecer a Cristo é conhecer a si mesmo e esta necessidade profunda de Deus. A Mosaico - Via SacraCruz para o cristão de hoje, é não ter medo de mostrar o que é certo e denunciar o que é errado, custe o que custar, pois a maior riqueza não está aqui. Os santos e mártires mostraram isso, quando preferiram a morte a negar Jesus. Pedro negou Jesus três vezes por medo quando estava a caminho de seu martírio, mas depois que viu Jesus ressuscitado, ele não teve mais dúvidas de que o Reino dos Céus era e é real e não duvidou de que precisaria seguir o mesmo caminho do Mestre para chegar a estar com Ele novamente [3].

Como disse anteriormente, nosso preço a pagar por ser cristão não é mais o martírio, mas a ridicularização e várias vezes nos calamos por medo disso, mas o que é a ridicularização diante do sangue e do sofrimento de Jesus na cruz?

Não podemos mais pecar pela omissão, tempos muito difíceis para a Igreja se aproximam e se nos calarmos, nossos filhos sofrerão as consequências. Cada um do seu modo, no seu meio pode influenciar opiniões, se souber defender o que a Igreja prega com o amor e a convicção com a qual Jesus o fez.

O cristão deve lutar com as mesmas armas de Jesus, amor, paciência, paz e justiça. Deve defender o que acredita, haja o que houver, sem agredir ninguém. Configurar-se a Cristo, ser como Ele, essa é a nossa meta.

Que o Senhor nos abençoe!

 

 

Recomendo:

CEC 571-630.

[1] Lc 23,34.

[2] CEC 597.

[3] Lc 22,56-62.

BARRABÁS OU JESUS? – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, sejam, mais uma vez, muito bem vindos! O Ano da Fé prossegue e nosso estudo do Catecismo da Igreja Católica também. Assim, chegamos, nesta semana, aos números (571-594) do Catecismo que tratam da relação de Jesus com as principais instituições judaicas: a Lei, o Templo e o monoteísmo absoluto.

Aparentemente, essa temática não tem nada a ver com nossa vida concreta. Mas, Ícone - A chegada do Noivonão é bem assim. O Catecismo é categórico ao dizer que Jesus Cristo cumpriu plenamente a Lei, aliás, “Ele é o único que conseguiu cumpri-la com perfeição” [1]; que Ele venerou o Templo e o apontou como prefiguração de seu próprio mistério [2]; mas provocou escândalo de seus contemporâneos quando, por seu comportamento, manifestou-se como o próprio Deus salvador [3].

Aqui temos, caros irmãos e irmãs, uma lição importante, que fica ainda mais evidente se tomarmos em conta o fato de que esses números do Catecismo estão entre os que se referem à vida pública de Jesus e os que se referem diretamente ao mistério pascal, pois é aqui que vemos o motivo pelo qual Ele foi condenado à morte: Jesus foi condenado como blasfemo. Em outras palavras, Jesus Cristo é o Messias esperado, de uma maneira inesperada.

Jesus é verdadeiramente o Messias, o Cristo de Deus. Mas Ele não era, como se esperava, aquele que restauraria o reino político de Israel. Não. Jesus Cristo é simplesmente o Emanuel – Deus conosco. E isso é muito importante hoje, quando muitos querem impor-lhe uma boina cravejada de foice e martelo.

O que quero dizer-lhes, caríssimos, é que Jesus Cristo não foi, não é e nunca será Ícone - Julgamento de Jesusum revolucionário político: Ele é Deus conosco. Um revolucionário não cumpriria a Lei integralmente, nem veneraria o Templo. Talvez um revolucionário, naquela época, liderasse uma revolta contra Roma. Mas Jesus não o fez.

Provavelmente era isso que as lideranças judaicas esperavam, e, por isso, escolheram Barrabás. Acredito que, também nós, estamos diante da mesma escolha: “dizer ‘sim’ àquele Deus que age apenas com o poder da verdade e do amor ou apoiar-se no concreto, naquilo que está ao alcance da mão, na violência” [4]. Esta decisão está em nossas mãos.

E por que devemos escolher Jesus Cristo? Se Ele não trouxe nem a paz para o mundo, nem o bem estar para todos, nem um mundo melhor… Por que devemos escolhê-lo? Porque “Ele nos trouxe Deus (…), o verdadeiro Deus (…). Jesus trouxe Deus e assim a verdade sobre o nosso fim e a nossa origem; a fé, a esperança e o amor” [5].

Que a beatíssima Virgem Maria nos ampare com sua materna intercessão a fim de que possamos escolher Jesus Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e ajamos sempre com o poder da verdade e do amor. Pois “o reino humano permanece humano, e quem afirma que pode erigir um mundo santo concorda com o engano de Satanás, entrega-lhe o mundo nas mãos” [6].

Um fraterno abraço a todos, até breve!

 

 

[1] CEC 578.

[2] CEC 593.

[3] CEC 594.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até à Ressurreição. Cascais: Principia, 2011, p. 162.

[5] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 54.

[6] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 53.

Leitura recomendada: CARVALHO, Olavo. A mentalidade revolucionária. Disponível em: <http://www.olavodecarvalho.org/semana/070813dc.html>.

JESUS CRISTO NOS TROUXE DEUS – Por Luiz Guilherme de Andrade Menossi.

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Feliz Páscoa a todos! Cheios de alegria pascal reencontramo-nos para aprofundarmos nossa fé no Cristo Ressuscitado.

Seguindo nosso estudo sobre os mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, voltamo-nos para os mistérios de sua vida pública. Isto porque, confirmando o que meditamos na semana anterior, “toda a vida de Cristo foi um contínuo ensinamento” [1]. E embora a atividade pública de Jesus esteja restringida a um período curto de sua vida, o fato desta ser tomada como conteúdo central dos Evangelhos indica que ela tem muito a nos ensinar sobre Cristo e, consequentemente, sobre o ser cristão.

Não temos tempo hábil para olharmos com pormenores para todos os atos de Jesus. Todavia, nos voltamos, em unidade com o Catecismo, para os grandes momentos de sua vida pública que se inicia com seu Batismo, nas águas do rio Jordão, por São João Batista.

Se por um lado o Batismo se situa na história como o início do anúncio de Jesus, por outro se apresenta como uma importante baliza para compreendermos sua Ícone - Batismo de Jesusverdadeira missão. O batismo pregado por São João era “de conversão para o perdão dos pecados” (Lc 3,3). Quando Jesus, o Filho de Deus, homem “à nossa semelhança, sem todavia pecar” (Hb 4,15) se aproxima para ser batizado, está já naquele momento deixando-se ser contado entre os pecadores. Imergindo e reaparecendo nas águas do rio Jordão, já acena para sua Páscoa: “o batismo é a aceitação da morte pelos pecados da humanidade, e a voz do batismo é já um chamado de atenção para a ressureição” [2]. E esse fato, que é mistério da vida de Cristo, acaba por se tornar também mistério em nossas vidas, como ensina São Gregório Nazianzeno: “Sepultemo-nos com Cristo pelo Batismo, para ressuscitar com Ele” [3].

Também as tentações de Jesus no deserto tornam-se mistério para nossas vidas ao mostrar que todo batizado tem de encarar a realidade da tentação. Mas longe de ser uma notícia ruim, este mistério mostra como, em Cristo, podemos resistir ao Demônio, príncipe deste mundo. E as tentações mostram-nos ainda de que forma Jesus é Messias: “o oposto do que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe” [4]. Ao desprezar o pão, o poder e a riqueza, Jesus deixa claro que Ele não vem até nós para fazer com que esse mundo seja melhor. Sobre isso ensina o Papa Emérito Bento XVI em um dos seus livros:

“O que é que Ele [Jesus] trouxe? E a resposta é dada de um modo muito simples: Deus. Ele nos trouxe Deus” [5].

Quando entendemos que Jesus veio nos trazer Ele mesmo, compreendemos o que Ele diz ao afirmar que “o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15). Como nos diz novamente o Papa Emérito Bento XVI, citando Orígenes: “Jesus mesmo é o ‘Reino’; o Reino não é uma coisa, não é um espaço de domínio como um reino no mundo. É pessoa: o reino é Ele” [6].

E o Reino de Deus pertence aos pobres e aos pequeninos verdadeiramente. Ao Ícone - Sermão da Montanhaviver uma vida pobre, Jesus se une aos que sofrem da pobreza material e de suas mazelas. Cristo, o “Bom Samaritano”, se compadece de todos aqueles que sofrem. Mas como lembra o Catecismo, Ele “identifica-se com os pobres de todos os tipos” [7], incluindo aí os “pobres em espírito”, isto é, os pecadores. E aqui cada um de nós, pecadores que somos, nos unimos mais uma vez aos mistérios da vida de Cristo.

Para propagar o Reino de Deus, ou seja, a si mesmo, Cristo estabelece os doze Apóstolos. São eles que, chefiados por São Pedro, o primeiro Papa, dão início à Igreja de Cristo que é aqui nesta terra “o germe e o começo do Reino de Deus” [8]. Germe do Reino enquanto Igreja Militante, isto é, visível aqui na terra. Mas plenitude do Reino enquanto Igreja Triunfante que, com os anjos e santos nos Céus, já é inteiramente unida a Cristo, constituindo-se como seu Corpo (Cf. 1Cor 12,27).

É esta Igreja, Católica Apostólica Romana, que nos acolhe e nos apresenta o amor de Deus que se manifesta na vinda de Cristo. É ela que nos cumula de alegria ao lembrar que Cristo veio para “libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado” [9].

Sabemos que as fraquezas e fracassos dessa nossa vida passageira muitas vezes nos desanimam e fazer perder a Esperança. Mas também aí podemos aprender com os mistérios da vida de Cristo. Pois o mesmo Cristo que pareceria derrotado na Cruz, mostrou, na sua Transfiguração, um pouco de sua Glória Divina. Deixou claro que era Filho de Deus, mas que por sua livre vontade, caminharia para Jerusalém para enfrentar a morte e nos salvar. Olhando para seu exemplo, lembramos que “é necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14, 22).

Que a Santíssima Virgem Maria nos auxilie a vivermos nossa vida pautada na de seu Filho para que, depois da cruz, possamos com Ele ressuscitar para uma vida nova.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 561.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 34.

[3] CEC, n. 537.

[4] CEC, n. 540.

[5] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 54.

[6] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 59.

[7] CEC, n. 544.

[8] Lumen Gentium, n. 5.

[9] CEC, n. 549.

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