Vivat Cor Iesu,

Per Cor Mariae!

 

Caros amigos do CommunioSCJ, irmãos e irmãs em Cristo, sejam sempre muito bem vindos ao nosso blog. Neste final de semana, este espaço já completa um ano. Como passou depressa! Mais que os oito mil acessos conseguidos até agora, nossa alegria é, com a Graça de Deus, poder fazer algo, mesmo que pequeno, para que nosso Senhor, grande Deus e Salvador, Jesus Cristo seja, na Igreja católica, conhecido, adorado e servido. Obrigado pela confiança e pela companhia neste ano! Que muitos outros, tantos quantos nosso Senhor nos conservar neste empreendimento, sejam repletos de sua força e de sua graça.

Considero uma graça da Providência que, neste tempo de aniversário do blog, estejamos com nosso coração voltado para Cristo através do testemunho de Santo Agostinho durante o tempo quaresmal: excelente oportunidade para que nos convertamos. Junto com o Papa Bento XVI [1], chegamos àquilo que o próprio pontífice considera como o núcleo da biografia do mais célebre bispo de Hipona: a relação entre fé e razão; a busca sincera da Verdade.

Diz-nos Agostinho logo depois de sua conversão: “parece-me que se deve conduzir os homens à esperança de encontrar a verdade” [2]. Esta frase mostra como o Doutor da Graça é um profundo conhecedor da pessoa humana… Nem parece que foi escrita há mais de 1600 anos: parece mais que foi escrita para os homens de hoje.

De fato, não é difícil encontrar alguém que creia não existir ou acredita que seja impossível encontrar a verdade em si mesma. Tudo é relativo. Na verdade, para usar as palavras do Santo Padre Bento XVI [3], vivemos tempos em que impera a ditadura do relativismo. Pode-se acreditar que nada seja definitivo. Pode-se acreditar em todo tipo de coisas (cristais, bruxarias, encantamentos, harmonia com as energias cósmicas), menos que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, seja a Verdade em si mesma que se manifestou a nós como único caminho de salvação.

Tudo é perfeitamente crível, menos aquilo que é evidentemente a única realidade credível: Jesus Cristo é o Senhor. E não nos deve admirar que existam tantas pessoas perdidas, sem sentido para sua vida, afundadas em diversos vícios que escravizam… Pois é no encontro com Ele que nos encontramos a nós mesmos: “um homem que está longe de Deus está também longe de si, alienado de si mesmo, e só pode encontrar-se encontrando-se com Deus” [4].

Irmãos e irmãs, nosso coração espera por encontrar-se com Jesus! “Criaste-nos para ti e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em ti”, exclamava Agostinho [5]. Em cada ser humano que se entrega ao pecado existe um coração sedento da paz que vem de Deus! Por que procurar o sentido da vida onde ele não está? Por que continuar vivendo escravo de libertinagens mil? Por que não render-se ao único amor que pode preencher nosso coração de uma vez por todas – visto que é infinito e perfeito? Ainda não compreendemos que servir na casa de Deus é ser livre e ser livre longe desta casa é ser escravo [6]? Volta para casa! Nosso Senhor nos ama com um amor perfeito, belo e infinito! Precisamos, sem demora, nos colocar num movimento de volta para casa [7]!

Não tenhamos medo! Deus não nos tira nada do que torna a vida bela e feliz [8]! De volta, poderemos todos exclamar:

“Tarde Vos amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos Amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu fora, e ali vos procurava, e nas belezas que criastes, disforme, eu me lançava. Estáveis comigo, mas eu não estava convosco. De Vós mantinham-me distante as coisas que, se não existissem em Vós, não existiriam. Chamastes-me, gritastes e rompestes a minha surdez; brilhastes, mostrastes o Vosso esplendor e dissipastes a minha cegueira; exalastes o Vosso perfume e eu o respirei suspirando por Vós; saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede; tocastes-me, e me inflamei na Vossa paz” [8].

Deus, nosso Senhor, só não pode fazer isto por nós: voltar para casa em nosso lugar… O primeiro passo, mesmo que o caminho pareça impossível e o ponto de chegada distante, é abrirmo-nos à esperança de encontrar a Verdade.

Que Santo Agostinho e a Bem-aventurada Virgem Maria nos sustentem neste caminho!

Desculpem-me se escrevi demais…

Grande abraço! Fiquem com Deus! E até a próxima!

 

 

[1] Cf. BENTO XVI. “Santo Agostinho (III): a doutrina; fé e razão”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 174-178. Disponível em: <>.

[2] SANTO AGOSTINHO. Ep 1,1. In BENTO XVI. Idem, p. 177.

[3] RATZINGER, Joseph. Homilia na Missa pela eleição do Papa (18/04/2005). Disponível em: <http://www.vatican.va/gpII/documents/homily-pro-eligendo-pontifice_20050418_po.html>.

[4] BENTO XVI. “Santo Agostinho (III): a doutrina; fé e razão”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 176.

[5] SANTO AGOSTINHO. Confissões I,1,1. In BENTO XVI. Idem, p. 176.

[6] Cf. Lc 15,11-32.

[7] “A Igreja Católica é o lar natural do espírito humano. A estranha perspectiva da vida, que ao princípio parece um quebra-cabeça sem sentido, tomada sob esse ponto de vista, adquire ordem e sentido”. Trecho de uma carta de G. K. Chesterton a seu amigo Belloc.

[8] BENTO XVI. Homilia da Missa de Início de Pontificado. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2005/documents/hf_ben-xvi_hom_20050424_inizio-pontificato_po.html>.

[9] SANTO AGOSTINHO. Confissões X,27,38. In BENTO XVI. “Santo Agostinho (III): a doutrina; fé e razão”. In Os Padres da Igreja. São Paulo: Pensamento, 2010, p. 177-178.

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