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OBRIGADO, BENTO XVI! – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros irmãos e irmãs do CommunioSCJ, sejam, como sempre, muito bem vindos! Vivemos o Ano da Fé e, acolhendo a proposta do Santo Padre Bento XVI, estamos estudando o Catecismo da Igreja Católica. Mas, nesta semana, interrompemos um pouco este caminho para, ainda no espírito do Ano da Fé, deixarmo-nos levar pelo movimento quase incontrolável que toma conta da atmosfera por esses dias: refiro-me a deixar que nosso pensamento e coração, nossa súplica e nossa ação de graça corram a Roma e para o mesmo Bento XVI, que termina hoje seu ministério na Cátedra de S. Pedro.

Ainda me lembro, como se fosse ontem, da alegria que me invadiu quando ele Bento XVI (em 2005)surgiu na sacada em S. Pedro, de branco e vermelho, para dirigir a palavra e abençoar a Igreja do mundo inteiro. Sim, naquele dia eu já admirava o brilhante Joseph Ratzinger. Contra todo mau agouro que a classe falante lhe impunha, contra a severa imagem que lhe fora pintada aqui no Brasil, eu já lhe era profundamente agradecido: “este homem defende o que tenho de mais valioso, a fé católica”. A alegria por vê-lo Papa era por saber que o ministério petrino estava em boas mãos.

A esta primeira alegria, sucedeu uma segunda: desde então, seria difícil escondê-lo. Principalmente depois de sua visita ao nosso país, em 2007: era muito difícil continuar sustentando as calúnias. Porque não há um abismo entre Joseph Ratzinger e Bento XVI. Mas há um abismo entre o que se dizia dele e o que ele é realmente.

Num movimento progressivo, suas publicações ficaram menos escondidas desde Bento XVI, o teólogoentão. Há pouco em português, ainda. Mas ler o que Ratzinger escrevia já não era sinal de intolerância. E ler o que Bento XVI passou a escrever passou a ser quase uma obrigação. Uma leve obrigação, é verdade. Pois como não sentir alegria e gratidão ao ler O Sal da Terra; a Introdução ao Cristianismo; Dogma e anúncio; Fé, Verdade e Tolerância ou Deus existe? Como não admirar suas encíclicas e exortações apostólicas, seus discursos, suas catequeses? Como não se render à sua extrema lucidez refletida nas suas respostas em Luz do Mundo? Como não sentir o coração arder a cada página dos três volumes de Jesus de Nazaré?

Por outro lado, talvez a palavra que defina melhor meus sentimentos em relação ao Santo Padre Bento XVI é gratidão. Gratidão por sua energia no combate ao mal, escandaloso ou não. Gratidão por sua coragem em não se dobrar às pressões (para mim inimagináveis) que sofreu para apostatar o Evangelho. Também porque nunca se defendeu, mas apontou sempre a Verdade. Gratidão porque mesmo no Bento XVI, última audiência públicameio do Vatileaks, não havia em quê acusá-lo.

Por isso, este meu texto tem a intenção de expressar esta gratidão. Ainda com o coração apertado e um pouco assustado – confesso. Mas, imensamente grato. Grato por ver que Bento XVI não é só um brilhante teólogo e escritor, mas possui virtudes tão nobres e grandes que trazem o perfume de Jesus Cristo. Grato porque Joseph Ratzinger não é um homem de palavras, mas uma testemunha. Grato por saber que, quando for muito difícil amar a Deus e Sua Santa Igreja, tenho para quem olhar. Porque no rosto cansado deste grande pontífice, agora emérito, resplandece a luz da verdade de que “amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre diante dos olhos o bem da Igreja e não a nós mesmos” [1].

A Sé de Pedro está vacante. Rezemos a nosso Senhor que suscite à Igreja o Pontífice de que necessitamos. Confiemos n’Ele, que prometeu nunca nos abandonar. E observemos bem: a Igreja está viva. Que a Santíssima Virgem Maria continue iluminando seu caminho, Bento. Continuaremos unidos junto ao altar de nosso Senhor. E, mais uma vez, muito obrigado!

 

 

[1] Bento XVI. Audiência geral de 27 de fevereiro de 2013, última de seu pontificado. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2013/documents/hf_ben-xvi_aud_20130227_po.html>.

“MEU SENHOR E MEU DEUS” (Jo 20,28) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

1 Comentário

Olá novamente, amigos. É muito bom tê-los conosco neste espaço de divulgação de nossa fé.

Continuando nosso estudo acerca dos títulos comumente atribuídos a Jesus queremos agora entender melhor o que há por detrás da expressão Senhor. Como sinaliza o Catecismo, este título possui origem no Antigo Testamento. É à luz dele que compreendemos seu sentido mais profundo.

Senhor é a fórmula utilizada pelo povo da antiga Aliança para designar Deus. Evitando pronunciar o nome inefável com o qual Deus se revelou a Moisés, Iahweh, Ícone - Cristo Rei (2)os judeus começaram a utilizar a palavra hebraica Adonai para se referir a Ele. Nas versões gregas do Antigo Testamento, entretanto, esta palavra foi substituída por Kyrios, que posteriormente seria traduzida para o latim como Dominus e para português como Senhor.

É assim que, na continuidade da Tradição cristã, ao chamarmos Jesus de Senhor exprimimos nossa fé na sua divindade. Diante do Ressuscitado, continuamos a nos prostrar para dizer, como São Tomé, “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Continuamos a professar com toda a Igreja que “o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai cabem também a Jesus” [1].

Mas indo além dessa constatação tão obvia para um cristão, é preciso atentar para outro significado do título Senhor. Com ele expressamos ainda o senhorio de Cristo sobre o mundo e a história [2], bem como sobre a nossa vida. Porque fazendo-se homem, o Filho de Deus nos mostrou como é um ser humano de verdade. Mostrou que ao nos submetermos por amor ao Pai, encontramos nossa realização.

Em seu livro Jesus de Nazaré, o Papa Bento XVI explica como Jesus é Senhor: “N’Ele Bento XVIDeus está agora em ação e é verdadeiramente Senhor – dominado devidamente, isto é, não com o poder do mundo, mas dominando através do amor que vai até ‘o fim’ (Jo 13,1), até a cruz” [3]. É através do exemplo de Cristo, que se submeteu ao Pai em tudo, que compreendemos que “o homem não deve submeter sua liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o Senhor” [4].

Para ser cristão não basta crer em Deus. É preciso abrir o coração para que Ele reine em nós. E se essa submissão é difícil para uma alma manchada pelo pecado original, nosso Senhor Jesus Cristo vem ao nosso auxílio. Ao nos unirmos a Ele – na oração, na Igreja, na Eucaristia – nos tornamos também dóceis à vontade do Pai. Nesse momento, nossa alma se depara com a felicidade plena.

Que auxiliados pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, possamos professar com sinceridade que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl 2,11).

Até a próxima.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 449.

[2] Cf. CEC, n. 450.

[3] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 68.

[4] CEC, n. 450.

ESTAR SOB O SENHORIO DE JESUS CRISTO, VERDADEIRA RENOVAÇÃO DA IGREJA – Por Fr. Lucas, scj.

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Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, como sempre, sejam muito bem vindos. Continuamos nosso caminho neste Ano da Fé avançando na leitura do Catecismo da Igreja Católica. Nesta semana, nos deteremos um pouco mais demoradamente em Jesus Cristo como nosso Senhor.

O texto do Catecismo nos ensina (nn. 446-451) que o título de “Senhor” foi atribuído a Jesus de Nazaré desde os primórdios da Igreja com toda a força de sentido com que era empregado pelos judeus, ou seja, era “o nome mais habitual para designar a divindade do Deus de Israel” [1]. Esta atribuição, porém, não se Jesus Cristo - Kyriosdeu gratuitamente como uma espécie de psicose coletiva dos discípulos, mas a partir das palavras de Jesus e dos seus atos de domínio sobre a realidade criada [2]. Por isso, sob o auxílio do Espírito Santo, dizer que Jesus é o Senhor significa, desde as comunidades primitivas, reconhecer o mistério da divindade de Jesus [3].

Assim, “desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor». «A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre»” [4].

Meus irmãos e irmãs, isto é muito sério… Porque reconhecer o senhorio de Cristo sobre toda história humana nos obriga, em primeiro lugar, à humildade. Se Jesus Cristo é o Senhor – e Ele é – não há lugar para um “eu também”. Se Ele é o Senhor, significa que não há outro. E, portanto, somos servos. Seus servos. Então, devemos obedecê-lo.

E aqui, irmãos, encontramos uma liberdade que não se explica, mas se experimenta. Escolher Cristo é um ato livre que produz liberdade. Como dizia Tertuliano, a “vida cristã é como uma lâmpada que ilumina o ambiente, quem olha de fora só vê o fogo, mas lá dentro está o óleo da unção”, porque o jugo deste Senhor é suave e seu peso é leve [5], pois quem tem o Deus verdadeiro como Senhor não é escravo de nenhum ídolo.

E é justamente a isto que o Santo Padre Bento XVI nos está chamando no final de seu ministério petrino: “a Igreja, que é mãe e mestra, chama todos os seus membros Bento XVI (17.02.2013)a renovar-se no espírito, a reorientar-se decididamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor. Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo propício para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do caminho de Deus” [6].

O Papa nos está chamando, caros irmãos e irmãs, neste grave tempo em que vivemos, à renovação da Igreja. Não como gostariam os césares de nosso tempo ou a classe falante deste Brasil guaranil (ou ignorante, ou mal intencionada; em todos os casos, louca). O Papa nos chama à renovação, mas não à traição do Evangelho submetendo-nos à ditadura do relativismo. Não. Esta renovação à qual, repito, somos chamados, é a reorientação firmemente decidida de nosso ser a Deus. Ou seja, nossa tarefa é fazer da fé em Deus o critério básico de nossas escolhas cotidianas assumindo, para tanto, o combate espiritual que nos é proposto.

O Santo Padre Bento XVI sempre nos chamou e nos orientou no caminho do bem e da verdade contra a ditadura do relativismo. Não seria agora que ele capitularia no combate. Ele continua firme no caminho de Cristo, que é o caminho da vitória. E nós, de que lado estamos?

Que a Santíssima Virgem Maria nos acompanhe com sua materna intercessão, a fim de não esmorecermos.

Um fraterno abraço a todos. Até breve.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 446.

[2] Cf. idem, n. 447.

[3] Cf. idem, n. 448.

[4] Idem, n. 450.

[5] Cf. Mt 11,30.

[6] BENTO XVI. Nas tentações o que está em jogo é a fé, porque está em jogo Deus. Disponível em: <http://www.zenit.org/pt/articles/nas-tentacoes-o-que-esta-em-jogo-e-a-fe-porque-esta-em-jogo-deus>.

QUEM É O SENHOR DO TEU CORAÇÃO? – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos queridos!

Estamos, nesta semana, refletindo sobre a última conotação de Jesus tratada no Catecismo, o senhorio de Jesus.

No Antigo Testamento, Kýrios, que significa Senhor, era como o povo se referia a Deus, já que seu nome sagrado era impronunciável por todos os judeus.

No Novo Testamento, as pessoas reconhecem o senhorio de Jesus sobre a natureza, sobre as doenças, sobre a morte, sobre os demônios e passam a tratá-lo também por Senhor. As pessoas reconhecem a divindade de Deus agora presente em Jesus [1].

Porém, nem todo aquele que chama Jesus de Senhor garante a sua salvação. Jesus rejeita os hipócritas que invocam seu nome em vão e entregam o senhorio Kýriosde suas vidas às coisas terrestres. E quantos não são os “senhores” que possuem os corações humanos? Os vícios, o dinheiro, os bens materiais, a vaidade, o orgulho, o poder, a luxúria e tantos outros.

Chamar Jesus de Senhor é muito sério. Não é apenas uma forma de falar, é dar-lhe pleno poder para reinar em nossa vida, é confiar realmente nas palavras do Evangelho e seguir todas as instruções que Jesus deixou na Sagrada Escritura. Chamar Jesus de Senhor é reconhecer sua total soberania sobre as coisas, jamais colocá-lo em segundo plano. Não é rezar pedindo a ajuda dele hoje e amanhã “deitar e rolar” com as coisas do mundo. Ele mesmo diz que é impossível amar a dois senhores ao mesmo tempo: “ou amará um e odiará o outro e vice-versa” [2]. Ou amamos a Ele de todo coração e com toda alma e desprezamos as coisas terrestres, ou nos apegamos a estes bens materiais e espirituais (apego aos filhos, ao trabalho, até à tranquilidade, etc) e desprezamos àquele que sim deveria ser nosso senhor. Se escolhermos nos apegar a estas coisas, infelizmente não haverá espaço para Jesus, pois não podem coexistir no mesmo espaço dentro do coração humano, quando um entra, o outro sai.

Deixamos tanto nosso apego nos escravizar que não percebemos o quanto ele é danoso para a saúde da nossa alma, tanto que mesmo sofrendo, não abrimos mão dele. Mas Jesus, ao contrário, quer nos libertar, nos dar a paz que nada, nem ninguém neste mundo pode dar.

Precisamos conformar nossos pensamentos aos pensamentos de Cristo e lhe permitir que habite em nós, pense em nós e viva em nós [3]. Este é o senhorio de Jesus.

Jesus deseja libertar nosso coração de todos os apegos, dar-nos uma liberdade plena que nos ajudará a voltar para casa de Nosso Pai, pois somente num coração limpo de impurezas Jesus pode habitar.

Que Jesus assuma para Si tudo o que somos, tudo o que temos e vivemos, pois já não queremos mais que o mundo nos consuma, apenas em Ti queremos nos consumir, amém!

Boa semana a todos!

 

 

[1] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.

[2] Mt 6, 24

[3] Cf. DAJCZER, Tadeusz. Meditações sobre a fé, p. 42-44.

O FILHO, SINAL DO AMOR DE DEUS – Por Fr. Lucas, scj.

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Caros amigos do CommunioSCJ, mais uma vez, sejam bem vindos. Sem dúvida, o assunto mais comentado no momento é a renúncia do Santo Padre Bento XVI, apresentada aos cardeais em consistório no último dia 10. Já tive ocasião de lhes dirigir algumas palavras a este respeito quando publiquei o texto integral do anúncio [1]. Por isso, foco, neste texto, a fonte de nossa esperança, que nos ampara e ilumina, retomada hoje pelo mesmo Bento XVI no início de sua catequese: a Igreja é de Cristo [2].

E, no nosso estudo do Catecismo, estamos justamente nos perguntando quem é este Jesus Cristo. A resposta começa em olharmos os títulos que foram dados a Ele já nos Ícone - Ressurreiçãotempos apostólicos. Neste texto, em particular, nossa atenção se concentra sobre uma verdade fundamental: Jesus Cristo é o Filho de Deus.

O convívio com Jesus de Nazaré, o testemunho de suas palavras e atos, suscitaram nos apóstolos, sobretudo após a Ressurreição, a certeza de fé que n’Ele havia algo mais que um simples humano. Como o texto do Youcat nos lembra: “em toda humanidade, apenas Jesus é mais que um ser humano” [3]: Jesus é o próprio Deus. Ele mesmo o disse! (cf. Lc 22,70) Mas é interessante notar que nas ações que os apóstolos presenciaram, Jesus se revelara o Filho de Deus: “nos grandes momentos sentiam-se os discípulos abalados: isto é Deus mesmo” [4].

Isso fica evidente na oração de Jesus. Nela, Ele dirige-se ao Pai com uma intimidade que era impossível para sua época. De tal forma que “a oração de Jesus é a verdadeira origem desta expressão ‘o Filho’” [5]. E, assim, se manifesta a originalidade desta relação íntima que Jesus vive com o Pai: manifesta-se o mistério do diálogo de amor que é a Trindade.

Ora, se é assim, Deus está conosco em Jesus Cristo. O Deus imenso, vivo e Bento XVI - Missa de cinzas (2013)verdadeiro, preocupa-se conosco a ponto de vir ao nosso encontro em Jesus de Nazaré. Está claro que Deus é Amor que nos ama primeiro (cf. 1Jo 4,8.10). Por isso, “toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus” [6]. De forma que a Quaresma surge como tempo de renovação de nossa vida cristã, sempre experimentada como uma luta sob o grave risco da tibieza.

Portanto, concretamente, somos convocados pelo Santo Padre Bento XVI a redescobrir o entrelaçamento da fé e da caridade [7] a fim de que não nos contentemos com aquilo que o Espírito já produziu em nós. É este testemunho que, no meu ponto de vista, precisamos dar aos nossos contemporâneos. Assim, teremos a oportunidade de seguir o conselho de Paul Claudel: “Fala de Cristo apenas quando te perguntarem! Mas vive de tal forma que te perguntem por Cristo!” [8].

Que a Santíssima Virgem Maria nos ajude com sua materna intercessão a não esmorecermos diante das vicissitudes de nossa vida.

Um fraterno abraço a todos! Até a próxima semana.

 

 

[1] Bento XVI anuncia renúncia. Disponível em: <https://communioscj.wordpress.com/2013/02/11/bento-xvi-anuncia-demissao/>.

[2] BENTO XVI. Audiência: “Agradeço a todos pelo amor e pela oração”. Disponível em: <http://pt.radiovaticana.va/bra/Articolo.asp?c=664503>.

[3] Youcat, p. 53.

[4] RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 260.

[5] Idem, p. 291.

[6] BENTO XVI. Mensagem para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[7] Recomendo vivamente a leitura da Mensagem de sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2013. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html>.

[8] Youcat, p. 53.

 

Artigo recomendado:

“A renúncia do Papa e os oportunistas da imprensa secular” – Por Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr. Disponível em: <http://padrepauloricardo.org/blog/a-renuncia-do-papa-e-os-oportunistas-da-imprensa-secular>.

“NA VERDADE, ESTE HOMEM ERA FILHO DE DEUS” (Mc 15,39) – Por Luiz Guilherme Andrade Menossi.

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Olá, queridos amigos do CommunioSCJ.

Nesta semana, em que fomos pegos de surpresa pelo pedido de demissão de nosso amado Papa Bento XVI, é provável que muitos de nós estejamos ainda um pouco entristecidos. Creio que isso seja natural. Manifesta o amor que temos por este homem de Deus que tanto bem fez pela Igreja de Cristo. Mas que esse momento de incerteza não tire nossa paz e esperança. Como católicos, continuemos a confiar nas palavras Jesus sobre sua Igreja: “as forças da morte não poderão vencê-la” (Mt 16,18). Confiemos porque essas palavras não são de um homem qualquer, mas do Filho de Deus, título que meditamos nesta semana, seguindo as páginas do Catecismo da Igreja Católica.

No Antigo Testamento, a expressão Filho de Deus surge para mostrar “uma filiação Ícone - JCadotiva que estabelece entre Deus e sua criatura relações de uma intimidade especial” [1]. Já no Novo Testamento, essas palavras encontram novo significado na Pessoa de Jesus Cristo. É o que nos explica o Papa Bento XVI em livro Jesus de Nazaré:

“Se as testemunhas de Jesus nos anunciaram que Jesus é o ‘Filho’, então isto não é entendido em sentido mitológico nem em sentido político, as duas interpretações que se ofereciam a partir do contexto do tempo. Ele deve ser entendido de um modo totalmente literal” [2].

Segundo a fé que recebemos da Igreja Católica, Jesus é Filho de uma forma diferente e mais profunda. É isso que o evangelista São Lucas nos mostra na narração da perda do menino Jesus, então com doze anos. Conta-nos que depois de três dias procurando por Jesus, ao encontrá-lo no Templo, Maria lhe diz: “Filho, porque agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos angustiados, à tua procura” (Lc 2,48). E a resposta de Jesus é surpreendente: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar naquilo que é do meu pai?” (Lc 2,49). Mais uma vez é o Papa Bento XVI quem Bento XVI (13.02.2013)nos explica: “Jesus corrige-a: Eu sou com o Pai. O meu pai não é José, mas um Outro: o próprio Deus. A Ele pertenço, com Ele estou” [3].

Jesus não é filho como nós somos. O ser Filho de Jesus significa “uma perfeita comunhão de conhecimento, que é ao mesmo tempo uma comunhão de ser” [4]. Jesus é Deus. É Deus com o Pai e o Espírito Santo.

É precisamente por se colocar como Filho de Deus nesse sentido totalmente novo e profundo que Jesus foi condenado pelo Sinédrio. Embora alguns teólogos liberais façam contorcionismos lógicos para mostrar que Jesus foi morto por motivos políticos, uma leitura atenta do Evangelho nos mostra que sua condenação se deu por motivo religioso:

“O sumo sacerdote perguntou de novo: ‘És tu o Cristo, o Filho de Deus Bendito?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou.’ […] O sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: ‘Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?’ Então, todos o sentenciaram réu de morte.” (Mc 14,61-64). A condenação “política” diante Pilatos é apenas uma farsa, um teatro.

Se os ensinamentos e milagres de Jesus não convenceram os homens de seu tempo de que Ele possui a filiação divina, o mistério de sua Páscoa pode. “É depois de sua Ressureição que a filiação divina de Jesus aparece no poder de sua humanidade glorificada” [5]. Diante destes mistérios, reconhecemos e proclamamos, como o centurião diante de Jesus morto na cruz, que “Na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15, 39).

Que a Santíssima Virgem Maria, que gerou o Filho de Deus em seu ventre imaculado, interceda por nós, para que nos tornemos também filhos do Pai, por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Um ótimo início de Quaresma.

 

 

[1] CEC (Catecismo da Igreja Católica), n. 441.

[2] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 272.

[3] RATZINGER, J. A Infância de Jesus. São Paulo: Planeta, 2012, p. 103-104.

[4] RATZINGER, J. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007, p. 288.

[5] CEC, n. 445.

JESUS NÃO VEIO PARA SER SERVIDO E SIM PARA SERVIR, EIS O EXEMPLO DEIXADO PELO MESTRE – Por Fabiana Theodoro.

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Olá, amigos!

Continuando o tema da semana passada, que eram os vários títulos conferidos a Jesus, falaremos de mais um deles, que nos ajudará a entender um pouco mais a natureza Dele e de sua missão: Filho único de Deus.

Filho de Deus, no Antigo Testamento é um título dado aos anjos, ao povo eleito, aos filhos de Israel e a seus reis, ou seja, ao chamarem Jesus assim, ainda não reconheciam nele uma realidade transcendental, além do humano, somente era, na concepção deles, um novo rei [1].

Devemos considerar que o Messias esperado pelos judeus deveria ser um grande guerreiro capaz de formar e liderar um exército contra Roma, libertar o povo da sua opressão e retomar o trono de Israel.

Quando Jesus surgiu pregando sobre a justiça, o povo sabia que era Ele o Messias, mas não entenderam o verdadeiro teor das suas palavras, acreditavam estar próximos de um novo rei revolucionário, capaz de mobilizar multidões, que iria prepará-los para lutar pela liberdade de seu povo. Mas esse não era Jesus. Jesus era o Messias que veio servir e não ser servido.

Somente Pedro o reconheceu verdadeiramente em sua Profissão de Fé, quando Jesus Aquele que tudo regeperguntou aos discípulos, quem o povo dizia ser Ele: “Tu és o Filho do Deus vivo,” disse Pedro, mas ainda não compreendia exatamente o sentido dessas palavras, o que podemos notar, quando Jesus diz a Pedro que ele só poderia ter percebido isso porque Deus assim o revelou, pois na sua limitação humana, não conseguiria [2]. Além destas primeiras palavras, o próprio Deus o havia revelado em mais duas ocasiões solenes da vida de Jesus, no Batismo e na Transfiguração: “Eis o meu filho bem-amado”.

Jesus é o único Filho de Deus, já estava ao lado do Pai antes de toda a Criação. O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e através dele e por Ele, nós também nos tornamos filhos adotivos de Deus [3]. Não nascemos filhos de Deus, mas através do Batismo, somos vocacionados a ser. Pelo sangue de Jesus que nos reconcilia com Deus, somos convidados a uma vida nova, longe da desobediência de Adão.

A filiação divina de Jesus se concretiza no momento máximo de sua humanidade, na Bento XVI_06sua morte, onde pôde experimentar até o fim nossas misérias. Após se libertar da matéria pôde se revelar aos discípulos na sua verdadeira natureza. Eis a razão da nossa fé cujo Deus amou tanto o mundo que enviou seu único Filho, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna [4]. Quando partiu, Jesus ergueu-nos acima de nós mesmos e abriu o mundo a Deus. Por isso os discípulos puderam transbordar de alegria quando voltaram de Betânia para casa [5]. Deus não se revelou aos homens por outro meio que não fosse Jesus Cristo. É pelo rosto do Filho que podemos conhecer o Pai.

O testemunho dos apóstolos, a quem Jesus confiou a sua Igreja chegou até nós conforme o desejo de Deus. Desde então, após Pedro, muitos conduziram a história da Igreja até hoje, chegando ao Papa Bento XVI, que nesta semana, em onze de fevereiro apresentou sua renúncia ao Pontificado. A Igreja orgulha-se de tê-lo como pastor nestes últimos anos e orgulha-se pela grande lição de humildade que calou o mundo. Muitos especulam sobre os motivos que o levaram à renúncia e muita bobagem ainda ouviremos da mídia, porém uma coisa é certa e indiscutível: a decisão que ele tomou foi fruto de muitas orações. Ele sabe que Deus tem algo maior que suas forças para a Igreja e submeteu-se à sua vontade demonstrando grande desapego.

Tenho certeza absoluta que Deus já sabe quem será o novo Papa e que este será fonte de muitas bênçãos para sua amada Igreja, assim como o foi Bento XVI que contará sempre com nosso respeito pela sua humildade, com nosso amor pela forma como conduziu-nos até agora e com nossas orações para que continue contribuindo com a nossa Igreja pelo seu exemplo e suas excelentes obras teológicas.

“Na fé, sabemos que Jesus, abençoando, tem as suas mãos estendidas sobre nós. Tal é a razão permanente da alegria cristã” (Bento XVI).

Boa semana a todos.

 

 

CIC 441-445

[1] 441

[2] M 8, 27-35

[3] Jo 1,1

[4] Jo 3, 16

[5] BENTO XVI. Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição, pg. 236.

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